domingo, 16 de julho de 2017

PETRÓPOLIS, A CIDADE IMPERIAL!

A monarquia brasileira, que se estendeu de 1822 a 1889 (ano da "Proclamação da República") desfrutou de um curto período de apogeu. Petrópolis, ou "Cidade de Pedro", é o símbolo maior do domínio da família real sobre as terras brasileiras. Petrópolis é, sem dúvida, uma cidade atrelada a um grande nome, dentre todos os nomes imperais: D. Pedro II, o culto imperador (dizem que falava 24 idiomas, além de idiomas indígenas), personalidade que governou por mais tempo o Brasil.

D. Pedro II, figura representativa de Petrópolis.
As cinco atrações principais da cidade serrana são as seguintes, pela ordem de importância: Museu Imperial, Catedral São Pedro de Alcântara, Quitandinha, Palácio Rio Negro e Palácio de Cristal. Essas são as visitas obrigatórias na cidade - dois dias inteiros é o suficiente. Outras duas atrações são também importantes ou mesmo interessantes: a Casa de Santos Dumont e o Tour Cervejeiro da Bohemia. Outra atração, para quem aprecia roupas sem marcas é a Rua Teresa, dois quilômetros de muitas lojas e algumas ofertas, em um estilo 25 de março de São Paulo.  E o distrito de Itaipava, que concentra bares, restaurantes e lojas. Assim, dois ou três dias na cidade são suficientes para se cobrir as atrações dentro de Petrópolis, sendo aconselhável mais um dia se quiser conhecer Itaipava.

Falaremos a seguir das atrações concentradas no Centro de Petrópolis (centro urbano e centro histórico).

O Museu Imperial é um dos principais museus do Brasil. Conta a história da monarquia, dos costumes imperiais e, sobretudo, possui apetrechos de inigualável valor. Os destaques são a soberba coroa imperial de D. Pedro II, a caneta a qual a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea (abolição da escravatura), o cetro imperial, um trono imperial (na "Sala de Estado") e a Sala de Música (nela, os destaques são a rara espineta triangular de Mathias Bosten e uma harpa belíssima). 

Museu Imperial, Petrópolis.

Sonho da Princesa Isabel, a Redentora, a Catedral São Pedro de Alcântara foi finalizada somente após a morte da libertadora dos escravos, em 1925. É uma das igrejas mais bonitas do Brasil, não pela riqueza, mas justamente pela sobriedade do seu interior, toda decorada em mármore de carrara e com vitrais magníficos. Nela, há ainda outros destaques, notadamente a Capela Imperial, onde se encontram os restos mortais de D. Pedro II, da Princesa Isabel, da esposa de D. Pedro II (Teresa Cristina), do Conde D´Eu (marido da Princesa Isabel), entre outros membros da Família Imperial. Outra espetacular atração é a "pia batismal" original da família imperial. 


A bela "Pia Batismal Imperial".





Outra atração turística bastante interessante é o Palácio Quitandinha, em estilo normando, a sudoeste do centro da cidade. Construído pelo empresário Joaquim Rolla em 1944, o Quitandinha foi projetado para ser o maior e mais imponente cassino da América do Sul. E realmente foi, embora por pouco tempo - em 1946, o jogo foi proibido no Brasil. O interior ainda lembra os dias de glória do local e é um passeio bem interessante. Destaque para o teatro onde se apresentaram Carmem Miranda, Oscarito e Grande Otelo, a piscina funda, o viveiro de pássaros.

O antigo cassino de Petrópolis, Quitandinha.

Teatro onde Carmem Miranda, Oscarito e Grande Otelo se apresentaram. Quitandinha.

Viveiro antigo de aves do Quitandinha.
O Palácio Rio Negro, por sua vez, foi construído pelo rico Barão do Rio Negro, produtor de café. Foi sede do governo estadual do Rio de 1894 a 1902, período em que Petrópolis foi a capital daquele estado. Entre 1903 e 1960 serviu como residência de verão dos Presidentes da República. Vargas e Kubitschek, os dois mais emblemáticos Presidentes, fizeram reformas em seu interior: o primeiro converteu uma adega em sala de banhos romanos; o segundo, colocou armários embutidos. Ambos usaram muito o palácio. É um palácio ainda muito bem conservado, com visita gratuita.



