sexta-feira, 31 de maio de 2013

MINHA ENCANTADORA ÉVORA!

Portugal tem muitas cidades encantadoras. Cidades que encantam pela beleza de suas ruelas, de seus cenários idílicos intramuros, pela interação homem-natureza, pelas suas belas praças. E Évora é uma de suas mais fascinantes urbes.

Detalhe de uma região no centro de Évora, com seu conjunto histórico magnífico.


Localizada no Alentejo, uma região localizada no sul de Portugal, Évora emana beleza em cada passo que o viajante dá em suas terras. É uma cidade fortificada, ou seja, a sua beleza se esconde atrás dos muros. Muros que, certa feita, serviram de proteção ao seu patrimônio histórico e artístico.

A cidade começou a se desenvolver ainda no auge do Império Romano, mas teve seu período mais próspero durante a Idade Média. É um centro do saber tradicional de Portugal. A antiga universidade, fundada por Jesuítas, é uma atração local, ainda que tenha sido fechada pelo Marquês de Pombal, rival dos membros daquela ordem. Faz parte da atual Universidade de Évora.

A UNESCO reconheceu o centro histórico de Évora como patrimônio mundial ainda em 1986. Não sem razão. São múltiplas as atrações desta cidade que hipnotiza seus visitantes.

O monumento mais conhecido de Évora é, sem dúvida, o "Templo de Diana" ("Templo Romano"). Dedicado à deusa Diana, foi erguido, segundo os relatos históricos, no século II d.C. Está localizado próximo ao belo "Convento dos Loios", mosteiro do século XV, que hoje é uma luxuosa pensão    estatal (embora os hóspedes durmam em antigos claustros).

Templo de Diana em Évora. O símbolo da cidade murada portuguesa.

Outra perspectiva do Templo de Diana em Évora.


A principal igreja da cidade é a sua catedral, chamada de "Sé de Évora". É uma igreja muito bonita no seu exterior, parecida com um castelo, que mistura os estilos românico e gótico.


A Sé de Évora.


Outra grande atração da cidade é o seu museu. O "Museu de Évora" conta a história completa da cidade, mas traz ainda obras interessantes de pintores portugueses, como Mestre de Sardoal.

A praça principal da cidade é a "Praça do Giraldo", uma das mais bonitas de Portugal. Segundo os relatos históricos, o nome da praça advém de "Geraldo Sem-Pavor", homem que, no século XII, teria expulsado os mouros da urbe, a mando de Afonso Henriques. Nesta praça, ocorreram decapitações e pessoas foram queimadas pela Santa Inquisição.

A Praça do Giraldo é o coração de Évora.


A "Igreja de São Francisco" é muito bonita, mas esconde uma outra preciosidade, curiosa, mórbida e interessante - a famosa "Capela dos Ossos". É um lugar bem mais bonito que a localizada na Via Veneto de Roma - muito bem montada, não traz aquele clima ruim da que existe na Cidade Eterna. Vale lembrar que crânios de 5 mil pessoas estão ali guardados, nessa mórbida homenagem ao ser humano e à morte. E a frase no início da capela dá a dimensão do que está por vir: " Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos".

Entrada da Capela dos Ossos em Évora. "Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos".
Detalhe do interior da Capela dos Ossos.

Outra atração da cidade é o "Aqueduto da Água de Prata". Construído no século XVI, sua construção recebeu menção na obra mais famosa da língua portuguesa - "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões.

Évora é também conhecida pela excelência de seus restaurantes e pelo bom humor de alguns nomes de ruas - lá tem, por exemplo, o "Beco do Homem Não Barbeado". Engraçado. Divertido.

Enfim, qualquer viagem à Portugal sem Évora é um convite para se voltar ao país. Indispensável a visita.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

FÁTIMA - LUGAR DE FÉ, ESPERANÇA E PAZ!

1917. Em um ano marcado por diversos acontecimentos importantes da história mundial - Revolução Russa (ou Bolchevista),  Primeira Guerra Mundial, dentre outros - uma aparição de uma imagem a três crianças cuidadoras de ovelhas (os irmãos Francisco e Jacinta e a prima Lúcia) , com mensagens de fé e esperança em um momento tão conturbado, mudou os destinos de um pequeno vilarejo localizado na região da Estremadura em Portugal. Surge assim, na cidade de Fátima, a  mundialmente adorada Nossa Senhora de Fátima .


A imagem de Nossa Senhora de Fátima na "Capela das Aparições" emociona.
Hoje, Fátima, que possui dez mil habitantes fixos, recebe anualmente milhões de pessoas, principalmente durante o mês de maio, em que se comemora a primeira aparição da Virgem, ocorrida em 13 de maio de 1917. Estima-se em trezentas mil pessoas o público total neste dia especial, todo ano. Também o dia 13 de outubro, chamado dia do "Milagre do Sol" , é uma data comemorativa. "Milagre do Sol" em alusão ao evento ocorrido ao meio-dia daquele dia de outubro de 1917, em que testemunhas afirmam que o sol se movia em frente à Cova da Iria. Foi o milagre que Nossa Senhora avisou aos pastorinhos durante as aparições anteriores.

Assim, peregrinos enchem as estradas todos os anos em maio e outubro, em cenas de fé  e esperança, e cumprem suas promessas, de joelhos, no Santuário, em atos muitas vezes heroicos e de sofrimento, sob um sol escaldante, conforme se pode observar na imagem abaixo.

Cenas emocionantes,  como estas, de fé e dor, são vistas frequentemente  no Santuário de Fátima.

O local do Santuário é especialmente grande e impressionante - dizem alguns que a área é maior que a praça de São Pedro no Vaticano. Além da Basílica, conta ainda o complexo com a "Capela das Aparições" e a "Basílica da Santíssima Trindade" (finalizada em 1997, em frente e ao mesmo tempo distante da Basílica principal).


Santuário de Fátima ainda em construção. Década de vinte do século XX.



Santuário de Fátima hoje. Peregrinos em atos de fé cumprem suas promessas.

O interior da Basílica.



A história de Nossa Senhora de Fátima é emocionante e fascinante. Foram seis aparições aos "pastorinhos" Francisco, Lúcia e Jacinta, entre 13 de maio de 1917 e 13 de outubro do mesmo ano.

Os três pastorinhos. Jacinta, Lúcia e Francisco.
Mas, vale lembrar, antes das aparições, os três videntes, ainda em 1916 (um ano antes da visão da Virgem Maria, portanto), testemunharam a presença de um anjo, com mensagens de fé e orações, em três oportunidades. Tais aparições são consideradas, pela doutrina católica, como um prenúncio e uma preparação para a vinda de Nossa Senhora.

