sábado, 26 de outubro de 2013

VOLUBILIS, RUÍNAS ROMANAS NO MARROCOS!

Roma já foi o maior império do mundo. Um dos maiores impérios de todos os tempos. E ruínas romanas estão presentes em muitos países. E o Marrocos tem também as suas. Volubilis é a mais impressionante.


 Localizada 31 km ao norte de Meknes (uma das mais famosas cidades imperiais), Volubilis tem uma história interessante.

Em suas origens, antes da chegada dos romanos,  Volubilis era um povoado berbere. Uma aldeia. Em 25 d.C, no embalo da colonização do Norte da África, o imperador romano Augusto conquistou a aldeia e declarou um jovem berbere, de nome Juba II, o governante local. Naquele tempo, e até o século III, Volubilis era uma espécie de capital romana do norte da África, próspera e com uma população que chegou a 20.000 habitantes, um número bastante considerável para a época.

Os árabes só chegaram depois dos romanos, no século VII. Lá já estavam, além dos berberes, sírios e judeus. Os berberes que ali viviam foram convertidos para o Islamismo e a cidade passou a se chamar Oualili.

O caminho para Volubilis é tortuoso e quase não tem sombras.

A destruição de Volubilis advém de três fatores que, somados, contribuíram decisivamente para o seu declínio: a mudança da capital para Fez, em 786, sob o comando do Moulay Idriss; o saque do mármore da cidade promovido pelo Moulay Ismail (o maior tirano da história marroquina) para fundar um novo povoado em Meknes; e, por fim, o grande terremoto de Lisboa de 1755 (um dos maiores de todos os tempos, diga-se), que derrubou todas as estruturas da cidade, exceto o Arco do Triunfo em homenagem a Caracala.

O local apresenta vários destaques para apreciação dos aficionados por história e arqueologia. Assim, podemos chamar a atenção para a "Basílica" local; o "Templo Capitolino", com colunas coríntias alusivas a Júpiter; a "Casa das Colunas"; os mosaicos no chão da "Casa de Vênus" e da "Casa dos Trabalhos de Hércules", a mais famosa via local, a "Decumanus Maximus"; as "termas públicas", em área de 1.500 metros quadrados; e o "Arco de Caracala", ao final da via principal.

A Basílica de Volubilis em sua total perspectiva.


O "interior" da Basílica de Volubilis.

Casa das Colunas.

As ruínas de Volubilis impressionam pela beleza e conservação.

O Templo Capitolino é o monumento mais fotogênico de Volubilis.

Em que pese as outras atrações, o  "Arco de Caracala", por ter sobrevivido a um grande terremoto (o de Lisboa, de 1755) e por ter quase dois mil anos de história, é a grande atração local. Construído em 217 d.C (ano da morte de Caracala), o Arco é uma homenagem ao imperador Caracalla e sua mãe síria, Júlia Dona. As colunas são de mármore.

O "Arco de Caracala", em Volubilis.

O  "Arco de Caracala", em outra visão.

Para se chegar até as ruínas históricas de Volubilis, pode-se utilizar o famoso "circuito das cidades imperiais", disponível por várias companhias, ou então pega-se um ônibus de Meknes para Moulay-Idriss e depois grand taxi para Volubilis, combinando com o taxista o horário de volta. 

Uma dica: quase não há sombras no sítio arqueológico. Ou seja, o ideal é fazer o passeio no final da tarde, após as quatro da tarde. Caso vá antes, muita água e protetor solar para enfrentar a visita.

Por fim, vale lembrar que Volubilis foi inscrita como "Patrimônio Mundial" da UNESCO em 1997.  E, para quem quiser se aprofundar na história deste fascinante sítio arqueológico, existem peças retiradas dele que se encontram em exposição no "Museu Arqueológico de Rabat". 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AIT BENHADDOU, O MAIS ESPETACULAR CASBÁ MARROQUINO!

Construções feitas de barro ("pisé") do leito do rio. Casas  ocres. Vilarejo onde foram filmados grandes longas de Hollywood. Ruas estreitas. Subidas íngremes nas rochas. Berberes e árabes. Patrimônio mundial da UNESCO ameaçado pela erosão. Tudo isso sintetiza Ait Benhaddou, o mais bem preservado casbá do Marrocos, localizado 30 (trinta) km a noroeste de Ouarzarzate, no sul daquele país.

