terça-feira, 16 de julho de 2013

PORTO, A CIDADE INVICTA!

Vibrante. Encantadora. Bela. Acolhedora. Tradicional. Terra do "Vinho do Porto". Do bacalhau, embora não haja um  "Bacalhau do Porto". Da francesinha. Das tripas a moda do Porto. A cidade invicta da Revolução Liberal. Esta é a primeira visão, e versão, que todo viajante tem quando chega à cidade do Porto, em Portugal.

Vista da magnífica cidade do Porto. Rio Douro. 

De fato, Porto evoca, acima de tudo, tradição. O próprio nome do país, Portugal, advém do nome desta cidade. A toponímia indica "Portus", que era a capital de "Portucale" ou do "Condado Portucalense".  A cidade é conhecida pelo sugestivo epíteto de "Invicta", pelo fato de que, em 1832, na defesa intransigente dos ideais do liberalismo, resistiu  bravamente ao cerco da tropas miguelinas. Era o tempo da "Revolução Liberal de 1820".

Porto é uma cidade sem igual naquelas terras lusas. A despeito de terem como gentílico o termo "portuense",  seus habitantes são chamados de "tripeiros", em alusão ao seu mais famoso prato típico, o "tripas à moda do Porto".

É uma das cidades mais bonitas e fascinantes das terras lusas.

A beleza do Porto entusiasma. E a Torre dos Clérigos brilha no cenário.


Didaticamente, podemos dividir a cidade em quatro regiões: Baixa, Ribeira, Boavista e Foz.  Dessas, destacam-se duas: a Baixa e a Ribeira. Boavista e Foz são menos atraentes.

A Baixa é, em minha opinião, a região mais encantadora da cidade. Ali concentram-se as principais atrações turísticas da urbe portuguesa. Destacamos: a Torre dos Clérigos (e igreja); a Avenida dos Aliados e a Câmara Municipal; a Livraria Lello; a Estação São Bento; e as igrejas em conjunto do Carmo e das Carmelitas.

O símbolo da cidade é, sem dúvida, a "Torre dos Clérigos". A "Torre dos Clérigos" está para o Porto assim como a Torre Eiffel está para Paris. Construída no século XVIII, é o expoente máximo do barroco local.


Torre dos Clérigos. Símbolo máximo do Porto.

A "Avenida dos Aliados", em conjunto com o seu principal prédio - a "Câmara Municipal", é, indiscutivelmente, o ponto mais harmônico e belo da "Capital do Norte". Lugar para contemplar o Porto em toda a sua beleza. Na praça existente no local encontra-se uma estátua de D. Pedro IV, que foi D. Pedro I no Brasil.

Vale aqui abrir um parênteses para falar um pouco de D. Pedro IV (D.Pedro I no Brasil), figura histórica extremamente relevante para os tripeiros. Ele é tido na cidade como símbolo de liberdade e patriotismo, ajudando-a em uma época conturbada de sua história - a Revolução Liberal em 1832/1833. Interessante observar a estátua (foto abaixo).  Ela é fruto de um agradecimento dos portuenses ao imperador Pedro. Em uma das mãos, ele carrega a "Carta Constitucional" de 1826. Uma curiosidade: por vontade testamental, Pedro entregou o seu coração à cidade do Porto - hoje, encontra-se na Igreja da Lapa.

A Avenida dos Aliados. Estátua de D.Pedro IV em primeiro plano; Câmara, no segundo.


Prédio da Câmara Municipal em detalhe.


O prédio mais pitoresco, e interessante, é o da "Livraria  Lello". No exterior, perfeito; no interior, idem. Vale uma visita.  Inaugurada em 13 de janeiro de 1906, tem fachada neogótica e serviu de inspiração para filmes, como em "Harry Potter e a Pedra Filosofal", em que existe uma livraria descrita de forma parecida com que é a Lello.

No centro, prédio branco, a famosa "Livraria Lello". Estilo neogótico.


Livraria Lello em detalhe. O prédio mais pitoresco do Porto.


Atração curiosa da cidade são as igrejas "juntas" do Carmo e das Carmelitas. Estão separadas por uma casa de um metro de largura, colocada propositadamente, uma vez que existia, à época, uma lei que proibia duas igrejas de terem paredes comuns.

Duas igrejas. Uma ao lado da outra. Curiosidade do Porto.