Em 1917, portanto, deu-se o início das aparições, na chamada "Cova da Iria", onde hoje existe a chamada "Capela das Aparições".

Capela das Aparições. Santuário de Fátima.

Conforme ressaltado anteriormente, a primeira aparição da Virgem de Fátima deu-se no dia 13 de maio de 1917. Era um domingo ensolarado na Cova da Iria, e Nossa Senhora apareceu como um relâmpago para os três pastorinhos que, incrédulos, ouviram mensagens pedindo muitas orações e fé, notadamente para que a guerra mundial em curso chegasse ao fim. Também pediu a Virgem segredo sobre o ocorrido, o que não aconteceu, já que Jacinta acabou revelando à sua mãe o que aconteceu naquela data. A partir deste momento, os pastorinhos foram alvos de galhofas por parte da incrédula população local.

Nossa Senhora de Fátima.


As outras aparições deram-se em 13 de junho, 13 de julho, 19 de agosto, 13 de setembro e 13 de outubro daquele mesmo ano de 1917. Vale ressaltar, a título de curiosidade que, em agosto, os pastorinhos acabaram desviados do caminho da Cova da Iria, o que os impediu de ter a visão no dia 13, daí o fato de terem visto somente em 19 de agosto. Foi o único dia diferente do dia 13 nos seis meses de visões. O último dia, em outubro (chamado de "Milagre do Sol"), teve o recorde de público (cerca de setenta mil pessoas), já que todos estavam sabendo das aparições.

Dois dos três pastorinhos morreram logo após as visões: Francisco, em 1918, aos 10 anos, de doença desconhecida; e Jacinta, em 1920, também aos 10 anos, de tuberculose. Ambos tiveram seus restos mortais trasladados para uma capela dentro da Basílica de Fátima, em 1952. Foram beatificados pelo Vaticano em 2000.

Lúcia, por outro lado, viveu mais. Nascida em 1907, faleceu em 13 de fevereiro de 2005, aos 98 anos. Virou freira, mas nunca mais morou em Fátima, já que a sua fama não permitia. Divulgou a mensagem de paz de Fátima durante toda a sua vida. Emocionou-se também com a beatificação de seus primos, por João Paulo II, em 2000. Papa que também teve um carinho especial com Fátima, visitando a cidade por três vezes. Vale lembrar que os restos mortais de Lúcia encontram-se também no interior da Basílica de Fátima, ao lados de Jacinta.

Monumentos aos Pastorinhos em uma praça de Fátima.

Túmulo do beato Francisco em capela da Basílica de Fátima.

Túmulos de Jacinta e Lúcia em capela da Basílica de Fátima.


Ainda hoje os chamados "Segredos de Fátima" trazem à tona curiosidade por parte das pessoas, notadamente o terceiro, ainda envolto em grande mistério. Os dois primeiros, a visão do inferno e a necessária devoção ao imaculado coração de Maria, parecem revelados, mas o terceiro é motivo de interpretação, chegando alguns a afirmar ser o apocalipse ou mesmo o assassinato de um papa - ou talvez o atentado que teria ocorrido contra João Paulo II. Curiosidade: a bala que atingiu João Paulo II no atentado de 1981 está depositada na coroa de Nossa Senhora de Fátima no Santuário daquela mesma cidade.

Para quem quer se aprofundar ainda mais na história comovente, há ainda outros locais históricos a serem visitados, como Valinhos (local da quarta aparição, em 19 de agosto, a 3 km do Santuário); a Via Sacra e o Calvário;  o Local do Anjo, onde supostamente as crianças receberam a visita do anjo em 1916;  as Casas dos Pastorinhos; e o Museu de Aljustrel, junto à casa de Lúcia.

Ainda que a peregrinação seja um ato de fé e heroísmo, não é a melhor maneira de se chegar em Fátima. Também o sistema ferroviário não é uma boa alternativa (a estação de trem é longe e precária em horários de ônibus para a cidade), restando duas opções: alugar ou carro ou ir de ônibus (autocarro, em Portugal). De ônibus, são duas horas a partir do Porto e uma hora e meia a partir de Lisboa.

Assim, Fátima hoje é um dos maiores destinos de peregrinação do mundo, um monumento de fé, esperança e aproximação das pessoas. Vale conhecer este imenso santuário e toda esta bela história!

Como disse João Paulo II em sua visita de 1982 à Fátima, "venho a Fátima com o terço nas mãos, o nome de Maria nos lábios, o cântico de misericórdia de Deus no coração".

sábado, 18 de maio de 2013

GUIMARÃES, HISTÓRIA VIVA DE PORTUGAL

Portugal é um país bastante interessante de se visitar. Ali temos muita história, igrejas belíssimas, museus interessantes, palácios deslumbrantes, paisagens naturais estonteantes. E centros históricos fascinantes. Neste quesito, dos centros históricos dignos de nota, destaca-se Guimarães.

Rua típica do centro histórico de Guimarães.

Guimarães é uma cidade localizada no norte de Portugal. O norte, vale lembrar, é a região mais bonita daquele país, onde a interação homem-natureza atinge seu grau de maior potencialidade. Destaque para a região chamada "Alto Douro Vinhateiro", uma das mais belas paisagens naturais que já vi na vida, reconhecida merecidamente como patrimônio mundial pela UNESCO.

Aliás, é bom frisar também que o norte português é berço histórico daquela nação. Porto, outra cidade da região, é um nome que deu origem ao do país - Portugal e Guimarães, a cidade que se autodenomina, não sem razão, "onde nasceu Portugal". Os vimaranenses orgulham-se de sua cidade, a primeira capital do país.

A cidade de Guimarães, vale dizer, foi fundada por uma mulher, ainda no século X, chamada Mumadona Dias. Talvez por ter sido fundada por uma mulher é que o bom gosto impera naquela urbe, com suas belas edificações que fazem de seu centro histórico o mais belo de Portugal (juntamente com o do Porto).  Mumadona foi uma mulher à frente de seu tempo, poderosa e influente, filha de nobres do Reino de Leão. Foi ela que gerenciou a formação urbana da época e seu amplo domínio territorial, além de ter sido a responsável pela construção do imponente Castelo de Guimarães, uma das maiores atrações locais.

Voltando à história,  insta destacar que Guimarães, conforme já ressaltado anteriormente, é o berço da nação portuguesa, residência dos condes do "Condado Portucalense", que depois viria a se tornar o "Reino de Portugal". Em Guimarães nasceu e viveu D. Afonso Henriques que, vivendo no Castelo de Guimarães, proclamou a formação do Reino de Portugal, durante a Batalha de San Mamede (1128), tendo a independência sido reconhecida pelo reino de Leão e Castelo em 1143.

