segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MONTEVIDÉU - HISTÓRIA, CENTRO E CIUDAD VIEJA

A qualidade de vida, no sentido do bem viver em ambiente urbano, é uma busca incessante de todo o ser humano. E Montevidéu ("Montevideo" em espanhol),  a capital uruguaia, é a cidade com mais de um milhão de habitantes que mais se aproxima disso, com imensas áreas verdes, um trânsito tranquilo mesmo nas horas do "rush" e um baixíssimo índice de violência, que permite aos moradores e aos visitantes andarem tranquilamente por suas ruas (com raríssimas exceções de lugares a serem evitados). 

Montevidéu foi fundada em 1726 pelo Capitão e Governador de Buenos Aires  Bruno Maurício de Zabala, herói justamente homenageado em uma das praças mais bonitas e agradáveis da cidade, a "Praça Zabala".


Monumento em homenagem a Zabala na praça que leva o seu nome.

Aspecto parcial da Praça Zabala, uma das mais bonitas da capital oriental.

A cidade, anteriormente chamada de "San Felipe y Santiago de Montevideo", foi originariamente projetada como base militar do império espanhol no Rio da Prata. O objetivo era evitar que os portugueses pudessem avançar para a chamada "banda oriental" do rio. Curiosamente, o termo "oriental", que quer dizer "a leste do Rio da Prata",  é até hoje usado para designar o país, cujo nome oficial é "República Oriental do Uruguay". 

Como todos os nomes de cidade, Montevidéu tem também suas lendas. A mais famosa indica que um marinheiro português, que viajava junto com Fernando de Magallanes, ao avistar o cerro da cidade disse "Monte Vide Eu", que seria, em tradução livre, "eu vi um monte". A segunda teoria para a origem do nome aponta para a forma como os espanhóis anotaram a situação geográfica do lugar nos respectivos mapas: "monte vi de este a oeste". E, a terceira teoria, por fim, explica que Magallanes (aquele da primeira teoria) numerou os montes que foram avistando de leste a oeste, sendo Montevideo o sexto, ou seja, "Monte VI de e a o" ("o sexto monte de leste -e a oeste -o").

Discussões sobre o nome a parte (cada uma das três teorias possui lógica própria), Montevidéu hoje é uma aprazível e sossegada cidade uruguaia, embora conte com mais de um milhão e trezentos mil habitantes (quase um terço do total da população uruguaia). As atrações espalham-se por seis distritos, principalmente: Ciudad Vieja, Centro, El Prado, Palermo, Pocitos/Punta Carretas e Carrasco.

Centro e Ciudad Vieja se complementam. A Ciudadela é o marco que divide as duas regiões da cidade. De um lado, a Plaza Independência e a Avenida 18 de Julio (a principal da cidade, com muito comércio e várias praças);  do outro, a  Sarandi, que é a principal rua da Ciudad Vieja, transformada em calçadão.

O arco da Ciudadela, em frente à Praça Independência.

O cartão-postal mais conhecido da cidade é o "Palácio Salvo", localizado na praça mais bonita da cidade, a "Plaza Independência". Nessa praça, merecem destaque (e visita), além do Salvo, o "Museu do Governo", instalado em um antigo palácio presidencial, e os restos mortais do general José Artigas (libertador do Uruguai e um dos Libertadores da América). Os restos ficam exatamente embaixo da magnífica estátua do general no centro da Praça Independência. Praça que é, enfim,  o coração de Montevidéu, de onde sai a principal avenida da cidade, a "18 de Julio" e também a porta de entrada para a "Ciudad Vieja" (Cidade Velha, que congrega o centro histórico e o Mercado do Porto), pelo calçadão da Sarandi (paseo peatonal, em espanhol).

Uma dica preciosa é conhecer, na Praça da Independência, o "Museu Casa de Governo" (ou "Museu dos Presidentes", ou ainda, "Palácio Estevez"). A entrada é gratuita e pode se conhecer toda a história uruguaia, contada nos mínimos detalhes, incluindo apetrechos utilizados pelos ex-presidentes. É um belo prédio e fica ao lado da praça. 


