sábado, 16 de janeiro de 2016

72 DIAS EM 1972- TRAGÉDIA E MILAGRE NOS ANDES!

"Comece fazendo o necessário, depois o que é possível, e de repente estará fazendo o impossível" (São Francisco de Assis). 

13 de outubro de 1972. Nesse dia, uma sexta-feira (treze, por sinal), uma avião da Força Aérea Uruguaia (o "571", modelo Fairchild FH-227), que levava a equipe de rugby daquele país, junto com algumas outras pessoas, caiu na Cordilheira dos Andes, depois de uma mudança de rota justamente por mau tempo (e que justificaria uma desistência que nunca ocorreu). Das 45 pessoas a bordo,  29 sobreviveram ao impacto da queda, causada por erro do piloto. Destas 29, sucumbiram ainda 11 (onze) antes do resgate, 03 (três) pelas condições extremas e 08 (oito) por uma avalanche. Setenta e dois dias depois, 16 (dezesseis) heróis resistiram.  É a "Tragédia dos Andes", relatada em diversos livros, artigos, filmes, palestras e agora também no "Museo Andes 1972" (Rincón, 619, Ciudad Vieja, Montevidéu) na capital uruguaia.


O "Museo Andes 1972". Montevidéu, Uruguai. Foto: Carlos HB/EP


Réplica do pequeno avião que caiu nos Andes. Museu Andes 1972. 

Os dados do avião que caiu.
Mudança de rota devido a más condições climáticas.

A incrível história de sobrevivência é um dos relatos mais impressionantes da história da humanidade. Um relato de superação. Superação que começou exatamente no marco 10, no décimo dia dessa jornada aflitiva. Nesse dia, a notícia mais triste que os sobreviventes poderiam ouvir se tornou a mais importante: as buscas haviam se encerrado - foi o que o rádio amador, que ainda funcionava, transmitiu.Um dos sobreviventes, Carlitos Paez, que por sinal é filho de Vilaró, o construtor da Casapueblo de Punta Del Leste, resume bem a mudança de rota nesse dia: antes, pensávamos em sobrevivência (para "sermos resgatados"); após a notícia, começamos a pensar em viver. Começava aí a luta pela vida. 

Os dezesseis sobreviventes e suas respectivas idades na ocasião da tragédia.
 
E a lista de todos os mortos no acidente.


A média de idade dos passageiros. Observar que a dos falecidos era bem maior que a dos sobreviventes.  Museu Andes 1972 em Montevidéu, capital uruguaia. Foto: Carlos HB


Peça original do acidente. Um óculos feito por um dos sobreviventes para conter o reflexo da neve. Museu Andes 1972. Foto: Carlos HB.

 
Trecho de uma carta de um sobrevivente durante a tragédia.

 



Luta pela vida que incluiu uma terrível decisão, que chocou o mundo: comer carne humana. Uma necessidade, em meio ao desastre das baixas temperaturas. A água, por sinal, era derivada do gelo. Enfim, uma situação extrema que exigiu o máximo de cada um dos sobreviventes. Situação que fez surgir uma verdadeira "sociedade da neve", título dado a um dos livros que explicou em detalhes a tragédia.  

Jornal da época com a notícia que chocou o mundo. foto: Carlos HB

Finalmente, em 23 de dezembro de 1972, os dezesseis sobreviventes foram resgatados dos Andes. A jornada do resgate começou, no entanto, alguns dias antes, mais precisamente em  12 de dezembro de 1972, quando Nando Parrado, Roberto Canessa e Antônio Vizintin (que posteriormente retornou, deixando apenas os outros dois na busca pelo resgate) iniciaram uma caminhada pelas montanhas nevadas, que culminou como o encontro com o "arriero" (boiadeiro) chileno Sérgio Catalan. Era o fim do sofrimento, da angústia, do cansaço. Era o fim da tragédia. Era o início de uma nova vida para os dezesseis bravos guerreiros da neve.

Parrado, Canessa e Catalan (de chapéu).

Os jornais da época e o drama. 

O fim do drama e o resgate emocionante.
Uma visita emocionante. Uma visita que vale a pena. Para mostrar que devemos dar valor à vida, sempre.


