terça-feira, 19 de abril de 2016

PAÍSES QUE VISITEI: A ESCALADA PLANETÁRIA!

1. ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA (1999/2008/2010).

Welcome to Fabulous Las Vegas Sign. Las Vegas, EUA.


2. ARGENTINA (2000, 2011).

Café Tortoni, Buenos Aires, Argentina.


3. CHILE (2008, 2015).

Relógio de Sol, Viña Del Mar, Chile.

4. FRANÇA (2009)

Arco do Triunfo, Paris, França.

5. TURQUIA (2009)

Praça Sultanhamet e Santa Sofia, Istambul, Turquia.

6. ITÁLIA (2010, 2012)

Coliseu, Roma, Itália.

7. VATICANO (2010)

Igreja São Pedro, Vaticano.

8. URUGUAI (2011, 2015-2016)


Teatro Solis, Montevidéu, Uruguai.

9. ÁUSTRIA (2011)


Palácio de Schonbrunn, Viena, Áustria.


10. HUNGRIA (2011)

Praça dos Heróis, Budapeste, Hungria.

11. ESLOVÁQUIA (2011)

Centro histórico de Bratislava, Eslováquia.

12. REPÚBLICA CHECA (2011)


Centro Histórico de Praga, República Checa.

13. ALEMANHA (2011)


Portão de Brandemburgo, Berlim, Alemanha.

14. ÁFRICA DO SUL (2011)

Cabo da Boa Esperança, África do Sul.

15. BARBADOS (2012)

Miami Beach, Barbados.

16. FINLÂNDIA (2012)


Catedral luterana, Helsinque, Finlândia.

17. SUÉCIA (2012)

Salão onde se realiza o Prêmio Nobel, Estocolmo, Suécia.

18. NORUEGA (2012)

Fiorde Sogne, Noruega.
  19. DINAMARCA (2012)

Centro de Copenhagen, Dinamarca.

20. EMIRADOS ÁRABES UNIDOS (2013)

Burj Khalifa ao fundo, Dubai, Emirados Árabes Unidos.

21. OMÃ (2013) 

Mercado em Omã.


22. PORTUGAL (2013, 2014,  2015, 2017)

Padrão do Descobrimento, Lisboa, Portugal.


23. ESPANHA (2013, 2019)


Santiago de Compostela. Espanha.

24. MARROCOS (2013)


Ait Ben Haddou, Marrocos.

25. ÍNDIA (2014)

Taj Mahal, Agra, Índia.


26. NEPAL (2014)

Batkhapur, Nepal.

27. MAURÍCIO (2014)


Belle Mare, Maurício.


28. PARAGUAI (2015)


Ponte da Amizade, Ciudad del Leste, Paraguai.


29. INGLATERRA (2015)

Stonehenge, Inglaterra.

30. BÉLGICA (2015)

Bruges, Bélgica.
31. LUXEMBURGO (2015)
 

Palácio do Grão-Duque, Cidade de Luxemburgo, Luxemburgo. 
 
32. PERU (2016)

Machu Picchu, Peru.
33. GRÉCIA  (2016)

Parthenon, na Acrópole de Atenas. 
 

34. PANAMÁ (2017)

Eclusa de Miraflores, Canal do Panamá.


35. POLÔNIA (2017)

Centro Histórico de Torun, Patrimônio Mundial Unesco, Polônia. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

MAURÍCIO: O GUIA COMPLETO!

A África é um continente cheio de surpresas, uma fonte inesgotável de conhecimento e vivências. É o continente certo para o viajante literalmente buscar novos horizontes e mais, buscar uma nova concepção de vida. Maurício, ou ainda Ilhas Maurício, é um lugar bastante interessante nesse continente espetacular. 

A multicolorida bandeira mauriciana.

O país. 

Localizado no Oceano Índico, mais precisamente na África Oriental, Maurício é um país que tem os seguintes nomes nos vários idiomas: em nosso português, é Maurício; já no português europeu (Portugal), é Maurícia; em inglês, por sua vez, Mauritius. É, ainda, "Maurice" em francês e "Moris" em crioulo.  O curioso nome "próprio" foi dados pelos primeiros colonizadores efetivos, os holandeses, em homenagem a Maurício de Nassau (1567-1625), princípe de Orange entre 1618 e 1625. Curiosidade: embora tenha sido "Princípe de Orange", Nassau nasceu em Dilenburg, que hoje é território alemão. Advertência: não confundir também esse Maurício de Nassau com o conde "João Maurício de Nassau" (1604-1679), que andou por terras brasileiras, sendo o responsável pelo embelezamento do Recife.

