quarta-feira, 5 de abril de 2017

O MAGNÍFICO CANAL DO PANAMÁ!

15 de agosto de 1914. Nesse dia especial, foi inaugurada uma obra que seria considerada por muitos uma das maravilhas da engenharia moderna e um marco no comércio marítimo internacional: o Canal do Panamá.  A história do Canal é intensa e fascinante, com bastante repercussão inclusive na história do interessante país da América Central.

Eclusa de Miraflores, Canal do Panamá.
Antes do mergulho na história da obra, é bom que se diga que o Canal do Panamá é uma abertura realizada para a passagem de navios, do Oceano Atlântico para o Pacífico e vice-versa. A construção é um marco na engenharia, que contou com explosão de montanhas (Corte Culebra) e enfrentamento de doenças (entre elas, as principais foram a malária e a febre amarela, que dizimaram cerca de 25.000 pessoas). Tem extensão de 82 km.  Basicamente, três fatores contribuíram para que o Panamá fosse o local adequado para a construção do canal: istmo estreito, um rio caudaloso (no caso, o Rio Chagres) e um regime de chuvas abundantes. A partir dessas adequações, a engenharia se encarregou de construir um canal com eclusas (obras de engenharia hidráulica, espécie de elevadores que permitem que navios subam ou desçam em locais desnivelados) com a água como protagonista maior.

Definido o que vem a ser o Canal do Panamá, abriremos espaço para um pouco da história bastante interessante da maravilhosa obra de engenharia.

O marco dessa história é 1513. Nesse ano, o explorador espanhol Vasco Nuñes de Balboa (1475-1519), após atravessar com dificuldades o istmo do Panamá pela inóspita região de Dárien, descobriu o "Mar do Sul", posteriormente renomeado para "Pacífico". 

A partir do descobrimento, já em 1514 a coroa espanhola demonstrava interesse em procurar uma passagem pelo estreito istmo que unisse os dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico. Não logrou êxito em encontrar a passagem, mas mesmo assim ordenou a construção do Caminho Real, utilizado por muitos anos para o transporte de mercadorias do Peru e de outras regiões da costa do Pacífico  até as feiras de Portobelo, no Caribe. 

Outro marco histórico para o Canal do Panamá foi 1527, ano em que dois navegadores espanhóis chamados Hernando de La Serna e Pablo Corzo descobriram que o rio Chagres era navegável até cinquenta quilômetros rio acima de sua foz. Chagres que foi, posteriormente, o rio ligado ao Canal. 

O interesse espanhol em explorar uma possível ligação entre os oceanos chamou a atenção de outros países, sendo certo que dois se sobressaíram nessa árdua tarefa: a França e os Estados Unidos. 

A França ganhou o direito de explorar a região para a construção de um canal ainda no ano de 1878. Nesse ano, o congresso da Colômbia (sim, o Panamá era parte da Colômbia) aprovou o "Convênio Salgar-Wise", que conferiu a uma empresa francesa concessão por 99 anos para a construção da ligação oceânica. Para o projeto foi chamado o construtor do Canal de Suez, o francês Ferdinand de Lesseps, que decidiu por onde deveria ser construído o canal. O marco inicial do projeto francês foi 1880, lançada a pedra fundamental na foz do Rio Grande, localizada na costa pacífica panamenha. Em 1884, já eram 17.000 homens trabalhando, a maioria de origem caribenha, contingente que foi sendo paulatinamente dizimado pelas doenças. Foram 6.300 mortes entre 1882 e 1903, sendo esse um dos principais fatores da desistência da França em construir o canal De positivo, apenas a remoção de sessenta milhões de metros cúbicos de terra, o que facilitou  a exploração posterior do local..

A fase que sucedeu a francesa foi a americana. Essa fase foi deflagrada, e decidida entre várias opções (uma era construir um canal na Nicarágua),  pelo histórico presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt (1858-1919).