Curiosidades:

1) O time de rúgby se chamava Old Christians, era da escola Stela Maris e iria disputar um amistoso no Chile;

2) Das 45 pessoas a bordo, quarenta eram passageiros e cinco eram tripulantes;

3) Carlos Paez Vilaró (1923-2014), o famoso pintor uruguaio, foi o responsável pela divulgação da lista de sobreviventes. Um filho seu, Carlitos, estava no avião. Ocorre que Carlos não sabia ainda se o filho estava vivo ou morto, e só descobriu no momento da leitura da lista. A emoção tomou conta e uma grande comemoração se ouviu na hora de se falar o nome de Carlitos Paez - esta gravação pode ser vista no vídeo existente no Museu Andes 1972 e que geralmente introduz o passeio do visitante;

4) Dois filmes retratam a tragédia dos Andes: "Os Sobreviventes dos Andes", de 1976, e a versão "hollywoodiana" "Vivos", de 1993. 

5) Alguns livros sobre a tragédia:  "Vivos: A História dos Sobreviventes dos Andes", de Piers Paul Read, a principal obra sobre o tema, editada em 1974;  "Después del Dia Diez", de Carlitos Paez, um dos sobreviventes; "A Sociedade da Neve", de Pablo Vierci; "Milagre nos Andes", de Nando Parrado e Vince Rause.

6) Apesar dos filmes retratarem bem a tragédia e o milagre, um documentário, do "History Channel", parece ser o mais detalhista... Dirigido por Brad Osborne, "Estou Vivo: o Milagre dos Andes" ("I Am Alive: Surviving the Andes Plane Crash", 2010, 88 minutos) é o único que mostra tudo, incluindo o resgate e o encontro com o boiadeiro Sérgio Catálan.

7) Os sobreviventes gostam de diferenciar "canibalismo" de "antropofogia", insistindo que, na verdade, praticaram a antropofagia. Nesse sentido, canibalismo seria "matar para se alimentar" (uma prática), ao passo que antropofagia seria "alimentar-se de carne humana", o que, no caso, ocorreu por necessidade. O fato é que todos estão perdoados por terem ingerido carne humana, afinal de contas trata-se de um exemplo clássico de "estado de necessidade";

8) Apenas um dos dezesseis sobreviventes já faleceu. Trata-se de Javier Methol que era, inclusive, o mais velho deles - tinha 38 anos naquele fatídico 1972.

9) Hoje, os três mais famosos sobreviventes - Nando Parrado, Roberto Canessa e Carlitos Paez - são renomados palestrantes motivacionais.

 Serviço:

Museu Andes 1972.
Calle Rincon, 619. Ciudad Vieja, Montevidéu, Uruguai. 
Horários: Segunda-Sexta, de 10 às 17 horas, sábados de 10 às 15 horas.
Preço: 200 pesos por pessoa, podendo mudar.

domingo, 10 de janeiro de 2016

UM PANORAMA TURÍSTICO DO URUGUAI

Basicamente, o Uruguai conta com três cidades que, no seu conjunto, formam o interesse turístico maior daquele país (pela ordem de importância turística): Punta del Leste, Colônia del Sacramento e Montevidéu. Essas três cidades são o "currículo mínimo" que todo turista deve priorizar ao visitar o Uruguai; as demais atrações turísticas, apenas se os viajantes tiverem tempo ou interesse de conhecer tudo, considerando-se ainda o fato de que o Brasil possui lugares tão bons ou melhores (principalmente no quesito praias). Vale dizer, um local para ser classificado como imprescindível deve despertar algum interesse cultural, paisagístico ou mesmo ter um turismo desenvolvido. E, nesse quesito, de todos os lugares que falaremos a seguir, somente os três acima citados atendem esses critérios.

Colônia del Sacramento e Montevidéu já contam (ou contarão) com posts próprios aqui no blog, esmiuçando as principais atrações de cada uma delas. Leia sobre Colônia aqui e sobre a capital uruguaia aqui.

Punta del Leste merece um registro mais detalhado.

Trata-se de um belíssimo balneário, que se destaca não tanto pelas praias (as do nordeste brasileiro, em sua maioria, são muito mais bonitas), mas pelo modo de vida dos turistas que ali se encontram, geralmente de dezembro a fevereiro, ou do natal até o carnaval. Nessa, que é a alta temporada local, quem está lá aproveita para curtir uma vida agitada de badalação, paqueras e jogos nos cassinos. Impressiona bastante os bairros residenciais da cidade, com casas belíssimas em meio a uma natureza exuberante, um deles apelidado justamente de "Beverly Hills", em alusão ao bairro das estrelas de Los Angeles. Estrelas, aliás, que buscam o seu refúgio em terras de Punta comumente. Impressiona também os empreendimentos quem margeiam as praias, com muitas belas casas e prédios altos e luxuosos.