A ilha principal, com todas as suas principais cidades.

Maurício está a 800 km de Madagascar, mas forma um conjunto turístico com duas outras ilhas: a elegante e cara Seychelles ao norte e Reunião, um departamento francês, a oeste.

Constituído sob a forma de governo republicana, Maurício é, na verdade, um arquipélago, formado por quatro ilhas: Maurício (a principal e mais turística), Rodrigues, Cargados Carajos e Agalega. As quatro ilhas tem um nome peculiar: são as "Ilhas Mascarenhas Orientais".

A miscelânea cultural que caracteriza o país começou durante a sua colonização, com a sucessão de países que ali aportaram: primeiro os portugueses (1505); depois, os holandeses (1598); franceses e, finalmente, os britânicos.

A independência do país foi conquistada em 1968. O grande nome da libertação de Maurício foi o homem de nome impronunciável sir Seewoosagur Ramgoolam, o famoso "SSR", que dá nome ao moderno e interessante aeroporto do país. Ramgoolam fundou o Partido Trabalhista em 1936 e desde então lutou pela independência mauriciana. Mas a ideia de liberdades civis foi impulsionada antes, quando da visita do líder espiritual indiano Mahatma Gandhi em 1901.

A economia gira em torno da cana-de-açúcar.Também tem tradição na exportação de chá, tabaco e tecidos.

O símbolo do país é o dodô, um animal parecido com um pato, desaparecido no século XVII. Embora parecesse com um pato, como já foi dito, era uma espécie de pombo gigante, com asas curtas e frágeis - por isso não conseguia voar. Pesava cerca de 23 kg. Foram mortos pelos colonizadores, principalmente os marinheiros holandeses - era a refeição destes. Além disso, seus ninhos foram dizimados por animais trazidos por navios. Hoje, o dodô vive na lembrança, representado em diversos suveníres pela ilha. Há muitos esqueletos desse animal em museus da Europa, Estados Unidos e Maurício.

O dodô, símbolo de Maurício presente, inclusive, no brasão do país.

Culturalmente, é importante destacar a "Séga", uma poderosa mistura de dança e música concebida em suas origens pelos escravos que aportaram na ilha.  O principal instrumento utilizado é uma espécie de tambor chamado "ravanne".  A batida começa lenta e vai aumentando aos poucos.

Séga. Apresentação típica. Foto: Carlos HB/ EP.

 A moeda é a rúpia mauriciana. O nome da moeda indica a proximidade do país com a Índia (cuja moeda é a rúpia indiana).

O país disputa com Seychelles as Ilhas Chagos e com a França a ilha Tromellin. 

Quando ir.

A melhor época para visitar Maurício vai de junho a outubro. De janeiro a março é a época dos ciclones (ou seja, fuja!). Dezembro, abril e maio chovem consideravelmente também. Setembro e outubro são os meses com menor índice pluviométrico.

O céu ideal para curtir maurício. Outubro. Foto: Carlos HB/EP



Atrações principais.

Port Louis.

Port Louis é a capital e a cidade mais importante do país. A cidade não é perigosa durante o dia, muito embora existam casos de pequenos furtos no mercado local. À noite, a indicação é usar táxi e não ficar "dando sopa" na rua.

Vista de Port Louis a partir da Cidadela. Foto: Carlos HB/EP

Renovado em 2004, o Mercado Central de Port Louis (aberto todos os dias de cinco e meia da manhã até as cinco e meia da tarde, exceto no domingo, quando fecha às onze e meia) é uma grande atração da capital, onde o visitante pode encontrar muitos suveníres.

A Place d´Armes é considerada a Champs-Elysées de Port Louis. É uma avenida com palmeiras que leva até a Government House, uma das atrações dessa região, e perpassa pela estátua de Mahé de Labourdonnais.

Port Louis também tem sua "Chinatown".

Outra atração conhecidíssima, e uma visita bem bacana, é o Fort Adelaide, ou Cidadela. Construído pelos britânicos, o forte conta com uma visão completa da pequena capital.

O "Blue Penny Museum" é o museu mais impactante da capital. Explica-se. Maurício tem uma tradição filatélica imensa, além de ser o país de origem de dois dos selos mais caros do mundo: o one penny e o two pence, ambos de 1847. Há um post específico nesse blog sobre esse museu (leia aqui).

O Museu Blue Penny, colado no shopping Caudan.

