domingo, 18 de fevereiro de 2018

LUGARES ESPETACULARES - PIRÂMIDES DE MEROÉ, SUDÃO

Quando se fala em pirâmides, logo se pensa no Egito e suas fabulosas construções - Queóps, Quefren e Miquerinos, chamadas "Pirâmides de Gizé", são as principais. Mas nem só no Egito foram construídas pirâmides - há muitas delas nas Américas (culturas pré-colombianas - Maias e Astecas), na China e há também particularmente um conjunto bastante interessante em outro país do Norte da África, o Sudão, chamadas de "Pirâmides de Meroé"Sobre as últimas, que constituem a maior concentração de pirâmides do mundo, é que falaremos a seguir.

Inicialmente, vale lembrar que as pirâmides de Meroé fazem parte de um sítio arqueológico mais amplo, intitulado "Sítios Arqueológicos da Ilha de Meroe", enquadrado pela UNESCO como Patrimônio Mundial Cultural da Humanidade desde 2011.  A referência a "ilha" se justifica pelo fato de que o local era, antigamente, rodeado por um rio, que hoje está seco.

Importante notar que as pirâmides em Meroé tem formato diferenciado em relação às mais famosas egípcias, sendo mais estreitas e alongadas.

As pirâmides e o sítio arqueológico de Meroé no Sudão. Foto: Fabrizio Demartis. CC BY-SA 2.0.


As fabulosas Pirâmides de Meroé, no Sudão.  Foto: Sunesis. In: Wikimedia Commons.
Meroé , localizada entre os rios Nilo e Atbara (Norte da África), foi o coração, e última capital (as duas primeiras foram Kerma e Napata), do "Reino Cuche (ou "Cuxe", ou ainda no inglês "Kush"), um vasto poder imperial ("os faraós negros") que dominou aquela região entre os séculos VIII a.C e IV d.C.  Localizada cerca de 200 quilômetros a nordeste de Cartum, a atração é pouco visitada, notadamente se considerarmos que o país em questão, o Sudão, passou por graves crises e conflitos internos, sendo de se destacar que a porção sul se separou e formou um novo país, o "Sudão do Sul".

Meroé localiza-se à nordeste da Capital do Sudão, Cartum.

As "Pirâmides de Meroé" são também chamadas de "Pirâmides Núbias".  Tal se deve ao fato de que estão localizadas na antiga região da Núbia, no vale do Rio Nilo, que hoje corresponde a parte do Egito e  parte do Sudão (mais precisamente entre Assuã, no Egito e Dongola, no Sudão).  A Núbia pode ser definida como a região do encontro da África Negra com o Egito. Ou seja, da região subsaariana com o norte da África.

Assim como as egípcias, as pirâmides núbias de Meroé tinham como função serem monumentos funerários.

Meroé, a capital histórica do Reino de Cuche, teve seu declínio no século IV d. C, sendo conquistada pelos etíopes de Axum, sob a liderança de Ezana (homem que fez do cristianismo a religião principal da Etiópia).

Pouco se sabe sobre a civilização Cuche. Pior ainda foi a destruição causada por um explorador italiano, de nome Giuseppe Ferlini, em 1834, que explodiu com dinamite o topo de todas as Pirâmides de Meroé em busca de ouro. 

Pirâmide em Meroé. Foto: Diakhalil. CC BY-SA 3.0 in: Wikimedia Commons.
Há muito ainda a ser explorado, em termos arqueológicos, no sítio de Meroé, com ameaças constantes às descobertas (sanções econômicas contra o país, construção de hidrelétrica, guerra civil, conflitos internos).

As ruínas de Meroé recebem apenas 15 mil turistas por ano. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

GDANSK, ESTRELA DO BÁLTICO!