Curiosamente, as estatísticas indicam que setenta por cento das casas nos bairros "chiques" da cidade foram adquiridas por brasileiros ricos, sendo trinta por cento apenas das outras nacionalidades (notadamente argentinas e uruguaias). Ou seja, Punta Del Leste virou um paraíso para brasileiros, com um "glamour" e ostentação que pouco se vê em nosso próprio país.

Punta Del Leste ferve no verão. Foto: Carlos HB

A cidade é uma península, dividida entre dois tipos de praias bem diferentes, como os nomes estão a indicar: ou é brava, ou mansa. A costa de águas calmas é a preferida de famílias e de pessoas que buscam se refugiar dos ventos constantes e cortantes que sopram na cidade. Já a costa de águas bravas caracteriza-se pela presença de surfistas ávidos por ondas maiores e gente jovem. Na Praia Brava, encontra-se o símbolo local, o "Monumento da Mão" ("La Mano" ou "Los Dedos"), criado pelo artista plástico chileno Mário Irarrázabal em 1982.



Destaca-se ainda na cidade os cassinos, surgindo nesse ponto o mais famoso deles, o do "Conrad", famoso hotel cinco estrelas daquela urbe.

Fora do burburinho, há outras opções mais paradisíacas para se aproveitar em Punta Del Leste. Assim, destaca-se Solanas e José Ignácio.

A primeira (Solanas), localizada próxima do aeroporto local e a 10 km do centro da cidade, caracteriza-se pela grande extensão de areia e águas calmas.

José Ignácio, por sua vez, está a 30 km do centro da cidade e tem águas mais fortes, porém é um balneário mais preservado que Punta.

Mais adiante, para quem busca simplicidade e ambientes mais rústicos, indica-se La Pedrera, La Paloma, Punta del Diablo e Cabo Polonio.  

Ainda perto de Punta, imprescindível é visitar a Casapueblo, criação do artista uruguaio recentemente falecido Carlos Páez Vilaró (1923-2014). Localiza-se em Punta Ballena e é um hotel com um museu a ser visitado, o "Museo Taller de Casapueblo" (entrada 28 reais), onde há várias obras do artista, notadamente pinturas. 


A Casapueblo lembra Santorini, ilha grega. Foto: Carlos HB
Vilaró e sua Casapueblo. Foto: Carlos HB
Para quem vem por Montevidéu, Piriápolis é outra cidade turística localizada nas proximidades de Punta del Leste.  Mas aqui vale a advertência: não se trata de uma outra Punta del Leste. É um local derivado da imaginação de seu fundador, o empresário uruguaio Francisco Piria (1847-1933), que imaginou, ainda no século XIX, que ali poderia se desenvolver um belíssimo balneário. É uma cidade mais barata e mais pacata que Punta del Leste e recebe também muitos argentinos, uruguaios e brasileiros. Destaque para o Castelo de Piria, para o fabuloso Hotel Argentino e para o Cerro Santo Antônio, de onde é possível ter uma belíssima visão do balneário sonhado por Piria. 

Piriápolis vista do Cerro Santo Antônio.

Outro balneário importante e próximo a Montevidéu é Atlantida (50 km). As praias dali são frequentadas, majoritariamente, pelos habitantes de Montevidéu, principalmente nos finais de semana. Como destaques da cidade temos o "Paseo de Neruda" (museu com objetos, fotos e poemas do poeta chileno) e a Igreja Nossa Senhora de Lourdes. 

Outras cidades uruguaias a serem consideradas:  Minas, cidade conhecida pelos seus alfajores, pela maior estátua equestre do mundo e por ser a cidade natal de um presidente e importante figura da independência do país, Juan Antonio Lavalleja (há uma casa dele para visitas no local); Treinta y Tres, cidade cujo nome faz alusão aos trinta e três orientais, liderados por Lavalleja, que libertaram a Província Cisplatina do Brasil e que tem como atração principal a "Quebrada de Los Cuervos" (um belíssimo passeio em meio à natureza); Florida, cidade histórica onde se encontra a "Pedra Alta de La Florida", lugar usado para a declaração de independência em 1825; Tacuarembó, onde, segundo biógrafos orientais (há controvérsias), teria nascido Carlos Gardel (1890-1935), o mais famoso cantor de tango- nessa cidade há um museu dedicado a ele; e, mais ao norte Fray Bentos, a 309 Km de Montevidéu, cuja paisagem cultural e industrial foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2015. Vale lembrar ainda que Salto e Paysandú, a segunda e terceira cidades do país em população absoluta, ficam distantes da capital, respectivamente, 489 e 388 quilômetros - mas não despontam como destinos turísticos importantes e imprescindíveis, a não ser pelas águas termais de Dayman (Salto) e Arapey e Guaviyú (Paysandú). 