Plaza Independência, o coração de Montevidéu..


O Palácio Salvo, ícone urbano da cidade e prédio mais alto das Américas quando da fundação.

A estátua do libertador Artigas e o seu mausoléu.
Detalhe da bela estátua de José Artigas, o libertador uruguaio.
Perto da Praça Independência, já na "Ciudad Vieja", o Teatro Solis também é um ícone local. Fundado em 1856, tem visitas guiadas, sendo gratuita às quartas, no horário das onze da manhã. Nesse horário gratuito, recomenda-se chegar com pelo menos vinte minutos de antecedência, caso contrário se esgotarão os ingressos. Vale a pena conhecer a história do belíssimo cartão-postal.




Como já dissemos anteriormente, a "Calle Sarandi" concentra, juntamente com a 18 de Julio, o comércio local e também é ponto de partida para se chegar à região do porto de Montevidéu. A rua tem livrarias, comércio de rua, lojas de departamentos, correio (seção filatélica) e bancos. É o coração comercial mas, também, o elo que, juntamente com a rua Perez Castellano, une o Porto de Montevidéu  à Praça da Independência. Na Sarandi, vale destacar ainda, temos museus, sendo o mais completo e interessante o "Torres Garcia" (Sarandi, 683, aberto todos os dias, exceto aos domingos), dedicado ao maior pintor uruguaio, Joaquin Torres Garcia (1874/1949). É uma visita que vale a pena, já que o pintor criou um estilo próprio, o "Universalismo Construtivo", pintando ainda dezenas de personalidades e alguns aspectos de sua vida em Nova Iorque e Barcelona. Outro museu na mesma rua é o "Museu Gurvich" (Sarandi, 522, aberto todos os dias, exceto domingo), dedicado a outro pintor uruguaio, José Gurvich (1927-1974).

Museu Torres Garcia, em Montevidéu.
Obra de Torres Garcia.

Antes de se chegar ao Mercado del Puerto, caminhando pela Sarandi, encontramos a "Praça da Constituição" e a "Catedral de Montevidéu".  A Praça é uma das mais pitorescas e interessantes da capital uruguaia, embora não seja a mais bonita; é comum ter feiras pequenas por ali. Já a Catedral é bonita, embora não surpreenda em nenhum aspecto, seja no exterior, seja no interior. Fundada em 1804, ali descansam os restos mortais de importantes líderes uruguaios, como Lavalleja e Fructuoso Rivera (primeiro Presidente). Na mesma rua, à direita de quem está em frente à igreja, encontra-se o tradicional "Café Brasilero" (Ituzaingó, 1447), o mais antigo de Montevidéu, fundado em 1877 - serve café, refeições leves, sobremesas finas e almoços executivos.

A Catedral de Montevidéu.


Praça da Constituição (ou da Matriz).

Na região da Catedral, e antes de seguir rumo até o Mercado do Porto, a dica é desviar um pouco, ir na paralela da Sarandi, a Rincon, e visitar o Museu Andes 1972 (Rincon, entre Mitre e Gomez), que conta a história do trágico acidente aéreo envolvendo um time de rugby uruguaio nos Andes, que causou a morte de 29 pessoas e que trouxe novamente a vida 16 outros ("os sobreviventes dos Andes"). Há um relato desse museu aqui no blog.

Continuando, destaca-se agora a atração mais concorrida de Montevidéu, principalmente nos dias em que chegam cruzeiros vindos do exterior: o interessantíssimo "Mercado del Puerto". Nesse mercado, basicamente encontramos quatro ou cinco lojas de souvenirs e o restante é restaurante. Desses, o mais apreciado e concorrido é o "El Palenque", que tem o tradicional "Ojo de Bife" como carro-chefe. A experiência de se ver os cortes de carne e a 'parrilada" (uma mistura de diversos tipos de cortes e carnes, alguns bem estranhos) sendo assada é fantástica e única, muito embora ficar exatamente em frente não é uma boa pedida, já que fica muito quente... Frise-se: o Mercado del Puerto é mais um ponto gastronômico; para verduras, frutas, legumes, venda de carnes, etc, existe o "Mercado Agrícola", em outro ponto da cidade.