Gdansk é, além de uma das cidades mais importantes da Polônia, uma das belíssimas atrações daquele país, localizada no Mar Báltico. Fazendo parte da Pomerânia e banhada pelo rio Vistula e pelo mar báltico, Gdansk tem importantes atrações, além de fatos e histórias que merecem ser contadas:

Gdansk tem um belo centro histórico.
1. Fundada no século X (são, portanto, mais de mil anos de história), a cidade já foi ocupada por alemães, poloneses e pelos cavaleiros teutônicos (1308). Pertenceu à "Liga Hanseática".  Entre 1793 e 1945, com o intervalo entre 1919 e 1939,  esteve sob o domínio alemão (antes Prússia), sendo chamada de "Danzig".  Danzig foi transformada em "Cidade Livre de Danzig" ou "Cidade Autônoma" em decorrência do Tratado de Versalhes (pós Primeira Guerra Mundial), em 1919, tratado esse que impôs severas restrições à Alemanha, derrotada naquela oportunidade. Nesse sentido, Danzig não pertencia nem à Alemanha, nem à Polônia, mas também não se constituiu num estado independente - à Liga das Nações cabia a tutela. Danzig fazia parte do famoso "corredor polonês", estreita faixa de terra de 150 km no atual território polonês dado àquela nação como forma de acesso ao Báltico. Hitler tomou de novo a cidade em 1939 e a manteve até 1945.

2. Foi em Gdansk que a Segunda Guerra Mundial teve início em 1º de setembro de 1939 com o ataque a Westerplatte, península pertencente à Danzig, em operação que se convencionou chamar "blitzkrieg" ("guerra relâmpago"). Foi aqui que o major Henryk Sucharski (1898-1946) resistiu bravamente às forças nazistas por sete dias, embora sem sucesso ao final. A expectativa dos soldados de Hitler era a tomada em poucas horas. Por isso, Sucharski é hoje um herói nacional da resistência polonesa em relação aos nazistas. O saldo da guerra para a cidade foi a sua quase completa destruição. Precisou ser reconstruída. Hoje tem muito do esplendor do que era antes.

3. Gdansk, em termos urbanos, não está isolada. Há duas outras cidades - Sopot, cidade costeira e a portuária Gdynia - que fazem com ela o que os poloneses chamam de "trojmiasto" que, em bom português, significa "Três cidades".

O curioso prédio retorcido de Sopot (Kryzywy Domek). CC BY-SA 3.0. In: WC.


4. O símbolo de Gdansk é netuno, o deus romano do mar.  Nada mais correto em uma cidade com vocação marítima. No coração da cidade velha reina a "Fonte de Netuno".

A Fonte de Netuno em Gdansk. Ao fundo, a Casa de Artus.

5. Gdansk é conhecida pelo comércio de âmbar. O âmbar é uma resina fóssil muito utilizada para confecção de objetos ornamentais, como brincos, colares. Não é mineral, mas tem status de pedra preciosa. Na Polônia, de clima temperado, foi produzida a partir dos pinheiros A resina agia como proteção contra insetos e bactérias que perfuravam as cascas dessas árvores. A substância, ao sair da árvore, se polimerizava (uma das formas de fossilização), formando uma substância endurecida. Segundo os comerciantes locais, o âmbar verdadeiro flutua na água; o falso, afunda.

Peças em âmbar em loja de Gdansk.


6. Gdansk é também a cidade em que surgiu o famoso sindicato "Solidariedade" (Solidarnósc). O Estaleiro de Gdansk é o marco do sindicato. O maior marco do Estaleiro é o seu portão, conservado como era nos tempos de greve.  Há uma praça inclusive que faz alusão ao importante sindicato, que já foi liderado por Lech Walesa e foi um baluarte na derrota do comunismo naquele país.

A marca do Solidariedade.

O Portão dos Estaleiros de Gdansk é mantido como nos tempos da greve.