A maior atração da cidade, conforme já ressaltado anteriormente, é o Castelo de Guimarães ( localizado na chamada "Cidade Alta"), construído para deter avanços dos mouros no século X. Segundo relatos históricos, neste edifício nasceu Afonso Henriques, o primeiro rei português. No mesmo local, é possível ainda ver a Capela de São Miguel, onde Afonso foi batizado, de estilo românico, e o Paço dos Duques, palácio que já foi inclusive residência de Salazar nos anos 30 do século vinte - hoje abriga um pequeno museu.


Castelo de Guimarães.

Capela de São Miguel.

Destaca-se também na bela paisagem urbana de Guimarães o Largo da Oliveira, que é o coração do centro histórico e onde há muitos barezinhos e uma vida agitada noturna. Ali também encontra-se a Igreja e Colegiada de Nossa Senhora de Oliveira, importante atração local.

Largo da Oliveira.Centro histórico de Guimarães. Belo e bem preservado.
Cenário bastante bonito também é o da praça em que se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos. Exemplo de arquitetura barroca e decoração rococó, a igreja foi fundada no século XVIII.

Igreja da Consolação e Santos Passos, em Guimarães.
O melhor museu da cidade é o Martins Sarmiento, com peças arqueológicas. Sarmiento foi um importante arqueólogo que realizou grandes descobertas no norte de Portugal, sendo a maior delas Citânia de Briteiros, a cidade das cabanas da Idade da Pedra, a 15 km de Guimarães.

A cidade de Guimarães tem também suas muralhas, mas um detalhe tira o charme: foram derrubadas e sobrou pouca coisa - uma das partes tem a inscrição "aqui nasceu Portugal". Outro lugar passível de visitação é a bela Igreja de São Francisco, em estilo gótico.

Em 2001, o centro histórico de Guimarães foi inscrito como "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO, baseado em critérios como originalidade, universalidade e autenticidade.

Enfim, Guimarães é uma importante cidade histórica portuguesa e também uma das mais belas urbes lusas. Vale a visita!

terça-feira, 30 de abril de 2013

DUBAI, SEM LIMITES PARA SONHAR

Até o início dos anos 90, poucos pessoas sabiam da existência de Dubai. Um destino em meio a um deserto, que sobrevivia com base em um comércio realizado na beira do Creek, que nada mais é que o "braço do mar" do local. Ali desenvolveu-se a antiga Dubai. Ali onde temos hoje o "souk" do ouro e das especiarias, duas importantes atrações locais. Onde há o Dubai Museum, que conta a história do emirado.A Dubai dos dhows, pequenas embarcações antiquadas, típicas do local  A velha Dubai.

O Creek de Dubai.

Mas a Dubai de hoje é também, ou muito mais, uma Dubai futurista. E parece mirar isso, com projetos  extremamente ambiciosos ("The Palm",  "The World", "Dubailand", dentre outros) ainda que as obras sofreram um freio considerável após  a crise mundial de 2008 e o pedido de moratória feito pela Dubai World (empresa de investimentos estatal do emirado) em 2009. Crise que não afetou a construção do "Burj Khalifa", o atual prédio mais alto do mundo (828 metros) e símbolo maior, juntamente com o "hotel sete estrelas" Burj Al Arab (em forma de vela),  desta Dubai cada vez mais "futurista".

Dubai  futurista. Prédios gigantes e muita modernidade.

Dubai é um dos sete "Emirados Árabes", que se uniram, sob a liderança do Sheik Zayed, em 1971.Os outros são Abu Dhabi (a cidade do mesmo nome é a capital do país), Sharjah, Fujairah, Ajman State, Ras Al-Khaimah e Umm  Al - Quwain.  Sem dúvida, Abu Dhabi, a terra do petróleo nos emirados, é o mais rico dos sete, seguido por Dubai e por Sharjah. Sharjah é um emirado mais tradicional, com rígidas leis islâmicas e o que tem mais história. A religião oficial do país é o islamismo e a língua, o árabe (embora o inglês seja bastante difundido, sendo praticamente uma segunda língua). O país conta com uma alta renda per capita, de cerca de 48.000 dólares anuais, o que a coloca entre as 20 maiores do mundo.

A cidade de Dubai tem múltiplas atrações. Comecemos pela parte "moderna" da cidade.

A primeira que o turista/viajante terá contato, a partir do aeroporto, é, sem dúvida, a sua  bela avenida principal, a "Sheik Zayed", avenida esta que une Dubai a Abu Dhabi. Como dissemos anteriormente, Zayed bin Sultan Al Nahyan, ou "Sheik Zayed", foi o maior líder da história dos Emirados, o grande responsável pelo desenvolvimento econômico-cultural daquelas terras. Governou os Emirados Árabes durante 33 anos - 1971 a 2004, ano de seu falecimento, aos 86 anos de idade. Voltando à avenida, temos que as principais atrações  são as "Emirates Towers" (de 355 metros) e as duas torres do hotel mais alto do mundo, o "JW Marriot Marquis Dubai" (também com 355 metros).

Dubai é uma cidade com vocação para o grandioso. Começou a desenvolver esta ideia com as "Torres Emirates", com os hotéis mais altos do mundo - o "JW Marriot Dubai " e o "Burj Al Arab"- e chegou até o atual prédio mais alto do mundo, o "Burj Khalifa" (828 metros).


Burj Khalifa ao fundo. O prédio mais alto do mundo na atualidade.

A visita ao Burj Khalifa é realmente imperdível. A visão que se tem do 124º andar do edifício é qualquer coisa de deslumbrante. Dica importante: comprar o ingresso pela internet. É bem mais em conta (o ingresso na hora é o triplo do preço do comprado pela internet) e você pode reservar com antecedência. Caso contrário, você também perderá a oportunidade de conhecer, já que  geralmente no dia em que você for comprar "ao vivo" estarão esgotados os ingressos. O site para comprar com cartão de crédito é https://tickets.atthetop.ae/eticketing/homepage.aspx. O lugar se chama "At the Top" e está localizado no piso   LG (Lower Ground) do "Dubai Mall". O elevador leva pouco mais de um minuto para chegar até o andar do observatório, o que é realmente impressionante. Outros dados impressionantes: 163 andares, 57 elevadores, 26.000 painéis de vidro. Isso é Dubai. Isso é Burj Khalifa.

Do Burj Khalifa é possível ter esta visão da cidade de Dubai.

