sábado, 8 de dezembro de 2012

UFFIZI, GALERIA DA ARTE RENASCENTISTA

Uffizi. Escritório, em italiano. Localizado no coração do centro histórico de Florença (ou Firenze), a "Galleria degli Uffizi" é o principal museu de arte da Itália e um dos mais importantes do mundo.  Ali estão verdadeiras obras-primas renascentistas, que merecem uma conferida de todas as pessoas que vão à passeio pela maravilhosa cidade toscana.

A origem do nome é interessante. O edifício em forma de "u" (Palazzo degli Uffizi) foi designado, ainda sob o comando dos Médicis (mais especificamente Cosimo I), no século XVI, para ser a sede de importantes escritórios dos poderes Executivo e Judiciário locais. Após a morte do último dos Médicis, quase três séculos depois, o local passou a ser a sede da coleção inestimável de obras de arte da família, e virou museu. O ano era 1743. Nascia, neste momento, um dos mais importantes espaços para obras de arte do mundo - a "Galleria degli Uffizi".

Os belos corredores da Uffizi. Florença, Itália.

A galeria é um desafio físico para os visitantes. Não tanto pelo tamanho, mas porque são mais de 1.500 obras de arte dispostas em 45 salas. Ou seja, o visitante tem que escolher as obras a serem observadas, para um tour que dura de três a quatro horas. A dica é descansar em um terraço existente no local, de onde se pode apreciar a beleza de Florença e um Duomo mais perto do que se imagina.  Outra dica para relaxar um pouco é curtir a vista do Arno a partir de um corredor envidraçado no segundo andar da galeria. Uma visão estupenda da Ponte Vecchio estimula a posterior apreciação das obras.

A partir da Uffizi, pode-se ter uma visão como esta do Arno e da Ponte Vecchio.

A entrada para o museu custa onze euros e pode ser conseguida antes, muito embora a fila não seja tão grande como as dos Museus Vaticanos - estou falando de épocas fora da alta temporada. Mas para se comprar o ingresso normal, sem antecedência, espere gastar pelo menos uma hora na fila, isso se chegar uma hora antes da abertura do espaço. Advertência: a reserva antecipada é obrigatória nos meses de julho e agosto, além de feriados tradicionais, como a Páscoa, através do site www.firenzemusei.it. Do contrário, espere pelo menos quatro horas na fila nestas datas tumultuadas por razões óbvias.

Voltando ao museu, destacaremos as obras principais, que valem uma maior atenção, localizadas no segundo andar.

A primeira delas está na sala 2. É a "Ognissanti Madonna" ou "Maestá", de Giotto.  Giotto é um pintor do século XIII, portanto pré-renascentista, e é o mesmo que fez os afrescos já citados aqui no blog da vida de São Francisco, na Basílica do mesmo nome da cidade de Assisi. A fantástica obra da Galeria retrata uma homenagem do artista à Nossa Senhora, incluindo elementos que destacam sua virgindade, sua maternidade e a realeza típica dela. Ao ver a obra pessoalmente, percebe-se ainda três dimensões e o realismo no rosto das figuras desenhadas.

A Maestá, de Giotto.

A Sala 8, embora tenha muitas pinturas de Filippino Lippi,  tem um obra magnífica de outro baluarte renascentista - Piero della Francesca. É o "Díptico da Duqueza e do Duque de Urbino".  Detalhe: as rostos do Duque e da Duquesa se fechavam como livro - é o que se convencionou chamar "díptico". Servia como  presente naquela época.  No outro lado da pintura, há as "carruagens do triunfo", uma bela pintura.


A Duquesa.



O Duque.
A mais espetacular sala da Uffizi é, sem sombra de dúvidas, a que contém 15 (quinze) obras de Sandro Botticelli, um dos maiores pintores do Renascimento (chamadas por lá de salas 10-14, embora se trate de um ambiente único). Destaque para três pinturas imperdíveis:  "A Adoração dos Reis Magos" e as duas obras-primas do mestre, "O Nascimento de Vênus" e "Primavera".


O "Nascimento de Vênus" é a obra mais notada e mais notável do grande mestre florentino. Retrata a deusa do amor e da beleza emergindo em uma concha.


A notável "Nascimento de Vênus", de Botticelli. 1484

A "Primavera" é, por sua vez, uma das obras de arte mais conhecidas no mundo ocidental. Representa uma série de figuras mitológicas (centauro, mercúrio, dentre outras) num jardim.


"Primavera", de Botticelli. 1482, restaurada em 1982.

A "Adoração dos Reis Magos" faz menção ao evento relatado no Evangelho de São Mateus (2:11), retratando a natividade. Uma obra belíssima.

"Adoração dos Reis Magos", de 1475.

Outra obra importante do mestre florentino está localizada na sala 9. È a "Descoberta do Corpo de Holofernes". É também um díptico, dos mais belos. Representa uma passagem biblíca, onde Holofernes, general assírio fiel a Nabucodonosor, foi enviado aos países contrários ao rei babilônico para vingar-se deles. Holofernes acabou assassinado por Judith e teve sua cabeça decapitada.


Uma parte da pintura em díptico "A Descoberta do Corpo de Holofernes"

Continuando a perigrinação pela famosa galeria, vale conferir uma sala dedicada a Leonardo da Vinci (sala 15), na qual se destaca a famosa "Anunciação". Não restam muitos quadros de Da Vinci em Florença, e esse, com a admirável paisagem toscana, merece uma conferida.


Paisagens típicas toscanas em uma das partes do "Anunciação", de Da Vinci.

O outro baluarte renascentista, Michelangelo, tem uma obra na sala 25 que merece atenção. É o "Doni Tondo", ou a "Sagrada Família com a criança São João Batista". De significado incerto, o trabalho parece ser inspirado em passagens biblícas famosas, como o nascimento e o batismo de Cristo. Escultor na essência, há braços musculosos e efeitos que parecem tridimensionais nesta obra.

Doni Tondo, de Michelangelo.

Por fim, vale trazer à baila, nesta relação de obras notáveis, o "Retrato do Papa Leão X", de Rafael,  localizado na sala 26 da Galeria. O curioso da obra é saber o que os três personagens estão pensando - parece que o Papa não está muito feliz não.



"Retrato de Leão X". Cara de poucos amigos do papa.

O museu conta ainda com obras do famoso italiano Caravaggio, a exemplo da "Medusa" e do "Adolescente Baco", ambas localizadas no primeiro andar, na sala Guido Reni. 

Uma última curiosidade em relação à Uffizi: é no prédio da galeria de obras de arte que se encontra a entrada para o misterioso Corredor Vasariano, passagem elevada que liga Palazzo Vecchio e a Uffizi  com o Palazzo Pitti, do outro lado do rio. Tal corredor, conforme já explicado em post anterior, foi feito por encomenda para Cosimo I (Médici) para que ele tivesse privacidade em seus deslocamentos pela cidade.

Enfim, há muito o que se ver na Galleria Uffizi, um dos melhores museus do mundo.

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