7. O futebol não é o forte da cidade. O Lechia Gdansk foi fundado em 1945 e só tem uma Copa da Polônia no currículo (e nunca conquistou o campeonato polonês da primeira divisão). Mas o estádio da cidade, o PGE Arena, é simplesmente maravilhoso - feito de âmbar, foi inaugurado em 2010 para ser sede de vários jogos da Eurocopa 2012 (na primeira fase, jogaram Espanha vs Itália e Itália vs Irlanda; nas quartas de final, Alemanha vs Grécia).

PGE Arena em Gdansk. Foto de Dariusz Boczek. CC BY-SA 3.0. In: wikimedia commons.
8. O "Guindaste de Gdansk" (Zuraw Gdansk), de madeira, é uma atração da cidade, traduzida até em souvenirs. Era utilizada para a descarga de mercadorias. Foi construído em 1.444.

Guindaste de Gdansk. Foto de DerHexer. In: wikimedia commons.

9.  Igrejas, como em toda a Polônia, merecem menção. Em Gdansk, destacam-se a Igreja de Santa Maria e a Catedral de Oliwa.  Santa Maria é a maior igreja medieval construída com tijolos em toda a Europa. Destaca-se o relógio astronômico, que mostra horas, dias e até os feriados; a noite, há também a aparição de figuras representando Adão e Eva, apóstolos, os três reis magos. No interior da igreja, destaque para dois painéis: o da Caridade e o dos Dez Mandamentos. Na Catedral de Oliwa, chama a atenção o belíssimo órgão. 

Santa Maria em Gdansk.

Catedral de Oliwa.

10. Outras  atrações da cidade: Ulica Dluga (a "rua longa", a mais emblemática rua da cidade; a maioria dos prédios foi destruída na Segunda Guerra Mundial; hoje reconstruiu-se os prédios principais); Dlugi Targ (também uma das principais ruas do centro histórico, é onde está a Fonte de Netuno); Artus Court (lugar de encontro da burguesia na Idade Média); Museu Marítimo Polonês; Museu Nacional.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

TORUN, A MEDIEVAL CIDADE NATAL DE COPERNICO!

A Polônia tem centros históricos belíssimos. Pode-se citar Cracóvia, Varsóvia, Wroclaw, Poznan, Gdansk, entre outras. Mas uma das maiores preciosidades daquele país da Europa Central que margeia o mar Báltico é, sem dúvida, a antiga cidade prussiana de Torun. 

Torun, centro histórico.

A história de Torun é associada à Ordem Teutônica ("Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria de Jerusalém"), ordem militar cruzada atrelada à Igreja Católica fundada no ano de 1190. Foram os monges teutônicos que fundaram essa cidade as margens do Rio Vistula no norte da Polônia, no ano de 1233, em uma época em que o cristianismo estava sendo disseminado por toda a Europa Oriental. Torun, como dissemos anteriormente, fazia parte da Prússia, região histórica que englobava partes do que é hoje Alemanha, Polônia e Letônia.

Uma lenda curiosa de Torun envolve o violinista e os sapos. Segundo a curiosa lenda, um grande número de rãs invadiu a cidade, gerando pânico nos moradores. Ninguém sabia como resolver o problema. Eis que surge um comerciante de madeira que veio de longe e começou a tocar o violino. A música atraiu as rãs atrás dele, que buscou sair da cidade. Conseguido o intento, o violinista jogou o seu instrumento no rio e, como recompensa, ganhou  a mão da filha do prefeito da cidade. Hoje dizem que quem pega nos sapos da Praça Velha tem sorte em abundância...

O violinista e as rãs. Homenagem à lenda em plena Praça Velha.
Pegar nos sapos dá sorte.
O sapo.

Torun tem vários locais interessantes para se conhecer. 