O preparo da carne no El Palenque do Mercado do Porto.
Entrada do Mercado do Porto.

Praça em frente ao Mercado do Porto.

Perto do Mercado del Puerto, o museu mais importante é o "Museu do Carnaval" (Maciel y Rambla 25 de agosto; aberto de segunda à sábado das 12 às 18 horas). O carnaval uruguaio é diferente do brasileiro e bem curioso. Demora mais tempo - cerca de quarenta dias - e tem na murga a sua marca mais famosa. Murgas são encenações teatrais geralmente de temas atuais, feitas com muito humor. As roupas são inspiradas no carnaval veneziano. É disso que trata o museu do Carnaval que, embora pequeno, vale como curiosidade nesse aspecto cultural específico. 

 Roupa usada no carnaval uruguaio.
Ainda perto do Mercado del Puerto e do Porto de Montevidéu (onde chegam os muitos cruzeiros que visitam a cidade), interessante observar um belíssimo prédio - o "Edifício de la Dirección Nacional de Aduanas", de estilo art decó, finalizado em 1923.


Edifício da Aduana em Montevidéu.
E não poderíamos terminar uma postagem sobre o Centro e o Centro Histórico de Montevidéu sem falar em outro ícone local: o bar "Fun Fun", que já esteve em quatro endereços na cidade e atualmente encontra-se no centro, mais precisamente na Calle Soriano 922 (o endereço anterior era na rua Ciudadela).  Inaugurado em 1895, é um dos bares mais antigos das Américas. Funciona assim, em quatro etapas: geralmente tem shows, a partir de dez e meia da noite, de tango (dança de salão), música regional uruguaia e brasileira (com uma dupla de sanfona e viola) e um show de candombe, ritmo uruguaio, que também às vezes descamba para músicas brasileiras. O último show ocorre depois da meia-noite, o que pode ser cansativo. Destaque para um cantor de voz firme, estilo Julio Iglesias, no segundo show - bastante carismático. Outro destaque da casa é a "uvita", um vinho com cara de conhaque, que é um muito gostoso - a casa vende, inclusive, um litro dessa bebida.

Show de tango no Fun Fun.
A sanfona e a viola no Fun Fun.


O cantor estilo Julio Iglesias do Fun Fun.



O conjunto que arrisca o candombe, o ritmo tipicamente uruguaio. 
 
Vale ainda destacar outras atrações da Ciudad Vieja e do Centro. Vamos a elas:

Ciudad Vieja: Igreja de São Francisco de Assis (Solis, 1469 esq. Cerrito; construção iniciada em 1863 e finalizada em 1895); Casa do General Fructuoso Rivera (Rincon, 437; funciona como parte do Museu Histórico Nacional e conta a história uruguaia); Feira da Praça da Matriz (todos os sábados, manhã e tarde);  Cabildo e Reales Cárceles (Juan Carlos Gomez, 1368; edifício histórico); Livraria Linari y Risso (Juan Carlos Gomez, 1435;  uma das mais emblemáticas livrarias da cidade).

Centro: Destaque para a "Feira Tristan Narvaja", na rua de mesmo nome, realizada aos domingos. Há muito coisa interessante por lá, é fato, mas há também outras tantas que não passam de bugigangas sem nenhum valor. Quanto mais longe você ficar da avenida 18 de Julio, mais vai perceber a queda de qualidade da feira. Há muitos objetos que as pessoas pegam das suas respectivas casas e, depois de muito usadas, levam para a feira. Outros tantos objetos também parecem ter sido fruto de furtos. Enfim, não acho que seja um programa imperdível, é apenas uma feira bastante comum, inferior, em termos de qualidade, a muitas que conhecemos (Belo Horizonte, por exemplo, tem uma feira bem melhor aos domingos em termos qualitativos). O auge da feira é entre as 9 horas da manhã e uma da tarde.