A "Rua Santa Catarina" é o coração comercial do Porto. Pitoresca, tem lojas, cafés (o "Majestic" é o mais famoso) e shopping.  E, como não poderia deixar de ser, os famosos "elétricos" (bondes).

O "elétrico" na Rua de Santa Catarina, a principal rua comercial da cidade.

Na Baixa, vale ainda visitar, para quem tem mais tempo disponível na cidade, a "Estação São Bento"; o "Mercado do Bolhão"; dentre outros.

A Ribeira é também uma região turística importante da cidade.  É lá que se encontra a "Sé do Porto", estilo românico-gótico, cuja construção iniciou-se no século XII, mas que foi profundamente alterada, a mais importante igreja da cidade; e a "Igreja de São Francisco", a mais bonita e ricamente decorada.

A Sé do Porto. Estilo romano-gótico.

Para quem tem mais dias à disposição na cidade, vale visitar, na Ribeira, o "Palácio da Bolsa"; e a emblemática e bela "Praça da Ribeira".

Próxima a Ribeira, um passeio imperdível são as "Caves do Vinho do Porto". O Vinho do Porto é, na verdade, produzido na região do Douro (Patrimônio Mundial pela UNESCO e região natural mais linda de Portugal) e envelhecido numa cidade próxima (acessível por pontes a partir do Porto), a Vila Nova de Gaia.

Dentro da cave da Calem.

Região Demarcada do Douro. Patrimônio Mundial da UNESCO.


Na Região do Douro, a mais bela de Portugal.


O "Vinho do Porto" comporta quatro tipos: o vintage, o ruby, o tawny e o branco.

Desses, o Vintage é vinho de excelência, uma vez que provém de uma única colheita. Esse vinho é envelhecido em casco por três anos, e depois em garrafa por até 40 anos. Depois de aberta, a garrafa deve ser consumida em até 48 horas, uma vez que o vinho oxida muito rapidamente porque não é filtrado durante o seu engarrafamento.

O Ruby é um inho jovem, encorpado e rico em aromas que recordam frutas vermelhas.

O Tawny, por sua vez, é a junção de vários lotes de vinhos, com envelhecimento feito em cascos ou tonéis. Tem aroma de frutos secos e madeira.

Já o Branco tem um teor alcoolico menos elevado e é o único que se categoriza quanto a doçura - brancos-secos, meio secos e doces.

As principais caves do Porto são a "A.A. Calém"; a "A.Ramos Pinto"; a "Real Companhia Velha"; a "Ferreira"; a "Sandeman"; a "Offley Forrester".

Além do Vinho, o Porto celebra, no cenário gastronômico, a francesinha, que é um prato típico portuense- uma tosta (como dizem os lusos), coberta com queijo e recheada com vários ingredientes. Um tipo de sanduíche muito gostoso.

Outra grande paixão da cidade é o F.C. do Porto, azul e branco, um dos grandes de Portugal e símbolo de raça e títulos naquele país. Já foi, inclusive, duas vezes campeão da Liga dos Campeões da Europa (1987 e 2004),  O "Estádio do Dragão", onde o time azul e branco manda seus jogos, é também um dos símbolos do Porto. A urbe conta ainda com outro time, o "Boavista", preto e branco, um time de menor expressão.

Enfim, um panorama do Porto.

Do que há de mais belo e sensacional nesta fantástica cidade portuguesa.

sábado, 22 de junho de 2013

BRAGA, A CAPITAL RELIGIOSA DE PORTUGAL

Portugal é um país extremamente religioso, não há dúvidas. E Braga, a mais importante cidade da região do Minho, com quase duzentos mil habitantes, é a sua capital da fé. Capital religiosa que conta com duas das mais espetaculares igrejas daquele país: a "Sé" de Braga e o santuário "Bom Jesus do Monte".

Braga existe desde os tempos romanos. Foi chamada naquela época de "Bracara Augusta". É sede do arcebispado português desde o século XII e a "semana santa" é celebrada efusivamente pelos locais.

Uma das grandes atrações da cidade é o seu pequeno, porém belo e compacto, centro histórico. Neste centro, vale destacar a já lembrada anteriormente "Sé de Braga", uma das principais igrejas do país, e o "Antigo Paço Episcopal", que atualmente abriga um dos jardins mais bonitos do Minho- o "Jardim de Santa Bárbara".


A bela entrada do centro histórico de Braga, em Portugal.

