terça-feira, 1 de janeiro de 2013

DICAS DE VIAGEM - TUDO SOBRE BAGAGEM DE MÃO

PRODUTOS PERMITIDOS E NÃO PERMITIDOS

Em geral, objetos cortantes ou perfurantes são proibidos na bagagem de mão, à exemplo de tesouras, alicates, canivetes, facas, tesouras de unha, etc. Vale tanto para viagens nacionais quanto internacionais.
Nas internacionais, vale destacar os líquidos. Segundo informações da Infraero, “líquidos, géis e pastas devem ser conduzidos em uma embalagem plástica transparente de até 1 litro (aproximadamente 20x20 cm), apresentados na inspeção do raio-X separadamente da bagagem. Cada recipiente não pode exceder o volume de 100 ml. Líquidos em frascos acima de 100 ml não podem ser transportados, mesmo que parcialmente cheios”.
Perfumes, bebidas e outros líquidos comprados no free shop devem estar em sacola selada e com as notas fiscais relativas à data do vôo. Lembrando que o país de destino pode não aceitar e reter o produto- já vi ocorrerem muitos casos.
Medicamentos sempre acompanhados de prescrição médica.
Alimentação industrializada de bebês, somente o necessário para o vôo, e apresentado separadamente no raio-X.
Cosméticos sólidos (batom, protetor labial, desodorante em bastão) são permitidos.
Por fim, recomenda-se levar objetos de valor na mão, a exemplo de câmeras fotográficas, laptops e telefones celulares de todos os tipos, incluindo smartphones.

O QUE SE PERMITE DE BAGAGEM DE MÃO NAS CIAS. AÉREAS


AEROFLOT

Membro da Skyteam

A companhia russa permite 15 kg e tamanho de 115 cm (soma das dimensões) para os passageiros de todas as classes, exceto a Economy. Na Economy, é permitida bagagem de 10 kg.

Permitem-se itens adicionais.

http://www.aeroflot.ru/cms/en/before_and_after_fly/carry_on_baggage

AEROLÍNEAS ARGENTINAS
Membro da Skyteam
Dimensões: 55cm  x 35 cm x 25 cm.
A companhia argentina permite, para vôos internacionais, uma bagagem de mão de 10 kg. Nos trechos domésticos, 5 kg na classe turística e 10 kg na econômica.


AEROMÉXICO

Permite-se uma bagagem de 10 kg, com 115 cm de soma de dimensões.




AIR CHINA
Membro da Star Alliance
“Para voos domésticos, os passageiros da Primeira Classe podem levar duas unidades pequenas ou outros itens pessoais, pesando não mais de 5 kg cada uma; os passageiros da Classe Executiva e Classe Econômica podem transportar uma unidade pequena ou outros itens pessoais, pesando não mais de 5 kg.
Para voos internacionais ou regionais, os passageiros da Primeira Classe e Classe Executiva podem levar duas unidades pequenas ou outros itens pessoais, pesando não mais de 8 kg cada uma; os passageiros da Classe Econômica podem transportar uma unidade pequena ou outros itens pessoais, pesando não mais de 5 kg.
Cada unidade de bagagem de mão não poderá exceder as dimensões máximas de 55 cm (comprimento) x 40 cm (largura) x 20 cm (altura). Qualquer item que exceda o tamanho, o peso e o número de unidades deverá ser despachado.”

AIR FRANCE
Membro da Skyteam
Dimensões: 55cm  x 35 cm x 25 cm.
Voos intercontinentais, Caribe, Oceano índico:
Classe econômica: 1 volume mais 1 acessório, com soma de 12 kg de peso.
Classe Premium econômica : 2 volumes mais 1 acessório, com soma de 12 kg de peso.
Classe Business: 2 volumes mais 1 acessório, com soma de 12 kg de peso.
Classe La Premiere: 2 volumes mais 1 acessório, com soma de 12 kg de peso.
Nos demais vôos (dentro da Europa, da França) seguem os mesmos padrões, exceto a Classe Premium Econômica dentro da Europa, que passa a ser apenas 1 volume, em vez de 2.

ALITALIA
Membro da Skyteam
Dimensões: 55cm x 35 cm x 25 cm
A Alitalia permite levar 1 bagagem de mão, nas dimensões especificadas acima, com 8 kg de peso.
http://www.alitalia.com/BR_PT/your_travel/baggage/hand_baggage.aspx

AMERICAN AIRLINES
Membro da Oneworld
Dimensões: 115 cm ( 56 cm x 36 cm x 23 cm)
A American permite levar 1 bagagem de mão, nas dimensões especificadas acima, mais 1 item pessoal. Não há especificação de peso, só há preocupação com a dimensão da bagagem.

AVIANCA
Membro da Star Alliance
Dimensões: 40 cm x 55 cm x 20 cm
Peso máximo de 5 kg.

AZUL
A política da Azul é simples. 115 cm e 5 kg.

BRITISH AIRWAYS
Membro da Oneworld
É a maior franquia de bagagem de mão: 23 kg. E ainda permite mais uma do tamanho de um laptop. As dimensões: 56x45x25 e a do laptop 45x36x20.

COPA AIRLINES
Membro da Star Alliance
Dimensões: 115 cm
A Copa Airlines permite 1 bagagem de mão, nas dimensões especificadas acima, mais um item pessoal, com peso máximo de 10 kg.

DELTA
Membro da Skyteam

Todos os itens de mão devem obedecer às normas da Federal Aviation Administration (FAA) e não podem exceder 22" x 14" x 9". A FAA determina que todos os itens de mão caibam sob o assento ou em um compartimento de armazenagem fechado.