Uma última dica: especialmente no Centro e na Ciudad Vieja evitar visitas noturnas. Esses locais ficam muito vazios depois do horário comercial.  Como a grande maioria dos centros das cidades grandes pelo mundo, o de Montevidéu também oferece perigos. Prefira sempre visitar tanto o centro quanto o centro histórico (Ciudad Vieja) durante o dia. 

Um panorama completo da região turística mais famosa de Montevidéu. Apreciem sem moderação!

sábado, 16 de janeiro de 2016

72 DIAS EM 1972- TRAGÉDIA E MILAGRE NOS ANDES!

"Comece fazendo o necessário, depois o que é possível, e de repente estará fazendo o impossível" (São Francisco de Assis). 

13 de outubro de 1972. Nesse dia, uma sexta-feira (treze, por sinal), uma avião da Força Aérea Uruguaia (o "571", modelo Fairchild FH-227), que levava a equipe de rugby daquele país, junto com algumas outras pessoas, caiu na Cordilheira dos Andes, depois de uma mudança de rota justamente por mau tempo (e que justificaria uma desistência que nunca ocorreu). Das 45 pessoas a bordo,  29 sobreviveram ao impacto da queda, causada por erro do piloto. Destas 29, sucumbiram ainda 11 (onze) antes do resgate, 03 (três) pelas condições extremas e 08 (oito) por uma avalanche. Setenta e dois dias depois, 16 (dezesseis) heróis resistiram.  É a "Tragédia dos Andes", relatada em diversos livros, artigos, filmes, palestras e agora também no "Museo Andes 1972" (Rincón, 619, Ciudad Vieja, Montevidéu) na capital uruguaia.


O "Museo Andes 1972". Montevidéu, Uruguai. Foto: Carlos HB/EP


Réplica do pequeno avião que caiu nos Andes. Museu Andes 1972. 

Os dados do avião que caiu.
Mudança de rota devido a más condições climáticas.

A incrível história de sobrevivência é um dos relatos mais impressionantes da história da humanidade. Um relato de superação. Superação que começou exatamente no marco 10, no décimo dia dessa jornada aflitiva. Nesse dia, a notícia mais triste que os sobreviventes poderiam ouvir se tornou a mais importante: as buscas haviam se encerrado - foi o que o rádio amador, que ainda funcionava, transmitiu.Um dos sobreviventes, Carlitos Paez, que por sinal é filho de Vilaró, o construtor da Casapueblo de Punta Del Leste, resume bem a mudança de rota nesse dia: antes, pensávamos em sobrevivência (para "sermos resgatados"); após a notícia, começamos a pensar em viver. Começava aí a luta pela vida. 

Os dezesseis sobreviventes e suas respectivas idades na ocasião da tragédia.
 
E a lista de todos os mortos no acidente.


A média de idade dos passageiros. Observar que a dos falecidos era bem maior que a dos sobreviventes.  Museu Andes 1972 em Montevidéu, capital uruguaia. Foto: Carlos HB


Peça original do acidente. Um óculos feito por um dos sobreviventes para conter o reflexo da neve. Museu Andes 1972. Foto: Carlos HB.

 
Trecho de uma carta de um sobrevivente durante a tragédia.

 



Luta pela vida que incluiu uma terrível decisão, que chocou o mundo: comer carne humana. Uma necessidade, em meio ao desastre das baixas temperaturas. A água, por sinal, era derivada do gelo. Enfim, uma situação extrema que exigiu o máximo de cada um dos sobreviventes. Situação que fez surgir uma verdadeira "sociedade da neve", título dado a um dos livros que explicou em detalhes a tragédia.  

Jornal da época com a notícia que chocou o mundo. foto: Carlos HB

Finalmente, em 23 de dezembro de 1972, os dezesseis sobreviventes foram resgatados dos Andes. A jornada do resgate começou, no entanto, alguns dias antes, mais precisamente em  12 de dezembro de 1972, quando Nando Parrado, Roberto Canessa e Antônio Vizintin (que posteriormente retornou, deixando apenas os outros dois na busca pelo resgate) iniciaram uma caminhada pelas montanhas nevadas, que culminou como o encontro com o "arriero" (boiadeiro) chileno Sérgio Catalan. Era o fim do sofrimento, da angústia, do cansaço. Era o fim da tragédia. Era o início de uma nova vida para os dezesseis bravos guerreiros da neve.