Em 3 de novembro de 1903 o Panamá conquistou a sua independência em relação à Colômbia. No entanto, iniciou-se a época de domínio americano sobre o país central-americano. Tal domínio adveio da Convenção do Canal Istmíco, ou melhor, Tratado Hay-Bunau-Varilla, assinado no mesmo ano da "independência" do país, mais precisamente 15 dias depois - 18 de novembro de 1903, pelo qual se concedeu aos americanos uma faixa de terra de dez milhas de largura de um oceano ao outro, além de alguns bairros da capital (!) e ilhas da baía do Panamá. Enfim, o Panamá foi literalmente dominado pelos americanos a partir de 1903. Foi dominado, mas diga-se de passagem que os panamenhos protestaram, sendo o acontecimento mais marcante a revolta de 21 jovens contra o governo americano, em 09 de janeiro de 1964, que ficou conhecida como "Dia dos Mártires". . Esse dia de descontentamento e lutas foi fundamental na recuperação do Canal para os panamenhos, que se concretizou através da celebração do Tratado de Torrijos-Cartes em 1977. No entanto,  a retirada americana  somente se deu em 31 de dezembro de 1999. Desde essa data a soberania panamenha sobre seu território e sobre o Canal é absoluta.  96 anos depois da independência em relação à Colômbia, o Panamá conseguia a independência em relação aos Estados Unidos da América. 

Hoje, o Canal opera a todo vapor, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Funciona por um simples sistema: as eclusas. Eclusas são espécies de elevadores, impulsionadas pelas águas. Considerando-se que os dois oceanos estão no mesmo nível, as eclusas tem como única finalidade elevar barcos até o nível do Lago Gatún (26 metros acima do nível do mar) para posteriormente baixá-los de novo, em operação inversa. As três eclusas tradicionais são a de Gátun (nas proximidades do Oceano Atlântico, com três degraus), de Pedro Miguel (um degrau) e de Miraflores (nas proximidades do Oceano Pacífico, com dois degraus).  As três eclusas comportam apenas navios Panamax.

Uma ampliação do Canal, finalizada em 2016, inaugurou mais dois conjuntos de eclusas, a saber, Eclusa de Aguas Claras (próxima à Eclusa Gatun, com três degraus) e a Eclusa Cocoli (próxima a Eclusa de Pedro Miguel, com três degraus), que, somadas a amplição da capacidade do Lago Gatun,  permitem o acesso a navios ainda maiores no Canal, os Post-Panamax (que são os navios porta-contentores).

A eclusa mais turística, e mais próxima da capital panamenha, é a de Miraflores. É o mais interessante local para se observar a travessia de navios no Canal e o mais próximo da Cidade do Panamá (tem até ônibus local para os turistas). Além do mirante de observação, Miraflores conta ainda com um interessantíssimo museu sobre o Canal do Panamá, com toda a história e todas as curiosidades da magnífica obra, além de uma sala de cinema, onde é exibido um filme com a história do Canal. Uma curiosidade interessante é o uso das chamadas "mulas", pequenas embarcações utilizadas para rebocar, frear e manter o navio centrado na câmara.Dentro do Canal o capitão do navio passa o comando para o homem que conduz a "mula".

Eclusa de Miraflores, Canal do Panamá.
O Mirante de Miraflores é bastante concorrido.
Canal do Panamá. Miraflores.
Explosões para a construção do Canal. Museu do Canal, em Miraflores.
Quadro em exposição no Museu do Canal em Miraflores.
Comportas se abrindo para a passagem de um navio Panamax. Miraflores.
Navio fazendo a passagem.

Navio fazendo a passagem.

Navio fazendo a passagem.
A bacia do canal conta ainda com Parques Nacionais (Chagres, Soberania, Camino de Cruces, Altos de Campana) e o Monumento Nacional Isla Barro Colorado.

Para os turistas, além dos lugares de visitação nas eclusas, há ainda a opção de atravessar o canal, em um tour que exige mais paciência - demora oito horas.

sábado, 11 de março de 2017

SAN BLAS, PARAÍSO CARIBENHO DOS GUNA YALA!

O Panamá, país localizado na América Central (porção continental, istmo), entre Colômbia e Costa Rica, tem 10 (dez) províncias e 03 (três) comarcas indígenas. A comarca Guna Yala (pronuncia-se "Kuna Yala"), localizada no lado do Oceano Atlântico, da qual faz parte o paradisíaco arquipélago de San Blas, do qual falaremos a seguir, é uma das três comarcas indígenas (as outras duas são a Emberá, bastante turística e a Ngabe-Buglé, a mais populosa).
A comarca Guna Yala no Panamá em vermelho. Lado Atlântico. Foto: Shadowfox.