A visita sempre começa pela "Casa de Copérnico". Isso mesmo, a cidade é a terra natal de Nicolau Copérnico (1473-1543), o fundador da astronomia moderna. Copérnico deflagrou os estudos referentes à teoria heliocêntrica (sol como centro do universo, em contraposição à teoria geocêntrica, que considerava a terra como o centro universal), em uma perspectiva matemática, que, posteriormente, ainda foi mais desenvolvida por outros cientistas, como Kepler (1571-1630), Tycho Brahe (1546-1601) e Galileu Galilei (1564-1642), este último acusado de heresia pela Igreja Católica medieval (Santa Inquisição). Copérnico deu o pontapé inicial, errando apenas ao descrever que as órbitas dos planetas eram circunferências; Kepler posteriormente constatou serem elípticas. 

 
A Casa de Copérnico é a mais alta.
 O Centro Histórico da cidade, dos mais belos da Europa, é muito bonito e fácil de se percorrer a pé (duas horas são suficientes para um ótimo passeio). Tem várias atrações, sendo que as mais importantes são: a Igreja da Virgem Maria (gótica);  o Teatro Wilam Horzyca (construído em 1904, tem estilo art nouveau com elementos neobarrocos); Velha Praça do Mercado; a Nova Praça do Mercado; Town Hall (construído entre 1391 e 1399, é, hoje, um museu com arte gótica, pinturas do século XIX e artigos locais); Igreja de São João Batista e São João Evangelista; Igreja do Espírito Santo; a Torre Inclinada de Torun (Sim, Torun tem sua Torre Inclinada, como Pisa). 

O Town Hall na Praça Velha.


Torun, Polônia.

Torun, Polônia.
Da série placas: homenagem a Copérnico em Torun. Rua.

Igreja do Espírito Santo em Torun, Polônia.
Rua do centro histórico de Torun, na Polônia.  ] 

sábado, 2 de dezembro de 2017

CRACÓVIA, RIQUEZA CULTURAL POLONESA!

Falar em riqueza cultural engloba muitos fatores: museus com belas coleções de obras de artes (pinturas e esculturas), castelos, palácios,  cidades com centro históricos interessantes. Cracóvia, a mais importante cidade turística da Polônia e símbolo da unidade nacional daquele país, é, certamente, o destino mais rico culturalmente de uma nação que faz parte da Europa Central, margeia o Mar Báltico e faz fronteira com dois gigantes, a Alemanha e a Rússia.

A Basílica Mariana  domina a paisagem da praça central de Cracóvia.
Antes de mais nada, é bom que se diga: Cracóvia é uma das mais belas cidades do mundo. Isso se deve ao fato de que alguns dos mais brilhantes artistas e arquitetos trabalharam na cidade e pela cidade, a exemplo de Veit Stoss (1447-1533, escultor alemão que trabalhou na Basílica Mariana de Cracóvia), Bartolomeo Berreci (1480-1537, arquiteto italiano, construiu a Capela de Segismundo no Wawel , considerada o mais bonito exemplar da arquitetura renascentista italiana fora da Itália), Giovanni Maria Padovano (1493-1554, escultor italiano, fez o "Túmulo do Arcebispo Piotr Gamrat" da Catedral do Wawel) e Tylman Van Gameren (1632-1706, arquiteto holandês que projetou a Igreja de Santana em Cracóvia).

As carruagens enfeitadas fazem parte do dia a dia de Cracóvia.

E toda essa beleza que é inerente à Cracóvia foi preservada mesmo durante a Segunda Grande Guerra, muito embora tenha sido palco de mortes de judeus (havia um campo de concentração na cidade) e de furto de valiosas peças de seu acervo artístico pelos nazistas. Mas a história da bela urbe polonesa começa bem antes disso.