A mais curiosa das atrações principais de Petrópolis é o Palácio de Cristal. Primeiro, há de se falar que não é de cristal (sílica mais óxido de chumbo e com mais brilho) - é de metal e vidro comum. O autor do projeto básico do local foi o Conde D´Eu, marido da Princesa Isabel. Serviu como estufa para o cultivo de orquídeas, salão para receber exposições de produtos locais e até mesmo para festas espetaculares (bailes imperiais). Em um dos bailes imperiais, a Princesa Isabel concedeu alforria a 103 escravos. Hoje, o local serve para exposições, shows e eventos culturais. 



A Casa de Santos Dumont, conhecida pelo singelo nome de "A Encantada", também vale a visita. Hoje é um bem cuidado museu, que oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer uma das figuras mais emblemáticas do Brasil, o pioneiro da aviação Santos Dumont. Pode ser que não tenha mesmo inventado o avião (os Wright têm a preferência dos americanos e outros), mas tem seu nome fortemente atrelado a essa invenção que hoje representa uma das maiores conquistas do homem. O acervo conta com vários objetos do inventor, além de alguns interessantes aspectos, como a escada (em que se começa a subir só com o pé direito), o pitoresco chuveiro, a cama que na verdade era mesa durante o dia e o seu inconfundível chapéu. Tem também um observatório do céu, bem no alto da casa. O "Centro Cultural 14 Bis" exibe ainda um pequeno filme sobre o inventor.

A curiosa casa de veraneio de Santos Dumont.

O chuveiro de Dumont.

A cama e escritório de Santos Dumont.

Por fim, o Tour da Cervejaria Bohemia merece uma conferida. A visita dura, em média, uma hora e meia, em seus quatro andares. Trata-se da mais antiga fábrica de cerveja do Brasil, datada de 1853. Há no local um museu e pelos vários andares é possível ainda visualizar como é feita a fabricação da cerveja e os ingredientes utilizados. O ingresso para o tour dá direito a três copos de chope. Aliás, vale ressaltar, só ali (no tour e no bar anexo, aberto à noite também) é possível degustar o chope da famosa cervejaria. Um tour de excelência, bastante recomendável.
 
Tudo começou com os sumérios, civilização inicial da Mesopotâmia, onde hoje é o Iraque.


O bem cuidado museu da cervejaria conta a história da bebida através dos séculos.

Monges trapistas belgas, a cerveja em sua melhor qualidade.

A exposição engloba a história da cerveja no Brasil, um dos maiores mercados do mundo.


Tipos de malte.







No tour é possível degustar três chopes.

Outras atrações de Petrópolis, com visitação interna: Casa da Ipiranga (localizada na Avenida Ipiranga, a Casa é exemplo de arquitetura colonial); Igreja Luterana (mais antigo templo religiosa da cidade, data de 1862); Museu de Cera de Petrópolis; Museu da Força Expedicionária Brasileira (vale ver um pouco da história da Segunda Guerra, trazida com garra pelos herdeiros dos antigos pracinhas; pode ser visitada junto com o Palácio Rio Negro); Palácio Itaboraí (fora do centro, foi residência de verão de governadores, hoje pertence à FIOCRUZ).

Uniformes usados por brasileiros na Segunda Guerra no simples e interessante Museu da FEB.
Para visitação externa, vale citar: Avenida Koller (casarões belíssimos); Casa da Princesa Isabel (rosada, em frente à Catedral); Praça da Liberdade; Praça 14 Bis; Relógio das Flores.

Praça 14 Bis em Petrópolis. Homenagem à Santos Dumont, que gostava da cidade.
 