Inicialmente, vale ressaltar que a etnia indígena Guna (Kuna) domina o fabuloso conjunto de ilhas conhecido como San Blas (estamos adotando essa nomenclatura, embora esteja já em desuso, por lei editada em 1998). 

O arquipélago de San Blas  é constituído de 365 pequenas ilhas, 49 delas habitadas, além de uma estreita faixa continental do território panamenho (conforme mapa acima).

San Blas é um verdadeiro paraíso na terra, com ilhas pequenas ( com proximidade uma das outras), praias com boas porções de areia e o mar na tonalidade "azul-caribe" (além de outras cores, que contrastam com essa). Ali, os índios cobram dos visitantes taxas de visitação das ilhas, dirigem os pequenos barcos (dizem que são lanchas!), controlam os horários dos turistas, alugam cabanas (resorts e hotéis de grandes cadeias não existem por ali - aliás, nem há estrutura para isso). Enfim, os indígenas fazem de tudo um pouco, vivendo de turismo, artesanato, agricultura e pesca. 

Uma paradisíaca praia na Isla Perro em San Blas. Águas mornas e belas.
Importante trazer aqui também um pouco da curiosa e instigante história dessa comunidade indígena e seus aspectos culturais mais peculiares.

Sabe-se que os Guna, enquanto comunidade organizada, surgiram a partir da criação da Comarca Tulenaga, por lei colombiana de junho de 1870. Tal comarca se estendia muito além da atual comarca Guna Yala, abrangendo desde a atual Colón, no Panamá, até o Golfo de Urabá, na Colômbia. Com a intensa exploração dos índios e sua terra por outros povos, ocorreu o maior e mais amplo movimentos dos Guna: a Revolução Guna, liderada por Nele Kantule em 1925, que resultou na efêmera República de Tula (durou apenas alguns dias). Curiosamente, os índios adotaram uma bandeira com a suástica como símbolo, abandonada no decorrer da Segunda Guerra, justamente pela apropriação do símbolo pelos nazistas. Conta-se que a suástica representava o polvo que, segundo a tradição Guna, havia criado o mundo. As pontas da suástica eram os tentáculos desse povo, cada uma delas representando um ponto cardeal, que seriam o arco-íris, o sol, a lua e as estrelas.


A curiosa bandeira Guna da Revolução. Foto: s/v Moonrise. CC BY-SA 3.0
A atual bandeira Guna, utilizada inclusive nas embarcações, é a seguinte:

Bandeira de Guna Yala atual, adotada em 2010. Foto: Shadowfox.

Outras curiosidades a se destacar: um censo de 1990 indicou uma população de 40.000 gunas, hoje a estimativa gira em torno de 54 mil habitantes; a capital é El Porvenir; os Gunas seguem uma religião naturalista, evocando a "Mãe Terra" (similar aos incas peruanos), chamada  "Paba y Nana"; os Guna são monogâmicos e os pais escolhem a esposa para os filhos; o ritual do matrimônio dura de três a cinco dias, e o noivo é levado à casa da noiva e submetido a várias provas para saber se é realmente o par ideal da filha; após o casamento, o novo marido passa a viver debaixo da tutela do sogro.

Voltando ao passeio, temos que, quando se chega no terminal, a sensação é de um pouco de medo. Um local inóspito, com mar agitado e pequenos barcos. Barcos que os índios insistem em chamar de "lanchas". Mas, enfim, turismo é isso: os fins (conhecer um paraíso como San Blas) justificam o meio (arriscar-se nos pequenos barcos).



Aqui se pegam os barquitos.



Piscinas naturais cheias de estrelas do mar compõem o passeio a San Blas.
Estrela do mar em San Blas.
As ilhas, todas parecidíssimas, com muitos coqueiros e areia branca, valem o sacrifício. Algumas fotos ilustram a beleza singular do lugar, única até mesmo em termos caribenhos:

A beleza do local.
Paraíso.