Em suma, embora pequeno, o Uruguai é um país de múltiplas atrações e vale a pena ser visitado.  

sábado, 9 de janeiro de 2016

TRINIDAD E TOBAGO

Bandeira do País






Mapa do País












Trinidad e Tobago, ilhas do Caribe.



Dados do País

Continente: América Central/ Caribe, entre o Oceano Atlântico Norte e o Mar do Caribe, à nordeste da Venezuela.

Capital:Port of Spain (Porto Espanha).

Cidades principais: San Fernando; Chaguanas; Sangue Grande, Siparia.


Língua: Inglês (oficial); Hindustani.

Moeda:Dólar de Trinidad e Tobago.

População:  1.222.363 (2015).

Atrações turísticas principais:   Tobago é a ilha mais turística.  Nylon Pool; Maracas Bay;  Yerette; Pigeon Point Beach (Tobago); Englishsman´s Bay (Tobago); Tobago Forest Reserve; Asa Wright Nature Center; Fort King George (Trinidad); Castara Bay (Tobago); 

Patrimônios Mundiais UNESCO: não possui.

Melhor Época para visitação: janeiro/fevereiro/março/abril/maio.  Junho, julho e agosto são os meses mais chuvosos.

Atualidades:  O país encontra-se em conflito com Barbados e Venezuela devido a fronteiras marítimas.

Curiosidades/fatos históricos: 

1. Trinidad e Tobago tornou-se independente do Reino Unido em 31 de agosto de 1962.  Foi primeiro colonizado por espanhóis, caindo sob o domínio britânico no início do século XIX.  Trinidad e Tobago era colônias britânicas separadas, unidas em 1889. A república foi estabelecida em 1976.

2. A abolição da escravatura nas ilhas ocorreu em 1834.

3. A economia do país baseava-se no açúcar; a descoberta de petróleo no século XX (1910) gerou dividendos para o país no campo das exportações.

4. O processamento de petróleo e gás natural em Trinidad e Tobago tornou o país um dos mais prósperos do Caribe.

5. Os símbolos nacionais do país são o Íbis Escarlate (passáro de Trinidad), o Cocrico (pássaro de Tobago) e a flor Chaconia, que possui as cores do país (vermelho, preto e branco). 

6. O carnaval do país é um dos mais animados do Caribe.

7.  O tambor de aço nasceu em Trinidad e Tobago.

8. São danças típicas do país o calipso, a soca, o chutney e a dança do limbo.

domingo, 6 de dezembro de 2015

LUXEMBURGO, O RICO GRÃO-DUCADO!

O continente europeu tem alguns microestados ( países com área inferior a 1.000 km²), como Andorra, Malta, Lietchtenstein, Mônaco, San Marino e Vaticano, e outros pequenos estados, como Chipre e Luxemburgo, o último com 2.536 km². E é do Grão-Ducado de Luxemburgo, país que fica, a três horas de Bruxelas e a duas horas de Paris (tempo em trem), que falaremos a seguir.

Mapa de Luxemburgo. A capital, e maior atração, está ao sul.


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Estação de trem em Luxemburgo, o Grão-Ducado.

Primeiramente, é bom que se explique o que significa um "grão-ducado". Grão-ducado é um reino governado por um "Grão-Duque", governante saudado pela expressão "Vossa Alteza Sereníssima". O título nobiliárquico surgiu na Borgonha, ainda na Baixa Idade Média, perpassando, pela história, Lituânia e Toscana, esta última quando o Duque de Florença Cósimo I foi transformado em Grão-Duque da Toscana. Após, Napoleão dissolveu o Sacro Império Romano-Germânico e conferiu títulos de grão-duques a alguns nobres, o que aumentou o número de reinos com tal distinção, inclusive Luxemburgo. Hoje o único grão-ducado existente é Luxemburgo.

Luxemburgo, na atual configuração, existe desde 1839, graças a William II, rei da Holanda e depois Grão-Duque de Luxemburgo. Desde então, a cidade de Luxemburgo tem sido o lugar onde vivem os "grão-duques" e as áreas urbanas começaram a se desenvolver. Desde 1952, a cidade é sede da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. É, ainda, importante centro econômico europeu.