A "Sé de Braga" é, em minha opinião, uma das mais bonitas igrejas de Portugal, senão a mais bonita. O seu interior é estupendo. Destaque para a capela à direita da entrada pela porta Oeste - ali estão os restos mortais do primogênito de D. João I, de nome Afonso. Tem também um "Museu de Arte Sacra" com uma belíssima, e rica, coleção. Há também outras capelas, com túmulos, incluindo um do fundador da igreja, Henrique de Borgonha.

A imponente "Sé de Braga".


O belíssimo interior da Sé de Braga.

O "Antigo Paço Episcopal" é outro passeio imperdível do centro histórico, a poucos metros da Sé de Braga.  O palácio arcebispal chama a atenção, mas hoje é utilizado como arquivo e biblioteca. O mais interessante do conjunto é o "Jardim de Santa Bárbara".


"Paço Episcopal" ao fundo; e "Jardim de Santa Bárbara", em primeiro plano.

A atração mais famosa de Braga, no entanto, é mesmo a basílica de "Bom Jesus do Monte". É uma criação estupenda, sem dúvida, sendo o complexo no seu entorno belíssimo.

O ponto alto é a "escadaria", que forma uma autêntica "via-crucis" (e de fato é, havendo a representação das 14 estações da Paixão de Cristo). É aconselhável somente para os jovens ou para pessoas que estejam em ótima forma. Foi construída em 1722, em estilo barroco.

Outro destaque do local é o pitoresco "funicular", que foi instalado no século XIX, mais precisamente em 1822. Funciona hidraulicamente e leva até a praça da igreja em no máximo 3 minutos.

A terceira atração de Bom Jesus é, sem dúvida, a "Capela da Descida da Cruz", e suas belas esculturas de cerâmica que contam os últimos momentos de Jesus Cristo.

Bom Jesus do Monte.

A Capela da Descida da Cruz. Uma das atrações do santuário.
Enfim, Braga ainda é uma cidade pouco conhecida dos viajantes, mas vale (e muito!) uma conferida. Uma belíssima urbe em uma belíssima região!

domingo, 16 de junho de 2013

PEQUENO GLOSSÁRIO DE PORTUGUÊS PORTUGAL - BRASIL

Vale trazer aos turistas/viajantes um pequeno dicionário de português, que mostra algumas diferenças entre o falado no Brasil e em Portugal. Algumas palavras  são curiosas: band-aid é "penso-rápido" em terras lusas; a roupa íntima feminina, por lá, é cueca;  em Portugal, se você pedir um durex poderá receber uma camisinha; e assim por diante. Vejamos o pequeno glossário (vale atentar que algumas palavras podem ser gírias ou mesmo faladas por um pequeno grupo, como crianças, por exemplo): 