A par de lembrar os primeiros assentamentos na região de Cracóvia, que datam de duzentos mil anos antes de Cristo, a história da cidade polonesa começou, efetivamente, no século 8 depois de Cristo, com a elevação à capital do estado de Vistula. Em 1038 Cracóvia passou a ser a capital da Polônia, título que permaneceu até 1609, quando o Rei Segismundo III transferiu a sede para Varsóvia. Após, no século XVIII, a cidade foi invadida por suecos e russos, até se tornar parte da Áustria no final do mesmo século. No século XIX, a cidade foi anexada pelo Duque de Varsóvia (1809), tornou-se reino independente em 1815 e foi novamente anexada pela Áustria entre 1846 e 1876, ano este que ganhou novamente autonomia. No século XX destaca-se na história de Cracóvia a construção de um distrito chamado Nowa Huta, durante os anos de chumbo do comunismo pós Segunda Grande Guerra, e a elevação do centro histórico da cidade como patrimônio mundial da Unesco em 1978.



O nome Cracóvia (Krakow em polaco; Krakau, em alemão) advém do príncipe Krak, o primeiro governante da Polônia. Há uma lenda associada a esse príncipe e que hoje se transformou no símbolo maior da cidade polonesa: o Dragão de Wawel.  Segundo essa lenda polonesa, algo muito estranho estava acontecendo ali em Cracóvia: carneiros e ovelhas sumiam misteriosamente. Um belo dia, um jovem descobriu que, perto do rio Vistula e da Colina Wawel, havia um enorme dragão que se alimentava dos animais. A partir dessa constatação, o princípe Krak reuniu muitos amigos e conselheiros para matar o grande dragão, sem obter sucesso. Prometeu, como recompensa, uma princesa, de nome Wanda. Então, um sapateiro,  de nome Skuba, apresentou a solução: matou um carneiro gordo, encheu-o de enxofre e alcatrão e deixou lá na caverna para o dragão comer. Ato seguinte, o dragão encheu sua barriga com o carneiro e, ao beber água no rio(a sede era imensa!), explodiu, espalhando seu pedaços por toda a cidade. Skuba, o herói que derrotou o dragão, casou-se com Wanda e a cidade se viu livre de seu algoz. Uma história muito interessante e divertida.

O dragão é vendido como souvenir numa pedra em Cracóvia.

Cracóvia tem como destaques o Castelo de Wawel, o seu Centro Histórico (Stare Miasto), a Praça do Mercado (Rynek Growny) e a belíssima Basílica Mariana (St. Mary´s).

O Wawel é, muito além de um dos maiores símbolos de Cracóvia, um símbolo de toda a Polônia. Um dos castelos mais ricos do mundo em termos artísticos, indiscutivelmente. Ali, na bela Catedral, foram coroados e enterrados muitos reis poloneses.

O Castelo Real e a fabulosa Catedral são os dois lugares mais importantes do Wawel.

A Catedral Real do Wawel foi, como já dito anteriormente, o local de coroação e sepultamento dos reis poloneses. Dedicada aos santos Estanislau e Venceslau, a construção da imponente catedral iniciou-se em 1020 , em estilo românico, sendo posteriormente reformada (1364), adotando-se o estilo gótico, incorporando ainda aspectos barrocos e renascentistas. A Capela de Estanislau tem cúpula dourada de ouro maciço. Dentro da nave principal repousa o santo Estanislau (1030-1079), que foi bispo de Cracóvia e muito influente politicamente. Hoje ele é o "padroeiro" da Polônia, um mártir da igreja que foi canonizado em 1253. Curiosidade: foi na cripta da Catedral de Wawel que Carol Woitjla, João Paulo II, celebrou sua primeira missa. Hoje se vê uma estátua do santo católico que ajudou a derrubar o comunismo.

Visita-se ainda no Wawel o pátio do castelo, local amplo que dá uma visão do interior do prédio. Ali Hans Frank (1900-1946), o nazista, chefiou o Governo Geral da Polônia dominada por Hitler entre 1939 e 1945. Frank cometeu inúmeras atrocidades, sendo conhecido pela tentativa de eliminar a elite intelectual polonesa. Gostava de jogar xadrez, organizando campeonatos no Wawel. Após a prisão, converteu-se à fé católica romana.  Julgado pelo Tribunal de Nuremberg, foi enforcado em 1946, dizendo antes do ato final: "agradeço pelo tratamento que tive durante o cativeiro e peço a Deus que me receba em sua piedade".