Parrado, Canessa e Catalan (de chapéu).

Os jornais da época e o drama. 

O fim do drama e o resgate emocionante.
Uma visita emocionante. Uma visita que vale a pena. Para mostrar que devemos dar valor à vida, sempre.


Curiosidades:

1) O time de rúgby se chamava Old Christians, era da escola Stela Maris e iria disputar um amistoso no Chile;

2) Das 45 pessoas a bordo, quarenta eram passageiros e cinco eram tripulantes;

3) Carlos Paez Vilaró (1923-2014), o famoso pintor uruguaio, foi o responsável pela divulgação da lista de sobreviventes. Um filho seu, Carlitos, estava no avião. Ocorre que Carlos não sabia ainda se o filho estava vivo ou morto, e só descobriu no momento da leitura da lista. A emoção tomou conta e uma grande comemoração se ouviu na hora de se falar o nome de Carlitos Paez - esta gravação pode ser vista no vídeo existente no Museu Andes 1972 e que geralmente introduz o passeio do visitante;

4) Dois filmes retratam a tragédia dos Andes: "Os Sobreviventes dos Andes", de 1976, e a versão "hollywoodiana" "Vivos", de 1993. 

5) Alguns livros sobre a tragédia:  "Vivos: A História dos Sobreviventes dos Andes", de Piers Paul Read, a principal obra sobre o tema, editada em 1974;  "Después del Dia Diez", de Carlitos Paez, um dos sobreviventes; "A Sociedade da Neve", de Pablo Vierci; "Milagre nos Andes", de Nando Parrado e Vince Rause.

6) Apesar dos filmes retratarem bem a tragédia e o milagre, um documentário, do "History Channel", parece ser o mais detalhista... Dirigido por Brad Osborne, "Estou Vivo: o Milagre dos Andes" ("I Am Alive: Surviving the Andes Plane Crash", 2010, 88 minutos) é o único que mostra tudo, incluindo o resgate e o encontro com o boiadeiro Sérgio Catálan.

7) Os sobreviventes gostam de diferenciar "canibalismo" de "antropofogia", insistindo que, na verdade, praticaram a antropofagia. Nesse sentido, canibalismo seria "matar para se alimentar" (uma prática), ao passo que antropofagia seria "alimentar-se de carne humana", o que, no caso, ocorreu por necessidade. O fato é que todos estão perdoados por terem ingerido carne humana, afinal de contas trata-se de um exemplo clássico de "estado de necessidade";

8) Apenas um dos dezesseis sobreviventes já faleceu. Trata-se de Javier Methol que era, inclusive, o mais velho deles - tinha 38 anos naquele fatídico 1972.

9) Hoje, os três mais famosos sobreviventes - Nando Parrado, Roberto Canessa e Carlitos Paez - são renomados palestrantes motivacionais.

 Serviço:

Museu Andes 1972.
Calle Rincon, 619. Ciudad Vieja, Montevidéu, Uruguai. 
Horários: Segunda-Sexta, de 10 às 17 horas, sábados de 10 às 15 horas.
Preço: 200 pesos por pessoa, podendo mudar.

domingo, 10 de janeiro de 2016

UM PANORAMA TURÍSTICO DO URUGUAI

Basicamente, o Uruguai conta com três cidades que, no seu conjunto, formam o interesse turístico maior daquele país (pela ordem de importância turística): Punta del Leste, Colônia del Sacramento e Montevidéu. Essas três cidades são o "currículo mínimo" que todo turista deve priorizar ao visitar o Uruguai; as demais atrações turísticas, apenas se os viajantes tiverem tempo ou interesse de conhecer tudo, considerando-se ainda o fato de que o Brasil possui lugares tão bons ou melhores (principalmente no quesito praias). Vale dizer, um local para ser classificado como imprescindível deve despertar algum interesse cultural, paisagístico ou mesmo ter um turismo desenvolvido. E, nesse quesito, de todos os lugares que falaremos a seguir, somente os três acima citados atendem esses critérios.