E por falar em shopping, Dubai tem um dos maiores shopping  centers do mundo - o "Dubai Mall". O Dubai Mall tem um aquário gigantesco e muito bonito, com vários tubarões e arraias gigantes. Curiosidade: em 2010, o famoso aquário chegou a ser interditado, tendo ocorrido, inclusive, vazamentos e rachaduras em sua estrutura. Imagina se houvesse o rompimento, com os milhares de peixes, tubarões e arraias que estão ali dentro! Algumas testemunhas disseram que o aquário explodiu... Será?

O Dubai Mall visto por cima, mais precisamente do 124º do Burj Khalifa. Sombra do Burj.

Na mesma região do Dubai Mall, e aos pés do Burj Khalifa, é possível ainda ver o espetáculo das fontes, cópia de Las Vegas. É maior, mas menos impactante (talvez pela trilha sonora!) que o da cidade americana.

Espetáculo das fontes em Dubai.

Além deste imenso shopping da região do Burj Khalifa, destaca-se ainda o "Mall of Emirates", um pouco menor, mas que conta com uma das maiores pistas de esqui "indoor" do mundo. É um shopping mais simpático e mais ao estilo dos brasileiros. Outros dois centros de compras de interesse na cidade são o "Bujuman" e o "Wafi", este último em estilo egípcio.

A pista de esqui no Mall of Emirates é uma das atrações de  Dubai.

O crescimento de Dubai indica para uma nova direção - a "Dubai Marina". Hoje, é uma região agitada da cidade, onde se concentram barezinhos. Curiosidade: ali não se serve cerveja nas mesas  - é proibido. É até interessante observar aquele clima de paquera sem a companheira das noites dos brasileiros - a cerveja gelada. Em breve, será finalizado na região mais um arranha-céu: o Marina 101, que será um misto de condomínio residencial (506 apartamentos) e hotel (324 apartamentos).

Jumeirah é outra região interessante da cidade. Ali temos várias atrações, como a praia "Jumeirah Beach" (a melhor e mais espaçosa da cidade), o Burj Al Arab (que se autodenomina "sete-estrelas"), a Mesquita de Jumeirah, o "Mercato", o "Souk Madinat Jumeirah" e a ilha artificial "The Palm", com seu famoso hotel "Atlantis".

Jumeirah Beach é a melhor praia de Dubai. Extensa, confortável e bela. Burj Al Arab ao fundo.

O "Burj Al Arab" é uma visita interessante, porém cara de se fazer, já que o badalado hotel exige, pelo menos, uma reserva de chá ("high tea") para que o turista possa atravessar a ponte que separa Dubai do terreno artificial do hotel no mar. Muitos não gostam de seu interior, talvez por considerar futurista e simples demais para quem se autoproclama "sete estrelas". Ou com cores exageradas. Não foi meu caso. Admirei o trabalho arquitetônico conciso e arrojado, que merece ser apreciado pelos turistas. O chá é bastante interessante, com várias opções de doces e salgados, e inclui champanhe no preço final.

O Burj Al Arab, em formato de vela, é um assombro de arquitetura.

A parte antiga da cidade, perto do "Creek" (Bur Dubai, ao sul e Deira, ao norte),  merece também uma visita atenta.

A mais fantástica atração é, sem dúvida, o "Gold Souk", ou "Mercado do Ouro", em bom português. Ali valem as regras de negociação: a partir do preço do vendedor, divida por dois; caso o vendedor aceite, feche o negócio. Vale relembrar: nunca inicie uma negociação se não tiver o intento de comprar o item - isso pode gerar insatisfação e a consequente grosseria por parte do vendedor. Outra dica valiosa: observar onde os nativos - leia-se árabes genuínos e mulheres com burca - costumam comprar. Geralmente é um lugar confiável, notadamente para quem não entende muito de ouro.

O ouro nas lojas do souk.

Além do "Gold Souk", temos na mesma região o "Spice Souk" ou "Mercado das Especiarias". É um mercado interessante, muito embora seja menos atraente que o de Istambul. Lá, experimentamos a famosa bala de  leite de camela, que é uma delícia que derrete na boca.

O "Dubai Museum" é uma interessante opção para quem quer conhecer muito da história do emirado que, de uma vila pesqueira, se tornou hoje uma referência mundial de arrojo arquitetônico e de modernidade. Também são retratados os costumes locais, o que gera bastante interesse para quem não conhece.

O modo de vida beduíno é retratado no museu.


Árabes retratados no Dubai Museum.
Em Dubai, deve-se utilizar transporte o tempo todo. É uma cidade que não permite andar a pé, sendo as distâncias longas - faço uma analogia com Brasília. O transporte por táxi é bem em conta (bem mais em conta que no Brasil) e o metrô, embora não seja tão extenso, é razoavelmente eficiente (embora não seja indicado para pessoas idosas, por conta das distâncias percorridas dentro das estações).

A rede hoteleira de Dubai é magnífica, com mais de vinte e cinco hotéis cinco estrelas, dentre eles os míticos Burj Al Arab e Al Qasr (que fica no estonteante complexo Madinat Jumeirah) e os fabulosos Jumeirah Beach e Atlantis The Palm . Hotéis quatro estrelas da cidade  costumam ter um ótimo nível, com um café da manhã gostoso.

Na mesma linha luxuosa, alguns dos restaurantes da cidade estão entre os mais caros do mundo. No Burj Al Arab, por exemplo, temos dois restaurantes que são uma atração da cidade: o "Al Muntaha Skyview Bar", no 27º andar, e o "Al Mahara", que fica abaixo da superfície marinha . O "Al Mahara", fato curioso, é alcançado por uma simulação submarina de três minutos, serve frutos do mar (óbvio) e é cercado por aquários gigantes. O chá da tarde, conforme já explanamos anteriormente, fica no "Sahn Eddar", no saguão.

Para a noite, as principais atrações são o "Buddah Bar", o "Skyview Bar" do Burj Al Arab e o "The Rooftop". E o já citado "esquenta" do Dubai Marina, região com muitos barezinhos e onde a paquera rola solta.

Para fora da cidade, as dicas são os emirados Abu Dhabi (ao sul) e Sharjah (ao norte). E também o passeio pelo "Deserto de Dubai".

Abu Dhabi é outra grande e importante cidade dos Emirados Árabes. É a capital do país e parece querer cada vez mais entrar na disputa com Dubai pela primazia turística do país. Hoje, a sua maior atração ainda é a fabulosa mesquita "Sheik Zhayed". Trata-se de uma das maiores mesquitas do mundo, na cor branca. Simplesmente deslumbrante. Além desta, destacam-se ainda o fantástico hotel "Emirates Palace", cuja visita completa requer uma reserva para o "high tea" (chá da tarde); o shopping "Marina Abu Dhabi", e a linda "corniche", com seus prédios altíssimos.