Nossa equipe no portão de embarque ou a bordo pode necessitar limitar o volume de bagagem de mão para determinado voo, dependendo da capacidade de armazenamento da cabine e do número esperado de passageiros.

https://pt.delta.com/content/www/en_US/support/faqs/during-your-trip/baggage-faqs.html

EMIRATES

Primeira Classe e Classe Executiva têm permissão para levar dois volumes de bagagem de mão: uma pasta euma bolsa de mão ou um porta-terno. A pasta não pode exceder 45 x 35 x 20 cm; a bolsa de mão não pode exceder 55 x 38 x 20 cm; o porta-terno não pode ter mais de 20 cm quando dobrado. O peso total dos dois volumes não pode ser maior que 12 kg.Os passageiros da
Classe Econômica têm permissão para transportar um volume de bagagem de mão que não pode exceder 55 x 38 x 20 cm e não deve pesar mais de 7 kg.

GOL
A política da Gol é simples. 115 cm e 5 kg.

IBERIA
Membro da Oneworld
Dimensões: 55x40x20
A Iberia permite, na classe Business Plus 2 volumes pesando 18kg no máximo; na Business Class, 2 volumes pesando 14 kg; e na Turista, 1 volume pesando 10 kg. Permite ainda item pessoal.

JAPAN AIRLINES
Membro da Oneworld
É simples a regra japonesa: 1 bagagem de 115 cm pesando 10 kg no máximo.

KLM
Membro da Skyteam
Dimensão : 115 cm.
A aérea da rainha holandesa prevê distinção entre a Economy Class e a Business Class.
Na Economy, 1 bagagem de 55x25x35, mais acessórios que, juntos, não podem superar 12 kg.
Na Business, 1 bagagem de 55x25x35, mais uma bagagem menor que 45x20x35, mais acessórios, que não podem exceder 18 kg.

LAN
Dimensões: 55cm x 35 cm x 25 cm
A companhia chilena permite uma peça de bagagem mais um item pessoal, sendo 8 kg de peso máximo na Economy Class e 16 kg na Premium Economy e Premium Business.

LUFTHANSA
Membro da Star Alliance
Dimensões: 57 cm x 54 cm x 15 cm
Na companhia alemã, poderão ser transportados, nas classes First e Business, 2 bagagens de mão com 8 kg no máximo em cada volume. Na Economy, apenas 1, com 8 kg no máximo.

QANTAS
Membro da Oneworld
Regras mais complicadas da companhia australiana. Nos vôos internacionais, permitem 7 kg por peças, permitindo 2 peças na First, Business, Premium Economy Classes e 1 na Economy Class.


SINGAPORE AIRLINES

Membro da Star Alliance.

Nas classes suíte, first e business, duas peças de 7 kg cada, com 115 cm de dimensões.

Na classe Economy, uma peça de 7 kg, com 115 cm de dimensões.

Ainda se permite itens adicionais.

http://www.singaporeair.com/en_UK/travel-information/baggage-allowances/



SOUTH AFRICAN AIRWAYS (SAA)
Membro da Star Alliance
Dimensões: 55cm x 35 cm x 25 cm
A SAA permite levar 1 bagagem de mão, nas dimensões especificadas acima, com 8 kg de peso. Permite ainda uma pasta de laptop, no peso de 8 kg.
https://www.flysaa.com/br/pt/manageMyTrip/baggage/checkedBaggage.html

TAM
Membro da Star Alliance
A soma das dimensões da bagagem de mão (altura + largura + comprimento) não pode exceder 115 cm.
Nos vôos nacionais, 1 volume de 5 kg mais 1 artigo pessoal (bolsa ou maleta, casaco, guarda-chuva não pontiagudo, bengala não pontiaguda, material de leitura para viagem, muletas, máquina fotográfica, laptop, medicamentos com uso de seringa durante vôo com atestado médico, binóculos, alimentação infantil para uso durante viagem).
Nos vôos internacionais, há diferenciação de classes:
Classe econômica: 1 volume de 5kg mais 1 artigo pessoal com as mesmas especifições acima;
Classes Executiva e Primeira Classe: 2 volumes de 5kg mais 1 artigo pessoal.
Exceção (todas as classes, vôo saindo de Milão e EUA) : 1 volume de 5kg mais 1 artigo pessoal.

TAP
“Bagagem de mão adequada para ser transportada no compartimento fechado por cima do lugar do passageiro ou por baixo do assento, com dimensões máximas de 115 cm- 55x40x20 cm.
Classe Económica: 1 peça até 8 kg
Classe Executiva: 2 peças com peso total de 16 kg”.

TURKISH AIRLINES
Membro da Star Alliance
Dimensões: 23 cm x 40 cm x 55 cm
A empresa aérea turca permite levar 2 bagagens de mão na classe “Business”, com peso máximo de 8 kg cada uma (portanto, 16 kg). Nas outras classes – Comfort e Economy – uma bagagem de 8 kg.
http://www.turkishairlines.com/en-br/travel-information/baggage/free-cabin-baggage-allowance

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

DICAS DE VIAGEM - CERTIFICADO INTERNACIONAL DE VACINAÇÃO - FEBRE AMARELA (CIVP)

Um importante lembrete para quem for fazer viagem internacional é consultar a lista dos países que exigem o "Certificado Internacional de Vacinação ou Profilxaia" (CIVP) - Febre Amarela. Geralmente, as companhias aéreas já conferem aqui mesmo no Brasil se o viajante está de posse do referido documento.

A lista de países, constantemente atualizada, encontra-se no site da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo link é http://www.who.int/ith/chapters/ith2012en_annexes.pdf

Para que consiga o certificado, o viajante deve vacinar-se, até dez dias antes da data de início da viagem,  em um dos postos de saúde existentes no Brasil e depois proceder à emissão do documento (CIVP).