A região moderna de Luxemburgo.
 O Grão-Ducado tem um notável índice de desenvolvimento humano - é considerado "muito alto", tendo ficado em 21º lugar no ano de 2014, à frente da Finlândia e empatado com Bélgica e Áustria.  Tem também uma das maiores rendas per capita do mundo. Além da capital, o país conta com outras duas regiões, doze cantões e 116 comunas. Tem apenas 80 km de extensão norte-sul. Fala-se, além do luxemburguês, o francês e o alemão.



Uma lista dos locais imperdíveis de Luxemburgo (Cidade de Luxemburgo): as fortificações subterrâneas - "Casemates"; "Catedral de Notre Dame"; "Obelisco da Mulher Dourada"; Ponte Adolphe; Fortificações Petrusse;  "Praça das Armas"; "Hotel de Ville";  Praça Guilherme (com estátua de William II em um cavalo); "Palácio do Grão-Duque"; "Mercado de Peixes" (The Marché aux Poissons); "Um Bock"; Praça Clairefontaine"; "Igreja do Espírito Santo"; "Praça do Espírito Santo": "Monumento Nacional da Solidariedade"; "Promenade de La Corniche"; "Igreja St. Michel"; "Dent Creuse"; "Ponte Grande Duquesa Charlotte"; "Castelo dos Condes e Duques de Luxemburgo"; "Igreja São João Batista"; "Ponte Grund"; "Capela St. Quirin""Tour Malakoff"; "Kirchberg Plateau".


A Catedral de Notre Dame de Luxemburgo.


"Kasematten Bockfelsen, Luxemburg" (Fortificação subterrânea) by Dan Castiglia, Schnékert 

Pontes são marcas registradas de Luxemburgo.
Muita natureza e um belo edifício de Luxemburgo.

 
O rio Alzette atravessa a Cidade de Luxemburgo.

A Igreja de São João Batista.
 
O Palácio do Grão-Duque de Luxemburgo. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

ATACAMA EM DETALHES: O GUIA COMPLETO!

O Local

O Deserto de Atacama é o mais seco (em alguns pontos não há registro de chuvas) do mundo. Ficou sem chuvas de 400 até 1971, ou seja, por mais de 1.500 anos. Em área, é o 22º maior deserto do mundo (140.000 km quadrados).  A altitude, em alguns pontos, chega a 4.800 metros. Alguns passeios, como o gêiseres el Tátio, tem temperaturas extremas (chega a 10 graus negativos) e altas altitudes (mais de 4.000 metros). A base para a exploração do deserto é a cidade de adobe San Pedro de Atacama, com três mil habitantes fixos e muitos turistas estrangeiros, notadamente brasileiros, americanos e europeus.


Atacama, um cenário lindíssimo. 

Passeios

San Pedro de Atacama: A cidade tem estilo rústico, com ruas sem calçamento (embora com pouca poeira, não chegando a ser um problema) e construções de adobe. Mas são poucas as atrações. Aliás, a primeira coisa que chama a atenção de quem visita a cidade é a quantidade de cães, a maioria enormes, que justificam até um apelido da cidade: "San Perro de Atacama". 

Uma das principais era o Museu Gustavo Le Paige, mas atualmente (outubro de 2015) encontra-se fechado. Le Paige era um padre e arqueólogo belga que colecionou, durante muitos anos, artefatos de povos atacamenhos antigos. Uma pena o espaço estar fechado, principalmente por falta de verbas. 

Museu Le Paige, fechado atualmente (outubro de 2015).

Outra atração da cidade é a pitoresca Iglesia San Pedro, com teto de cactus. É um estilo bem comum nas igrejas locais. 

A Igreja de San Pedro de Atacama. 
A rua principal da cidade é a Caracoles. Nela encontram-se agências de turismo, os principais restaurantes do povoado e mercados pequenos, para se comprar a tão imprescindível água mineral (recomenda-se tomar pelo menos três litros por dia, diante da umidade e do calor do local).  Outras ruas importantes da cidade, com restaurantes, agências e comércio também, são a Calama, a Domingos Atienza, a Toconao, a Le Paige e a Tocopilla. 



A cidade conta ainda com a "Feira Artesanal San Pedro de Atacama", em frente à praça principal. Lá é possível comprar suvenires, bonés, chapéus típicos, miniaturas e, para combater o mal da altitude, folhas e balas de coca (desnecessárias).