A capital mauriciana tem ainda três outros museus dignos de nota: o Museu de História Natural e Instituto de Maurício; o Museu Postal de Maurício e o Museu Fotográfico. 

Uma atração pouco conhecida é o Santuário de Père Laval. Père foi um padre que viveu no século 19 (morreu em 1864) e que foi beatificado por João Paulo Segundo durante visita papal no ano de 1979. Père é hoje uma figura muito popular- peregrinos vem de diversas partes do mundo para ver seu túmulo e pedir um milagre (muitos foram atribuídos a ele). 09 de setembro é a data da peregrinação.

Aapravasi Ghat é  outra atração local. Considerada "Patrimônio Mundial da Unesco" (desde 2006), é um pequeno complexo de construções localizado em frente ao mar, e é um monumento representantivo dos milhares de trabalhadores indianos que chegaram à ilha no período que se estendeu de 1849 a 1923. Mas são ruínas, e o turismo de lá não destaca muito essa atração.

Igrejas e templos não são o forte do país, mas três se destacam: St. James, St. Louis e a capela de Maria Rainha da Paz.

Uma mesquita vale a visitação: é a Mesquita Jummah, construída em 1850, a principal da ilha.

O "Hipódromo", chamado oficialmente de "Champ de Mars Racecourse", foi fundado em 1812, sendo o segundo mais antigo do mundo.

O "SSR Memorial Centre for Culture", por sua vez, apresenta a vida do famoso SSR, aquele de quem linhas atrás falamos, figura central na independência do país e que dá nome ao aeroporto. Para quem é curioso, vale conhecer a vida desse mauriciano.

E, finalmente, destaca-se o bairro muçulmano da cidade, o "Plaine Verte".

O shopping principal da cidade, para quem gosta de compras, é o Caudan Waterfront. E para quem gosta de jogar, há o "Port Louis Casino".

O Caudan Waterfront, em Maurício. Shopping. Foto: Carlos HB/EP

Platô Central. 

O Platô Central, continuidade do caos urbano de Port Louis, concentra grande parte da população da ilha. As principais cidades são Phoenix, Rose Hill, Curepipe, Quatre Bornes, Pailles e Moka.

Para quem curte visitas históricas, a dica nessa região é Eureka, uma bela mansão crioula construída em 1830, hoje transformada em museu. É o melhor exemplo de "plantation" (agricultura baseada na monocultura de exportação - geralmente o açúcar e mão de obra escrava) em Maurício.

Norte. 

O norte tem algumas ilhas que se destacam: Coin de Mire, Ile Plate e Ilot Gabriel, Ile Ronde e Ile aux Serpents.

Um dos grandes destaques da ilha, sem dúvida, é o local chamado "SSR Botanical Gardens" ou "Jardins de Pamplemousses". É um belo local, indiscutivelmente, com muitas plantas (incluindo as "brasileiras" vitórias-régias), árvores e flores nativas, constando ainda as famosas tartarugas gigantes.

Vitória-Régia. Foto: Carlos HB/EP
Tartarugas gigantes no Pamplemousses. Foto: Carlos HB/EP

Pamplemousses tem seus caminhos entre árvores. Foto: Carlos HB/EP

 Em "Cap Malhereux", destaca-se a pitoresca igrejinha de "Notre Dame Auxiliatrice", com seu característico teto vermelho.

Notre Dame Auxiliatrice. CC BY-SA 4.0 Foto de Martin Falbisioner

Oeste.

No Oeste destacam-se algumas cidades: a pequena Albion, a menor ainda Flic en Flac; Tamarin e Rivière Noire, onde há a praia Tamarin Beach.

A região conta com o Black River Gorges National Park, o principal da ilha. 

Outra grande atração é a queda d´água Chamarel, um dos cartões-postais da ilha.

Chamarel. User: (WT-shared) Shoestring em wts wikimedia Commons
Não se pode falar na região oeste de Maurício sem mencionar Le Morne. Foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2008, devido à sua importância como abrigo para escravos foragidos nos séculos XVIII e XIX. Maurício ganhou até um apelido por ter sido refúgio de escravos: a "Terra dos Quilombolas".

Le Morne. Foto: Math David.

Sul e Sudeste.

Mahébourg.

Uma das principais atrações da região sul/sudeste da ilha é o "Mercado de Domingo" ("Foire de Mahébourg"), em Mahébourg, cidade de 17.000 habitantes. 

Outras atrações locais incluem o "Museu de História Natural", a "Notre Dame des Anges" e a fábrica "Rault Biscuit". 

Point d´Esny e Blue Bay.