A avenida Kohler e a São Pedro de Alcântara ao fundo.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O UMBIGO DO MUNDO

Cusco, Peru, o “Umbigo do Mundo”. A designação vem do quéchua, a língua dos ancestrais dos peruanos daquela região e falada hoje ainda por mais de dez milhões de pessoas, que chamavam a cidade de “Qosqo”, que quer dizer literalmente “Umbigo do Mundo”.  É uma designação muito mais mística que racional, símbolo da energia que emana do local, afinal o umbigo, embora não tenha a importância de um coração, de um fígado, de um pulmão, é, no dizer dos cientistas, o centro de gravidade e de equilíbrio do corpo humano.   Ou seja, unido a experiência científica com a crença dos cusquenos, podemos sintetizar que tudo que havia no mundo, até então em grande parte desconhecido dos incas,“gravitava” em torno de Cusco.

A capital inca pode não ser o umbigo do mundo (como eles acreditavam ser), mas é a capital cultural do Peru moderno e a sétima cidade do país em termos populacionais. Cusco está para os incas assim como Meca está para os muçulmanos.Cusco sintetiza o sincretismo cultural derivado do império inca e dos espanhóis que o subjugaram. 

Até na religião o sincretismo manifesta-se: ao catolicismo típico dos espanhóis juntou-se as manifestações pré-hispânicas de povos como os incas, que veneravam, por exemplo, a “Mãe Terra” (Pachamama) e o Deus Sol (Inti).. A isso podemos dar o nome de “catolicismo popular peruano”. Cusco, aliás, é uma cidade com muitas igrejas, muitas mesmo. A maioria, na cor marrom, sendo as mais importantes, e bonitas, as da Praça das Armas.  Mas é também ali que se celebra a “Festa do Sol”, ou “Inti Raymi”, no solstício de inverno, que não é uma celebração propriamente católica, mas na qual todos os cusquenos participam. Em junho, aliás, a cidade ferve por conta dos festejos culturais: todas as comunidades e pequenas cidades da região participam de um desfile muitas vezes animado por carros alegóricos e bonecões parecidos com os de Olinda.. Uma festa alegre, bela e segura.

A cidade tem um encanto diferente. Muitos prédios históricos estão entre os mais bonitos da América, o que torna o passeio em meio à altitude bem mais agradável. 

San Blas é o bairrinho típico de Cusco. É como Montmartre em Paris, só que em termos cusquenhos: artistas de rua, uma igreja pitoresca e belos casarios compõe o local. No caminho para San Blas, a partir da praça principal da cidade, aparece um muro formado por pedras típicas dos incas, que é uma atração local e chamada de “Pedra de Doze Ângulos” e muitas lojinhas de suvenires, que vendem principalmente as bonequinhas (e bonequinhos) de “bumbum” grande.  Mas não somente bonequinhas de bumbum grande aparecem pela frente – há também as senhoras com suas inconfundíveis lhamas, um dos animais símbolos do Peru, prontas para tirar uma foto com turistas a troco de parcos nuevos soles.

Enfrentar Cusco é tarefa árdua. A sua altitude, de 3.400m, é uma das maiores do mundo em termos urbanos. O mal de altitude, que por lá chamam de “soroche”, cobra o seu preço e o chá de coca é a salvação das pobres almas desacostumadas (ou desafortunadas). Há ainda uma balinha de coca, mas seu efeito não é comprovado; parece um toffee, porém sem gosto algum. Sinto cheiro de enganação no ar, e vejo verdade só na ajuda do chazinho....

Mas não só na altitude residem os problemas na adaptação à Cusco. A cidade também é contraindicada para albinos, já que os índices de radiação ultravioleta por lá alcançam o patamar de 25, sendo que o nível considerado satisfatório é no máximo 11. A explicação dada por cientistas é que o Peru está localizado perto da zona equatorial, sendo que a incidência de raios solares acaba atingindo o território de maneira perpendicular.  Soma-se a isso a falta de chuvas e céus encobertos que permitem a passagem fácil dos raios e temos uma situação extrema.

Cusco é para os fortes e para os que têm sede de cultura. Há muito a se admirar nessa cidade, que inspira descobertas.

domingo, 18 de junho de 2017

ARGÉLIA

Bandeira do país



A bandeira argelina tem as duas faixas verticais, nas cores verde e branco. Além disso, tem uma estrela vermelha de cinco pontas dentro de uma lua crescente. As cores representam o islã (verde), a pureza e a paz (branco) e liberdade (vermelha). A lua crescente e a estrela é um símbolo islâmico. A lua crescente tem ainda um significado importante para os argelinos, que acreditam que ela traz felicidades.