NO BRASIL/ EM PORTUGAL

ABRIDOR - Tira-cápsulas
AÇOUGUE - Talho
AEROMOÇA - Hospedeira de bordo
ALÔ? - Esta lá?
APOSTILA - Sebenta
BALA - Rebuçado
BAND-AID - Penso-rápido
BANHEIRO - Casa de banho
BANHO - Duche
BILHÃO - Mil milhões
BISCOITO CHAMPANHE - Palitos de La Reine.
BISNAGA (pão) - Cacete
BONDE - Eléctrico
CAFÉ DA MANHÃ - Pequeno-almoço
CAFEZINHO - Bica
CAIXA, CAIXINHA - Boceta
CAMINHÃO - Camião
CAMISA (de jogador de futebol) - Camisola
CAMISETA - T-shirt
CAMISINHA - Durex (marca mais famosa); é mais comum falar "preservativo"
CARTEIRA DE IDENTIDADE - Bilhete de identidade
CARTEIRA DE MOTORISTA - Carta de condução
CEGO - Invisual (formal)
CENTAVO - Céntimo
CELULAR - Telemóvel
CHOPE - Imperial (sul); fino (norte)
CONCRETO - Betão
CONVERSÍVEL - Descapotável
CREME DE LEITES - Natas
CUECA - Boxer
DENTISTA - Estomatologista
DUREX - Fita-cola
EMBEBEDAR-SE - Enfrascar-se; pegar uma buba; encher os cornos
FAIXA DE PEDESTRES - Passadeira
FAVELA - Bairro de lata
FILA - Bicha
FREIO (do carro) - Travão
FUSCA - Carocha
GARÇOM - Empregado de mesa
GARIS - Almeidas
GELADEIRA - Frigorífico
GOLEIRO - Guarda-redes
GRAMADO - Relvado
GRAMPEADOR - Agrafador
GRUPO DE CRIANÇAS - Canalhas
HISTÓRIA EM QUADRINHOS - Banda desenhada
IMPOSTOS - Propinas
INJEÇÃO - Pica (segundo os lusos, apenas crianças dizem assim) 
JAQUETA - Blusão
LAPTOP - Portátil
MAMÃO - Papaya
MAMADEIRA - Biberon
MARROM - Castanho
MAURICINHO/PATRICINHA - Betinho/Betinha
MEIAS - Peúgas
MENINO - Puto
MULHERENGO - Marialva
MULTA - Coima
NECROTÉRIO - Morgue
NOTA FISCAL - Factura
ÔNIBUS - Autocarro
PÃO FRANCÊS - Carcaça 
PARADA - Paragem
PEDÁGIO - Portagem
PEDESTRE - Peão
PERUCA - Capachinho
PESSOA FÍSICA - Pessoa singular
PLACA DO CARRO - Matrícula
PONTO DE ÔNIBUS - Paragem
PORÇÃO DE BACALHAU, CRU E DESFIADO - Tira-gosto
PREFIXO DE TELEFONE - Indicativo 
PROFESSOR PARTICULAR - Explicador
RESFRIADO (ficar resfriado) - Constipado
SALVA-VIDAS - Nadador
SANDUÍCHE - Sandes
SECRETÁRIA ELETRÔNICA - Atendedor de chamadas
SOMBRINHA - Chapéu
SORVETE - Gelado
SUCO - Sumo
SUNGA - Fato de banho
TEMPORADA (futebol) - Época
TÉRREO - Rés do chão
TETO SOLAR - Tejadilho de abrir
TORCEDORES - Adeptos
TRECHO (da estrada) - Troço
TREM - Comboio
VITRINE - Montra
XEROX - Fotocópia
XÍCARA - Chavena

Também no que concerne à fonética e à sintaxe, existem diferenças significativas, que necessitam ser assimiladas por brasileiros que queiram se adaptar ao idioma em Portugal.

Quanto à fonética, a pronúncia dos portugueses valoriza as vogais tônicas em detrimento das vogais atónas, enquanto no Brasil tudo é pronunciado de forma clara. Assim, menino se pronuncia m´nino em terras lusas.

Quanto à sintaxe, temos três diferenças: 

1) colocação do pronome oblíquo - no Brasil, no começo da frase; em Portugal, não. ex: "Me dá uma bala?" (Brasil); "Dá-me uma bala?" (Portugal).

2) No Brasil, utiliza-se muito o gerúndio; em Portugal, a preferência é pelo infinitivo precedido de preposição. ex: estou preparando o jantar (Brasil); estou a preparar o jantar (Portugal)

3) No Brasil, emprega-se a preposição "em". Já em Portugal, a preferência é pelo "a". Ex: Vou na escola hoje (Brasil). Vou à escola hoje (Portugal).

Há ainda o português falado no Porto e na região norte de Portugal, também extremamente peculiar. Abordaremos em um outro post, com outro dicionário.

terça-feira, 11 de junho de 2013

QUELUZ, QUE BELO PALÁCIO!

Queluz. Nesta pequena cidade, nos arredores de Lisboa (dista 12 km da capital), encontra-se um dos mais interessantes palácios reais da Europa: o "Palácio de Queluz".

Palácio de Queluz.

A construção do Palácio deveu-se a D. Pedro III, filho de D. João V. Integrava o patrimônio do palácio, em grande parte, bens confiscados da antiga dinastia dos Filipes, após a Restauração.

O ponto alto do palácio, sem dúvida, é a "Sala dos Embaixadores". Era a sala usada para concertos e audiências diplomáticas.

Sala dos Embaixadores. Palácio de Queluz. 

A "Sala do Trono" , ou "Casa Grande", é, também, uma das mais belas salas de Queluz. Nesta sala, eram comuns os bailes e banquetes da realeza.


A Sala do Trono. Palácio de Queluz, Portugal.
Outras salas interessantes do palácio são a "Sala da Música" ,  a "Sala da Tocha" e a "Toucador da Rainha" (esta, em estilo rococó).