Uma visão geral de Ait Ben Haddou, patrimônio mundial da UNESCO.

A entrada de Ait Ben Haddou.

Foto mais detalhada do casbá.

Vale abrir um espaço para uma explicação inicial importante - o que é um casbá. Casbá (em português), equivale a ksar em árabe, e é o designativo para "vilarejo fortificado". É a melhor definição para esse tipo de local, geralmente propriedade de alguma família importante. Feitos de barro e com grande presença no sul do Marrocos (existe por lá a chamada "Rota dos Casbás", com paisagens arrebatadoras), curiosamente suas casas derretem durante o período chuvoso, o que obriga seus moradores a constantemente realizarem mudanças. Isso na maioria dos casos. Porque Ait permanece lá, intacto, com construções fortes e imponentes que serviram, durante muitos anos, como ponto de parada de caravanas. A construção da estrada de Tizi n´Tchka, pelo franceses em 1928 (a França colonizou o Marrocos durante boa parte do século XX), fez com que o local perdesse sua importância como ponto de parada.




A caminhada em direção a Ait Benhaddou é regada a muito vento e muita poeira, típica situação que sempre ocorre no árido sul daquele país.

Caminhando em direção à Ait Ben Haddou.
Mas tudo vale a pena quando se chega a esse patrimônio protegido pela UNESCO.  É uma experiência única estar em um lugar tão pitoresco, exótico e interessante. É inacreditável como resiste ao tempo - são mais de três séculos de existência!

Dentro do casbá, uma subida fascinante.

No ponto mais alto do famoso casbá marroquino.

Como já dito anteriormente, Ait Ben Haddou foi um dos locais escolhidos para a filmagem do vencedor do Oscar 2001 "Gladiador", de Ridley Scott. O filme ganhou cinco oscars (incluindo melhor filme e ator), projetou o ator Russel Crowe mundialmente e até hoje é lembrado no local.

As filmagens de Gladiador são até hoje lembradas no local.
Além de "Gladiador", foram filmados lá "Lawrence da Arábia", de David Lean,  "Alexandre, o Grande", de Oliver Stone e "A Múmia", de Stephen Sommers,  dentre outros.

Dentro de Ait, é possível ter essa visão. Cenário de cinema.

Hoje em dia vivem por lá oito famílias, que sobrevivem do pequeno comércio.

Para se chegar até lá, o viajante tem algumas opções. Uma delas, fazer um circuito pelo sul do país; outra, hospedar-se em Ouarzarzate e lá utilizar um "grand taxi".  A visita é grátis, sendo a gorjeta obrigatória caso queira visitar alguma casa particular.

Enfim, um espetáculo. Um cenário arrebatador. Um patrimônio mundial que clama pela preservação. Um passeio obrigatório no Marrocos!

domingo, 13 de outubro de 2013

A BELA SINTRA!

Sintra, bucólica cidade próxima de Lisboa, é uma das maiores atrações turísticas de Portugal. E é fácil explicar o por quê. Além de suas delícias gastronômicas (as queijadas e os travesseiros típicos), da beleza de suas construções centrais, tem ainda, à disposição do turista, um conjunto de nove monumentos denominados "Parques de Sintra". São eles:  o "Parque e Palácio da Pena"; o "Palácio Nacional de Sintra"; o "Palácio Nacional de Queluz" (não propriamente em Sintra, e já esmiúçado em outro post); o "Parque e Palácio de Monserrate"; o "Castelo dos Mouros"; o "Convento dos Capuchos"; o "Chalet e Jardim da Condessa D´Edla";  a "Escola Portuguesa de Arte Equestre" e a "Quintinha de Monserrate". 

As belas ruelas de Sintra, em Portugal.

Dessas nove atrações, destacaremos as principais, a saber, o "Parque e Palácio da Pena", o "Palácio Nacional de Sintra" e o "Castelo dos Mouros". O "Palácio de Queluz", que não fica propriamente em Sintra, já foi esmiúçado em outro post.

Mas antes vale atentar um pouco para a história do local.

Historicamente, temos que Sintra sempre foi o refúgio de reis portugueses, que iam para lá em busca de descanso ao pé da serra. Em uma distância pequena, mas suficiente para se ver longe da agitação de centros maiores, como Lisboa, Sintra assim desenvolveu sua vocação para receber reis e, depois, turistas. E o "Palácio Nacional de Sintra", construído por D. João I ainda no final do século 14, é o símbolo dessa admiração dos reis pelo ar tranquilo da cidade.