A vacina contra a febre amarela vale por dez anos. E, importante lembrar mais uma vez: a vacina deve ser tomada até dez dias antes da data de início da viagem.

Todas as informações estão no site: http://www.anvisa.gov.br/viajante/

Neste mesmo site, há ainda um interessante guia para o viajante, sobre saúde em geral: http://www.anvisa.gov.br/sispaf/pdf/Guia_de_Saude_do_viajante.pdf

sábado, 8 de dezembro de 2012

UFFIZI, GALERIA DA ARTE RENASCENTISTA

Uffizi. Escritório, em italiano. Localizado no coração do centro histórico de Florença (ou Firenze), a "Galleria degli Uffizi" é o principal museu de arte da Itália e um dos mais importantes do mundo.  Ali estão verdadeiras obras-primas renascentistas, que merecem uma conferida de todas as pessoas que vão à passeio pela maravilhosa cidade toscana.

A origem do nome é interessante. O edifício em forma de "u" (Palazzo degli Uffizi) foi designado, ainda sob o comando dos Médicis (mais especificamente Cosimo I), no século XVI, para ser a sede de importantes escritórios dos poderes Executivo e Judiciário locais. Após a morte do último dos Médicis, quase três séculos depois, o local passou a ser a sede da coleção inestimável de obras de arte da família, e virou museu. O ano era 1743. Nascia, neste momento, um dos mais importantes espaços para obras de arte do mundo - a "Galleria degli Uffizi".

Os belos corredores da Uffizi. Florença, Itália.

A galeria é um desafio físico para os visitantes. Não tanto pelo tamanho, mas porque são mais de 1.500 obras de arte dispostas em 45 salas. Ou seja, o visitante tem que escolher as obras a serem observadas, para um tour que dura de três a quatro horas. A dica é descansar em um terraço existente no local, de onde se pode apreciar a beleza de Florença e um Duomo mais perto do que se imagina.  Outra dica para relaxar um pouco é curtir a vista do Arno a partir de um corredor envidraçado no segundo andar da galeria. Uma visão estupenda da Ponte Vecchio estimula a posterior apreciação das obras.

A partir da Uffizi, pode-se ter uma visão como esta do Arno e da Ponte Vecchio.

A entrada para o museu custa onze euros e pode ser conseguida antes, muito embora a fila não seja tão grande como as dos Museus Vaticanos - estou falando de épocas fora da alta temporada. Mas para se comprar o ingresso normal, sem antecedência, espere gastar pelo menos uma hora na fila, isso se chegar uma hora antes da abertura do espaço. Advertência: a reserva antecipada é obrigatória nos meses de julho e agosto, além de feriados tradicionais, como a Páscoa, através do site www.firenzemusei.it. Do contrário, espere pelo menos quatro horas na fila nestas datas tumultuadas por razões óbvias.

Voltando ao museu, destacaremos as obras principais, que valem uma maior atenção, localizadas no segundo andar.

A primeira delas está na sala 2. É a "Ognissanti Madonna" ou "Maestá", de Giotto.  Giotto é um pintor do século XIII, portanto pré-renascentista, e é o mesmo que fez os afrescos já citados aqui no blog da vida de São Francisco, na Basílica do mesmo nome da cidade de Assisi. A fantástica obra da Galeria retrata uma homenagem do artista à Nossa Senhora, incluindo elementos que destacam sua virgindade, sua maternidade e a realeza típica dela. Ao ver a obra pessoalmente, percebe-se ainda três dimensões e o realismo no rosto das figuras desenhadas.

A Maestá, de Giotto.

A Sala 8, embora tenha muitas pinturas de Filippino Lippi,  tem um obra magnífica de outro baluarte renascentista - Piero della Francesca. É o "Díptico da Duqueza e do Duque de Urbino".  Detalhe: as rostos do Duque e da Duquesa se fechavam como livro - é o que se convencionou chamar "díptico". Servia como  presente naquela época.  No outro lado da pintura, há as "carruagens do triunfo", uma bela pintura.


A Duquesa.



O Duque.
A mais espetacular sala da Uffizi é, sem sombra de dúvidas, a que contém 15 (quinze) obras de Sandro Botticelli, um dos maiores pintores do Renascimento (chamadas por lá de salas 10-14, embora se trate de um ambiente único). Destaque para três pinturas imperdíveis:  "A Adoração dos Reis Magos" e as duas obras-primas do mestre, "O Nascimento de Vênus" e "Primavera".


O "Nascimento de Vênus" é a obra mais notada e mais notável do grande mestre florentino. Retrata a deusa do amor e da beleza emergindo em uma concha.


A notável "Nascimento de Vênus", de Botticelli. 1484

A "Primavera" é, por sua vez, uma das obras de arte mais conhecidas no mundo ocidental. Representa uma série de figuras mitológicas (centauro, mercúrio, dentre outras) num jardim.


"Primavera", de Botticelli. 1482, restaurada em 1982.

A "Adoração dos Reis Magos" faz menção ao evento relatado no Evangelho de São Mateus (2:11), retratando a natividade. Uma obra belíssima.

"Adoração dos Reis Magos", de 1475.

Outra obra importante do mestre florentino está localizada na sala 9. È a "Descoberta do Corpo de Holofernes". É também um díptico, dos mais belos. Representa uma passagem biblíca, onde Holofernes, general assírio fiel a Nabucodonosor, foi enviado aos países contrários ao rei babilônico para vingar-se deles. Holofernes acabou assassinado por Judith e teve sua cabeça decapitada.