"Feira Artesanal San Pedro de Atacama". 
Há ainda um curioso museu, o "Museu do Meteorito" (Rua Tocopilla, 101). Meteoritos são fragmentos de asteróides,cometas ou planetas desintegrados que não se destroem completamente ao atingir a terra (ao contrário dos meteoros ou estrelas cadentes). 

Gêiseres El Tátio: O passeio mais popular de Atacama é também o melhor de todos. 

Os turistas geralmente esperam, na recepção do hotel ou hostel, às cinco da manhã, a agência que irá fazer o passeio. 

Depois, uma viagem de cerca de uma hora aos gêiseres, que são o resultado da combinação de águas subterrâneas frias com rochas quentes, que provocam os jatos de vapor e o espetáculo que todos irão assistir. 

Gêiseres El Tátio. 
Em ebulição...rsrs
Passeio El Tátio. 

Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas: O tour das Lagoas Altiplânicas (Chaxa, Miscanti e Munique) é o que contém a maior beleza cênica. Alia-se a ele o passeio a Piedras Rojas, local onde as fotos ficam ainda mais bonitas. 

A beleza da Laguna Miscanti, no Atacama.

A belíssima Laguna Munique. 

Salar de Atacama: O maior salar do Chile, e terceiro maior do mundo, é vendido em pacotes junto com as lagunas altiplânicas.Uma paisagem única, sem dúvida.

O Salar de Atacama. 
Socaire: Povoado pitoresco, próximo à San Pedro de Atacama. Geralmente, é visitado durante o tour das lagoas altiplânicas. Destaque para a singela igreja local.

Socaire. Igreja. Atacama, Chile.

Toconao:  Outro povoado, muito próximo à San Pedro de Atacama. Destaque para a praça principal  a igreja e a Torre, símbolo máximo do povoado. É possível avistar lhamas domesticadas no local.

A Torre, simbolo máximo de Toconao. 

Vale da Lua e Vale da Morte: É um dos passeios essenciais do Atacama.  Destaque para as incríveis paisagens rochosas, que fazem do local um dos mais interessantes para fotografias. Há um local bastante interessante, as "Três Marias", uma incomum formação rochosa.

A interessante formação rochosa "Três Marias". 
O impressionante Vale da Morte. 

Vale da Lua. 

Salar de Tara:  O passeio mais distante (133 Km de Atacama) e mais difícil, mas considerado um dos mais bonitos do Atacama. Altas altitudes, estradas ruins, recompensadas, porém, com uma belíssima paisagem natural. Destaque para os Monges de Pakana e as "Catedrais" rochosas. 

Reserva Nacional Los Flamencos: É possível avistar-se  flamingos em terras atacamenhas. Mas é preciso sorte para ver muitos deles juntos. No passeio das lagunas altiplânicas, é possível visualizá-los. São três tipos: o Andino, o James e o Chileno.

Flamingos do Atacama. 

Pukará de Quitor: Localizada a 3 quilômetros do centro de San Pedro de Atacama, a Pukara de Quitor é alcançável até por caminhada (fácil, num percurso reto). Muitos fazem o percurso de bicicleta, aproveitando ainda para conhecer outras atrações localizadas pertos desse oásis. Há ainda a possibilidade de conhecer o local a partir de tours organizados pelas agências locais ("tour arqueológico"). 

As ruínas de Quitor. 

Aldeia de Tulor:   Aldeia formada por atacamenhos entre 800 a.C e 50 d.C. É um dos sítios arqueológicos mais antigos do Chile. Formada por uma série de construções circulares, hoje bastante soterradas. 

Baños de Puritama: Localizados 30 km a noroeste de San Pedro, os "Baños" são termas de água quente localizadas em um desfiladeiro.  O nome Puritama é nome do rio local. As temperaturas da água giram em torno de 30 graus celsius, o que favorece o banho. Passeios de meio dia levam ao local. O ingresso para entrar lá é mais caro que o próprio passeio, como na Laguna Cejar. 

Vale do Arco-Íris e Petroglifos: É uma passeio até difícil de se fazer, já que não há muitos interessados e as agências pedem um mínimo de dois casais para sair até lá. Além da bela paisagem, destacam-se as gravuras em pedra feitas por povos antigos, os petróglifos. É um tour mais específico, para quem tem interesse aprofundado em história e arqueologia, segundo disseram-me os guias locais. 