O "Palácio Nacional de Sintra" é a primeira visão que o viajante tem da pequena urbe portuguesa. E é uma das visitas mais importantes e relevantes, principalmente para brasileiros. Temos ali um pouquinho de nossa história como, por exemplo, na linda "Sala dos Brasões". Na parte alta do salão, 72  brasões de famílias portuguesas importantes enfeitam o cenário; na parte baixa, é a vez dos azulejos portugueses magníficos ornamentarem o local. Vale ainda visitar a "Capela", a "Sala das Pegas" e a "Sala dos Cisnes".

"O Palácio Nacional de Sintra", com suas chaminés características.
A principal visita de Sintra, no entanto, é o "Palácio da Pena " e seu fabuloso parque. Mas diga-se uma coisa: é uma visita árdua e exige muito do físico dos viajantes. Primeiro, toma-se um ônibus no centro de Sintra (na Vila de Sintra), em ponto próximo à agência do correio local, pagando-se cinco euros ida e volta; após, ainda exige-se do visitante a subida dentro do parque, que também é gigantesca. Para os menos preparados,  existe um bondinho dentro do parque para se chegar até o palácio. Portanto, são duas subidas - para os atletas que vão a pé: primeiro, até a entrada do Parque; depois, da entrada até o próprio Palácio em si.

A cansativa subida para o Palácio,  a partir da entrada do parque.

Dentro do palácio, vale visitar a "Sala Árabe", a mais bonita do local. Destaco também a entrada, em cor cinza, bela e que dá um destaque significativo às cores locais. A história do palácio é ligada ao rei consorte Fernando II, conhecido como o "rei artista", casado com Maria II, filha do nosso D. Pedro I. O sonho dele  - a obra completa do palácio- tornou-se realizado no ano de sua morte - 1885.

Aspecto do Palácio da Pena.


A bela entrada do Palácio da Pena.


Nesse local pode-se admirar toda a beleza da região de Sintra.


O "Castelo dos Mouros", por sua vez, permite a visualização do Palácio da Pena e da vila histórica de Sintra. É um passeio interessante, mas menos envolvente que o do Palácio da Pena. Fica na mesma estrada do Palácio.

Em matéria gastronômica, duas quitutes se destacam: os travesseiros da "Piriquita"; e as queijadas da "Sapa".

A "Piriquita" vende os tradicionais "travesseiros".

Os travesseiros levam massa folhada, amêndoa, canela em pó, ovos. É bem gostoso.

Travesseiro. Produto típico de Sintra.
Já as queijadas, menores que os travesseiros e deliciosas, levam queijo, farinha, água, sal, canela e ovos.

Queijadas da Sapa. Um símbolo de Sintra.
Para se chegar em Sintra, é muito fácil. Existe "comboio" (trem) a partir de Lisboa, várias vezes ao dia, em uma viagem que dura cerca de quarenta e cinco minutos. É a melhor maneira de chegar. Muitos viajantes já me relataram o excesso de trânsito e o stress para se chegar em Sintra por carro. Portanto, o ideal é mesmo usar o "comboio", no jargão lusitano.

Assim, é um dos melhores passeios "bate-volta" a partir de Lisboa. Vale a pena viver a atmosfera dessa linda cidade!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

NOVOS POSTS

Caros leitores,

Em breve, durante os meses de outubro e novembro de 2013, uma série de posts sobre o Marrocos! Abordaremos Marrakech, Fez, Meknes, Casablanca, Rabat e o sul daquele país, incluindo o Deserto de Saara e a Rota dos Casbás.

A série sobre Portugal será finalizada com mais três posts: "Sintra", "Outras cidades portuguesas" e "Lisboa".