Uma parte da pintura em díptico "A Descoberta do Corpo de Holofernes"

Continuando a perigrinação pela famosa galeria, vale conferir uma sala dedicada a Leonardo da Vinci (sala 15), na qual se destaca a famosa "Anunciação". Não restam muitos quadros de Da Vinci em Florença, e esse, com a admirável paisagem toscana, merece uma conferida.


Paisagens típicas toscanas em uma das partes do "Anunciação", de Da Vinci.

O outro baluarte renascentista, Michelangelo, tem uma obra na sala 25 que merece atenção. É o "Doni Tondo", ou a "Sagrada Família com a criança São João Batista". De significado incerto, o trabalho parece ser inspirado em passagens biblícas famosas, como o nascimento e o batismo de Cristo. Escultor na essência, há braços musculosos e efeitos que parecem tridimensionais nesta obra.

Doni Tondo, de Michelangelo.

Por fim, vale trazer à baila, nesta relação de obras notáveis, o "Retrato do Papa Leão X", de Rafael,  localizado na sala 26 da Galeria. O curioso da obra é saber o que os três personagens estão pensando - parece que o Papa não está muito feliz não.


"Retrato de Leão X". Cara de poucos amigos do papa.

O museu conta ainda com obras do famoso italiano Caravaggio, a exemplo da "Medusa" e do "Adolescente Baco", ambas localizadas no primeiro andar, na sala Guido Reni. 

Uma última curiosidade em relação à Uffizi: é no prédio da galeria de obras de arte que se encontra a entrada para o misterioso Corredor Vasariano, passagem elevada que liga Palazzo Vecchio e a Uffizi  com o Palazzo Pitti, do outro lado do rio. Tal corredor, conforme já explicado em post anterior, foi feito por encomenda para Cosimo I (Médici) para que ele tivesse privacidade em seus deslocamentos pela cidade.

Enfim, há muito o que se ver na Galleria Uffizi, um dos melhores museus do mundo.

domingo, 25 de novembro de 2012

FLORENÇA, PODER E GLÓRIA RENASCENTISTA!

O mundo possui muitas cidades que são verdadeiros ícones, sejam históricos, financeiros ou mesmo culturais. Florença, ou Firenze para os italianos,  é uma destas cidades ícones, notadamente na vertente das urbes históricas: ali foi o berço de um movimento que transformou para sempre a história das artes e da cultura e delineou o que seria o caminho do homem moderno. Tal movimento foi aclamado pela história como o "Renascimento".


Perspectiva de Firenze a partir da Piazzale Michelangelo. 
O "domo" da "Duomo de Firenze" em destaque.
O Renascimento, ou "Renascença", vale abrir um parênteses, foi um movimento cultural, ocorrido entre os séculos XIV e XVI na Europa, que definitivamente mudou a história da humanidade, deixando basicamente três legados: o humanismo, ou seja, a noção da individualidade humana, atrelada à liberdade e à dignidade; o ideal de cidadania (que é um conceito fundamental para o desenvolvimento do capitalismo), decorrente da autonomia da cidade florentina, governada por artesãos e comerciantes, não por um senhor feudal; e, finalmente, o grande volume de tesouros artísticos, desenvolvidos por artistas do porte de Michelângelo, Da Vinci,  Raphael, Botticelli, Donatello, Brunelleschi, Ghiberti, Giotto, Uccelo, Fra Angelico, Masaccio e Fillipo Lippi. Além destes, interessante lembrar, como filho ilustre da terra florentina, o poeta Dante Alighieri, famoso por sua obra literária chamada "A Divina Comédia".

Vale destacar que o Renascimento foi forjado e financiado a partir do apogeu do sistema republicano de governo de Florença, cuja base econômica era a fabricação de lã.

Em 1982, o centro histórico de Florença, merecidamente, ganhou o título de "Patrimônio Mundial da Humanidade", dado pela UNESCO.

A história de Florença, como de praticamente todas as cidades toscanas, começa antes do nascimento de Cristo, com os etruscos, que se estabeleceram inicialmente em Fiesole, uma pequena e bucólica cidade no alto de uma colina, a cerca de 8 quilômetros da urbe símbolo do renascimento.

Após o domínio etrusco, iniciou-se o romano, sob o comando de Júlio César, que ali fundou "Florentia", anos antes do nascimento de Cristo. A seguir, vários eventos hístóricos ocorreram no berço do movimento renascentista: a era de invasões bárbaras na cidade;  a transformação de Florença em capital da Toscana, no ano 1.000, por Ugo da Toscana; o poderio marcante na era medieval;  a grande peste que dizimou grande parte da população florentina, em 1348; as lutas políticas ocorridas entre Guelfis (partidários do Papa) e  Ghibelinis ( a favor do sacro império romano) e, finalmente, o poder dos Médicis. Os Médicis, aliás, são responsáveis por algumas das grandes obras da cidade que coincidem com o florescer do renascimento cultural.

A maior atração turistica de Florença é mesmo a sua belíssima Catedral, ou Duomo de Firenze, também chamada de Santa Maria Del Fiore. Aliás, a Catedral de Firenze é uma das três maiores atrações turísticas da Itália, juntamente com o Coliseu de Roma e aTorre de Pisa. Não sem razão. Trata-se de uma das maiores obras artísticas da história da humanidade.