Wawel.

Toda a beleza cênica da maior atração de Cracóvia.


A Catedral do Wawel. A Capela de Segismundo tem a cúpula dourada.

O belíssimo pátio do Wawel. Interior do castelo.

Estátua de João Paulo II, que celebrou sua primeira missa na catedral do Wawel.

A Praça do Mercado, como toda praça deste tipo na Europa, é marcada por uma profusão de prédios antigos, formando um quadrado. Interessante notar que, ao centro, encontra-se o Cloth Hall, que hoje abriga um mercado de produtos típicos poloneses, principalmente artesanato. Não há comida.

Cloath Hall. Mercado de artesanato local.

A praça abriga também um grande cartão postal da cidade, a Igreja de Santa Maria ou Basílica Marina (Kosciol Mariacki). A construção dessa monumental igreja começou em 1355, tendo como objetivo rivalizar com a Catedral do Wawel. Nela, algumas obras de arte se destacam, como a escultura "Crucifixo", de Veit Stoss, e o altar, também de Veit Stoss. Há ainda um cálice feito pelo artista Giovanni Maria Padovano e um pórtico barroco de Francesco Placidi.

Dois fatos muito curiosos referentes a igreja merecem destaque: a diferença de altura entre as torres e o toque de clarim ouvido a cada hora. Quanto à diferença de altura, uma lenda polonesa indica que dois irmãos foram incumbidos de construí-las, sendo que um deles, que havia erguido a torre norte, matou a facadas o caçula para impedir que o outro o igualasse na torre sul.

Quanto ao toque de clarim, é realizado na maior torre da Basílica de Santa Maria (chamada de "Torre da Guarda") a cada hora. Para se ter uma ideia da importância do toque, o referente ao meio-dia é transmitido ao vivo para toda a Polônia. O toque, chamado Hejnal, é bastante representativo para o país, sendo um toque incompleto que lembra um corneteiro medieval que salvou Cracóvia em 1240 de uma invasão de cavalaria tártara que se aproximava de surpresa. O corneteiro tocou sem parar até que uma flecha o matou. Conseguiu o seu intento - avisar os cracovianos - que, com o gesto, derrotaram os invasores. Tal gesto é considerado um símbolo de sacrifício pela pátria e, como já se disse anteriormente, até hoje é reverenciado. 

A Basílica Mariana .

A fabulosa Basílica Mariana por dentro. Cracóvia.

Outro ponto bastante importante de Cracóvia é o "Collegium Maius" (nome em Latim para "Colégio Maior"). Nesse prédio foi instalada no ano de 1400 a Academia de Cracóvia, criada em 1364 e que depois ficou conhecida como "Universidade Jagelônica" em homenagem ao benfeitor, o rei Ladislau II Jagelão.  É a segunda mais antiga da Europa Central, apenas superada pela Universidade Carolina de Praga, que data de 1348. O prédio foi restaurado no século XIX. Na Universidade Jagelônica estudou Nicolau Copérnico (1473-1543), astrônomo, cientista e matemático polonês que desenvolveu a teoria heliocêntrica (o sol como centro do universo; até então acreditava-se na teoria geocêntrica, ou seja, a Terra como centro do universo).

Há ainda um bairro judeu bastante interessante, cuja ocupação remonta ao século XIV.  Há ali um cemitério judeu e uma sinagoga. Curiosidade: há por ali também a casa de Helena Rubinstein, a famosa fabricante de cosméticos. É possível também comer nos "kosher", restaurantes típicos em que há apresentações de músicas judaicas. É, também , um bairro famoso por vendas de antiguidades, objetos de arte e livros raros.

