domingo, 16 de julho de 2017

PETRÓPOLIS, A CIDADE IMPERIAL!

A monarquia brasileira, que se estendeu de 1822 a 1889 (ano da "Proclamação da República") desfrutou de um curto período de apogeu. Petrópolis, ou "Cidade de Pedro", é o símbolo maior do domínio da família real sobre as terras brasileiras. Petrópolis é, sem dúvida, uma cidade atrelada a um grande nome, dentre todos os nomes imperais: D. Pedro II, o culto imperador (dizem que falava 24 idiomas, além de idiomas indígenas), personalidade que governou por mais tempo o Brasil.

D. Pedro II, figura representativa de Petrópolis.
As cinco atrações principais da cidade serrana são as seguintes, pela ordem de importância: Museu Imperial, Catedral São Pedro de Alcântara, Quitandinha, Palácio Rio Negro e Palácio de Cristal. Essas são as visitas obrigatórias na cidade - dois dias inteiros é o suficiente. Outras duas atrações são também importantes ou mesmo interessantes: a Casa de Santos Dumont e o Tour Cervejeiro da Bohemia. Outra atração, para quem aprecia roupas sem marcas é a Rua Teresa, dois quilômetros de muitas lojas e algumas ofertas, em um estilo 25 de março de São Paulo.  E o distrito de Itaipava, que concentra bares, restaurantes e lojas. Assim, dois ou três dias na cidade são suficientes para se cobrir as atrações dentro de Petrópolis, sendo aconselhável mais um dia se quiser conhecer Itaipava.

Falaremos a seguir das atrações concentradas no Centro de Petrópolis (centro urbano e centro histórico).

O Museu Imperial é um dos principais museus do Brasil. Conta a história da monarquia, dos costumes imperiais e, sobretudo, possui apetrechos de inigualável valor. Os destaques são a soberba coroa imperial de D. Pedro II, a caneta a qual a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea (abolição da escravatura), o cetro imperial, um trono imperial (na "Sala de Estado") e a Sala de Música (nela, os destaques são a rara espineta triangular de Mathias Bosten e uma harpa belíssima). 

Museu Imperial, Petrópolis.

Sonho da Princesa Isabel, a Redentora, a Catedral São Pedro de Alcântara foi finalizada somente após a morte da libertadora dos escravos, em 1925. É uma das igrejas mais bonitas do Brasil, não pela riqueza, mas justamente pela sobriedade do seu interior, toda decorada em mármore de carrara e com vitrais magníficos. Nela, há ainda outros destaques, notadamente a Capela Imperial, onde se encontram os restos mortais de D. Pedro II, da Princesa Isabel, da esposa de D. Pedro II (Teresa Cristina), do Conde D´Eu (marido da Princesa Isabel), entre outros membros da Família Imperial. Outra espetacular atração é a "pia batismal" original da família imperial. 


A bela "Pia Batismal Imperial".





Outra atração turística bastante interessante é o Palácio Quitandinha, em estilo normando, a sudoeste do centro da cidade. Construído pelo empresário Joaquim Rolla em 1944, o Quitandinha foi projetado para ser o maior e mais imponente cassino da América do Sul. E realmente foi, embora por pouco tempo - em 1946, o jogo foi proibido no Brasil. O interior ainda lembra os dias de glória do local e é um passeio bem interessante. Destaque para o teatro onde se apresentaram Carmem Miranda, Oscarito e Grande Otelo, a piscina funda, o viveiro de pássaros.

O antigo cassino de Petrópolis, Quitandinha.

Teatro onde Carmem Miranda, Oscarito e Grande Otelo se apresentaram. Quitandinha.

Viveiro antigo de aves do Quitandinha.
O Palácio Rio Negro, por sua vez, foi construído pelo rico Barão do Rio Negro, produtor de café. Foi sede do governo estadual do Rio de 1894 a 1902, período em que Petrópolis foi a capital daquele estado. Entre 1903 e 1960 serviu como residência de verão dos Presidentes da República. Vargas e Kubitschek, os dois mais emblemáticos Presidentes, fizeram reformas em seu interior: o primeiro converteu uma adega em sala de banhos romanos; o segundo, colocou armários embutidos. Ambos usaram muito o palácio. É um palácio ainda muito bem conservado, com visita gratuita.