Bela ilha tropical.
Uma advertência a quem for visitar as ilhas: o passeio é difícil para quem tem dificuldade de locomoção. O sobe e desce dos barcos é custoso, já que sempre o passageiro tem que pular e subir, muitas vezes na água do mar. A melhor época para visitação vai de dezembro a abril. Para se chegar até lá, a partir da Cidade do Panamá, são duas horas e meia, sendo os últimos quarenta minutos em estrada sinuosa que desafia os estômagos dos visitantes (muitos enjoam com as viradas e o calor). É importante lembrar também que o passeio rumo às ilhas, mar adentro, demora cerca de 30 (trinta) minutos, com muito sobe e desce das lanchas nas águas, dada as ondas que surgem no Atlântico.

Por fim, vale destacar aqui a marca registrada dos Gunas (Kunas) Yala: o artesanato chamado "molas". que é, basicamente,  panos de cores vivas, confeccionadas artesanalmente pelas índias. Neles, a criadora sobrepõe panos uns sobre os outros, desenhando figuras primitivas de objetos naturais, mitológicos ou geométricos. Pode servir como adorno no próprio vestuário, ou ainda como almofada, ou mesmo pano de mesa.  Um trabalho realmente bonito e diferente. Vale conferir.

Um belo trabalho de molas.

Uma índia Kuna e, atrás, os trabalhos denominados "molas", comuns no Panamá. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O ESTÁDIO PANATENAICO DE ATENAS!

Outro local que recomendo bastante, apesar de poder parecer desinteressante para muitos (por ser uma visita simples a algo que é só concreto), é o "Estádio Panatenaico", localizado no bairro Pangrati, entre colinas forradas com pinheiros.


O belíssimo Panatenaico.
A história do fabuloso estádio começa 5 séculos a.C, construído que foi para as competições panatenaicas de atletismo. Era o "Festival Panathenaia", ocorrido entre 566/565 antes de Cristo.

Em 120 d.C, Adriano, imperador romano entre 117 e 138 d.C, sacrificou mil animais selvagens na arena. 

Estádio Panatenáico. Foto de Michal Osmenda. CC BY 2.0
Herodes Antico (101-177), o mesmo do teatro da Acrópole, foi o primeiro a reformá-lo.
Posteriormente, já no século XIX, foi reformado novamente, desta vez para as primeiras Olímpiadas da Era Moderna (1896), realizada entre os dias 23 de março e 04 de abril, nos mesmos moldes da construção antiga, com suas arquibancadas e base em mármore pentélico. O responsável pela última reforma do estádio foi o rico grego Georgios Averof (1815-1899). O auge olímpico do Estádio foi a vitória do grego Spiridon Louis (1873-1940) na maratona.

O Panatenaico, durante as Olímpiadas de 1896. Arquivo de Pierre de Coubertin.
Momento da entrada de Spiridon Louis, grego vencedor da Maratona de 1896. Coubertin.
Ali também sediou a chegada da Maratona Olímpica de 2004 (nesse ano Atenas voltou a sediar os Jogos), na qual o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima (1969-) terminou em terceiro lugar, depois de liderar boa parte da prova e ser atacado, em um ato imbecil, por um ex-padre irlandês. Além disso, o mítico estádio abriga, anualmente, a reta final da Maratona de Atenas, corrida  que envolve mais de quarenta mil atletas e é disputada desde 1972.

O estádio de mármore é um dos belos e imponentes locais a se apreciar na capital grega.

Serviço - Estádio Panatenaico.

Localização: Esquina sudeste do Jardim Nacional. Vasileos Konstantinou Anevue (lado oposto à estátua de Myron Discobolus).

Horários: de março a outubro, das 8 às 19 horas; de novembro a fevereiro, das 8 às 17 horas.

Preço: Adultos, 5 euros; Estudantes, meia. Crianças abaixo dos 6 anos não pagam, assim como portadores de necessidades especiais.

Transporte: ônibus (linhas 2, 4, 10, 11, 90, 209 e 550); metro (acropolis - linha 2, syntagma - linhas 2 e 3, evangelismos - linha 3). 

domingo, 22 de janeiro de 2017

APARECIDA: A HISTÓRIA CONTADA ATRAVÉS DO MUSEU DE CERA!

Segunda quinzena de outubro de 1717 (entre os dias 17 e 30 daquele mês). Naquele tempo, trezentos anos atrás, Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, o Conde de Assumar, então "Governador da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro", passaria pela Vila de Guaratinguetá, em sua trajetória para Vila Rica (atual Ouro Preto). Assim, a Câmara Municipal da vila paulista ordenou a três pescadores, a saber, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Martins Garcia, que recolhessem nas águas do Rio Paraíba do Sul todos os peixes que pescassem, a fim de fornecer um banquete à importante figura. 