Na Sala da Música, observa-se um quadro de Maria I, a famosa rainha que viria para o Brasil e receberia, no futuro e perante a história, a alcunha de "A Louca".  Melancólica, a rainha enlouqueceu definitivamente quando seu filho José morreu por catapora. Após as invasões francesas, em 1807, e o consequente abandono de Queluz, a "Louca" foi levada para o Brasil por seu filho mais jovem, D. João VI.

A rainha Maria I ali enlouqueceu. Sala da Música, Queluz.

Retrato de D. João VI, filho de Maria I.  Bonachão, sempre de boca aberta.

O quarto de D. Pedro IV, que se tornou D. Pedro I no Brasil, é o "Dom Quixote", alusivo à grande obra da literatura universal. As pinturas em todo o quarto retratam a saga de Cervantes.

Quarto d. Quixote. Os aposentos de D. Pedro IV (D. Pedro I no Brasil)


Vale destacar aqui também uma série de fotografias do local, que mostra como eram os utensílios, as camas e os aposentos da monarquia portuguesa. Vejamos:










Tapete de "arraiolos", da cidade do mesmo nome em Portugal.

Berço.

Teto do "Toucador da Rainha". Queluz.


Os "Jardins" do Palácio merecem um destaque especial. Belíssimos. Os "Jardins Superiores", desenhados por Robillion, são o ponto alto do passeio. Eram usados nas diversões, notadamente um complemento das noites em que haviam concertos na Sala da Música.


Os "Jardins Superiores" de Queluz.

Há ainda de se notar no local reservado aos jardins a "Grande Cascata" e o "Canal dos Azulejos", muito interessantes.

Para se visitar o palácio, um adulto paga 9 (nove) euros e tem direito de permanecer no local por uma hora e meia (o tempo é limitado, fato interessante e pouco usual). Para jovens e crianças, os preços são diferenciados.

Queluz. Um bate-e-volta interessantíssimo a partir de Lisboa. Para saber um pouco mais de nossas origens.

DICAS DE SEGURANÇA - FURTOS NOS AEROPORTOS

Reportagem interessante apresentada no programa "Mais Você", da Rede Globo, mostra claramente como são feitos os furtos de bagagens após o "check in", antes da mala ser levada ao bagageiro da aeronave. Vale atentar para o fato de que as malas são violadas, mas o viajante não percebe. Eis o link:

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ÓBIDOS, PRESENTE DAS RAINHAS!

As terras lusas realmente guardam grandes surpresas.  E Óbidos, cidade murada nas proximidades de Lisboa, é um dos mais belos cenários daquele país.

Detalhe da rua principal de Óbidos, a "Rua Direita".


Os muros da cidade da bela Óbidos.


A história de Óbidos, iniciada antes de Cristo, registra período de ocupação de vários povos, notadamente dos romanos, dos visigodos e dos árabes. Foram os árabes os últimos a dominar o território antes dos portugueses, fato derivado do período de dominação moura. A hegemonia foi encerrada por Gonçalo Mendes de Maia, em 11 de janeiro de 1148.

Logo após, em 1186, Sancho I fortificou a cidade. Serviu de presente para várias rainhas portuguesas, sendo as duas mais célebres Urraca de Castela (esposa de Afonso II) e Santa Isabel (esposa de Dom Dinis).

Não se sabe ao certo a origem do nome "Óbidos", mas a versão mais aceita é a de que deriva do termo latino "oppidum", que significa "cidade fortificada".

A maior atração da cidadela é justamente o seu "castelo". O "Castelo de Óbidos", de origem romana, é uma bonita construção, que concorreu recentemente, sem sucesso, como uma das sete maravilhas de Portugal. Hoje funciona ali uma pousada estatal, que recebe uma parte dos visitantes da encantadora cidade central lusa.

Castelo de Óbidos.

Logo na entrada principal da cidade murada, já na parte interna, é de se destacar o belíssimo muro decorado de azulejos portugueses azuis e brancos, simbolizando a "paixão de Cristo", em dois momentos especiais: agonia de Jesus no horto e a prisão de Jesus. Deslumbrante. O nome da atração é  "Porta da Vila". 

A "Porta da Vila".
A "Rua Direita", cuja foto se encontra acima, é a principal da cidade e onde se concentra a maior parte do comércio local. Vale prestar atenção nas belas casas do local, que compõem um cenário bonito e bem preservado.