Tour Arqueológico: Combina Tulor (a aldeia) e Quitor (Pukará), durando aproximadamente quatro horas. Geralmente se visita também atacamenhos, os "Likan Antai". 

Tour Astronômico (geral e do Space): Atacama é sinônimo de astronomia e astrologia, uma vez que é considerado um dos melhores lugares do mundo para se observar astros e estrelas. Além do ALMA e de outros lugares com poderosos telescópios, San Pedro oferece outros passeios turísticos de observação de astros, sendo o mais conhecido o do astrônomo francês Alain Maury (Space: www.spaceobs.com). Ele tem vários telescópios potentes (são cerca de 10); há uma introdução de cerca de uma hora (em um frio congelante), feita pela esposa do astrônomo e depois a observação. Na terceira fase, é possível conversar com o astrônomo francês sobre assuntos gerais de astronomia (no debate que participei Plutão foi bastante discutido). O "Space" só aceita pagamentos no dia, já que há possibilidade de cancelamentos sempre; no entanto, a reserva deve ser feita no dia da chegada, na Rua Caracoles perto da Domingos Atienza, uma vez que é bastante concorrido. Há tours em inglês e espanhol. Curiosidade: SPACE quer dizer "San Pedro de Atacama Celestial Explorations".

Telescópio do Space, de Alain Maury. 

ALMA (Atacama Large Milimeter/Submilimeter Array):  O ALMA é um projeto internacional de observação astrônomica e é aberto a visitas públicas. Mas deve ser marcada com bastante antecedência. Fica a 50 km de San Pedro de Atacama. Geralmente, as visitas públicas duram pouco mais de três horas, com início pela manhã. Mais informações, e marcações, podem ser encontradas no site: http://www.almaobservatory.org/en/visits/public-visits.

Machuca: Povoado, geralmente visitado quando se vai ao Gêiseres del Tátio. É possível comer por ali carne de "Lhama", que achei um pouco enjoativa - comi um churrasquinho.

Laguna Cejar/Ojos del Salar/Laguna Tebinquinche: O passeio não é tão interessante. A mais bonita paisagem é da Laguna Tebinquinche. Geralmente ali é que se vê o por do sol. Vale destacar três detalhes aqui em relação à Laguna Cejar, famosa por permitir que as pessoas boiem: primeiro, não é na Cejar que as pessoas boiam, mas numa lagoa anexa; segundo, o alto teor de sal custa a sair do corpo; terceiro, o ingresso para entrar na laguna é mais caro que o próprio passeio.

Calama: As agências de San Pedro de Atacama não oferecem passeios nas proximidades de Calama. As atrações principais, próximas à cidade mineradora, são Chiu-Chiu (e sua "Iglesia de San Francisco), a mina de Chuquicamata (cobre) e a Pukará de Lasana (fundada por atacamenhos e dominada por dois séculos pelos Incas).  

Quebrada de Jerez: Passeio menor do Atacama. Um oásis no meio do deserto.

Subidas em vulcões: É um passeio oferecido por algumas agências locais. As altitudes superam 5.000 metros, exigindo, portanto, bom preparo físico. O Licancabur é um dos mais próximos da aldeia de San Pedro e mede 5.917 metros. Outro bastante conhecido é o Lascar, também próximo a San Pedro.  O mais oferecido pelas agências locais, talvez por ser mais fácil (se é que é possível se falar em facilidade em grandes alturas e ar mais rarefeito) que os demais, é o Toco.


Os vulcões e suas altitudes. 
Passeios para a Bolívia: Várias agências oferecem passeios de três noites para o Salar de Uyuni, na Bolívia. O difícil é saber a qualidade dos serviços oferecidos. 

As agências (Operadoras)

San Pedro de Atacama possui inúmeras agências nas ruas do seu centro, principalmente na Caracoles. Aqui vale a máxima: o preço está de acordo com a qualidade do serviço. Pagando-se bem, o viajante tem a sua disposição motorista e guia, van com ar-condicionado e em bom estado de conservação. Pagando-se mal (ou seja, barato), as condições pioram bastante: vans superlotadas, sem ar-condicionado, com pneus em precário estado de conservação, sem guia (somente com o motorista).