Mapas do país

 
A Argélia, país mediterrâneo do Norte da África, cuja capital é Argel (Algiers).



A Argélia faz fronteira com diversos paises, entre eles o Marrocos, a Tunísia e a Líbia. 

Dados do país


Nome do país:   República Democrática Popular da Argélia (Al Jumhuriyah al Jaza´iriyah ad Dimuqratiyah ash Sha´biyah).

Nome do país (simplificado): Argélia (Algeria ou Al Jaza´ir). 

Continente/localização: África. Norte da África, fronteira com o Mar Mediterrâneo, entre Marrocos e Tunísia.

Área: 2.381.741 km quadrados (10ª área no mundo). 



Fronteiras: 6.734 km, sendo 989 km (Líbia), 1.359 km (Mali), 460 km (Mauritânia), 1.900 km (Marrocos), 951 km (Níger), 1.034 km (Tunísia), 41 km (Saara Ocidental). 



Litoral: 998 km. 



Clima:   Árido/semiárido.



Pontos Extremos: O ponto mais baixo é Chott Melrhir 40m; e o mais alto é Tahat, com 3.003m.

Recursos Naturais: petróleo, gás natural, minério de ferro, 

Capital:  Argel (2.915.000). 


Cidades principais: Oran (769 mil); Constantine (462.000).


Língua: Árabe (oficial), francês, berber ou tamazight (oficial), dialetos incluindo Kabyle Berber (Taqbaylit), Shawiya Berber (Tacawit), Mzab Berber, Tuareg Berber (Tamahaq). 


Religião: Islamismo (98%). Os sunitas predominam.


Moeda: Dinar Argelino.


População: 39.542.166 (2015). 34ª maior população do mundo. 


Atrações turísticas principais:  Além dos sete patrimônios mundiais da UNESCO (Al Qal´a of Beni Hammad, Djemila, Timgad, Vale de M´Zab , Tipasa, Kasbah de Algier e Tassilli N´Ajjer),  destacam-se o "Oued Souf"(oásis, que atrai muitos visitantes durante a festa do tapete entre março e abril); Cânion de Goufi;  Ruínas de Chercell;  Ruínas Romanas de Tirgzit;  Nedroma et Les Trara; Os Mausoléus Reais de Numídia, da Mauritânia e Monumentos Funerários Pré-Islâmicos; Parque Nacional Gouraya; Parque Nacional El Kala; Forte Santa Cruz; Basílica Nossa Senhora da África; Parque Nacional Djurdjura; Museu Nacional Bardo; Praias  (Madagh, Chenoua, Les Andalouses, Cachoeira El-Ourit, Dardara.



Forte de Santa Cruz. Por Ramy Maalouf , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Canion de Goufi. Por Hamza-sia , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Mausoléu Real da Mauritânia. Por Lamine Bensaou, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Dardara. Por Bachounda , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons. 

Patrimônios Mundiais UNESCO:  A Argélia possui sete locais inscritos como "Patrimônio Mundial", sendo 6 deles "culturais" e um misto (cultural e natural). São eles:

Al Qal´a of Beni Hammad (1980).  Localizada em um lugar montanhoso bastante bonito, Al Qal´a foi a primeira capital da dinastia bérbere dos hamaditas. Construído em 1007 e demolida em 1152, a cidade é um exemplo notável de cidade islâmica fortificada. A mesquita é uma das maiores da Argélia. 

Ruínas da capital dos Hamaditas. Por Fdebbi. CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.
Maquette de la Qalaâ de Beni Hammad, Por Yelles Talk ,  CC BY-SA 3.0, WC


Djémila (1982). Situada 900 metros acima do nível do mar, Djémila, também chamada de Cuicul, é um interessante exemplo de cidade romana planejada e adaptada para uma localização montanhosa. Tem fórum, templos, basílicias, arcos do triunfo e casas. 

Djémila. Por: Rapidtravelchai. CC BY 2.0.  In: Wikimedia Commons.