Outra atração da cidade é a "Igreja de Santa Maria", que fica em frente ao pelourinho. É a matriz de Óbidos, o principal templo da cidade, portanto.

"Igreja de Santa Maria".

Uma das igrejas mais antigas da cidade, senão a mais antiga, é a de "São Tiago", que foi construída por Sancho I. Curiosidade: foi destruída pelo famoso terremoto de 1755, que afetou principalmente a capital, Lisboa. A reconstrução se deu em 1772.

Igreja de São Tiago em Óbidos. No alto do morro.


Não se deve sair de Óbidos sem degustar a famosa "ginja". A "ginjinha de Óbidos", como carinhosamente falam os portugueses, é servida em um delicioso copinho de chocolate e custa 1(um) euro. É  uma bebida que certamente agrada a todos. O produto é um licor que apresenta duas variedades: o simples e o com frutos no seu interior, aromatizado, na maioria das vezes, com baunilha ou pau de canela.

Ginja é vendida a 1 euro, com o seu copo de chocolate comestível.



Copinho de chocolate com Ginja.

Há ainda outras atrações na urbe medieval portuguesa, para quem tem mais tempo para visitá-la. Vamos a elas: Santuário do Sr. Jesus da Pedra, Aqueduto, Igreja da Misericórdia e Capela de São Martinho.

Para se chegar a Óbidos, que fica a 80 km de Lisboa, o turista tem três opções: carro (40 minutos a partir de Lisboa, pegando a direção Lisboa - Leiria, tomando o trecho A8 e deixando a estrada na saída 15); de ônibus (oito euros a passagem, a partir de Lisboa) e de trem (opção um pouco pior, já que a estação está afastada do centro histórico).

Enfim, o viajante não deve perder a oportunidade, estando nas terras lusas, de conhecer a pérola que serviu de presente à várias rainhas. Esta pérola é Óbidos!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

MINHA ENCANTADORA ÉVORA!

Portugal tem muitas cidades encantadoras. Cidades que encantam pela beleza de suas ruelas, de seus cenários idílicos intramuros, pela interação homem-natureza, pelas suas belas praças. E Évora é uma de suas mais fascinantes urbes.

Detalhe de uma região no centro de Évora, com seu conjunto histórico magnífico.


Localizada no Alentejo, uma região localizada no sul de Portugal, Évora emana beleza em cada passo que o viajante dá em suas terras. É uma cidade fortificada, ou seja, a sua beleza se esconde atrás dos muros. Muros que, certa feita, serviram de proteção ao seu patrimônio histórico e artístico.

A cidade começou a se desenvolver ainda no auge do Império Romano, mas teve seu período mais próspero durante a Idade Média. É um centro do saber tradicional de Portugal. A antiga universidade, fundada por Jesuítas, é uma atração local, ainda que tenha sido fechada pelo Marquês de Pombal, rival dos membros daquela ordem. Faz parte da atual Universidade de Évora.

A UNESCO reconheceu o centro histórico de Évora como patrimônio mundial ainda em 1986. Não sem razão. São múltiplas as atrações desta cidade que hipnotiza seus visitantes.

O monumento mais conhecido de Évora é, sem dúvida, o "Templo de Diana" ("Templo Romano"). Dedicado à deusa Diana, foi erguido, segundo os relatos históricos, no século II d.C. Está localizado próximo ao belo "Convento dos Loios", mosteiro do século XV, que hoje é uma luxuosa pensão    estatal (embora os hóspedes durmam em antigos claustros).

Templo de Diana em Évora. O símbolo da cidade murada portuguesa.

Outra perspectiva do Templo de Diana em Évora.


A principal igreja da cidade é a sua catedral, chamada de "Sé de Évora". É uma igreja muito bonita no seu exterior, parecida com um castelo, que mistura os estilos românico e gótico.


A Sé de Évora.


Outra grande atração da cidade é o seu museu. O "Museu de Évora" conta a história completa da cidade, mas traz ainda obras interessantes de pintores portugueses, como Mestre de Sardoal.

A praça principal da cidade é a "Praça do Giraldo", uma das mais bonitas de Portugal. Segundo os relatos históricos, o nome da praça advém de "Geraldo Sem-Pavor", homem que, no século XII, teria expulsado os mouros da urbe, a mando de Afonso Henriques. Nesta praça, ocorreram decapitações e pessoas foram queimadas pela Santa Inquisição.