Curiosidade relacionada aos judeus de Cracóvia: Oskar Schindler (1908-1974), o benfeitor dos judeus,  morou em Cracóvia, oportunidade em que salvou 1.200 judeus da morte, oferecendo-lhes trabalho em suas fábricas de panelas e projéteis. O lugar, onde era o antigo Gueto de Cracóvia, fica do outro lado do rio (bairro Podgórze), oposto ao do bairro judeu. Ainda hoje é possível visitar a fábrica.

Bairro Judeu.

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Bairro Judeu.

Interessante que os tempos do comunismo, embora associados a muito sofrimento do povo polonês, são lembrados em Cracóvia. Observem, na foto abaixo, o carro que era utilizado nos tempos em que a Polônia era um "satélite" da União Soviética Stalinista e que hoje serve para passeios turísticos. É fácil notar que tudo era "quadrado", sejam carros, prédios, nas pouco criativas criações comunistas.



De Cracóvia para: Auschwitz-Birkenau; Wieliczka; Wadowice (terra natal de João Paulo II).

Tour para conhecer a vida de João Paulo II (dicas), por Ivan Godoy (jornalista).

"É possível fazer um tour pelos lugares relacionados com a vida do Papa. Primeiramente, o visitante é levado à sua cidade natal, Wadowice, a 50 km de Cracóvia. Lá visita a casa onde ele nasceu, na rua Koscielna 7, hoje museu. Dá para ver que era uma residência confortável, de classe média. Hoje mostra fotos da infância até o Pontificado, e documentos que retratam a brilhante trajetória de Karol Wojtyla. O seguinte passo é entrar na Basílica Mniejsza, onde ele recebeu o batismo e a primeira comunhão. Construída no século XIV a igreja teve consagrada, em 2006, uma capela dedicada a João Paulo II. Depois o passeio continua em Kalwaria Zebrzydowska, um lugar de peregrinação muito frequentado por Wojtyla, que possui 40 capelas construídas no século XVII sobre as colinas. O local recebe desde então milhares de peregrinos, especialmente na Semana Santa, quando são realizadas encenações da Paixão de Cristo. A excursão termina em Cracóvia, nos estabelecimentos de ensino frequentados na juventude pelo Papa e na Catedral de Wawel, onde ele foi consagrado bispo, além de ter rezado sua primeira missa como padre". (GODOY, Ivan. "Polônia". São Paulo: Alfa-Omega, 2011).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A FABULOSA MINA DE SAL DE WIELICZKA!

A Polônia tem algumas atrações de grande interesse em seu território. Auschwitz-Birkenau, Cracóvia, Varsóvia, Gdansk, Centro Histórico de Torun, Castelo de Malbork, entre outras. Mas nenhuma é tão surpreendente quanto a espetacular Mina de Sal de Wieliczka, inscrita como Patrimônio Mundial Cultural pela UNESCO desde 1978. Vale lembrar que a Unesco considera ainda a mina de sal de Bochnia, também nas proximidades, em conjunto com Wieliczka, como patrimônio mundial cultural, sendo que aqui falaremos tão somente da mais conhecida, Wieliczka.


Nossa Senhora, rogai por nós. Capela de Santa Cunegunda (Kinga) em Wieliczka.

Uma belíssima capela de Wieliczka.

A mina de sal de Wieliczka existe desde o século XIII. São, portanto, mais de setecentos anos de história deste fabuloso sítio.

Existe uma lenda que indica que Santa Cunegunda da Polônia (ou  Kinga, em polaco) teria descoberto essa mina. Cunegunda, filha de rei húngaro e prometida ao rei polonês, é a santa padroeira da Polônia, cuja data da morte, 24 de julho, é celebrada anualmente como seu dia. Tudo começou com um dote de ouro e outras pedras preciosas de seu pai húngaro, que a santa recusou. Em vez de ouro, Cunegunda pediu sal, sendo que seu pai então lhe deu uma mina de sal na Transilvânia. Cunegunda, satisfeita com o presente, jogou seu anel de princesa naquela mina. Anos mais tarde, estava nas proximidades de Cracóvia quando pediu aos súditos que cavassem um buraco profundo - e esse buraco, o qual continha o anel que ela havia jogado na outra mina, deu origem à famosa mina de sal de Wieliczka.