 Vale de M´Zab  (1982). O Vale é um tradicional habitat humano, criado no século 10 pelos ibaditas (segundo islámologos, é o ramo do islã, derivado dos Kharijitas, responsável pela morte de Ali, quarto califa e aclamado pelo xiitas como sucessor de Maomé). É um local fonte de inspiração para urbanistas dos dias de hoje, dado o planejamento simples, funcional e perfeito, adaptado ao meio ambiente.


M´Zab. Vale. Argélia. Por فاطنة رائعة -  CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons. 


 Timgad (1982). Excelente exemplo de cidade romana planejada, Timgad, localizada na montanha Aures (uma extensão da cadeia do Atlas na Argélia). 

O Arco Romano de Timgad. Por Rateb, CC BY-SA 3.0, in: Wikimedia Commons.
    
Tipasa (1982) . Localizada na costa do Mediterrâneo, Tipasa foi uma cidade comercial púnica conquistada pelos romanos e transformada em uma base estratégica para a conquista dos reinos da Mauritânia. Ela condensa um grupo de ruínas fenícias, romanas, bizantinas, além de monumentos indígenas como o Kbor er Roumia, o grande mausoléu do rei da Mauritânia.

Tipasa. Por Kebel. CC BY-SA 4.0. In: Wikimedia Commons.
 

 Kasbah of Algiers (1982). O "Kasbah" é um tipo de medina ou cidade islâmica. Localizada em um belo lugar da costa do Mediterrâneo, com vista para as ilhas onde o comércio cartaginês foi estabelecido quatro séculos antes de Cristo. Existem resquícios da cidadela, velhas mesquitas e palácios de estilo otomano assim como resquícios da estrutura urbana tradicional associada a um enraizado senso de comunidade. 

Casbá de Argel. Por Reda Kerbush , CC BY-SA 3.0, in: Wikimedia Commons.

Tassilli N´Ajjer (1982).  Localizado em uma paisagem estilo lunar de grande interesse geológico, Tassilli tem uma dos mais importantes grupo de arte pré-histórica em caverna do mundo. Mais de 1.500 desenhos e gravuras registram as mudanças climáticas, as migrações de animais e a evolução da vida humana no entorno do Saara de 6.000 anos antes de Cristo aos primeiros séculos da era atual.  As formações geológicas forma um maravilhoso cenário, com pedras de areia erodidas formando "florestas de pedra".

Dados geográficos/políticos/econômicos/sociais do país:

História do país:   

1. A história do país começa cinco séculos antes de Cristo. Pelas terras argelinas viviam os povos nativos do Norte da África, conhecidos pelos gregos como "berberes". Os berberes foram empurrados para o interior por vários dominadores, a saber, fenícios, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos e franceses.  

2. Depois de mais de um século de dominação francesa (início em 1830), os argelinos lutaram, durante toda a década de 50, pela independência, que finalmente veio em 1962. A Guerra pela Independência da Argélia é marcada pelos historiadores entre os anos de 1954 e 1962. Mais de um milhão de cidadãos franceses que viviam na Argélia (os chamados "pés negros" ou "pieds noirs") deixaram o país no período posterior à independência.

3. 3 de julho de 1962 é a data de independência do país. Em setembro do mesmo ano, Ahmed Ben Bella foi eleito e uma nova constituição foi aprovada por referendo. 

4. Em 1965, o presidente Ben Bella foi deposto por golpe de estado não-violento promovido pelo Coronel Houari Boumediente, considerado o construtor da "Moderna Argélia". Boumediene só viria a ser eleito em 1976 e governou até sua morte, em 1978.

5. Chadli Bedjedid foi eleito presidente em 1979, 1984 e 1988, sendo que uma nova constiuição foi adotada em 1989.

6. O partido político mais tradicional da Argélia, a "Frente de Libertação Nacional "(FLN), foi estabelecido em 1954, lutou pela independência do país e desde então domina a política argelina. 

7. Em 1988, depois de intensa pressão popular, instituiu-se no país o sistema multipartidário.  No entanto, o surpreendente resultado da eleição de 1991 em primeiro turno, na qual o partido radical "Frente Islâmica de Salvação" teve votação expressiva, levou o governo a intervir militarmente, adiando o segundo turno, para se evitar uma radicalização islâmica do país.