A Praça do Giraldo é o coração de Évora.


A "Igreja de São Francisco" é muito bonita, mas esconde uma outra preciosidade, curiosa, mórbida e interessante - a famosa "Capela dos Ossos". É um lugar bem mais bonito que a localizada na Via Veneto de Roma - muito bem montada, não traz aquele clima ruim da que existe na Cidade Eterna. Vale lembrar que crânios de 5 mil pessoas estão ali guardados, nessa mórbida homenagem ao ser humano e à morte. E a frase no início da capela dá a dimensão do que está por vir: " Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos".

Entrada da Capela dos Ossos em Évora. "Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos".
Detalhe do interior da Capela dos Ossos.

Outra atração da cidade é o "Aqueduto da Água de Prata". Construído no século XVI, sua construção recebeu menção na obra mais famosa da língua portuguesa - "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões.

Évora é também conhecida pela excelência de seus restaurantes e pelo bom humor de alguns nomes de ruas - lá tem, por exemplo, o "Beco do Homem Não Barbeado". Engraçado. Divertido.

Enfim, qualquer viagem à Portugal sem Évora é um convite para se voltar ao país. Indispensável a visita.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

FÁTIMA - LUGAR DE FÉ, ESPERANÇA E PAZ!

1917. Em um ano marcado por diversos acontecimentos importantes da história mundial - Revolução Russa (ou Bolchevista),  Primeira Guerra Mundial, dentre outros - uma aparição de uma imagem a três crianças cuidadoras de ovelhas (os irmãos Francisco e Jacinta e a prima Lúcia) , com mensagens de fé e esperança em um momento tão conturbado, mudou os destinos de um pequeno vilarejo localizado na região da Estremadura em Portugal. Surge assim, na cidade de Fátima, a  mundialmente adorada Nossa Senhora de Fátima .


A imagem de Nossa Senhora de Fátima na "Capela das Aparições" emociona.
Hoje, Fátima, que possui dez mil habitantes fixos, recebe anualmente milhões de pessoas, principalmente durante o mês de maio, em que se comemora a primeira aparição da Virgem, ocorrida em 13 de maio de 1917. Estima-se em trezentas mil pessoas o público total neste dia especial, todo ano. Também o dia 13 de outubro, chamado dia do "Milagre do Sol" , é uma data comemorativa. "Milagre do Sol" em alusão ao evento ocorrido ao meio-dia daquele dia de outubro de 1917, em que testemunhas afirmam que o sol se movia em frente à Cova da Iria. Foi o milagre que Nossa Senhora avisou aos pastorinhos durante as aparições anteriores.

Assim, peregrinos enchem as estradas todos os anos em maio e outubro, em cenas de fé  e esperança, e cumprem suas promessas, de joelhos, no Santuário, em atos muitas vezes heroicos e de sofrimento, sob um sol escaldante, conforme se pode observar na imagem abaixo.

Cenas emocionantes,  como estas, de fé e dor, são vistas frequentemente  no Santuário de Fátima.

O local do Santuário é especialmente grande e impressionante - dizem alguns que a área é maior que a praça de São Pedro no Vaticano. Além da Basílica, conta ainda o complexo com a "Capela das Aparições" e a "Basílica da Santíssima Trindade" (finalizada em 1997, em frente e ao mesmo tempo distante da Basílica principal).


Santuário de Fátima ainda em construção. Década de vinte do século XX.



Santuário de Fátima hoje. Peregrinos em atos de fé cumprem suas promessas.

O interior da Basílica.



A história de Nossa Senhora de Fátima é emocionante e fascinante. Foram seis aparições aos "pastorinhos" Francisco, Lúcia e Jacinta, entre 13 de maio de 1917 e 13 de outubro do mesmo ano.

Os três pastorinhos. Jacinta, Lúcia e Francisco.
Mas, vale lembrar, antes das aparições, os três videntes, ainda em 1916 (um ano antes da visão da Virgem Maria, portanto), testemunharam a presença de um anjo, com mensagens de fé e orações, em três oportunidades. Tais aparições são consideradas, pela doutrina católica, como um prenúncio e uma preparação para a vinda de Nossa Senhora.

Em 1917, portanto, deu-se o início das aparições, na chamada "Cova da Iria", onde hoje existe a chamada "Capela das Aparições".