Em Point d´Esny vale conhecer três atrações: Blue Bay Marine Park. Ile Aux Aigrettes e Ile des Deux Cocos. 

As praias dessa região, junto com  as de Belle Mare, são as mais atraentes da ilha. 

Leste.

Ile Aux Cerfs.

Uma ilha belíssima e paradisíaca de Maurício, é um ponto turístico local bastante conhecido e frequentado. São quatro bares e restaurantes à disposição.

De outubro a março, nas noites de sábado, tem festa na ilha, que vai das onze da noite às cinco da manhã.  A admissão, de cerca de 500 rúpias (preço pode ter sido majorado), inclui bote e uma bebida.

Ile Aux Cerf, Maurício.
Mais uma panorâmica da bela ilha. Foto: Carlos HB/Escalada Planetária

Belle Mare e Palmar.

Região famosa pelas praias. Há ainda um templo hindu. 

Praia em Belle Mare.


Rodrigues - A "Outra Maurício".

Ilha pequena e montanhosa, Rodrigues recebe poucos turistas, já que a maioria prefere a ilha principal de Maurício. É um passeio para quem quer conhecer um modo de vida mais tradicional, baseado na agricultura e pesca. A ilha tem praias belas também - Anse Ali é um exemplo.

Anse Ali, praia de Rodrigues. By B.navez - CC BY-SA 3.0


 Onde ficar.

A versão internacional do "Lonely Planet", um dos guias mais utilizados nesse blog como fonte de consulta indica os seguintes hotéis, com a respectiva localização:

Port Louis --> Não é recomendável pelo guia a estada em Port Louis, uma vez que a cidade se transforma em "cidade-fantasma" ao anoitecer. Três hotéis são indicados nessa área: Le St. Georges; Le Suffren Hotel e Marina; Laburdonnais Waterfront Hotel. Mas, convenhamos, em um lugar com tantos resorts maravilhosos, não vislumbramos o porquê de se escolher um hotel em um lugar caótico e pouco romântico como Port Louis. 

Platô Central --> Também não é a região mais adequada para se hospedar. O guia indica também três hotéis nessa área: Auberge de la Madelon; La Potinière; e o Ginger. 

Norte (Trou Aux Biches e Mont Choisy) --> A região conta com muitos apartamentos e vilas. Hotéis e resorts indicados pelo Lonely Planet: Casuarina Hotel; Le Sakoa e Trou Aux Biches Hotel.

Norte (Grand Baie) --> Tem também apartamentos e vilas.  Hotéis indicados: Ventura Hotel; Ti Fleur Soleil; 20 Sud; Verandah Hotel; Le Canonnier; Le Mauricia e Royal Palm. 

Norte (Pereybère) --> Como as outras regiões do norte, tem apartamentos para alugar e vilas. Hotéis e resorts indicados: Pereybère Hotel e Apartments; Ocean Beauty; Le Beach Club e Hibiscus Hotel.

 Norte (Grand Gaube) --> Verandah Paul e Virginie.

Oeste (Albion) --> Club Med La Plantation d´Albion (segundo o Lonely Planet, as praias não são top, mas as piscinas compensam...).

Oeste (Flic and Flac) --> Apartamentos, vilas, pousadas. Hotéis e resorts indicados: Aanari, Seavilla Resort e Spa; Manisa Hotel; Sands Resort; La Pirogue (preferência da Lonely Planet; mais antigo resort de Maurício); Sugar Beach Resort; Hilton e Maradiva.

Oeste (Tamarin) --> Bay Hotel; La Mariposa; Tamarin Hotel.

Oeste (Chamarel) --> Le Coteau Fleurie; Chalets en Champagne; Lakaz Chamarel.

Oeste (La Gaulette) --> Ropsen (indicação do LP); Maison Papaye (Indicação do LP).

Oeste (Península Le Morne) --> Indian Resort; Paradis; Dinarobin e Les Pavillons. 

Sul (Mahébourg) -->  Hotel Les Aigrettes; Tyvabro; Auberge Aquarella e, se tudo estiver cheio, Nice Place Guesthouse e Coco Villa.

Sul (Point D´Esny e Blue Bay ) --> Tem vilas, apartamentos e pousadas. São indicados os hotéis e resorts Le Preskil e Shandrani. 

Leste (Trou d´Eau Douce) --> Four Seasons Resort at Anahita; Le Touessrok.

Leste (Belle Mare e Palmar) --> Emeraude; La Palmeraie; Belle Mare Plage; Le Saint Géran (Preferido do Lonely Planet); Le Prince Maurice (Preferido do LP); Beau Rivage e Residence (o que ficamos).