Colônia del Sacramento e Montevidéu já contam (ou contarão) com posts próprios aqui no blog, esmiuçando as principais atrações de cada uma delas. Leia sobre Colônia aqui e sobre a capital uruguaia aqui.

Punta del Leste merece um registro mais detalhado.

Trata-se de um belíssimo balneário, que se destaca não tanto pelas praias (as do nordeste brasileiro, em sua maioria, são muito mais bonitas), mas pelo modo de vida dos turistas que ali se encontram, geralmente de dezembro a fevereiro, ou do natal até o carnaval. Nessa, que é a alta temporada local, quem está lá aproveita para curtir uma vida agitada de badalação, paqueras e jogos nos cassinos. Impressiona bastante os bairros residenciais da cidade, com casas belíssimas em meio a uma natureza exuberante, um deles apelidado justamente de "Beverly Hills", em alusão ao bairro das estrelas de Los Angeles. Estrelas, aliás, que buscam o seu refúgio em terras de Punta comumente. Impressiona também os empreendimentos quem margeiam as praias, com muitas belas casas e prédios altos e luxuosos.

Curiosamente, as estatísticas indicam que setenta por cento das casas nos bairros "chiques" da cidade foram adquiridas por brasileiros ricos, sendo trinta por cento apenas das outras nacionalidades (notadamente argentinas e uruguaias). Ou seja, Punta Del Leste virou um paraíso para brasileiros, com um "glamour" e ostentação que pouco se vê em nosso próprio país.

Punta Del Leste ferve no verão. Foto: Carlos HB

A cidade é uma península, dividida entre dois tipos de praias bem diferentes, como os nomes estão a indicar: ou é brava, ou mansa. A costa de águas calmas é a preferida de famílias e de pessoas que buscam se refugiar dos ventos constantes e cortantes que sopram na cidade. Já a costa de águas bravas caracteriza-se pela presença de surfistas ávidos por ondas maiores e gente jovem. Na Praia Brava, encontra-se o símbolo local, o "Monumento da Mão" ("La Mano" ou "Los Dedos"), criado pelo artista plástico chileno Mário Irarrázabal em 1982.



Destaca-se ainda na cidade os cassinos, surgindo nesse ponto o mais famoso deles, o do "Conrad", famoso hotel cinco estrelas daquela urbe.

Fora do burburinho, há outras opções mais paradisíacas para se aproveitar em Punta Del Leste. Assim, destaca-se Solanas e José Ignácio.

A primeira (Solanas), localizada próxima do aeroporto local e a 10 km do centro da cidade, caracteriza-se pela grande extensão de areia e águas calmas.

José Ignácio, por sua vez, está a 30 km do centro da cidade e tem águas mais fortes, porém é um balneário mais preservado que Punta.

Mais adiante, para quem busca simplicidade e ambientes mais rústicos, indica-se La Pedrera, La Paloma, Punta del Diablo e Cabo Polonio.  

Ainda perto de Punta, imprescindível é visitar a Casapueblo, criação do artista uruguaio recentemente falecido Carlos Páez Vilaró (1923-2014). Localiza-se em Punta Ballena e é um hotel com um museu a ser visitado, o "Museo Taller de Casapueblo" (entrada 28 reais), onde há várias obras do artista, notadamente pinturas. 


A Casapueblo lembra Santorini, ilha grega. Foto: Carlos HB
Vilaró e sua Casapueblo. Foto: Carlos HB
Para quem vem por Montevidéu, Piriápolis é outra cidade turística localizada nas proximidades de Punta del Leste.  Mas aqui vale a advertência: não se trata de uma outra Punta del Leste. É um local derivado da imaginação de seu fundador, o empresário uruguaio Francisco Piria (1847-1933), que imaginou, ainda no século XIX, que ali poderia se desenvolver um belíssimo balneário. É uma cidade mais barata e mais pacata que Punta del Leste e recebe também muitos argentinos, uruguaios e brasileiros. Destaque para o Castelo de Piria, para o fabuloso Hotel Argentino e para o Cerro Santo Antônio, de onde é possível ter uma belíssima visão do balneário sonhado por Piria. 