8. A situação gerou uma insurgência dos radicais islâmicos entre os anos de 1992 e 1998, gerando mais de 100.000 mortes. O governo venceu a batalha e a frente armada do partido, o "Exército de Salvação Islâmica" foi desfeito em 2000. 

9.   Abdelaziz BOUTEFLIKA, com apoio dos militares,  venceu as eleições em 1999, 2004, 2009 e 2014.

10. Em 2011, o governo, em resposta à "Primavera Árabe" (série de levantes populares contra governantes que estavam há muito tempo no poder, no Oriente Médio e Norte da África), lançou uma série de medidas, entre as quais se destacam a ampliação da participação política feminina nas assembleias locais e o abandono do "Estado de Emergência" decretado dezenove anos antes. 

11. A queda no preço do petróleo, desde 2014, gerou crise na Argélia, devido a dependência do país em relação a receitas dos hidrocarbonetos.

sábado, 22 de abril de 2017

A BELA CIDADE DO PANAMÁ!

Cinco de séculos de história e uma cidade em constante progresso rumo à modernidade. Uma mistura de um passado interessante com um futuro promissor, ainda que conviva com graves problemas sociais. Eis um resumo do que é a Cidade do Panamá, capital do país localizado na América Central. 

A Skyline da Cidade do Panamá - setor moderno- impressiona.
Em termos turísticos, a Cidade do Panamá pode ser dividida em quatro regiões de interesse: "Panamá Moderno", "Casco Viejo" (ou "Casco Antíguo", ou ainda "Centro Histórico"), "Panamá Viejo" (ou "Velho Panamá") e o "Canal do Panamá"

O Canal do Panamá já tem postagem específica no blog. Veja aqui.

Vamos começar pela história da cidade, sintetizada em dois belos locais da cidade, o "Panamá Viejo" e o "Casco Viejo".

A Cidade do Panamá foi fundada em 15 de agosto de 1519.  A fundação do povoado é consequência do descobrimento, pelos espanhóis, do Mar do Sul (hoje Pacífico) em 1513. Na época, foi batizada como "Nossa Senhora da Assunção do Panamá", sendo o primeiro assentamento europeu da costa do Pacífico nas Américas. No local, apenas havia uma vila de pescadores. Durante mais de um século, as riquezas trazidas principalmente do Peru passavam pela Cidade do Panamá antes do destino final, que era a "metrópole" europeia.

Panamá Viejo foi o primeiro local colonizado pelos espanhóis. Hoje, há ruínas em um belo parque. Ruínas que mostram que ali existiu uma cidade colonial interessante, composta de igreja, praças e ruas de traçado ortogonal. Apesar do saque do pirata Morgan em 28 de janeiro de 1871, muitas ruínas permaneceram de pé, entre elas as pontes do Matadero e Del Rey, os conventos de Mercês, São Francisco, Companhia, Santo Domingo e São José, o convento de monjas da Concepção, o Hospital São João de Deus, a Catedral, as Casas Terrín e Alarcon. Tudo isso foi declarado patrimônio mundial da UNESCO em 1997. Foi, enfim, uma das cidades coloniais com maior atividade comercial durante os séculos XVI e XVII. 

A antiga Catedral. Ruínas de Panamá Viejo. Foto: Rodolfo Aragundi. CC BY-SA 2.0.

Destruída a velha cidade colonial do Panamá (hoje representada pelas ruínas de Panamá Viejo), construiu-se, dois anos depois (21 de janeiro de 1673), uma nova cidade colonial em um local mais adequado. A construção coube ao então governador Antonio Fernandez de Córdoba, que inaugurou uma nova cidade em uma península natural rodeada de recifes, situada oito quilômetros a oeste da primeira. É o que hoje conhecemos como "Casco Viejo" da Cidade do Panamá, também declarada patrimônio mundial da UNESCO em 1997. 