Abraço a todos,

Carlos HB

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

DICAS DE VIAGEM - PRODUTOS QUE NÃO PODEM ENTRAR NO BRASIL

Com o incremento das inspeções alfandegárias (inclusive com uso de raio X), vale a pena trazer à luz a lista dos produtos que não podem ser trazidos na bagagem, sem autorização prévia ou certificação sanitária, quando da entrada no Brasil. São os seguintes:

- Frutas, verduras;
- leite, queijo, manteiga, iogurte, doce de leite;
- mel, cera, própolis;
- animais de companhia;
- carnes "in natura" ou industrializadas (presuntos, embutidos, enlatados, pescado);
- insetos, moluscos, bactérias e fungos;
- comida para animais, ovos, sêmen, embriões, agrotóxicos e produtos veterinários (soros, vacinas, medicamentos, entre outros);
- mudas, sementes, hortaliças frescas, madeira e terra;
- comida servida a bordo do avião.

Vale dizer que a lista acima é apenas um resumo dos itens principais, que todo viajante costuma trazer. Para informações mais detalhadas, o ideal é dirigir ao site http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/viajantes/ViajanteChegBrasilSaber.htm#O que é PROIBIDO trazer do exterior pelo viajante

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

DICAS DE VIAGEM - O CAFÉ DA MANHÃ

Em português brasileiro, "café da manhã". No país de Camões, "pequeno-almoço". Em espanhol, "desayuno". Na língua de Shakespeare, "breakfast". Em comum, o fato de ser a primeira e talvez a mais importante refeição do dia. As operadoras de turismo costumam oferecê-los em pacotes, nas seguintes variações: o "continental"; o "bufê" (buffet); o "brunch"; o "colonial" e oo"tropical".

O continental é o café típico de hotéis para executivos. Assim, itens básicos estão presentes, tais como pães, bolos, geleias, frutas, café e sucos.

O café tipo "bufê" é o completo, servido em hotéis turísticos. Serve, além de uma grande variedade de pães e bolos, itens "americanizados", como ovo, bacon, salsichas. 

O brunch vem do inglês "breakfast" (café da manhã) mais "lunch" (almoço). Como o próprio nome induz, trata-se de uma refeição mais próxima do almoço, entre 11 e 13 horas, contendo itens que seriam servidos no almoço. Pode vir com espumante também.

O colonial é o típico do Rio Grande do Sul, misturando as culinárias italiana e alemã.

No Brasil, temos ainda o "tropical". É composto de vários tipos de pães, frutas, frios, sucos, bebidas quentes, além de manteiga, sucrilhos, cereais, mel, salsichas, ovos quentes e geleias. É uma variação do "bufê".

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

VISEU, PORTUGAL.

A região central de Portugal tem muitos encantos também. Duas cidades se destacam: Coimbra, sede da mias famosa, e tradicional, universidade portuguesa; e Viseu, uma das cidades europeias com melhor qualidade de vida. E é de Viseu, terra do Grão Vasco, que trataremos nesse post.

Antes de detalhar a cidade, vale a pena abrir um parênteses para falar um pouco do Grão Vasco, o filho mais ilustre da cidade de Viseu.  Ele é o principal pintor dos anos quinhentos em Portugal e, apesar de suas duas esposas, tinha fama de mulherengo - dizem que tinha uma mulher diferente a cada noite.

A maior parte das obras de Grão Vasco está exposta no Museu Grão Vasco, ao lado da Sé de Viseu. A obra mais bela do museu é, sem dúvida, "São Pedro", feita originalmente para a catedral da cidade.A

A "Sé de Viseu" é, também, uma bela visita. Vale a pena conhecer o interior da Catedral, rico no estilo gótico.

A Sé de Viseu, atração principal da cidade.

A "Igreja da Misericórdia", na mesma praça da Sé (em frente a ela), é uma bonita igreja em estilo barroco.

Igreja da Misericórdia, em Viseu.
Viseu, que é considerada a cidade de melhor qualidade de vida em Portugal, é famosa também por suas termas. Muitos hotéis possuem o serviço.

Vale destacar também a "Feira de São Mateus", a principal e mais antiga da Península Ibérica - são mais de seiscentos anos de tradição. Ocorre em agosto. Tem até site oficial: http://feirasaomateus.pt/

Enfim, vale a pena conhecer Viseu, uma bela e arborizada cidade do centro de Portugal. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

INHOTIM, NATUREZA E ARTE!

Uma excelente opção de passeio “bate-volta”, realizável a partir de Belo Horizonte é, sem dúvida, Inhotim. Trata-se de um dos museus de arte contemporânea mais interessantes e instigantes do mundo, contando ainda com uma coleção botânica de nível internacional. Alia, assim, arte e natureza na dose certa.