Piriápolis vista do Cerro Santo Antônio.

Outro balneário importante e próximo a Montevidéu é Atlantida (50 km). As praias dali são frequentadas, majoritariamente, pelos habitantes de Montevidéu, principalmente nos finais de semana. Como destaques da cidade temos o "Paseo de Neruda" (museu com objetos, fotos e poemas do poeta chileno) e a Igreja Nossa Senhora de Lourdes. 

Outras cidades uruguaias a serem consideradas:  Minas, cidade conhecida pelos seus alfajores, pela maior estátua equestre do mundo e por ser a cidade natal de um presidente e importante figura da independência do país, Juan Antonio Lavalleja (há uma casa dele para visitas no local); Treinta y Tres, cidade cujo nome faz alusão aos trinta e três orientais, liderados por Lavalleja, que libertaram a Província Cisplatina do Brasil e que tem como atração principal a "Quebrada de Los Cuervos" (um belíssimo passeio em meio à natureza); Florida, cidade histórica onde se encontra a "Pedra Alta de La Florida", lugar usado para a declaração de independência em 1825; Tacuarembó, onde, segundo biógrafos orientais (há controvérsias), teria nascido Carlos Gardel (1890-1935), o mais famoso cantor de tango- nessa cidade há um museu dedicado a ele; e, mais ao norte Fray Bentos, a 309 Km de Montevidéu, cuja paisagem cultural e industrial foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2015. Vale lembrar ainda que Salto e Paysandú, a segunda e terceira cidades do país em população absoluta, ficam distantes da capital, respectivamente, 489 e 388 quilômetros - mas não despontam como destinos turísticos importantes e imprescindíveis, a não ser pelas águas termais de Dayman (Salto) e Arapey e Guaviyú (Paysandú). 

Em suma, embora pequeno, o Uruguai é um país de múltiplas atrações e vale a pena ser visitado.  

sábado, 9 de janeiro de 2016

TRINIDAD E TOBAGO

Bandeira do País






Mapa do País












Trinidad e Tobago, ilhas do Caribe.



Dados do País

Continente: América Central/ Caribe, entre o Oceano Atlântico Norte e o Mar do Caribe, à nordeste da Venezuela.

Capital:Port of Spain (Porto Espanha).

Cidades principais: San Fernando; Chaguanas; Sangue Grande, Siparia.


Língua: Inglês (oficial); Hindustani.

Moeda:Dólar de Trinidad e Tobago.

População:  1.222.363 (2015).

Atrações turísticas principais:   Tobago é a ilha mais turística.  Nylon Pool; Maracas Bay;  Yerette; Pigeon Point Beach (Tobago); Englishsman´s Bay (Tobago); Tobago Forest Reserve; Asa Wright Nature Center; Fort King George (Trinidad); Castara Bay (Tobago); 

Patrimônios Mundiais UNESCO: não possui.

Melhor Época para visitação: janeiro/fevereiro/março/abril/maio.  Junho, julho e agosto são os meses mais chuvosos.

Atualidades:  O país encontra-se em conflito com Barbados e Venezuela devido a fronteiras marítimas.

Curiosidades/fatos históricos: 

1. Trinidad e Tobago tornou-se independente do Reino Unido em 31 de agosto de 1962.  Foi primeiro colonizado por espanhóis, caindo sob o domínio britânico no início do século XIX.  Trinidad e Tobago era colônias britânicas separadas, unidas em 1889. A república foi estabelecida em 1976.

2. A abolição da escravatura nas ilhas ocorreu em 1834.

3. A economia do país baseava-se no açúcar; a descoberta de petróleo no século XX (1910) gerou dividendos para o país no campo das exportações.