O Casco Viejo estava inteiramente sob muralhas já no século XVIII. As ruas também tem um perfeito traçado ortogonal. Vale dizer que, curiosamente, embora tenha história mais antiga, o atual traçado urbano do Casco Viejo data do final do século XIX e primeira metade do século XX, já que três grandes incêndios no século XVIII (1737, 1756, 1781) e quatro no século XIX (1864, 1870, 1874, 1878), destruíram a maioria dos edifícios antigos da cidade intramuros. 

Entre os destaques do  Casco, naturalmente as igrejas merecem uma menção especial. A Catedral, situada na Praça Maior, tem uma fachada interessante e duas altas torres brancas. A Igreja das Mercês (Iglesia de La Merced), teve sua frente construída por pedras trazidas pelo Panamá Viejo. O ponto alto, no entanto, é o soberbo altar de ouro da Igreja de São José. Outros lugares religiosos dignos de nota no Casco são as ruínas da Igreja Companhia de Jesus, as ruínas do convento e Igreja de Santo Domingo, o Oratório de San Felipe e Néri e o Convento e Templo de São Francisco.

Igreja de La Merced, no Casco Viejo.
O belíssimo altar de ouro da Igreja de São José, um dos mais bonitos do mundo.

Catedral Metropolitana. Casco Viejo. Foto: Wikimedia Commons.

Belo casario colonial do Casco Viejo.

O belíssimo Casco Viejo.

Igreja de São Francisco. Casco Viejo.


Outra interessante observação no Casco Viejo são as muralhas, que outrora serviram de defesa da cidade colonial. Rodeiam a Praça da França e sua Bovedas (sistema defensivo), onde antes se situava a Porta de Chiriquí e os restos da fortaleza Mano de Tigre. Sobre os restos da fortaleza "Porta da Terra" se construiu a mansão Arias Feraud, ocupada atualmente pela Prefeitura.  A antiga contadoria ou Casas Reais converteu-se, após sucessivas restaurações, no Palácio da Presidência, e o cabildo no atual Palácio Municipal, situado na Praça Maior.  Três edíficios são mais modernos: Museu Interoceânico, Palácio Nacional e Teatro Nacional. 

Praça da França no Casco Viejo.

Bovedas.
Vale dizer, hoje muitas casas do Casco Viejo - destaque para a Casa Góngora, estão em processo de restauração, com o objetivo de recuperar a paisagem urbana da primeira metade do século XX.

Por fim, vale trazer aqui o Panamá Moderno. A Cidade do Panamá desenvolveu-se seguindo o litoral. Desde o Casco Viejo, a Avenida Balboa, costeira, conduz até Punta Paitilla, lugar em que se agrupam arranha-céus ao estilo Dubai, Honk kong e Nova Iorque. 

"O Parafuso" ("El Tornillo"), prédio de banco no setor financeiro, em forma helicoidal.
A recuperação das terras que pertenciam ao Canal do Panamá e, consequentemente, das mãos dos Estados Unidos da América, possibilitou novos assentamentos populacionais na cidade e abertura de locais emblemáticos, como o "Passeio do Amador" (Amador, ou melhor, Manuel Amador Guerrero, foi o primeiro Presidente da República do Panamá, entre 1904 e 1908), um estreito pedaço de terra que une o continente com as ilhas Perico, Flamenco, Naos e Culebra. O local é bastante agradável, servindo para as atividades físicas dos panamenhos, além de ter um duty-free. Perto, destaque para o Biomuseo, com uma arquitetura diferenciada em sua fachada.

O Passeio do Amador tem o tradicional letreiro.

Biomuseo. Foto: F. Delventhal. In: Wikimedia Commons.

Toda grande cidade tem um pulmão. O da Cidade do Panamá é o Parque Natural Metropolitano, com seus 265 hectares de bosques.

O Panamá Moderno tem ainda magníficos hotéis (destaque para o impressionante Hard Rock Megapolis), prédios emblemáticos (além do próprio Hard Rock, merecem destaque o "Parafuso" e o Hotel Trump), restaurantes, cassinos (aos montes), museus, centros de convenções. Uma cidade bacana. 

Perto do Canal, destaque para o Mirante de Las Américas, com uma homenagem à presença chinesa no Panamá, um belo local com uma maravilhosa vista.