A grande mesquita de Abu Dhabi é uma das grandes atrações dos Emirados Árabes.

Sharjah é outro emirado que vale a pena conhecer a partir de Dubai. Conforme dissemos anteriormente, é um emirado extremamente tradicionalista, com rígidas leis baseadas no "Alcorão", o livro sagrado do Islamismo. O mercado da cidade, o "Blue Souq" , é um dos melhores da região, vendendo muito ouro e tapetes persas. É um belo emirado, sem dúvida.

O "Mercado Azul" de Sharjah.
O Deserto de Dubai é uma reserva bem preservada, que permite ao viajante descobrir um pouco mais dos costumes dos povos que vagam pelas areias sem fim. Ali pode-se andar de camelo; segurar o falcão, ave símbolo do local; e ainda participar de um jantar típico. É um bom programa, com certeza.

Enfim, Dubai é uma cidade de inúmeras atrações. Vale muito a pena visitá-la!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

OMÃ, EXOTISMO E RELIGIOSIDADE!

Omã é um sultanato (monarquia absoluta islâmica) pouco conhecido dos brasileiros. Pouco não - nada conhecido. Você pode perguntar: oito em cada dez pessoas nunca tinha ouvido falar deste pequeno país até você dizer que fez um passeio por lá.  E a primeira pergunta é: onde fica?

Omã é um país do Golfo Pérsico (para alguns, Golfo da Arábia), uma das regiões mais conturbadas do planeta. Faz fronteira com os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Iêmen. País montanhoso,  com apenas 3 milhões de habitantes, tem na força da religião islâmica - é um dos países mais fundamentalistas do mundo - a sua marca indelével. A capital e principal cidade é Mascate (Muscat), e a moeda é o valorizadíssimo "rial omani" ( 1 rial equivale a 3 dólares).

Placas como esta indicam que as mesquitas são só para muçulmanos em Omã.

A história de Omã registra um extenso domínio da Pérsia, atual Irã, relativizada por um curto período de tempo pelos portugueses. Tal preponderância  durou até 1741, quando, finalmente, os omanis conquistaram a independência do califado persa, sob o comando de Ahmed Bin Said, que fundou a dinastia que comanda o país até hoje (ele foi o primeiro sultão). Vale lembrar, no entanto, que a independência total do país adveio apenas em 1951, uma vez que o país dependia economicamente da Grã-Bretanha e era a esta ilha atrelado - inclusive foram os ingleses que sustentaram a atual dinastia no poder, notadamente em termos econômicos. De lá para cá, foram seis sultões, incluindo o atual, Qaboos, que reina desde 1970. O petróleo foi descoberto por lá em 1964.

Apesar das rígidas "leis" islâmicas, não se notou, durante a nossa permanência no país, nenhum tipo de intolerância. Pelo contrário, os omanis revelaram-se bastante gentis na maior parte das vezes. Até mesmo o mercado local é mais tranquilo, quanto ao assédio dos vendedores, que o mercado turco, por exemplo (Grand Bazzar) ou mesmo o "souk" do ouro de Dubai. Mas advirta-se: não é recomendável andar de shorts, bermudas e com os ombros abertos - isso vale para homens e mulheres. E é melhor não dar "sopa para o azar" em um país tão exótico e diferente.

O país tem muitas atrações. Omã possui muitas praias ( as mais belas são a AlQurm e Al Bustan), wadis (vales geológicos) e abre um leque de possibilidades para a prática de esportes, como montanhismo e  mergulho. Mas verdadeiramente destacam-se: o " Mutrah Souq", o "Museu Bait Al Barandah",  a "Grande Mesquita" e o "Palácio do Sultão".

O mercado de Muttrah é uma atração à parte. Fica logo na "Mutrah Corniche" (os "corniches", nesta região, indicam as avenidas a beira-mar). Ali, nos arredores de Muscat, desenvolve-se a arte da negociação. Muito interessante. Geralmente os vendedores te dão um preço. A partir da aí, é conveniente ao viajaante dividir o valor dado por 2 para dar início à negociação. Se ele aceitar o valor dado pelo consumidor, manda a ética fechar o negócio, caso contrário haverá repúdio por parte do vendedor.

Os comerciantes de Omã vendem incenso, o produto local mais famoso (e o de melhor qualidade do mundo). Além do incenso, comum também são as essências de perfumes, o ouro e os trajes típicos, além de "souveniers".


Entrada do Souk Muttrah, em Omã
Parte interna do Mutrah Souq, em Mutrah, Omã.

O "Museu Bait Al Barandah" é pequeno, mas bastante interessante. Conta a história de Muscat, do sultanato, apresenta todas as roupas típicas através dos tempos. Vale a visita sim. Não é possível registrar fotografias em seu interior.

Talvez a mesquita mais bonita que já vi seja mesmo a de Omã, a única passível de visitação no país. Chama-se a "Grande Mesquita do Sultão Qaboos". É uma das maiores do mundo (tem uma área estimada em 416 mil metros quadrados) e é simplesmente deslumbrante em todo o seu interior e exterior - é coberta em quase toda a sua extensão por mármore branco e cinza escuro. O tapete persa de seu interior demorou 27 meses para ser concluído, cobre uma área de 4.200 metros quadrados e pesa 21 toneladas. Um luxo!! Os salões de orações são um deslumbre. Só não é passível de visitação às sexta-feiras, das 8:30 às 11:00 horas.


Parte externa da Mesquita Sultão Qaboos.


Internamente, a Mesquita Qaboos é uma das mais belas do mundo.

Por fim, o palácio oficial do Sultão é um passeio para se conhecer apenas a parte externa. Fechado, como é o país, o Sultão é uma incógnita: não se sabe quantas mulheres ele tem, nem se conhece seus filhos. Tudo é guardado a sete chaves. "Caras", por aquelas terras, nem pensar. Coisas de Omã.


Palácio do Sultão Qaboos, em Mascate.

quarta-feira, 27 de março de 2013

TOSCANA, UMA VISÃO GERAL DO PARAÍSO ITALIANO

A Toscana, região central da Itália, é um dos principais destinos turísticos do mundo. Não sem razão. Ali é o berço do Renascimento, movimento cultural que influenciou decisivamente a história da humanidade, permitindo, por conseguinte, o despertar do humanismo e, mais tarde, do capitalismo, com toda a força que hoje conhecemos. 