A natureza é exuberante em Inhotim.

Sessenta quilômetros e quarenta e oito quebra-molas (haja paciência ao dirigir!) separam Belo Horizonte do Inhotim, que fica localizado na cidade de Brumadinho. O caminho é bem sinalizado, com exceção do trecho entre Mário Campos e Brumadinho (o último antes de se chegar no destino final). A estrada, para quem vai pela BR-381 (meu caso), está em boas condições, sem buracos. Apenas uma das curvas, já próximo de Mário Campos, requer um cuidado maior do motorista.

Vamos falar um pouquinho do parque. É um passeio belíssimo. Sem dúvida, um dos parques mais bonitos do Brasil, com mais de 4.500 espécies nativas e exóticas de plantas. O registro fotográfico fala por si só. A beleza dos lagos e das espécies cultivadas e estudadas impressiona.






Como exemplo de planta exótica cultivada e estudada no Inhotim, temos a "saraca", da Península Malaia.

A saraca asiática.

Mas não seria completo falar de Inhotim sem falar de arte contemporânea. A arte contemporânea é a razão de ser do Inhotim. Referida arte surgiu no pós segunda grande guerra, como nova tendência, embasada fortemente em conceitos como consciência ecológica, reaproveitamento de materiais, estilo de vida e, mais recentemente, inovações tecnológicas. Usa e abusa de formas curiosas e instigantes.

O acervo do museu é gigantesco, com mais de 500 (quinhentas) obras de 100 (cem) artistas diferentes, de 30 (trinta) nacionalidades. Vamos destacar algumas obras e exposições mais relevantes.

Talvez a obra mais bonita de arte contemporânea do museu seja a " True Rouge", do artista carioca Tunga. É um emaranhado de várias coisas - redes, vidros, bolas de sinuca, bolas de cristal, na cor vermelha. Uma obra belíssima que se destaca no acervo do museu.

Para quem gosta de azulejos portugueses, a dica é a obra da importante artista Adriana Varejão, chamada "Celacanto Provoca Maremoto". É um paredão lindo, unindo feições angelicais a um maremoto, o caos formado a partir de azulejos quebrados.

Como fã do fusca, o carro da Volkswagen que não sai da cabeça e da boca do povo,  não poderia deixar de exaltar a obra "Troca-Troca", de Jarbas Lopes, do ano de 2002. São três fuscas pintados em três cores, um diferente do outro, com aparelhagens de som dentro. Superinteressante!

"Troca-Troca", um marco do Inhotim. Obra de Jarbas Lopes.

Próximo ao "Troca-Troca", imperdível é a série de obras chamada "Cosmococas", criadas por Hélio Oiticica e Neville D´Almeida. A ideia dos criadores era estudar a relação do espectador (público) com a imagem espetáculo. Ligadas ao cinema, as cinco salas desse ambiente nos mostram ambientes sensoriais, projetando slides, elementos táteis e diversas trilhas sonoras.


Cosmococas.

Uma exposição bastante chocante é a da "Galeria Lago", uma das principais do parque. Ali, a arte contemporânea é para estômagos fortes - inclusive há censura 18 anos para a visitação, pois existem fotos chocantes de mutilações, além de pregos e outros artefatos. Pessoalmente, achei um pouco sombrio, mas há quem goste. É obra do famoso Thomas Hirschorn.

Destaco ainda duas obras de John Ahearn (americano) e Rigoberto Torres(porto-riquenho): "Abre a Porta" e "Rodoviária de Brumadinho". Dois painéis soberbos.


"Abre a Porta". 

"Rodoviária de Brumadinho".

Detalhe do "Abre a Porta" de Ahearn e Torres.

Outras obras merecem referência e devem ser visitadas: a "Cicloviaérea", do Jarbas Lopes; a "Penetrável Magic Square", de Hélio Oiticica; e, finalmente, as várias obras sem nome de Edgard de Souza, esculturas presentes nos jardins do complexo.

Enfim, Inhotim é uma referência para o Brasil e o mundo na conjugação arte e natureza. Impecável e inigualável!

P.S: uma dica valiosa aos visitantes - o Inhotim tem acesso gratuito todas as terça-feiras, exceto quando for feriado nesse dia da semana.