Onde comer

Em geral, é possível conseguir meia-pensão (ou seja, com o jantar), nos resorts mauricianos. É uma boa pedida, já que a comida é sempre muito boa. No "The Residence", podemos atestar que foram todos os jantares ótimos. 

O Trip Advisor conferiu certificado de excelência para os seguintes restaurantes: Escale Creole (Moka); La Table du Chateau (Mapou); Le Off (Grand Baie); 1974 (Trou Aux Biches); Green Island Beach Restaurant (Trou d´Eau Douce); Zub Express Restaurant (Flic and Flac); La Rougaille Creole (Grand Baie), entre outros.

Dicas de Maurício

Livro "1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer", de Patrícia Schultz (Sextante, 2015, fls. 852 e 853)

"Independente deste 1968, Maurício, com 45 km de largura, é um microcosmo da diversidade cultural e um exótico mosaico de influências indianas, africanas, britânicas, europeias e chinesas. Fica bem distante de qualquer lugar, mas um público variado aflui para cá, entre europeus adoradores de sol, casais em lua de mel e gente que deseja relaxar nos excelentes resorts da ilha, depois de uma temporada de safáris".

"Um dia no hipódromo Champ de Mars, em Port Louis, um dos mais antigos do mundo, é praticamente obrigatório".

"A maioria dos visitantes de Maurício não chega a ir mais ao sul do que o aeroporto. Não siga a onda. Faça uma viagem pela estrada que atravessa a pitoresca aldeia de Mahébourg com suas velhas casas coloridas, depois visite Vieux Grand Port. Suas ruínas e monumentos datam da primeira visita dos holandeses em 1598 e dão uma pista sobre o passado dramático de Maurício'. 

"As melhores praias são as públicas, especialmente nos fins de semana, quando famílias de ilhéus aparecem para encontros ruidosos e banquetes onde todos são bem-vindos".

domingo, 20 de março de 2016

GENT, A MARAVILHOSA CIDADE BELGA!

Fundada no século VII no entorno de duas abadias, "Saint Baaf" e "Saint Peter", Gent (Ghent, Gante em português), chamada de Ganda naquela época, é uma das cidades mais bonitas da Bélgica, embora com menos fama que a vizinha Bruges.
A bela cidade de Gent, na Bélgica.
Mais uma vista da bela cidade de Gent.
 A cidade, localizada no Flandres, a riquíssima região belga, repousa entre os rios Schelde e Leie. Seu centro histórico, um dos mais bonitos da Bélgica, foi construído entre os séculos XIII e XIV. A produção de tecidos fez da cidade um importante centro comercial. Posteriormente, a urbe se destacou também na produção têxtil e se tornou um importante centro universitário. Hoje abriga uma população jovem que a torna um vibrante local. 
 
Vista de Gent a partir do Belfort.

No século nono, vale dizer, a cidade foi destruída pelos normandos. A partir daí foi construído um dos ícones locais, a fortaleza chamada "Gravensteen", habitada pelos condes que dominavam a cidade.  O mais famoso deles foi "Balduíno Braço de Ferro".  O castelo hoje abriga um museu, sendo um interessante exemplo de arquitetura medieval. Há uma sala com objetos de torturas que ocorreram no local.

Gravensteen de Gent.


No Gravensteen de Gent. A visita vale a pena.

Dentre as outras grandes atrações da cidade, algumas se destacam.

Em primeiro lugar, devemos ressaltar a "St. Baafskathedraal" ou "Catedral de São Bavão". São Bavão, nome pouco conhecido até nos meios católicos, é um santo que nasceu em Gent, no século  É um belíssimo monumento de arquitetura gótica. No interior, o destaque vai para o púlpito, arte rococó pura derivada do trabalho de Laurent Delvaux, que foi completado em 1745. Destaque também para a maravilhosa pintura "Adoração do Cordeiro de Deus", localizada numa capela especialmente construída para guardá-la. A obra de arte é atribuída a dois irmãos, Jan e Hubert Van Eyck.


A magnífica "Adoração do Cordeiro de Deus".
Talvez o maior símbolo de Gante seja o Belfort, construído nos séculos 13 e 14. É possível subir a torre e ver o seu sino, um dos maiores do mundo. A vista também compensa, embora Gante pareça ser uma cidade mais industrial e menos bucólica que Bruges.

O Belfort é um símbolo de Gante.

Belfort.