Vale destacar uma diferença que, às vezes, passa desapercebida da maioria das pessoas, mas é muito curiosa. Duomo (italiano) e Domo (português). Embora parecidas, são palavras totalmente diversas. "Duomo", vem de "casa do senhor", e passou a ser o designativo de catedral, na língua italiana. Assim temos, Duomo de Firenze (a Catedral de Firenze, a principal igreja), Duomo de Pisa, Duomo de Siena ou mesmo Duomo de San Gimignano. Já "domo" designa a cúpula da igreja . Assim, temos o "domo" da Catedral de Firenze (o domo da Duomo), aquela enorme estrutura feita por Brunelleschi, o "domo" da Basílica de San Pietro, no Vaticano, de onde se e possível ver toda a cidade eterna e os belos jardins do  Papa. Assim, em arremate, a "Duomo de Firenze" possui um domo.

Feita esta interessante distinção, vale destacar que o conjunto Catedral - Batistério - Campanário de Florença é um dos mais belos tesouros artísticos do mundo.

Ali, forjou-se uma das maiores rivalidades do Renascimento, mas que também mudou a história da arte - Brunelleschi versus Ghiberti. Dica de livro precioso para entender o tema: "A Disputa que Mudou a Renascença - Como Brunelleschi e Ghiberti Marcaram a História da Arte", de Paul Robert Walker. Este livro conta, em detalhes, todo o processo, complicado, da rivalidade, às vezes desonesta, entre os dois artistas, que acabou empatada- enquanto Ghiberti foi responsável pelos portões do Batistério, Brunelleschi construiu, anos depois, a famosa cúpula da Catedral, que mereceu elogios até mesmo de Michelangelo.

A Catedral de Firenze, um pouco do Batistério e o famoso domo ao fundo.
O destaque da Catedral fica mesmo por conta do "domo" (cúpula) de Brunelleschi, finalizado em 1463, com 107 metros de altura. Brunelleschi é um artista de extrema importância na história das artes. Após a derrota para Ghiberti na disputa pela realização dos portões do Batistério, tornou-se arquiteto, viajou a Roma com seu amigo Donatello e, após isso, revolucionou a arte ao construir o seu domo em firenze. Estudiosos de arquitetura ressaltam o seu pioneirismo na construção de dupla camada e na introdução de uma técnica de perspectiva linear nos projetos arquitetônicos.

A cúpula  (domo) da Catedral de Firenze. Uma das mais marcantes obras renascentistas.

No interior da Catedral, destaque para o afresco do domo, obra de Vasari e Zuccaro; e do quadro "Dante e seu Poema", com uma bela retratação do humanismo.

Por sua vez, o espetacular "Batistério de São João", junto à Catedral, merece algumas palavras elogiosas. Ali temos, por exemplo, as fabulosas portas de bronze (Norte e Leste) desenhadas e esculpidas por Lorenzo Ghiberti -um primor renascentista. Michelangelo chamou a obra-prima - o portão leste -de "Portão do Paraíso". Não sem razão. Ali estão retratadas várias passagens do Velho Testamento, de uma maneira primorosa.

O  "Portão do Paraíso" é de uma beleza inigualável.

Outra igreja bastante apreciada em Florença é mesmo a Santa Croce.  A enorme praça em frente já foi palco de muitas coisas: reunião de fiéis que não cabiam na igreja, queima de hereges ou corrida de cavalos. Hoje, é palco, toda terceira semana do mês de junho, do "calcio storico", uma mistura de rugby e futebol, em que só não valem chutes na cabeça e golpes baixos.


A Santa Croce. Nesta praça, eram comuns as corridas de cavalo durante a era medieval.

A igreja de "Santa Maria Novella", próxima à estação ferroviária central da cidade, é outra atração imperdível. Destaque para a bela nave no seu interior, em que os pilares criam uma perspectiva de igreja muito longa. Bastante interessante a observação. Outro lugar lindo é a "Cappella Strozzi", cujos afrescos de Cione e Orcagna foram inspirados no livro "A Divina Comédia", de Dante. Há ainda um mosteiro, o "Chiostro Verde", muito bonito.

Santa Maria Novella. Um primor em uma praça muito bonita.

Dentre as praças de Florença, destacam-se duas: uma, pelo valor histórico, a "Piazza della Signoria"; a outra, pela beleza da visão de todo o centro histórico proporcionada aos visitantes - a "Piazzale Michelangelo".

A "Piazza della Signoria" é onde está localizado o "Palazzo Vecchio", antiga sede de governo da república florentina. Alias, a palavra "signoria" é designativa de comando executivo que, na cidade de Florença na era medieval, era composto por nove homens.

Piazza Della Signoria. O coração político de Florença.

O imponente "Palazzo Vecchio" destaca-se na paisagem da  "Piazza Della Signoria".

Já a "Piazzale Michelangelo" oferece a visão mais magnífica de Florença, notadamente quando o sol se põe. Para se chegar até lá, caso o viajante não esteja preparado fisicamente, recomenda-se o uso de transporte - taxi, ônibus urbano ou mesmo o "sightseeing Firenze", que tem parada por lá. Aproveitando a parada na "Piazzale", vale andar alguns metros até chegar a igreja românica "San Miniato al Monte", uma das mais bonitas de Florença.

Saindo das praças em direção às pontes, cumpre mencionar que a imagem mais famosa mundialmente de Firenze é a "Ponte Vecchio", a única não destruída na Segunda Grande Guerra Mundial. Pitoresca, formada por um conjunto de joalherias, liga o interessante bairro de artistas e cantinas chamado Oltrarno ao centro histórico.

Ponte Vecchio. A imagem mais difundida de Florença no mundo, juntamente com o Duomo.

Vale abrir um espaço para discorrer um pouco sobre o misterioso "Corredor Vasariano". Projetado por Giorgio Vasari, foi feito por encomenda de Cosimo Médici, ligando o Palazzo Vecchio, de um lado, ao Palazzo Pitti, de outro, tendo cerca de 1 km. Servia para que os Médicis pudessem se deslocar de maneira discreta entre os dois palácios. Algumas agências florentinas oferecem este passeio, bastante restrito.