Em San Pedro testamos os dois tipos de serviço. Nos principais passeios (Gêiseres, Lagunas Altiplânicas, Pedras Rojas, Vales da Lua e da Morte), escolhemos a Cosmo Andino (Rua Caracoles), que apresentou um bom serviço, com guias altamente experientes (fluentes em inglês e espanhol) e com excelente conteúdo informativo (um deles apresentava inclusive fotos dos animais e atrações da região em tablet). As vans eram muito confortáveis. Outras agências, indicadas, pelo guia Lonely Planet, são a Desert Adventure e a Terra Extreme - constatamos que ambas também possuem transportes próprios e, se estão indicadas, é sinal de que são confiáveis. A Grado 10 tem também transporte próprio - um caminhão de lixo transformado em caminhão turístico - mas me parece ser muito desconfortável o passeio, mas já li relatos contrários, afirmando ser uma boa opção.

Por outro lado, as outras agências, menores e que cobram mais barato, apresentam serviço deficiente, conforme já ressaltado linhas atrás. Fizemos um dos passeios com uma delas e testamos. É realmente difícil. Geralmente eles terceirizam os serviços - contratam motoristas que tem vans próprias. Ou seja, não há guia, apenas o motorista que é dono da van. O próprio motorista, um chileno que é formado em engenharia civil mas preferiu dirigir no deserto, afirmou: "prefiro os latinos; os gringos europeus geralmente reclamam demais do serviço que eu presto e já teve até caso de gringo chamar a polícia para que eu devolvesse o dinheiro".  Isso resume bem o espírito da coisa: a economia sai caro. Os europeus e asiáticos preferem as agências maiores e mais confiáveis; brasileiros que fazem turismo por ali tendem a pagar mais barato, na sua maioria.

Como chegar

É bastante tranquilo de se chegar ao Atacama a partir de Santiago. O voo, feito por duas companhias aéreas (Lan e Sky) dura cerca de duas horas até o aeroporto de Calama. Calama fica a 106 kms de distância de San Pedro de Atacama, a cidade base para se conhecer as belíssimas paisagens do deserto mais árido do mundo.  Várias empresas fazem o traslado Aeroporto de Calama - San Pedro de Atacama, que dura uma hora e meia. É possível comprar ida e volta na "Licancabur", a principal empresa de traslado, por 20.000 pesos. Apenas um braço (só ida, por exemplo), fica mais caro.  É um serviço eficiente. 

Quando ir

O Atacama tem sol o ano todo. Em fevereiro, é maior a probabilidade de chuva. Março costuma ser apontado como o melhor mês para se visitar o deserto mais árido e bonito do mundo. Setembro e outubro surgem como boas opções também (é nessa época que estive por lá e posso atestar que é muito bom). 

Hospedagens

Em São Pedro de Atacama predomina o estilo "rústico", que pode ser "chique", "mediano" ou "simples". 

No estilo chique, destacam-se alguns hotéis, muitos deles com pacote de passeios incluídos, carros à disposição, entre outros mimos. Nessa categoria estão o "Tierra Atacama", o "Alto Atacama", o "Awasi" e o "Cumbres". Geralmente estão longe do centro da cidade, cuja maior movimento ocorre na rua Caracoles. 

No quesito mediano, o "Altiplânico" desponta. Tem uma boa estrutura e fica relativamente perto do centro - são dez minutos a pé. Ocorre que a rua que leva ao centro, apesar de reta, é escura à noite, com vários pontos cegos. Deve-se levar lanterna.

No mais, a cidade conta com albergues (hostels, ou "hostal"), que significam hospedagem econômica e nem sempre confortável. 

Onde Comer

San Pedro de Atacama, embora seja um pequeno vilarejo, conta com inúmeros restaurantes. A maioria se concentra no centro, cujo local mais visitado é a principal Rua Caracoles. Dentre os locais mais conhecidos da rua principal, destacam-se: "Adobe", com pratos mais elaborados; "Delícias del Carmen", com muita fartura e preço razoável (pedir um prato para duas pessoas, é mais que suficiente); "La Casona" (bom custo-benefício); "Blanco" (bom custo-benefício) e "La Estaka", um dos mais frequentados e considerado mais caro. Há, ainda, na mesma rua, uma pizzaria, a "Casa de Piedra". 

Advertência

Para aqueles que gostam de aventura em níveis absurdos, uma dica: cuidado com os tours oferecidos em San Pedro de Atacama para o Salar de Uyuni e arredores na Bolívia. Além de ser um lugar inóspito, ou seja, sujeito a intempéries (por exemplo, atolamentos em estradas de terra e no próprio salar), ainda temos relatos consistentes de sequestros de turistas na região.  Para mais informações, vale ler reportagem do "Viaje na Viagem"  aqui,