 Outros locais de interesse da cidade, passíveis de visitação para quem tem mais de um dia para passear: Igreja de São Nicolau (Sint-Niklaaskerk, em homenagem ao inspirador do Papai Noel); Museu de Design de Gent (Museu de artes decorativas);  STAM (Museu da cidade de Gent);  Museu Voor Schone Kunsten (acervo de arte pré-moderna de Gent - ali está "Descida da Cruz", de Bosch); SMAK (galeria de arte moderna); Het Huis Van Alijin (museu folclórico); Dulle Griet (canhão símbolo da cidade, situado às margens do rio Leie); e Graslei e Korenlei (duas ruas com construções interessantes).

A bela igreja de São Nicolau.

Para se chegar em Gent, a melhor opção é trem - meia hora a partir de Bruxelas Central. Preços do trem são mais baixos durante o fim de semana. Da estação para o centro histórico a caminhada dura quinze minutos.

Estação Gent-Sint-Pieters.

Gent, a bela cidade universitária cheia de história para contar, é um excelente "bate-e-volta" a partir da capital belga.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MONTEVIDÉU - HISTÓRIA, CENTRO E CIUDAD VIEJA

A qualidade de vida, no sentido do bem viver em ambiente urbano, é uma busca incessante de todo o ser humano. E Montevidéu ("Montevideo" em espanhol),  a capital uruguaia, é a cidade com mais de um milhão de habitantes que mais se aproxima disso, com imensas áreas verdes, um trânsito tranquilo mesmo nas horas do "rush" e um baixíssimo índice de violência, que permite aos moradores e aos visitantes andarem tranquilamente por suas ruas (com raríssimas exceções de lugares a serem evitados). 

Montevidéu foi fundada em 1726 pelo Capitão e Governador de Buenos Aires  Bruno Maurício de Zabala, herói justamente homenageado em uma das praças mais bonitas e agradáveis da cidade, a "Praça Zabala".


Monumento em homenagem a Zabala na praça que leva o seu nome.

Aspecto parcial da Praça Zabala, uma das mais bonitas da capital oriental.

A cidade, anteriormente chamada de "San Felipe y Santiago de Montevideo", foi originariamente projetada como base militar do império espanhol no Rio da Prata. O objetivo era evitar que os portugueses pudessem avançar para a chamada "banda oriental" do rio. Curiosamente, o termo "oriental", que quer dizer "a leste do Rio da Prata",  é até hoje usado para designar o país, cujo nome oficial é "República Oriental do Uruguay". 

Como todos os nomes de cidade, Montevidéu tem também suas lendas. A mais famosa indica que um marinheiro português, que viajava junto com Fernando de Magallanes, ao avistar o cerro da cidade disse "Monte Vide Eu", que seria, em tradução livre, "eu vi um monte". A segunda teoria para a origem do nome aponta para a forma como os espanhóis anotaram a situação geográfica do lugar nos respectivos mapas: "monte vi de este a oeste". E, a terceira teoria, por fim, explica que Magallanes (aquele da primeira teoria) numerou os montes que foram avistando de leste a oeste, sendo Montevideo o sexto, ou seja, "Monte VI de e a o" ("o sexto monte de leste -e a oeste -o").

Discussões sobre o nome a parte (cada uma das três teorias possui lógica própria), Montevidéu hoje é uma aprazível e sossegada cidade uruguaia, embora conte com mais de um milhão e trezentos mil habitantes (quase um terço do total da população uruguaia). As atrações espalham-se por seis distritos, principalmente: Ciudad Vieja, Centro, El Prado, Palermo, Pocitos/Punta Carretas e Carrasco.

Centro e Ciudad Vieja se complementam. A Ciudadela é o marco que divide as duas regiões da cidade. De um lado, a Plaza Independência e a Avenida 18 de Julio (a principal da cidade, com muito comércio e várias praças);  do outro, a  Sarandi, que é a principal rua da Ciudad Vieja, transformada em calçadão.

O arco da Ciudadela, em frente à Praça Independência.

O cartão-postal mais conhecido da cidade é o "Palácio Salvo", localizado na praça mais bonita da cidade, a "Plaza Independência". Nessa praça, merecem destaque (e visita), além do Salvo, o "Museu do Governo", instalado em um antigo palácio presidencial, e os restos mortais do general José Artigas (libertador do Uruguai e um dos Libertadores da América). Os restos ficam exatamente embaixo da magnífica estátua do general no centro da Praça Independência. Praça que é, enfim,  o coração de Montevidéu, de onde sai a principal avenida da cidade, a "18 de Julio" e também a porta de entrada para a "Ciudad Vieja" (Cidade Velha, que congrega o centro histórico e o Mercado do Porto), pelo calçadão da Sarandi (paseo peatonal, em espanhol).