Destacam-se em Florença três museus: a fabulosa "Galleria degli Uffizi", a "Galleria dell´Accademia" e o importante "Bargello".

De longe, destaca-se Uffizi ("escritório", em italiano), o principal museu de arte da Itália e um dos principais do mundo. A "sala de Botticelli" (salas 10-14, mas em um único ambiente) é, sem dúvida, a mais espetacular, com obras-primas como "O Nascimento de Vênus" e "Primavera". O museu é imenso, e a visita pode se tornar cansativa. Para evitar o cansaço físico (não mental, diga-se),  a dica é curtir uma visão do Arno e da Ponte Vecchio no andar principal da exposição. Uma visão simplesmente encantadora! Ah, e Michelangelo está ali representado em uma obra marcante da carreira dele, denominada "Doni Tondo", que é uma representação da Sagrada Família com o pequeno São João Batista.

A Galeria da Academia ("Galleria dell`Accademia), em San Marco, por sua vez, tem boas atrações, mas o maior destaque fica mesmo por conta de seu morador mais ilustre, nada mais nada menos que Davi,  a principal obra de arte de Michelângelo e a escultura mais famosa de todos os tempos. E merece realmente a fama. E nada melhor do que vê-la pessoalmente, para se ter uma dimensão desta obra de mais de cinco metros de altura (5,16m) e de 19 toneladas de peso. As fotos não dão a exata medida da perfeição dos detalhes da escultura, que incluem itens como músculos nas pernas, veias, etc. A famosa estátua ficou na "Piazza Della Signoria" entre 1504 e 1873, quando foi levada para a Accademia, em uma viagem que demorou sete dias.


Davi, de Michelangelo. A escultura mais famosa do mundo. Na Accademia.


O rosto de Davi. De um lado de visão (esquerdo), está sereno. Do outro (direito), enérgico.

A Galeria da Academia conta ainda com outras obras menos importantes, e menos impressionantes, de Michelangelo, como "São Mateus" e esculturas de escravos.

Já o Bargello é o segundo museu mais importante da cidade. O segundo, porque a Accademia, embora possua Davi, não tem uma soberba coleção de artes como este museu. Destaque para as esculturas Baco, de Michelângelo, e Davi, de Donatello.

Para quem quer conhecer mais a história da família Médici, a dica é esticar até San Lorenzo, o território dos Médicis por excelência em Florença.  Destaque, além da igreja (cuja fachada, que seria obra de Michelangelo, nunca foi acabada), para a famosa "Escadaria da Biblioteca", de Michelangelo e para a "Cappelle Medicee", que possui duas atrações principais: a "Capela dos Princípes" e a "Nova Sacristia", esta com obras de Michelangelo.

San Lorenzo. A fachada, inacabada. Obra não realizada de Michelangelo.


Na mesma região de San Lorenzo, a dica é conhecer o "Mercato Centrale" que vende as famosas trufas toscanas, além de outros itens interessantes, como o queijo "parmigiano reggiano". Um mercado muito bonito e limpo, que vale a visita.

O Mercato Centrale vende o famoso "Parmigiano Reggiano".

Florença também se destaca na culinária - a "bisteca alla fiorentina", uma carne mal passada, é o prato principal da gastronomia florentina.

A imperdível "bisteca alla fiorentina".  

Não poderia também deixar de destacar as famosas "gelaterias", o que prova que sorvete é mesmo com os italianos. Simplesmente maravilhosos! Particularmente, achei bastante gostosos os sorvetes da Grom, na Via Del Campanille, próxima ao Duomo. Os "sorveteiros" têm o cuidado de fabricarem sorvetes de acordo com a estação, justamente com os sabores de cada uma das estações. Muito interessante.

Enfim, Florença é uma cidade de múltiplas atrações, o que demanda do viajante pelo menos cinco dias inteiros para se conhecer bem e respirar esta atmosfera única, em um ambiente incrível de história e cultura.

sábado, 10 de novembro de 2012

SOB O CÉU DE CORTONA!

A Toscana é, realmente, uma região "abençoada por Deus". Além de todas as belezas naturais, temos cidades de origens etrusco-romanas, todas com apogeu na era medieval, que são verdadeiras "obras de arte" a céu aberto, dada toda a história e atmosfera do local. Este é o caso de Cortona.


A exuberante cidade de Cortona, na Toscana. As "vias" medievais são belas atrações.

Cortona, aliás, ficou mundialmente famosa a partir do lançamento, em 2003, do filme "Sob o Sol da Toscana" ("Under the Tuscan Sun"). Baseado no livro homônimo de Frances Mayes, a película conta a história de uma mulher divorciada e insatisfeita com os rumos de sua vida que, em uma viagem à Toscana, conhece a cidade medieval e resolve por lá ficar. A partir desta premissa, envolve-se com a comunidade local em uma série de situações, às vezes dramáticas, às vezes cômicas. O interessante do filme é justamente o tratamento fotográfico dado à região, sendo possível visualizar e ter-se uma idéia do que efetivamente Cortona é. Embora tenha muito de ficção, a retromencionada escritora realmente tem uma casa por lá.

Vale dizer que o filme inspirou o deflagrar de um festival cultural que hoje é conhecido em toda a Europa: o "Tuscan Sun Festival", realizado desde 2003 (final de julho e início de agosto) , ano de lançamento do filme.  Outro festival curioso da cidade é o "Archidado", de arco e flecha, que ocorre desde o ano de 1327, na última semana de maio. O "Archidado" foi realizado, primeiramente, para homenagear o casamento de um lorde de Cortona naquele ano e a tradição se manteve por séculos.