Serviço completo 

Endereço: Rua 8, 20, Brumadinho/MG (60 km de Belo Horizonte)

Funcionamento: de terça a sexta, das 9h30 às 16h30 (serviços de alimentação e transporte até as 16 horas); sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30 (serviços de alimentação e transporte até as 17 horas).

Como chegar de carro: Pela BR-381, direção Betim, após o posto da Polícia Rodoviária Federal, andar 1,5 km e pegar a marginal em direção à Brumadinho (há uma placa imensa, à direita, indicando “Inhotim”) – saída Km 501. Pela BR-050 é também possível chegar: a melhor opção é por  estrada asfaltada ( saída para o RJ, depois do trevo Ouro Preto 3 km entrada asfaltada na Serra da Moeda), mas há também por estrada de terra (saída para o RJ, posto chefão à direita, km 547, Parque Rola Moça).

Como chegar de ônibus: O traslado da rodoviária de Belo Horizonte, que fica no centro da cidade, até Inhotim, é feito pela Saritur, na Plataforma F2 do terminal. Horários: terça/sexta saída às 9:15 horas e retorno às 16:30 horas; finais de semana e feriados: saída às 9:15 horas e volta às 17:00 horas.

Melhor época para se visitar: de junho a agosto – o tempo é seco, sem chuvas.

Ingresso: gratuito toda terça, exceto quando for feriado nesse dia da semana; quarta e quinta, R$ 20,00 (vinte reais); de sexta a domingo, R$ 28,00 (vinte e oito reais). Há meia-entrada e possibilidade de se adquirir o transporte interno por R$ 20,00 (vinte reais). Há também passaportes para dois, três e até quatro dias. O passaporte que combina sábado e domingo, valor inteiro, custa R$ 54,00 (cinqüenta e quatro reais) e a meia-entrada, R$ 27,00 (vinte e sete reais).

Visitas guiadas: 04 (quatro) tipos de visitas- temática (artística e ambiental); panorâmica; ao viveiro educador.  As visitas temáticas são conversas e reflexões sobre temas específicos do acervo artístico e ambiental; a panorâmica, por sua vez, diz respeito à exploração de várias possibilidades de percurso no parque; e, finalmente, a do viveiro educador é uma “conversa e reflexão sobre plantas de diversas partes do mundo em um espaço destinado à manutenção do acervo botânico” (conforme folheto explicativo do parque).

Horário das visitas:

Temática Artística à sábados, domingos e feriados às 14h30. Saída da recepção. Duração: 1 hora.

Temática Ambiental à sábados, domingos e feriados às 10h30 (saída da recepção) e 14h30 (saída do Tamboril).  Duração: 1 hora e 30 minutos.

Panorâmica à  de terça a domingos/feriados às 11 h e às 14 hs. Saída da recepção. Duração: 1 hora e 30 minutos.

Ao Viveiro Educador à  de terça a sexta, entre 9h e 30 e 16h. Sábados, domingos e feriados, entre 9h30 e 17 horas. Saída da recepção do viveiro educador.

Transporte para pessoas com dificuldades: Existente. Gratuito para deficientes (podendo ainda levar uma pessoa) e para crianças com até 5 anos de idade. Outras pessoas pagam vinte reais (transporte interno do parque). Há pontos de embarque e desembarque em todo o parque, nos principais pontos de visitação.

Restaurantes: Inhotim conta com dois restaurantes - um de bufê a quilo (Oiticica); outro à la carte (Tamboril). Conta ainda com lanchonetes, pizzaria, bar e um trailer de cachorro-quente.

Wi-fi: disponível nos dois restaurantes.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O MILAGROSO GALO DE BARCELOS

A lenda mais curiosa e difundida em Portugal é, sem dúvida, a do "galo de Barcelos".

O galo de Barcelos. Em Barcelos, ele é  escultura.


Antes de explicar a lenda, vale lembrar que Barcelos é uma bela e aprazível cidade da região do Minho, em Portugal. 

É a maior produtora de artesanato (tem a sugestiva alcunha de "capital do artesanato") e cerâmicas do país, tendo a feira de Barcelos como sua atração cultural mais famosa. Como atrações locais, destacam-se a Igreja Nossa Senhora do Terço, a Igreja do Senhor da Cruz, a românica Igreja Matriz, o Solar dos Pinheiros e o Museu Arqueológico.




Praça principal de Barcelos.


Voltemos à lenda.