Uma dica preciosa é conhecer, na Praça da Independência, o "Museu Casa de Governo" (ou "Museu dos Presidentes", ou ainda, "Palácio Estevez"). A entrada é gratuita e pode se conhecer toda a história uruguaia, contada nos mínimos detalhes, incluindo apetrechos utilizados pelos ex-presidentes. É um belo prédio e fica ao lado da praça. 


Plaza Independência, o coração de Montevidéu..


O Palácio Salvo, ícone urbano da cidade e prédio mais alto das Américas quando da fundação.

A estátua do libertador Artigas e o seu mausoléu.
Detalhe da bela estátua de José Artigas, o libertador uruguaio.
Perto da Praça Independência, já na "Ciudad Vieja", o Teatro Solis também é um ícone local. Fundado em 1856, tem visitas guiadas, sendo gratuita às quartas, no horário das onze da manhã. Nesse horário gratuito, recomenda-se chegar com pelo menos vinte minutos de antecedência, caso contrário se esgotarão os ingressos. Vale a pena conhecer a história do belíssimo cartão-postal.




Como já dissemos anteriormente, a "Calle Sarandi" concentra, juntamente com a 18 de Julio, o comércio local e também é ponto de partida para se chegar à região do porto de Montevidéu. A rua tem livrarias, comércio de rua, lojas de departamentos, correio (seção filatélica) e bancos. É o coração comercial mas, também, o elo que, juntamente com a rua Perez Castellano, une o Porto de Montevidéu  à Praça da Independência. Na Sarandi, vale destacar ainda, temos museus, sendo o mais completo e interessante o "Torres Garcia" (Sarandi, 683, aberto todos os dias, exceto aos domingos), dedicado ao maior pintor uruguaio, Joaquin Torres Garcia (1874/1949). É uma visita que vale a pena, já que o pintor criou um estilo próprio, o "Universalismo Construtivo", pintando ainda dezenas de personalidades e alguns aspectos de sua vida em Nova Iorque e Barcelona. Outro museu na mesma rua é o "Museu Gurvich" (Sarandi, 522, aberto todos os dias, exceto domingo), dedicado a outro pintor uruguaio, José Gurvich (1927-1974).

Museu Torres Garcia, em Montevidéu.
Obra de Torres Garcia.

Antes de se chegar ao Mercado del Puerto, caminhando pela Sarandi, encontramos a "Praça da Constituição" e a "Catedral de Montevidéu".  A Praça é uma das mais pitorescas e interessantes da capital uruguaia, embora não seja a mais bonita; é comum ter feiras pequenas por ali. Já a Catedral é bonita, embora não surpreenda em nenhum aspecto, seja no exterior, seja no interior. Fundada em 1804, ali descansam os restos mortais de importantes líderes uruguaios, como Lavalleja e Fructuoso Rivera (primeiro Presidente). Na mesma rua, à direita de quem está em frente à igreja, encontra-se o tradicional "Café Brasilero" (Ituzaingó, 1447), o mais antigo de Montevidéu, fundado em 1877 - serve café, refeições leves, sobremesas finas e almoços executivos.

A Catedral de Montevidéu.


Praça da Constituição (ou da Matriz).

Na região da Catedral, e antes de seguir rumo até o Mercado do Porto, a dica é desviar um pouco, ir na paralela da Sarandi, a Rincon, e visitar o Museu Andes 1972 (Rincon, entre Mitre e Gomez), que conta a história do trágico acidente aéreo envolvendo um time de rugby uruguaio nos Andes, que causou a morte de 29 pessoas e que trouxe novamente a vida 16 outros ("os sobreviventes dos Andes"). Há um relato desse museu aqui no blog.

Continuando, destaca-se agora a atração mais concorrida de Montevidéu, principalmente nos dias em que chegam cruzeiros vindos do exterior: o interessantíssimo "Mercado del Puerto". Nesse mercado, basicamente encontramos quatro ou cinco lojas de souvenirs e o restante é restaurante. Desses, o mais apreciado e concorrido é o "El Palenque", que tem o tradicional "Ojo de Bife" como carro-chefe. A experiência de se ver os cortes de carne e a 'parrilada" (uma mistura de diversos tipos de cortes e carnes, alguns bem estranhos) sendo assada é fantástica e única, muito embora ficar exatamente em frente não é uma boa pedida, já que fica muito quente... Frise-se: o Mercado del Puerto é mais um ponto gastronômico; para verduras, frutas, legumes, venda de carnes, etc, existe o "Mercado Agrícola", em outro ponto da cidade.