Saindo um pouco da "sétima arte" e dos desdobramentos da notoriedade proporcionada por Frances Mayes à cidade, vale destacar uma breve história deste local apaixonante.

Cortona é a urbe que simboliza mais fortemente a dominação etrusca na Toscana. Ainda há muros etruscos por lá, conforme se vê na foto abaixo ("mura etrusche" e "porta bifora etrusca").


Muro Etrusco de Cortona. Mais de 2.000 anos de hístória.

Vamos abrir um parênteses para falar um pouco sobre os etruscos.

Considerados povos de origem desconhecida, os etruscos invadiram a pensínsula itálica, juntamente com cartagineses e gregos, entre os séculos X e VII a.C. A partir das invasões etruscas, o domínio do uso e da escrita foram transmitidos para os habitantes anteriores da península. Era um povo com grande habilidade no trabalho com ferro e cobre, e tinha na agricultura e no comércio maritimo (notadamente com os fenícios, gregos e cartagineses), a base do seu sustento. A região por eles dominada, e que corresponde em grande parte à atual Toscana, era denominada "Etrúria".

Vale destacar ainda, no campo histórico, que, na Idade Média, Cortona exerceu um papel significativo no que tange ao poderio militar, resistindo bravamente à incursões de cidades fortes, a exemplo de Siena e Arezzo (esta a  mais próxima). Antes disso, em 300 a.C, já era considerada uma das mais poderosas "cidades-estado" etruscas. No século XV, foi dominada por Florença e governada pelos Médicis.

A cidade hoje conserva ares medievais e é um convite para o descanso. Várias atrações se destacam neste panorama que, mais do que desesperadamente conhecer locais, deve-se passear sem rumo.

A praça principal da cidade é mesmo a "Piazza della Republica", onde aparece, em destaque, a Prefeitura da cidade, ou em bom italiano, o "Palazzo del Comune".


O medieval "Palazzo del Comune" na "Piazza della Republica" em Cortona.

Outra atração bastante conhecida da cidade é a sua "Catedral". Construída no século XIV, tem no seu interior a pintura "Natividade", de Pietro Berrettini, ou como é mais conhecido, Pietro de Cortona.


A Catedral de Cortona, em estilo gótico.

O "Museu Diocesano" é uma das maiores atrações da cidade do alto da colina. A título de curiosidade, Cortona é a terra natal de dois consagrados pintores: Luca Signorelli e Pietro de Cortona. Ali também viveu outro expoente renascentista: Fra Angelico. Todos os três tem obras no "Museu Diocesano" - destaque máximo para "A Anunciação", de Fra Angelico. Uma pintura esplêndida!

Por fim, vale destacar os museus ligados à fase etrusca da cidade. Temos em Cortona dois que merecem a visita: o "Museo dell´Academia Etrusca" e o "Museo Nazionale Etrusco".  O mais interessante é o da Academia Etrusca, mas para se fazer uma visita guiada (importante para entender a história etrusca e os detalhes das escavações) é necessário reservar antes.

Além da Catedral, várias outras igrejas se destacam: a de "São Francisco", onde está enterrado Luca Signorelli; a de "Santa Margherita", a mais bonita no exterior e interior também - mas é preciso ser um atleta para conseguir subir até lá; e a "Nova Igreja de Santa Maria" ("Madonna del Calcinaio"), uma pérola renascentista não exatamente dentro do centro histórico (nos arredores) e com um belíssimo domo barroco.

Assim, a Cortona de .Luca Signorelli e Pietro de Cortona, imortalizada nos tempos atuais por Frances Mayes, revela-se uma linda cidade, imprescindível em qualquer roteiro que inclua a Toscana.

domingo, 4 de novembro de 2012

SIENA, TERRA DO PALIO!

A terra do "Palio", o maior festival de origem medieval da Itália; da estupenda "Catedral Gótica", a mais bela da Toscana e talvez de todo o país; do "Campo", a maior e mais imponente praça do país. E mais, a poderosa cidade medieval que desafiou a força da renascentista Florença. Eis Siena, uma cidade com um dos mais belos centros históricos medievais de toda a Itália.

A bela "Piazza Del Campo" é um lugar especial para turistas e moradores.

A história de Siena começa, como a maioria das cidades da Toscana, com os etruscos. Afinal, como dissemos anteriormente, os etruscos dominaram toda aquela região no período anterior a Cristo.

 Mas foram os romanos, ainda no século I a.C, que fundaram a cidade, chamando-a de "Sena Julia". A urbe ainda tem, como Roma, uma origem lendária, sendo atribuida ao filho de Remo a fundação da cidade.

O apogeu de Siena na Idade Média corresponde à vitória na "Batalha de Montaperti"  (1260), onde, na oportunidade, os ghibellini de Siena derrotaram os guelfi de Florença. Na mesma época, sob o "Governo dos Nove" (era comum o executivo ser constituído por nove pessoas, durante a era medieval), a cidade ganhou seus principais monumentos arquitetônicos.

Rival histórica de Florença durante a Idade Média (após a vitória de Montaperti, em 1260, chegou a ser derrotada séculos depois e governada pelos Médicis), a cidade de atuais sessenta mil habitantes ainda disputa com a cidade berço do Renascimento o título de maior atração da Toscana. Difícil dizer, cada uma delas tem sua vocação: a de Florença, o respiro do arte renascentista; a de Siena, a maravilha de ser gótica. Não tem escolha. A opção mais sensata é curtir ambas!