A mais curiosa das atrações principais de Petrópolis é o Palácio de Cristal. Primeiro, há de se falar que não é de cristal (sílica mais óxido de chumbo e com mais brilho) - é de metal e vidro comum. O autor do projeto básico do local foi o Conde D´Eu, marido da Princesa Isabel. Serviu como estufa para o cultivo de orquídeas, salão para receber exposições de produtos locais e até mesmo para festas espetaculares (bailes imperiais). Em um dos bailes imperiais, a Princesa Isabel concedeu alforria a 103 escravos. Hoje, o local serve para exposições, shows e eventos culturais. 



A Casa de Santos Dumont, conhecida pelo singelo nome de "A Encantada", também vale a visita. Hoje é um bem cuidado museu, que oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer uma das figuras mais emblemáticas do Brasil, o pioneiro da aviação Santos Dumont. Pode ser que não tenha mesmo inventado o avião (os Wright têm a preferência dos americanos e outros), mas tem seu nome fortemente atrelado a essa invenção que hoje representa uma das maiores conquistas do homem. O acervo conta com vários objetos do inventor, além de alguns interessantes aspectos, como a escada (em que se começa a subir só com o pé direito), o pitoresco chuveiro, a cama que na verdade era mesa durante o dia e o seu inconfundível chapéu. Tem também um observatório do céu, bem no alto da casa. O "Centro Cultural 14 Bis" exibe ainda um pequeno filme sobre o inventor.

A curiosa casa de veraneio de Santos Dumont.

O chuveiro de Dumont.

A cama e escritório de Santos Dumont.

Por fim, o Tour da Cervejaria Bohemia merece uma conferida. A visita dura, em média, uma hora e meia, em seus quatro andares. Trata-se da mais antiga fábrica de cerveja do Brasil, datada de 1853. Há no local um museu e pelos vários andares é possível ainda visualizar como é feita a fabricação da cerveja e os ingredientes utilizados. O ingresso para o tour dá direito a três copos de chope. Aliás, vale ressaltar, só ali (no tour e no bar anexo, aberto à noite também) é possível degustar o chope da famosa cervejaria. Um tour de excelência, bastante recomendável.
 
Tudo começou com os sumérios, civilização inicial da Mesopotâmia, onde hoje é o Iraque.


O bem cuidado museu da cervejaria conta a história da bebida através dos séculos.

Monges trapistas belgas, a cerveja em sua melhor qualidade.

A exposição engloba a história da cerveja no Brasil, um dos maiores mercados do mundo.


Tipos de malte.







No tour é possível degustar três chopes.

Outras atrações de Petrópolis, com visitação interna: Casa da Ipiranga (localizada na Avenida Ipiranga, a Casa é exemplo de arquitetura colonial); Igreja Luterana (mais antigo templo religiosa da cidade, data de 1862); Museu de Cera de Petrópolis; Museu da Força Expedicionária Brasileira (vale ver um pouco da história da Segunda Guerra, trazida com garra pelos herdeiros dos antigos pracinhas; pode ser visitada junto com o Palácio Rio Negro); Palácio Itaboraí (fora do centro, foi residência de verão de governadores, hoje pertence à FIOCRUZ).

Uniformes usados por brasileiros na Segunda Guerra no simples e interessante Museu da FEB.
Para visitação externa, vale citar: Avenida Koller (casarões belíssimos); Casa da Princesa Isabel (rosada, em frente à Catedral); Praça da Liberdade; Praça 14 Bis; Relógio das Flores.

Praça 14 Bis em Petrópolis. Homenagem à Santos Dumont, que gostava da cidade.
 
A avenida Kohler e a São Pedro de Alcântara ao fundo.

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