A imagem original de Aparecida, exposta atualmente na Basílica Nova.
Ocorre que a pescaria não vinha rendendo bons frutos, mesmo com os pescadores lançando redes desde o porto de José Correa Leite até o porto de Itaguaçu. Foi aí que, em Itaguaçu, o pescador João Alves lançou uma rede e nela veio o corpo de uma imagem.  No mesmo rio, um pouco mais abaixo, lançou novamente a rede e, como resultado, encontrou a cabeça da mesma imagem. Era a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição que, depois, foi rebatizada como Nossa Senhora da Conceição Aparecida ou, simplesmente, Nossa Senhora Aparecida. 

Os pescadores e a imagem.Museu de Cera de Aparecida.
Pescador e a rede. .Museu de Cera de Aparecida.
Após o recolhimento da imagem em duas partes (corpo e cabeça, posteriormente juntadas), os peixes vieram em abundância. Era o primeiro sinal dos desígnios divinos. Iniciava-se aí a devoção à Nossa Senhora da Conceição Aparecida. 

Segundo os relatos de padre João de Morais e Aguiar, pároco de Guaratinguetá em 1757, a imagem ficou com Felipe Pedroso, um dos três pescadores e homem que colou com cera de arapuá a cabeça ao corpo. Passou a ser venerada pela família, depois por viajantes, até que se construiu uma capelinha no local, pelas mãos do filho de Felipe Pedroso, Atanásio. 

Fato posterior, o milagre das velas indicava a presença de Deus para as pessoas. Conta-se que, em uma ocasião, em meio a orações, duas velas de cera da terra que iluminavam Nossa Senhora apagaram-se. Silvana da Rocha correu para acendê-las, mas eis que as velas voltaram a iluminar sem qualquer atitude de Silvana. Era mais um prodígio de Nossa Senhora.  Outros milagres ainda viriam a acontecer, como o da menina cega (que conseguiu ver a Basílica Velha), o do escravo acorrentado (Zacarias teve as suas correntes rompidas depois de muito orar) e o do cavaleiro ateu (homem sem fé que queria invadir a Basílica Velha, mas que viu as patas de seu cavalo ficarem presas na escadaria da igreja).

Milagre das velas. .Museu de Cera de Aparecida.
Milagre da menina cega. Ela enxergou a basílica de Aparecida..Museu de Cera de Aparecida.
Milagre do escravo - as correntes desataram. .Museu de Cera de Aparecida.
Milagre do cavaleiro ateu. Pata do cavalo fica presa na escadaria da igreja. .Museu de Cera de Aparecida.
Em 1743, o padre Vilela, percebendo a imensa devoção que se instalava naquela pequena capela, pediu a Dom Frei João da Cruz, bispo da diocese do Rio de Janeiro, autorização para a construção de uma capela maior.  Foi construída no Morro dos Coqueiros, em terreno doado e com dinheiro de esmolas, sendo abençoada em 26 de julho de 1745.  

Padre José Alves Villela, construtor da primeira capela de Aparecida. .Museu de Cera de Aparecida.
A atual "Basílica Velha" ou "Matriz Basílica", que se encontra atualmente no Morro dos Coqueiros não é a mesma capela do Padre Vilela. A sua construção teve início em 1844, sendo concluída em 1888. Em 1893, o templo foi consagrado com o título de "Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida". Em 1908, o Papa São Pio X concedeu ao templo o título de "Basílica Menor". A imagem encontrada no rio Paraíba do Sul esteve por ali por 237 anos, até que foi levada definitivamente para a "Basílica Nova" no dia 03 de outubro de 1982.

A Basílica Nova de Aparecida (elevada à Santuário em 1984) e a passarela que liga as Basílicas Nova e Velha (construída nos anos setenta).

A Basílica Velha, ou "Matriz Basílica".
Um fato histórico, acontecido em relação à imagem original, é digno de nota. Em 16 de maio de 1978, um jovem de 19 anos, vindo de São José dos Campos, entrou à noite na igreja e retirou a imagem de seu local de guarda, quebrando-a em muitos pedaços. Tal fato gerou grande comoção nacional, cabendo à restauradora Maria Helena Charduni a tarefa de trazer novamente a imagem da forma original. Com grande destreza, a restauradora conseguiu seu objetivo no mesmo ano.