4. O processamento de petróleo e gás natural em Trinidad e Tobago tornou o país um dos mais prósperos do Caribe.

5. Os símbolos nacionais do país são o Íbis Escarlate (passáro de Trinidad), o Cocrico (pássaro de Tobago) e a flor Chaconia, que possui as cores do país (vermelho, preto e branco). 

6. O carnaval do país é um dos mais animados do Caribe.

7.  O tambor de aço nasceu em Trinidad e Tobago.

8. São danças típicas do país o calipso, a soca, o chutney e a dança do limbo.

domingo, 6 de dezembro de 2015

LUXEMBURGO, O RICO GRÃO-DUCADO!

O continente europeu tem alguns microestados ( países com área inferior a 1.000 km²), como Andorra, Malta, Lietchtenstein, Mônaco, San Marino e Vaticano, e outros pequenos estados, como Chipre e Luxemburgo, o último com 2.536 km². E é do Grão-Ducado de Luxemburgo, país que fica, a três horas de Bruxelas e a duas horas de Paris (tempo em trem), que falaremos a seguir.

Mapa de Luxemburgo. A capital, e maior atração, está ao sul.


n
Estação de trem em Luxemburgo, o Grão-Ducado.

Primeiramente, é bom que se explique o que significa um "grão-ducado". Grão-ducado é um reino governado por um "Grão-Duque", governante saudado pela expressão "Vossa Alteza Sereníssima". O título nobiliárquico surgiu na Borgonha, ainda na Baixa Idade Média, perpassando, pela história, Lituânia e Toscana, esta última quando o Duque de Florença Cósimo I foi transformado em Grão-Duque da Toscana. Após, Napoleão dissolveu o Sacro Império Romano-Germânico e conferiu títulos de grão-duques a alguns nobres, o que aumentou o número de reinos com tal distinção, inclusive Luxemburgo. Hoje o único grão-ducado existente é Luxemburgo.

Luxemburgo, na atual configuração, existe desde 1839, graças a William II, rei da Holanda e depois Grão-Duque de Luxemburgo. Desde então, a cidade de Luxemburgo tem sido o lugar onde vivem os "grão-duques" e as áreas urbanas começaram a se desenvolver. Desde 1952, a cidade é sede da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. É, ainda, importante centro econômico europeu.

A região moderna de Luxemburgo.
 O Grão-Ducado tem um notável índice de desenvolvimento humano - é considerado "muito alto", tendo ficado em 21º lugar no ano de 2014, à frente da Finlândia e empatado com Bélgica e Áustria.  Tem também uma das maiores rendas per capita do mundo. Além da capital, o país conta com outras duas regiões, doze cantões e 116 comunas. Tem apenas 80 km de extensão norte-sul. Fala-se, além do luxemburguês, o francês e o alemão.



Uma lista dos locais imperdíveis de Luxemburgo (Cidade de Luxemburgo): as fortificações subterrâneas - "Casemates"; "Catedral de Notre Dame"; "Obelisco da Mulher Dourada"; Ponte Adolphe; Fortificações Petrusse;  "Praça das Armas"; "Hotel de Ville";  Praça Guilherme (com estátua de William II em um cavalo); "Palácio do Grão-Duque"; "Mercado de Peixes" (The Marché aux Poissons); "Um Bock"; Praça Clairefontaine"; "Igreja do Espírito Santo"; "Praça do Espírito Santo": "Monumento Nacional da Solidariedade"; "Promenade de La Corniche"; "Igreja St. Michel"; "Dent Creuse"; "Ponte Grande Duquesa Charlotte"; "Castelo dos Condes e Duques de Luxemburgo"; "Igreja São João Batista"; "Ponte Grund"; "Capela St. Quirin""Tour Malakoff"; "Kirchberg Plateau".


A Catedral de Notre Dame de Luxemburgo.


"Kasematten Bockfelsen, Luxemburg" (Fortificação subterrânea) by Dan Castiglia, Schnékert 

Pontes são marcas registradas de Luxemburgo.
Muita natureza e um belo edifício de Luxemburgo.

 
O rio Alzette atravessa a Cidade de Luxemburgo.

A Igreja de São João Batista.
 
O Palácio do Grão-Duque de Luxemburgo.