Além disso, a região é grande produtora de vinhos, com circuitos tradicionais e interessantes (Chianti, Montalcino e Montepulciano).

A principal cidade da belíssima região italiana é, sem dúvida, Florença (Firenze, em italiano). Florença é a capital da região, e principal cidade, contando com mais de 400 mil habitantes (a população total da Toscana gira em torno de três milhões e setecentos mil habitantes). Várias atrações fazem da cidade um ponto de parada obrigatória para o turista em solo italiano. Só para citar as mais importantes: o “Duomo de Firenze”; a “Galleria Uffizi”; a “Galleria della Academia”, com sua atração principal, que é Davi, de Michelangelo;  a “Piazza Della Signoria”; a “Ponte Vecchio”, preservada inclusive durante os bombardeios da Segunda Guerra;  a “Santa Croce”; o “Museu Bargello”; a vista mais linda da Europa, a partir da “Piazzale Michelangelo”;   o bairro de “Oltrarno”;  na gastronomia, a “bisteca fiorentina”. Enfim, um sem número de atrações que demandam do viajante pelo menos quatro dias inteiros (sem contar a data de entrada e de saída) para o completo desfrute da imponente cidade.

O domo de Brunelleschi.


A segunda cidade em importância turística é, talvez, Siena. Siena é conhecida internacionalmente como a “Terra do Palio” e já foi uma grande rival de Florença na Idade Média. Hoje é uma cidade bem menor que a antiga rival (tem cerca de sessenta mil habitantes), mas mantém um centro histórico bastante interessante, principalmente na “Piazza Del Campo”. A catedral da urbe é a mais bonita da região – o “Duomo di Siena”.

A Catedral de Siena é uma das mais belas igrejas do mundo.


Pisa é outra atração imperdível da região toscana. Ali está localizada a “Torre Inclinada”, uma das construções mais famosas do mundo. Localizada na “Piazza Del Miracoli”, a mesma que possui também o “Duomo de Pisa” e o “Batistério”, igualmente notáveis. Vale ainda destacar o pouco explorado centro histórico da cidade. Para ver tudo, seria interessante passar uma manhã e uma tarde naquela cidade interessante.

Quem nunca tentou consertar a Torre Inclinada de Pisa?

Todas as três cidades principais da Toscana, em termos de atrações, foram esmiuçadas em posts no blog. Além destas, destacam-se também Lucca, Cortona, San Gimignano e Monterrigioni, também relatadas.
Em Lucca vale alugar uma bicicleta - a cidade é plana e gostosa para pedalar.

Cidade pouco visitada, a murada Volterra é interessante. É bastante parecida com San Gimigano e Monterrigioni. Para conhecer um pouco mais da cidade, vale visitar o site http://www.comune.volterra.pi.it/english/. O único senão é que está em inglês.

Outra cidade importante da região é Arezzo. Facilmente atingível via trem a partir de Florença (cerca de uma hora de viagem por trem), Arezzo é também uma cidade muito apreciada, notadamente pela existência de inúmeros afrescos de Piero della Francesca. Suas maiores atrações: o Duomo, o Palácio Comunale e a Igreja de São Francisco.  A cidade conta com 91 mil habitantes e é bastante próxima de Cortona, podendo ser combinada com a cidade preferida de Frances Mayes.

Pistóia é outra cidade subestimada da região toscana. Tem um centro histórico interessante e está bem próxima de Florença. Para variar, o Duomo de Pistóia é o monumento mais importante. Mas o fato interessante é a ligação da cidade com o Brasil: é lá que se encontra o monumento em homenagem aos brasileiros mortos em combate na Segunda Guerra Mundial.

A Toscana é terra de grandes mitos da história da arte. Leonardo da Vinci, por exemplo,nasceu em Vinci. Pouca gente se arrisca a conhecer o local onde nasceu o mestre renascentista, autor de "Monalisa". Preferem  ver seus quadros em museus espalhados pelo mundo a visitar sua pequena casa nesta cidade bucólica da Toscana.

A partir de Florença (ou melhor, tendo esta cidade como base) é possível também conhecer Assis (duas horas e meia de trem; carro também é possível; ônibus turísticos em passeio combinado com Cortona) e Perugia, estas duas na Umbria. Assis é uma pérola, já descrita em post no blog; Perugia também, sendo uma cidade bastante antiga e uma das principais da era etrusca na península italiana.

Enfim, muito há para se ver na Toscana, uma das mais belas regiões do mundo. Uma série de dez posts destrincha os principais pontos das cidades mais importantes.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CRÔNICAS DE UM TURISTA PROFISSIONAL

" O CITY TOUR”

Viajar é realmente um prazer inesgotável. Ali você é senhor do seu tempo, do seu modo de ver as coisas, do seu sentir. Mas... “Peraí”. Nem tudo são flores. Existe um “city tour” no meio do caminho. No meio do caminho, existe um city tour...

City tour é um passeio que detona toda a sua liberdade interior e exterior. Este sim é um programa de turista – enquanto o viajante (olha a teoria das diferenças!) já estará curtindo um belo museu ou passeando sem rumo pela cidade (e sempre descobrindo coisas novas e interessantes), o turista está lá, firme e forte, curtindo um busão, o “busão” do city tour, feliz da vida e achando que está conhecendo tudo!

Gente, não é por nada não, mas “city tour” é um programa turistão mesmo. É difícil imaginar um programa mais “turistão”. É o “turistão” por excelência! Você deixa de caminhar pela cidade para ficar curtindo os monumentos pela janela de um ônibus lotado de pessoas...

Começa assim. Primeiro, a cobrança, quando não está incluído no pacote. Se já está incluído, pula-se esta primeira parte. 

Depois vem a entrada no ônibus. Um monte de gente que não conhece um ao outro já entra rapidinho para ver se arruma um lugar na janelinha. Logo de cara, todos os primeiros lugares já estarão ocupados. É claro que aquela senhorinha e sua filha  já serão as primeiras a entrar no ônibus e a pegar lugar na janela. O guia, obviamente, já tem um assento reservado na frente e um microfone, para falar um monte de coisas que ninguém vai dar a mínima “bola”. Ou você já conseguiu ficar mais do que cinco minutos prestando atenção no que um guia está falando? Você começa a prestar a atenção e já aparece, na janela, a primeira oportunidade de tirar uma foto. Na volta da desatenção, você terá aquela foto típica “de janela” (em que aparecem as imperfeições da janela, tipo “aviso de saída de emergência”), mas não saberá nada do que o guia falou.