Curiosamente, o manto de Nossa Senhora Aparecida, assim como a coroa, foram doados pela Princesa Isabel, importante figura da era imperial brasileira (responsável pela abolição da escravatura em 1888), em agradecimento a uma promessa feita pela monarca, na qual pediu para que conseguisse engravidar - Isabel teve três filhos.

Princesa Isabel, que deu a coroa à Aparecida e Conde D´eu. .Museu de Cera de Aparecida.

ANDORRA

Bandeira do país

A bandeira andorrana, com a inscrição "a força unida é mais forte".

A bandeira foi adotada por Andorra em 27 de agosto de 1971. As cores da bandeira refletem a dependência de Andorra, principalmente na questão da segurança, para com a Espanha e França - o azul e vermelho são referência à França; o amarelo e vermelho, à Espanha. 

O brasão do país tem a inscrição em latim "virtvs vnita fortior", que quer dizer "a força unida é mais forte". No primeiro quadrante do brasão (esquerda, alto), temos o símbolo dos Bispos de Urgel; ao lado, a referência é a comunidade francesa de Foix. Abaixo, temos a representação da catalunha (faixas em amarelo e vermelho, esquerda) e, à direita, o brasão de armas de Béarn, comuna francesa, com duas vaquinhas representadas.


Mapas do país





Dados do país

Nome completo do país: Principado de Andorra.

Nome do país: Andorra.

Continente:Europa. Está localizada no sudoeste europeu, entre França e Espanha, nos Pirineus.

Capital:Andorra La Vella (23.000 habitantes -2014)

Andorra La Vella, foto de Tiia Monto, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.
Cidades principais: Andorra La Vella (23.000); Escaldes-Engordany (14.000); Sant Juliá de Loria (7.500); Encamp  (7.493);  La Massana (4.985); Santa Coloma; Ordino; El Pas de La Casa; Canilo; Arinsal.

Língua:Catalão (oficial). Outras: Francês, Castelhano, Português.

Religião:Católica Apostólica Romana.

Moeda:Euro.

População: 85.660 habitantes (2016).

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): Muito elevado (34º do mundo).

Atrações turísticas principais:  Estação de esqui de Vallonord, Igreja de Sant Esteve; Igreja de Sant Miquel d´Engolasters; Casa de Areny Plandolit; Igreja Sant Joan de Caselles; Lago de Engolasters; Santuários de Meritxell (antigo - que foi queimado - e novo); Igreja de Sant Marti de La Cortinada; Igreja de Sant Clement de Paul; Coma Pedrosa (Parque); Igreja de Sant Roma de Les Bons; Santa Coloma d´Andorra;   Pico de Medécourbe (marca o ponto da tríplice fronteira Andorra, Espanha e França). 


Antigo Santuari vell de Meritxell em Andorra. Foto de Maria Rosa Ferre ,  CC BY-SA 2.0, WC

domingo, 15 de janeiro de 2017

A FABULOSA ACRÓPOLE DE ATENAS!

Atenas, a capital da Grécia, tem milênios de história. Berço da civilização europeia, Atenas já era ocupada 5 mil anos antes de Cristo e ali estiveram presentes vozes e pensamentos filosóficos ilustres, como Sócrates (o fundador da filosofia ocidental), Platão (autor de "A República", "Apologia de Sócrates", "O Banquete", entre outras) e Aristóteles (autor de "Ética a Nicômaco", "Política", entre outras).


A Acrópole (acro, alto e polis, cidade, então "cidade alta") é literalmente o "ponto alto" de qualquer visita à capital da Grécia. Nela se destacam o Pártenon, o Teatro de Dionísio, o Templo de Atena Nike, o Teatro de Herodes Ático e o Pórtico das Cariátides.

Mas vamos aos monumentos e pontos principais da visita.