Lenda à parte, a mina de sal é uma das visitas mais incríveis do mundo. Dificilmente uma pessoa verá um local tão espetacular e diferenciado na vida. É, indiscutivelmente, uma esplêndida visita.  Para se ter uma ideia das dimensões, são 300 quilômetros subterrâneos de galerias e câmaras, sendo que apenas dois quilômetros destes são abertos à visitação. A profundidade chega a 135 metros abaixo do nível do solo, o que demanda a descida de cerca de quatrocentos degraus (a descida não é difícil, é um nível baixo para médio de dificuldade). A temperatura nas profundezas é de 13 a 14 graus centígrados, mas não faz frio, embora vente um pouco (curiosamente).

Visitantes descendo os inúmeros degraus de Wieliczka.
A visita à mina dura cerca de 2 horas. São visitadas câmaras subterrâneas antigas, lago salgado, máquinas usadas nas minas, prédios e lugares subterrâneos. Mas o mais impressionante local é a Capela de Santa Cunegunda, incrivelmente bela - são altares, candelabros e esculturas representativas da religião católica simplesmente deslumbrantes, tudo feito de sal.

A Magnífica Capela de Santa Cunegunda (Kinga), vista do alto.

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Virgem Maria e Jesus, feitos de sal. Capela de Santa Cunegunda.

Estupendas representações católicas. Capela de Santa Cunegunda.
Maria, José, Jesus e o burrinho. Capela de Santa Cunegunda.

João Paulo II, o santo polonês. Capela de Santa Cunegunda.

O lago salgado de Wieliczka.

Outras figuras esculpidas no sal podem ser vistas em várias câmaras, sendo relevante destacar que a câmara com maior teto é a Stazsic, com 36 metros. O polonês Nicolau Copérnico, da teoria heliocentrista, é homenageado em uma bonita escultura de sal.

Nicolau Copérnico, um grande polonês, é homenageado em Wieliczka.

Vale lembrar que os nazistas também chegaram a dominar a mina, tentando estabelecer uma fábrica de aviões nos subterrâneos. Outra curiosidade: há também em Wieliczka um local subterrâneo onde doenças respiratórias eram tratadas. A mina abriga ainda, em seu imenso subterrâneo, shows e eventos.

Mais uma belíssima obra de sal em Wieliczka.

Wieliczka, por todos os motivos expostos, é uma visita imperdível para quem vai à Polônia e, mais precisamente, está nas proximidades de Cracóvia.

Serviço

Endereço eletrônico: https://www.wieliczka-saltmine.com/

Horários: de 1 de abril a 31 de outubro, das 7 e 30 da manhã às 7 e 30 da noite;  de 2 de novembro a 31 de março, das oito da manhã às cinco da tarde.  Não abre em 1 de janeiro, 1 de novembro, 24 e 25 de dezembro. Sábado e domingo de Páscoa até as três e meia da tarde. 31 de dezembro das oito da manhã às quatro da tarde. 

Preços:  Variam conforme o fato do visitante ser polonês ou estrangeiro; há preços para famílias.
https://www.wieliczka-saltmine.com/visiting/visitor-s-guide/check-prices/check-prices-tourist-route 

Como chegar: A mina está a 10 Km do centro de Cracóvia. Pode-se ir de trem, a partir da Estação de trem de Cracóvia (Dworzec Główny) para a estação  Wieliczka Rynek Kopalnia; ou de ônibus (é o 304), que parte do Shopping Galeria Krakowska (rua Kurniki)., descendo na parada Wieliczka Kopalnia Soli. Zone I (Strefa I).