O preparo da carne no El Palenque do Mercado do Porto.
Entrada do Mercado do Porto.

Praça em frente ao Mercado do Porto.

Perto do Mercado del Puerto, o museu mais importante é o "Museu do Carnaval" (Maciel y Rambla 25 de agosto; aberto de segunda à sábado das 12 às 18 horas). O carnaval uruguaio é diferente do brasileiro e bem curioso. Demora mais tempo - cerca de quarenta dias - e tem na murga a sua marca mais famosa. Murgas são encenações teatrais geralmente de temas atuais, feitas com muito humor. As roupas são inspiradas no carnaval veneziano. É disso que trata o museu do Carnaval que, embora pequeno, vale como curiosidade nesse aspecto cultural específico. 

 Roupa usada no carnaval uruguaio.
Ainda perto do Mercado del Puerto e do Porto de Montevidéu (onde chegam os muitos cruzeiros que visitam a cidade), interessante observar um belíssimo prédio - o "Edifício de la Dirección Nacional de Aduanas", de estilo art decó, finalizado em 1923.


Edifício da Aduana em Montevidéu.
E não poderíamos terminar uma postagem sobre o Centro e o Centro Histórico de Montevidéu sem falar em outro ícone local: o bar "Fun Fun", que já esteve em quatro endereços na cidade e atualmente encontra-se no centro, mais precisamente na Calle Soriano 922 (o endereço anterior era na rua Ciudadela).  Inaugurado em 1895, é um dos bares mais antigos das Américas. Funciona assim, em quatro etapas: geralmente tem shows, a partir de dez e meia da noite, de tango (dança de salão), música regional uruguaia e brasileira (com uma dupla de sanfona e viola) e um show de candombe, ritmo uruguaio, que também às vezes descamba para músicas brasileiras. O último show ocorre depois da meia-noite, o que pode ser cansativo. Destaque para um cantor de voz firme, estilo Julio Iglesias, no segundo show - bastante carismático. Outro destaque da casa é a "uvita", um vinho com cara de conhaque, que é um muito gostoso - a casa vende, inclusive, um litro dessa bebida.

Show de tango no Fun Fun.
A sanfona e a viola no Fun Fun.


O cantor estilo Julio Iglesias do Fun Fun.



O conjunto que arrisca o candombe, o ritmo tipicamente uruguaio. 
 
Vale ainda destacar outras atrações da Ciudad Vieja e do Centro. Vamos a elas:

Ciudad Vieja: Igreja de São Francisco de Assis (Solis, 1469 esq. Cerrito; construção iniciada em 1863 e finalizada em 1895); Casa do General Fructuoso Rivera (Rincon, 437; funciona como parte do Museu Histórico Nacional e conta a história uruguaia); Feira da Praça da Matriz (todos os sábados, manhã e tarde);  Cabildo e Reales Cárceles (Juan Carlos Gomez, 1368; edifício histórico); Livraria Linari y Risso (Juan Carlos Gomez, 1435;  uma das mais emblemáticas livrarias da cidade).

Centro: Destaque para a "Feira Tristan Narvaja", na rua de mesmo nome, realizada aos domingos. Há muito coisa interessante por lá, é fato, mas há também outras tantas que não passam de bugigangas sem nenhum valor. Quanto mais longe você ficar da avenida 18 de Julio, mais vai perceber a queda de qualidade da feira. Há muitos objetos que as pessoas pegam das suas respectivas casas e, depois de muito usadas, levam para a feira. Outros tantos objetos também parecem ter sido fruto de furtos. Enfim, não acho que seja um programa imperdível, é apenas uma feira bastante comum, inferior, em termos de qualidade, a muitas que conhecemos (Belo Horizonte, por exemplo, tem uma feira bem melhor aos domingos em termos qualitativos). O auge da feira é entre as 9 horas da manhã e uma da tarde.

Uma última dica: especialmente no Centro e na Ciudad Vieja evitar visitas noturnas. Esses locais ficam muito vazios depois do horário comercial.  Como a grande maioria dos centros das cidades grandes pelo mundo, o de Montevidéu também oferece perigos. Prefira sempre visitar tanto o centro quanto o centro histórico (Ciudad Vieja) durante o dia. 

Um panorama completo da região turística mais famosa de Montevidéu. Apreciem sem moderação!