Não acredito que Siena seja superior à Florença em matéria de atrações. Mas acredito firmemente que a cidade merece mais que um passeio bate-e-volta, dadas as atrações e belezas de arquitetura gótica existentes no local. Dois dias inteiros na capital gótica da Toscana seriam ideais!

Vamos às atrações principais desta incrível urbe.

A "Piazza del Campo", ou "Il Campo" para os sienenses, é o lugar mais fotografado da cidade e mais conhecido mundo afora.

"Il Campo", uma das praças mais lindas da Itália. Pallazo Pubblico e Torre de Mangia.

Ali, destacam-se o "Pallazo Pubblico", a "Torre de Mangia" e o melhor museu da cidade, o "Museo Civico", dentro do "Pallazo Pubblico".

A "Piazzo del Campo" é o centro cívico e social da urbe desde o "Governo dos Nove", ainda na Idade Média.

O "Pallazo Publico" é uma maravilha gótica e é a principal atração da "Il Campo".  A sua principal atração, em seu interior, é mesmo o "Museo Civico". O museu abriga obras com cenas históricas, o que é bem interessante.  Destaque, neste museu,  para a "Sala del Mappamondo" (afrescos belíssimos de Simone Martini, sendo as obras "Maestá" e "Guidoriccio da Fogliano" as mais belas); e a "Capela", belíssima e ricamente decorada.

A "Torre de Mangia", com 102 metros de altura e 500 degraus, permite uma visão diferenciada da cidade. No entanto, é preciso paciência, tanto para subir os degraus, como para esperar a fila, já que são permitidos apenas 30 pessoas por vez na subida. O ingresso custa 8 euros.

Outro destaque bastante importante da cidade  é justamente a sua  Catedral Gótica, o "Duomo de Siena". A riqueza de detalhes impera, tanto exteriormente, quanto interiormente. É, indiscutivelmente, uma das mais belas igrejas não só da Itália, como de todo o mundo.



A linda catedral gótica. O "Duomo de Siena".
Destaque para a fachada, lindíssima e com detalhes góticos que impressionam.

No interior, vale visualizar os impressionantes pisos, dos mais bonitos dentre todas as igrejas do mundo; o "Púlpito", de Nicola Pisano, o "Altar-Mor" e o "Coral", todos impressionantes.

Junto à catedral há ainda o "Battistero di San Giovanni", onde há obras de Ghiberti e Donatello, e a "Cripta".

Mas o que faz de Siena uma cidade diferenciada é mesmo a expectativa gerada, o ano todo, pelo "Palio di Siena", o mais fabuloso festival italiano.

O "Palio di Siena" é uma festa típica da urbe, cujo ápice é uma corrida de cavalos, que ocorre na "Piazza Del Campo", ou "Campo" para os sienenses, todo dia 02 de julho, com repeteco no dia 16 de agosto, às 19 horas. São dezessete "contrades', representando bairros da cidade, dos quais dez são sorteados para o primeiro embate, em Julho. Em agosto, no segundo e mais importante embate, os sete que não foram sorteados participam automaticamente, sendo que os outros três participantes saem do sorteio entre os dez que disputaram em julho.


O Palio de Siena. Bandeiras das contrades e corrida de cavalos. Em foto de cartão-postal da cidade.

A origem do Palio é superinteressante. Os distritos sienenses, chamados "contrades", são o resultado do declínio do governo central, ainda na Idade Média. Ganharam força, e deu-se o início ao festival. O principal dos eventos, o de agosto, iniciou-se, no século XIII,  como uma homenagem à Virgem Maria e, também, como comemoração da vitória sobre Florença na batalha de Montaperti.  O festival de julho, por sua vez, só foi aprovado em 1656, e é uma homenagem à figura religiosa de Nossa Senhora, mais especificamente à "Madona di Provenzano".

Interessante observar que, no século XIII, os contrades eram em torno de 80. Desses, hoje apenas 17 lutam pela hegemonia da cidade.

Os dezessete distritos são divididos em três "terzos" (espécies de regiões da cidade): cittá (Aquila, Chiocciola, Capitana Dell´Onda, Pantera, Selva, Tartuca); San Martino ( Civetta- coruja, Leocorno, Nicchio, Valdimontone, Torre) e Camolia (Bruco, Drago, Giraffe, Istrice, Luppa e Oca). Curiosamente, muitos dos distritos são representados por animais - coruja, pantera, tartaruga, dentre outros.

O ponto alto é mesmo a corrida de cavalos, que demora menos de dois minutos. Também o tremular das bandeiras, feita por representantes de cada contrade, e os tambores constituem um grande espetáculo.

Vale destacar que existem outros "palios" por toda a Itália; no entanto, o mais famoso mundialmente é mesmo o de Siena.

É praticamente impossível assistir à festa, já que a multidão toma conta da "Piazza". Mas é possível fazer reservas com hotéis para assistir de uma posição mais confortável, já que, no meio da multidão, o turista teria que chegar bem cedo e esperar muitas horas.

Uma última dica preciosa para curtir Siena são justamente os "passes combinados". Um dos principais é o "OPA SI Pass", que, por 10 euros, dá direito á entrada no Duomo, Museu Dell´Opera, Batistério, Cripta e Oratorio de San Bernadino (atração anexa à outra igreja, a de "San Francesco).  E há, ainda, no rol dos passes principais, o "SIA Summer" (15 de março a 31 de outubro) e o "SIA Winter" (1º novembro a 14 de março), que é válido por sete dias e dá direito a inúmeras atrações. Para o Museo Civico e a Torre, há também um compensador passe combinado.

Siena, terra do Palio e da arquitetura gótica. Uma cidade imperdível na Toscana!