Segundo a tradição, um galego (mais precisamente de Santiago de Compostela, na Galícia), acusado de furtar prata de um rico proprietário de terras local, antes de ser condenado à forca, requereu uma audiência com o juiz local. Chegando ao encontro, percebeu que o juiz estava prestes a comer um galeto e, mais que depressa, jurou inocência, dizendo que a prova da verdade seria o fato de que o galo que estava no prato do magistrado cantaria. De fato, o galo cantou e o juiz, rapidamente, dirigiu-se ao local da execução para evitar o acontecimento. Chegando lá, o magistrado descobriu que o homem havia sobrevivido por milagre, graças a um nó malfeito. 


Barcelos é a capital do galo e do artesanato em Portugal.

Eis a lenda do galo de Barcelos, que permeia toda a cultura portuguesa. Os galinhos são vendidos como souvenires em todo o país.

Esta loja do galo é em Sintra. Souvenires.

terça-feira, 16 de julho de 2013

PORTO, A CIDADE INVICTA!

Vibrante. Encantadora. Bela. Acolhedora. Tradicional. Terra do "Vinho do Porto". Do bacalhau, embora não haja um  "Bacalhau do Porto". Da francesinha. Das tripas a moda do Porto. A cidade invicta da Revolução Liberal. Esta é a primeira visão, e versão, que todo viajante tem quando chega à cidade do Porto, em Portugal.

Vista da magnífica cidade do Porto. Rio Douro. 

De fato, Porto evoca, acima de tudo, tradição. O próprio nome do país, Portugal, advém do nome desta cidade. A toponímia indica "Portus", que era a capital de "Portucale" ou do "Condado Portucalense".  A cidade é conhecida pelo sugestivo epíteto de "Invicta", pelo fato de que, em 1832, na defesa intransigente dos ideais do liberalismo, resistiu  bravamente ao cerco da tropas miguelinas. Era o tempo da "Revolução Liberal de 1820".

Porto é uma cidade sem igual naquelas terras lusas. A despeito de terem como gentílico o termo "portuense",  seus habitantes são chamados de "tripeiros", em alusão ao seu mais famoso prato típico, o "tripas à moda do Porto".

É uma das cidades mais bonitas e fascinantes das terras lusas.

A beleza do Porto entusiasma. E a Torre dos Clérigos brilha no cenário.


Didaticamente, podemos dividir a cidade em quatro regiões: Baixa, Ribeira, Boavista e Foz.  Dessas, destacam-se duas: a Baixa e a Ribeira. Boavista e Foz são menos atraentes.

A Baixa é, em minha opinião, a região mais encantadora da cidade. Ali concentram-se as principais atrações turísticas da urbe portuguesa. Destacamos: a Torre dos Clérigos (e igreja); a Avenida dos Aliados e a Câmara Municipal; a Livraria Lello; a Estação São Bento; e as igrejas em conjunto do Carmo e das Carmelitas.

O símbolo da cidade é, sem dúvida, a "Torre dos Clérigos". A "Torre dos Clérigos" está para o Porto assim como a Torre Eiffel está para Paris. Construída no século XVIII, é o expoente máximo do barroco local.


Torre dos Clérigos. Símbolo máximo do Porto.

A "Avenida dos Aliados", em conjunto com o seu principal prédio - a "Câmara Municipal", é, indiscutivelmente, o ponto mais harmônico e belo da "Capital do Norte". Lugar para contemplar o Porto em toda a sua beleza. Na praça existente no local encontra-se uma estátua de D. Pedro IV, que foi D. Pedro I no Brasil.

Vale aqui abrir um parênteses para falar um pouco de D. Pedro IV (D.Pedro I no Brasil), figura histórica extremamente relevante para os tripeiros. Ele é tido na cidade como símbolo de liberdade e patriotismo, ajudando-a em uma época conturbada de sua história - a Revolução Liberal em 1832/1833. Interessante observar a estátua (foto abaixo).  Ela é fruto de um agradecimento dos portuenses ao imperador Pedro. Em uma das mãos, ele carrega a "Carta Constitucional" de 1826. Uma curiosidade: por vontade testamental, Pedro entregou o seu coração à cidade do Porto - hoje, encontra-se na Igreja da Lapa.

A Avenida dos Aliados. Estátua de D.Pedro IV em primeiro plano; Câmara, no segundo.