O Pártenon, templo dedicado à deusa Atena (deusa da civilização, das artes, da sabedoria, da justiça e da habilidade) situado na Acrópole, tem 2.500 anos de existência. Construído por Péricles, o monumento representa a exaltação da grandiosidade cultural e política grega. O nome "Partenon" quer dizer "morada da virgem" e foi dedicado à deusa Atenas Partenos, que simboliza o poder e o prestígio da cidade.  Tinha dois objetivos - ser a morada da estátua de Atenas, encomendada por Péricles e servir também como tesouro público. A sua construção terminou precisamente em 438 a.C, com a finalidade de ser sede do Grande Festival Panatenaico de 435 a.C.



Em minha modesta opinião, o segundo local mais interessante da Acrópole é o Teatro de Herodes Ático. Aliás, o teatro tem origem na Grécia: diferentemente do anfiteatro romano, o teatro grego tem o palco e a sua frente o público; o anfiteatro é circular. O Odeon de Herodes Ático foi construído em 161 a.C, pelo romano Herodes Atico,  escavado entre 1857 e 1858, sendo restaurado entre os anos de 1950 e 1961, hoje servindo para concertos ao ar livre, principalmente no Festival de Atenas. Soberbo!

Teatro de Herodes Ático ou Odeon de Herodes Atico.

Outro teatro também importante no sítio da Acrópole é o Teatro de Dionísio. Foi construído por Licurgo entre 333 e 330 a.C. Mas as ruínas não são tão imponentes quanto o outro já citado.

Teatro de Dionísio. Por Diggy Benesou de nl, CC BY-SA 3.0,  wikimedia commons.
O Pórtico das Cariátides, que faz parte do Erecteion (santuário, parte mais sagrada da Acrópole, onde Atena criou a oliveira e Poseidon fincou seu tridente no chão), por sua vez, está  bem preservado. Nele, se observa as Cariátides, figuras femininas esculpidas que servem de suporte arquitetônico, substituindo pilares. Em grego, o nome "Cariátides" significa "moças de Karyai" (Karyai era uma antiga cidade do Peloponeso, que tinha um templo em homenagem à Deusa Artemis, no qual moças dançavam em círculos celebrando a deusa).


O Erecteion, com o Pórtico das Cariátides ao lado.

As Cariátides. CC BY-SA 3.0
O Templo de Atena Nike é também uma preciosidade. Construído em 425 a.C, é feito de mármore pentélico, como a maior parte das estruturas da Cidade Alta (o nome do mármore faz referência ao Monte Pentélico, localizado a nordeste de Atenas). O templo abrigava uma estátua de Nike, a deusa da vitória, figura mitológica que está presente nas representações da deusa Atena, mais precisamente na mão direita desta (uma deusa segura a outra). Outras curiosidades: Nike tem sua representação nas medalhas olímpicas, além de ser também uma famosa marca de produtos esportivos. 

Tempo de Atenas Nike .Por Dimboukas, CC BY-SA 3.0, wikimedia commons
A visita pode ser um pouco cansativa, por várias razões: muita subida, muitos turistas (quanto mais cedo visitar melhor) e muitas pedras escorregadias (principalmente as de cor vermelha). Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena, já dizia o grande Fernando Pessoa...

A Acrópole de Atenas, sítio arqueológico dos mais importantes do mundo, foi inscrita, merecidamente, como Patrimônio Mundial Cultural da UNESCO em 1987.

Serviço

Acrópole de Atenas

Aberta diariamente de 8 às 17 horas. Última entrada às 16:30 horas.

Fechada nos seguintes dias: 1 de janeiro, 25 de março, 1 de maio, domingo de Páscoa, 25 de dezembro e 26 de dezembro.

Dias de entrada grátis: 6 de março (memória de Melina Mercouri); 18 de abril (Dia dos Monumentos Internacionais); 18 de maio (dia internacional dos museus); o último fim de semana de setembro (dias da herança europeia); 28 de outubro; todo primeiro domingo de 1 de novembro a 31 de março. 

Metrô: Estações "Acropolis" e "Monastiriki" (nessa, combina-se o passeio Monastiriki-Ágora Antiga-Acrópole). 

Ingressos: 20 euros (inteira). Há ingresso de 30 euros, válido por 5 dias, que dá direito à vários sítios e atrações de Atenas, a saber, Acrópole, Ágora Antiga, Museu Arqueológico de Kerameikos, Lykeion, Biblioteca de Adriano, Ágora Romana de Atenas, Declive Norte e Sul da Acrópole, Olympieio.