Dentro do ônibus, claro, já começam as brigas. Isso porque os monumentos e atrações aparecem, indistintamente, de um lado ou de outro. Aí é um tal de câmera em cima de você de um lado, máquina fotográfica de outro, incomodando profundamente quem está sentado. Veja só a situação: o ônibus,é claro, em movimento e um monte de gente querendo tirar foto.  Aí tem o natural desequilíbrio, a pessoa invadindo sua janela, amontoando-se em cima de sua pessoa, etc.

Ônibus em movimento, aliás, é a tônica do passeio. Geralmente os motoristas param uma três vezes, sendo que em duas o guia fala: “é só para tirar foto, viu, gente? – vamos nos encontrar aqui daqui a 10 minutos”. Pronto. Desce todo mundo do ônibus. Só que, o esperado acontece – ou você acha que todos irão chegar em 10 minutos ao ônibus? Claro que não. Sempre tem um atrasadinho. O atrasadinho é aquele que faz um passeio “plus a mais” (perdão pela redundância). Ele dá um “plus a mais” em relação a tudo o que os outros turistões estão fazendo. Se os turistões (avisados pelo guia exatamente dos locais onde deveriam estar), estão no primeiro andar, os turistões “plus a mais” já estão vasculhando o terceiro e o quarto andares do local. O turistão “plus a mais” é aquele que é sempre homenageado– o guia, óbvio, não perde a chance: “uma salva de palmas para os atrasadinhos!”, reverbera.

Vale lembrar também a problemática questão de idiomas. Sim. O “busão” está cheio deles. É gente do México, do Japão (olha eles aí de novo), da Argentina e, é claro, do Brasil. Uma amiga (olha ela aí de novo – a amiga do turista profissional) me contou que, em um passeio por Buenos Aires, uma praça chamada “Dorrego”, que fica em San Telmo, virou duplo sentido para os brasileiros, que logo puseram maldade (pronuncia-se “do rego”), sendo que um casal de mexicanos queria saber do que estavam rindo... Melhor não saber...

Ah, e não se esqueça: sempre está um calor danado – isso porque os city tours sempre se atrasam e começam depois das dez da manhã, porque tem que pegar muita gente em vários hotéis diferentes. O motorista, claro, tem que tirar o seu também, já que as gorjetas são escassas (quem está no city tour geralmente não quer gastar seu "rico" dinheirinho reservado para as compras) e tem sempre uma água mineral para vender. E como não é possível beber água fora do ônibus – já que o ônibus nunca para e quando para é por pouco tempo- a solução é mesmo comprar a água do motorista.

E todos saem felizes para sempre, na certeza de que conheceram tudo da cidade visitada. Será? Durma-se com um barulho desses...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CRÔNICAS DE UM TURISTA PROFISSIONAL

OS JAPONESES


Uma pergunta rápida para os turistas ou viajantes: o que encontramos em comum, em todas as viagens, nos pontos turísticos mais visitados do mundo? Resposta igualmente rápida: japoneses. Aliás, rapidez e disciplina são características inerentes aos habitantes das ilhas do sol nascente.

Sem dúvida, o que temos no mundo hoje é uma invasão samurai. Não existe um canto deste planeta ainda não invadido pelos japoneses. Eles se somam, se multiplicam, mas nunca diminuem, nem se dividem. É a melhor definição: andam em grupos geralmente de mais de vinte pessoas e lotam todos os lugares turísticos do planeta.

É um tal de japonês para cá, japonês para lá. É nipônico tirando foto aqui, é nipônico tirando foto acolá. Como gostam de tirar fotos! É impressionante.

Três lugares são os mais disputados pelos japoneses no mundo: a “Monalisa”, no Museu do Louvre, em Paris; a “Fontana di Trevi”, em Roma; e os “Museus Vaticanos”, na sede da Igreja Católica mundial. Nesses três lugares, você tem a nítida sensação de que há mais japoneses por ali do que no Japão propriamente dito.

A “Monalisa” então, é caso para psicanálise. Basta o Louvre abrir suas portas que a japonesada já saia correndo, com o mapa do museu na mão, para ver a tal Gioconda. Lá chegando, percebem que é um quadrinho pequeno, cercado, e logo enchem a frente dela. Nem com zoom de doze vezes você consegue focalizar o tal quadro de Da Vinci. Ou seja, caso o turista não consiga, durante a abertura do museu, correr como Usain Bolt, provavelmente não conseguirá chegar perto da obra de Leonardo. E verá a pequena Monalisa de longe, muito longe. A pequena notável que não é passível de ser notada. Culpa dos nipônicos!

A “Fontana di Trevi”, por sua vez, é o lugar mais povoado do mundo. Nem em Bangladesh o turista verá tanta gente pela frente.  Não sei como Anita Ekberg conseguiu gravar aquela cena do filme “La Dolce Vita”, de Fellini. É impossível chegar perto daquela fonte após as oito horas da manhã. Por causa de quê, ou “kdiquê”, como diriam os mineiros? Um doce para quem responder que são os japoneses. É japonês comendo “pizza a taglio” de um lado, é japonês fotografando de outro. Aquilo ali deve ser o paraíso dos gatunos, tal a concentração de gente no local. Vou confessar: queria ter um comércio no local, de preferência com letreiros em japonês – deve ser extremamente lucrativo!

Mas o mais engraçado mesmo são os japoneses no seu périplo para se chegar nos “Museus Vaticanos”. Já começa no metrô de Roma. O vagão já vai cheio deles. Chegando na estação, eles descem rapidamente e saem correndo pela rua em direção à fila. Isso mesmo, correm não para entrar no museu, mas sim entrar na fila do museu. Acho que nem o Usain Bolt (olha o Bolt aqui de novo!) consegue alcançar esta turma. Na hora que você chega na fila quem você encontra então? Um bando de japoneses logo na sua frente. E nem precisa de doce para acertar. É uma invasão samurai sem precedentes. Dentro do museu, então, são hordas e hordas de japoneses visitando todas as salas, até se chegar na Capela Sixtina, o último ponto de visitação. E chegando na Capela, qual é a maior turma? Deles. Um japonês para cada três de outra nacionalidade. E viva Michelangelo!

E assim a invasão samurai vai se consolidando pelo mundo. Uma colega me relatou que até nos lençóis maranhenses viu um bando deles, debaixo de uma árvore que funcionava como um oásis naquele deserto!

Um bando de japoneses debaixo de uma árvore no Maranhão! Não falta mais nada. O mundo é samurai...Os guerreiros das viagens!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

OS CARAVANÇARÁS

A viagem pelas curiosidades ao redor do mundo chega aos caravançarás, pontos turísticos característicos da Turquia e de outros países da Ásia Central.