Prédio da Câmara Municipal em detalhe.


O prédio mais pitoresco, e interessante, é o da "Livraria  Lello". No exterior, perfeito; no interior, idem. Vale uma visita.  Inaugurada em 13 de janeiro de 1906, tem fachada neogótica e serviu de inspiração para filmes, como em "Harry Potter e a Pedra Filosofal", em que existe uma livraria descrita de forma parecida com que é a Lello.

No centro, prédio branco, a famosa "Livraria Lello". Estilo neogótico.


Livraria Lello em detalhe. O prédio mais pitoresco do Porto.


Atração curiosa da cidade são as igrejas "juntas" do Carmo e das Carmelitas. Estão separadas por uma casa de um metro de largura, colocada propositadamente, uma vez que existia, à época, uma lei que proibia duas igrejas de terem paredes comuns.

Duas igrejas. Uma ao lado da outra. Curiosidade do Porto.

A "Rua Santa Catarina" é o coração comercial do Porto. Pitoresca, tem lojas, cafés (o "Majestic" é o mais famoso) e shopping.  E, como não poderia deixar de ser, os famosos "elétricos" (bondes).

O "elétrico" na Rua de Santa Catarina, a principal rua comercial da cidade.

Na Baixa, vale ainda visitar, para quem tem mais tempo disponível na cidade, a "Estação São Bento"; o "Mercado do Bolhão"; dentre outros.

A Ribeira é também uma região turística importante da cidade.  É lá que se encontra a "Sé do Porto", estilo românico-gótico, cuja construção iniciou-se no século XII, mas que foi profundamente alterada, a mais importante igreja da cidade; e a "Igreja de São Francisco", a mais bonita e ricamente decorada.

A Sé do Porto. Estilo romano-gótico.

Para quem tem mais dias à disposição na cidade, vale visitar, na Ribeira, o "Palácio da Bolsa"; e a emblemática e bela "Praça da Ribeira".

Próxima a Ribeira, um passeio imperdível são as "Caves do Vinho do Porto". O Vinho do Porto é, na verdade, produzido na região do Douro (Patrimônio Mundial pela UNESCO e região natural mais linda de Portugal) e envelhecido numa cidade próxima (acessível por pontes a partir do Porto), a Vila Nova de Gaia.

Dentro da cave da Calem.

Região Demarcada do Douro. Patrimônio Mundial da UNESCO.


Na Região do Douro, a mais bela de Portugal.


O "Vinho do Porto" comporta quatro tipos: o vintage, o ruby, o tawny e o branco.

Desses, o Vintage é vinho de excelência, uma vez que provém de uma única colheita. Esse vinho é envelhecido em casco por três anos, e depois em garrafa por até 40 anos. Depois de aberta, a garrafa deve ser consumida em até 48 horas, uma vez que o vinho oxida muito rapidamente porque não é filtrado durante o seu engarrafamento.

O Ruby é um inho jovem, encorpado e rico em aromas que recordam frutas vermelhas.

O Tawny, por sua vez, é a junção de vários lotes de vinhos, com envelhecimento feito em cascos ou tonéis. Tem aroma de frutos secos e madeira.

Já o Branco tem um teor alcoolico menos elevado e é o único que se categoriza quanto a doçura - brancos-secos, meio secos e doces.

As principais caves do Porto são a "A.A. Calém"; a "A.Ramos Pinto"; a "Real Companhia Velha"; a "Ferreira"; a "Sandeman"; a "Offley Forrester".

Além do Vinho, o Porto celebra, no cenário gastronômico, a francesinha, que é um prato típico portuense- uma tosta (como dizem os lusos), coberta com queijo e recheada com vários ingredientes. Um tipo de sanduíche muito gostoso.

Outra grande paixão da cidade é o F.C. do Porto, azul e branco, um dos grandes de Portugal e símbolo de raça e títulos naquele país. Já foi, inclusive, duas vezes campeão da Liga dos Campeões da Europa (1987 e 2004),  O "Estádio do Dragão", onde o time azul e branco manda seus jogos, é também um dos símbolos do Porto. A urbe conta ainda com outro time, o "Boavista", preto e branco, um time de menor expressão.

Enfim, um panorama do Porto.

Do que há de mais belo e sensacional nesta fantástica cidade portuguesa.