Capela das Aparições. Santuário de Fátima.

Conforme ressaltado anteriormente, a primeira aparição da Virgem de Fátima deu-se no dia 13 de maio de 1917. Era um domingo ensolarado na Cova da Iria, e Nossa Senhora apareceu como um relâmpago para os três pastorinhos que, incrédulos, ouviram mensagens pedindo muitas orações e fé, notadamente para que a guerra mundial em curso chegasse ao fim. Também pediu a Virgem segredo sobre o ocorrido, o que não aconteceu, já que Jacinta acabou revelando à sua mãe o que aconteceu naquela data. A partir deste momento, os pastorinhos foram alvos de galhofas por parte da incrédula população local.

Nossa Senhora de Fátima.


As outras aparições deram-se em 13 de junho, 13 de julho, 19 de agosto, 13 de setembro e 13 de outubro daquele mesmo ano de 1917. Vale ressaltar, a título de curiosidade que, em agosto, os pastorinhos acabaram desviados do caminho da Cova da Iria, o que os impediu de ter a visão no dia 13, daí o fato de terem visto somente em 19 de agosto. Foi o único dia diferente do dia 13 nos seis meses de visões. O último dia, em outubro (chamado de "Milagre do Sol"), teve o recorde de público (cerca de setenta mil pessoas), já que todos estavam sabendo das aparições.

Dois dos três pastorinhos morreram logo após as visões: Francisco, em 1918, aos 10 anos, de doença desconhecida; e Jacinta, em 1920, também aos 10 anos, de tuberculose. Ambos tiveram seus restos mortais trasladados para uma capela dentro da Basílica de Fátima, em 1952. Foram beatificados pelo Vaticano em 2000.

Lúcia, por outro lado, viveu mais. Nascida em 1907, faleceu em 13 de fevereiro de 2005, aos 98 anos. Virou freira, mas nunca mais morou em Fátima, já que a sua fama não permitia. Divulgou a mensagem de paz de Fátima durante toda a sua vida. Emocionou-se também com a beatificação de seus primos, por João Paulo II, em 2000. Papa que também teve um carinho especial com Fátima, visitando a cidade por três vezes. Vale lembrar que os restos mortais de Lúcia encontram-se também no interior da Basílica de Fátima, ao lados de Jacinta.

Monumentos aos Pastorinhos em uma praça de Fátima.

Túmulo do beato Francisco em capela da Basílica de Fátima.

Túmulos de Jacinta e Lúcia em capela da Basílica de Fátima.


Ainda hoje os chamados "Segredos de Fátima" trazem à tona curiosidade por parte das pessoas, notadamente o terceiro, ainda envolto em grande mistério. Os dois primeiros, a visão do inferno e a necessária devoção ao imaculado coração de Maria, parecem revelados, mas o terceiro é motivo de interpretação, chegando alguns a afirmar ser o apocalipse ou mesmo o assassinato de um papa - ou talvez o atentado que teria ocorrido contra João Paulo II. Curiosidade: a bala que atingiu João Paulo II no atentado de 1981 está depositada na coroa de Nossa Senhora de Fátima no Santuário daquela mesma cidade.

Para quem quer se aprofundar ainda mais na história comovente, há ainda outros locais históricos a serem visitados, como Valinhos (local da quarta aparição, em 19 de agosto, a 3 km do Santuário); a Via Sacra e o Calvário;  o Local do Anjo, onde supostamente as crianças receberam a visita do anjo em 1916;  as Casas dos Pastorinhos; e o Museu de Aljustrel, junto à casa de Lúcia.

Ainda que a peregrinação seja um ato de fé e heroísmo, não é a melhor maneira de se chegar em Fátima. Também o sistema ferroviário não é uma boa alternativa (a estação de trem é longe e precária em horários de ônibus para a cidade), restando duas opções: alugar ou carro ou ir de ônibus (autocarro, em Portugal). De ônibus, são duas horas a partir do Porto e uma hora e meia a partir de Lisboa.

Assim, Fátima hoje é um dos maiores destinos de peregrinação do mundo, um monumento de fé, esperança e aproximação das pessoas. Vale conhecer este imenso santuário e toda esta bela história!

Como disse João Paulo II em sua visita de 1982 à Fátima, "venho a Fátima com o terço nas mãos, o nome de Maria nos lábios, o cântico de misericórdia de Deus no coração".