Os caravançarás (caravanserails) eram abrigos, construído pelos seljúcidas, entre os séculos XI e XIII, em rotas de comércio, que serviam para descanso dos comerciantes após um dia exaustivo de viagem.

Vale abrir um parênteses para falar um pouco dos seljúcidas. Trata-se de uma tribo nômade da era medieval, cujo domínio se estendeu pela Anatólia Central, englobando áreas que hoje correspondem à  Armênia, Azerbaijão, Irã e Turquia. Foi fundado por Tughril, que também foi seu primeiro sultão. Entrou em declínio após as duas primeiras cruzadas.

Existem caravançarás não só na Turquia. Irã, Armênia, Azerbaijão, Síria e Israel também possuem os seus, fruto da herança resultante do domínio do império seljúcida.

Na Turquia, o mais bem preservado é, justamente, o de Sultanhani, um caravançará extremamente belo (talvez um dos mais conservados do mundo). Construído em 1226, o complexo contava, além das acomodações similares a um hotel, com mesquita, estábulos, banho turco e um grande salão onde era possível guardar todas as mercadorias dos comerciantes em descanso. A porta, imensa, conforme se pode observar na foto abaixo, era justamente para possibilitar a entrada de animais, notadamente camelos.

Extremamente belo em seu interior, o Sultanhani possui um pátio central rodeado de arcadas, que funcionavam como proteção contra o sol.


O caravançará "Sultanhani" é o mais bem conservado da Turquia. Entrada .
Além dos caravançarás, existiam ainda os hans. Os hans eram armazéns, com os mesmos recursos dos caravançarás.

Na Turquia, além de Sultanhani, existe outro caravançará interesssante para visitação, localizado na cidade de Edirne: é o "Rustem Pasa", do século XVI. Edirne, perto da fronteira com a Grécia, vale ressaltar, é uma cidade turca de grande importância histórica, tendo sido capital do Império Otomano por quase um século, de 1361 a 1453 (data da queda de Constantinopla). Hoje, este caravançará funciona como um hotel.

Então a dica é: estando em território turco, não perca a contemplação destes lugares interessantes- os caravançarás!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

CRÔNICAS DE UM TURISTA PROFISSIONAL

O ESTRESSADO


Turista ou viajante? Existe diferença?  Não sei. Pode até ser. Ser turista pode ser menos que ser viajante. Viajante dá aquele ar de profissional; turista, ares de amadorismo. Turista dá uma idéia de sujeito gaiato, com um bermudão característico (no caso masculino) ou um chapelão (no caso feminino); já viajante, parece ser mais sisudo, sério, o cara parece não se descontrair nunca Mas turistas ou viajantes, todos têm que enfrentar um problema: os aeroportos e os aviões.

Começa na chegada ao aeroporto. As filas do famoso “check in” já parecem intermináveis por natureza. Tem gente que confunde viagem com mudança. Fico imaginando: se aquilo ali já é a bagagem da ida, imagina a da volta. Principalmente se for para destinos de sacoleiros: Miami, Orlando, Nova Iorque. Aí, haja excesso de bagagem e vistoria da receita para dar conta! Fora as imensas bagagens de mão, que carregam toda uma tralha de roupas dentro – caso ocorra o extravio da bagagem despachada.

Mas como estamos em tempos de tecnologia da informação, criaram um tal de posto de “check in” onde é mais fácil você tirar suas passagens. Ocorre que ali também as filas são grandes e aparece também um monte de gente que nunca viu um computador pela frente. Resultado: atraso também. E com um agravante: se você tiver uma mísera malinha para despachar, prepara-se para enfrentar uma nova fila, lá no “check in.” Ou seja, será que a fila da maquininha compensa? Eis o mistério da fé!

Ultrapassada esta fase, vem a próxima: tirar cintos, sapatos; no caso das mulheres, sempre tirar o sapato, claro, porque é quase impossível um sapato de mulher que não acione aquele dispositivo de segurança. Bota então, é certo. Não precisa nem perguntar, é hora de já ir tirando sem pensar. É um tal de cinto em um pote,  sapato em outro, e vida que segue.

Vida que segue não. Espera que começa. Agora é a hora de entrar no avião. Mas antes uma espera de mais de quatro horas, pelo menos, o que inclui free-shop, cafezinho caríssimo na área de embarque, pão-de-queijo mais caro ainda (se é que é possível).  O que você ganhou de descontos no free-shop, perdeu no cafezinho (exagero!).

Aliás, o maior ágio que existe no mundo é em aeroporto. Se uma cervejinha custa noventa centavos no supermercado, espere pagar dez, doze reais no aeroporto. É um atentado ao bom senso!

Após o embarque, com todos devidamente sentados, a aeromoça começa a mostrar os procedimentos em caso de “pouso de emergência”. Peraí! Existe procedimento em pouso de emergência? Que eu saiba o procedimento adequado é rezar (para que Deus ilumine o piloto, co-piloto e asseclas) e torcer (para que a porta do avião se abra o mais rápido possível em terra firme, se possível). E correr para aquele colchão deslizante o mais rápido possível. Mas o que acontece? Elas – as aeromoças – mostram como se usam as máscaras em caso de pouso na água. Agora eu pergunto de novo: alguém já viu um pouso na água? Avião e água definitivamente não combinam. Ainda que tenha aparecido um doidinho lá pelas bandas de Nova Iorque que tenha conseguido fazer este tipo de pouso. Pura sorte. Mas saiba que ninguém precisou daquelas máscaras...

Mas o que mais assusta não é embarcar no avião, nem a “aulinha” das aeromoças dos procedimentos para “pousos forçados”. É o desembarque. Aquilo ali vira um furdúncio. Antes que o sinal de desatar cintos seja desativado, já existem quinhentas pessoas em pé, ávidas por pegar suas bagagens de mão (aquelas imensas). Cuidado, dizem as aeromoças: as bagagens podem ter se deslocado durante o pouso e a decolagem. Eu digo diferente: cuidado com a sua cabeça, já que as bagagens serão deslocadas para fora do compartimento e a possibilidade de traumatismo craniano é imensa, se você se levantar justamente na hora em que um turistão estiver retirando sua bagagem! Imagina a situação de uma mala de dez quilos bater em seu pobre crânio – uma contusão cerebral será inevitável.

Mas, enfim, quando você acha que chegou ao destino, ainda tem muita coisa te esperando: filas e mais filas, imigração, revista pessoal (um inferno se você for o sortudo escolhido). Tudo isso depois de mais de dez horas de viagem. Cansaço, cansaço, cansaço, mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena. E eis que o turista profissional encerra seu périplo. Estressado, mas feliz...