segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

DICAS DE VIAGEM - CERTIFICADO INTERNACIONAL DE VACINAÇÃO - FEBRE AMARELA (CIVP)

Um importante lembrete para quem for fazer viagem internacional é consultar a lista dos países que exigem o "Certificado Internacional de Vacinação ou Profilxaia" (CIVP) - Febre Amarela. Geralmente, as companhias aéreas já conferem aqui mesmo no Brasil se o viajante está de posse do referido documento.

A lista de países, constantemente atualizada, encontra-se no site da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo link é http://www.who.int/ith/chapters/ith2012en_annexes.pdf

Para que consiga o certificado, o viajante deve vacinar-se, até dez dias antes da data de início da viagem,  em um dos postos de saúde existentes no Brasil e depois proceder à emissão do documento (CIVP).


A vacina contra a febre amarela vale por dez anos. E, importante lembrar mais uma vez: a vacina deve ser tomada até dez dias antes da data de início da viagem.

Todas as informações estão no site: http://www.anvisa.gov.br/viajante/

Neste mesmo site, há ainda um interessante guia para o viajante, sobre saúde em geral: http://www.anvisa.gov.br/sispaf/pdf/Guia_de_Saude_do_viajante.pdf

sábado, 8 de dezembro de 2012

UFFIZI, GALERIA DA ARTE RENASCENTISTA

Uffizi. Escritório, em italiano. Localizado no coração do centro histórico de Florença (ou Firenze), a "Galleria degli Uffizi" é o principal museu de arte da Itália e um dos mais importantes do mundo.  Ali estão verdadeiras obras-primas renascentistas, que merecem uma conferida de todas as pessoas que vão à passeio pela maravilhosa cidade toscana.

A origem do nome é interessante. O edifício em forma de "u" (Palazzo degli Uffizi) foi designado, ainda sob o comando dos Médicis (mais especificamente Cosimo I), no século XVI, para ser a sede de importantes escritórios dos poderes Executivo e Judiciário locais. Após a morte do último dos Médicis, quase três séculos depois, o local passou a ser a sede da coleção inestimável de obras de arte da família, e virou museu. O ano era 1743. Nascia, neste momento, um dos mais importantes espaços para obras de arte do mundo - a "Galleria degli Uffizi".

Os belos corredores da Uffizi. Florença, Itália.

A galeria é um desafio físico para os visitantes. Não tanto pelo tamanho, mas porque são mais de 1.500 obras de arte dispostas em 45 salas. Ou seja, o visitante tem que escolher as obras a serem observadas, para um tour que dura de três a quatro horas. A dica é descansar em um terraço existente no local, de onde se pode apreciar a beleza de Florença e um Duomo mais perto do que se imagina.  Outra dica para relaxar um pouco é curtir a vista do Arno a partir de um corredor envidraçado no segundo andar da galeria. Uma visão estupenda da Ponte Vecchio estimula a posterior apreciação das obras.

A partir da Uffizi, pode-se ter uma visão como esta do Arno e da Ponte Vecchio.

A entrada para o museu custa onze euros e pode ser conseguida antes, muito embora a fila não seja tão grande como as dos Museus Vaticanos - estou falando de épocas fora da alta temporada. Mas para se comprar o ingresso normal, sem antecedência, espere gastar pelo menos uma hora na fila, isso se chegar uma hora antes da abertura do espaço. Advertência: a reserva antecipada é obrigatória nos meses de julho e agosto, além de feriados tradicionais, como a Páscoa, através do site www.firenzemusei.it. Do contrário, espere pelo menos quatro horas na fila nestas datas tumultuadas por razões óbvias.

Voltando ao museu, destacaremos as obras principais, que valem uma maior atenção, localizadas no segundo andar.

A primeira delas está na sala 2. É a "Ognissanti Madonna" ou "Maestá", de Giotto.  Giotto é um pintor do século XIII, portanto pré-renascentista, e é o mesmo que fez os afrescos já citados aqui no blog da vida de São Francisco, na Basílica do mesmo nome da cidade de Assisi. A fantástica obra da Galeria retrata uma homenagem do artista à Nossa Senhora, incluindo elementos que destacam sua virgindade, sua maternidade e a realeza típica dela. Ao ver a obra pessoalmente, percebe-se ainda três dimensões e o realismo no rosto das figuras desenhadas.

A Maestá, de Giotto.

A Sala 8, embora tenha muitas pinturas de Filippino Lippi,  tem um obra magnífica de outro baluarte renascentista - Piero della Francesca. É o "Díptico da Duqueza e do Duque de Urbino".  Detalhe: as rostos do Duque e da Duquesa se fechavam como livro - é o que se convencionou chamar "díptico". Servia como  presente naquela época.  No outro lado da pintura, há as "carruagens do triunfo", uma bela pintura.


A Duquesa.



O Duque.
A mais espetacular sala da Uffizi é, sem sombra de dúvidas, a que contém 15 (quinze) obras de Sandro Botticelli, um dos maiores pintores do Renascimento (chamadas por lá de salas 10-14, embora se trate de um ambiente único). Destaque para três pinturas imperdíveis:  "A Adoração dos Reis Magos" e as duas obras-primas do mestre, "O Nascimento de Vênus" e "Primavera".


O "Nascimento de Vênus" é a obra mais notada e mais notável do grande mestre florentino. Retrata a deusa do amor e da beleza emergindo em uma concha.


A notável "Nascimento de Vênus", de Botticelli. 1484

A "Primavera" é, por sua vez, uma das obras de arte mais conhecidas no mundo ocidental. Representa uma série de figuras mitológicas (centauro, mercúrio, dentre outras) num jardim.


"Primavera", de Botticelli. 1482, restaurada em 1982.

A "Adoração dos Reis Magos" faz menção ao evento relatado no Evangelho de São Mateus (2:11), retratando a natividade. Uma obra belíssima.

"Adoração dos Reis Magos", de 1475.

Outra obra importante do mestre florentino está localizada na sala 9. È a "Descoberta do Corpo de Holofernes". É também um díptico, dos mais belos. Representa uma passagem biblíca, onde Holofernes, general assírio fiel a Nabucodonosor, foi enviado aos países contrários ao rei babilônico para vingar-se deles. Holofernes acabou assassinado por Judith e teve sua cabeça decapitada.


Uma parte da pintura em díptico "A Descoberta do Corpo de Holofernes"

Continuando a perigrinação pela famosa galeria, vale conferir uma sala dedicada a Leonardo da Vinci (sala 15), na qual se destaca a famosa "Anunciação". Não restam muitos quadros de Da Vinci em Florença, e esse, com a admirável paisagem toscana, merece uma conferida.


Paisagens típicas toscanas em uma das partes do "Anunciação", de Da Vinci.

O outro baluarte renascentista, Michelangelo, tem uma obra na sala 25 que merece atenção. É o "Doni Tondo", ou a "Sagrada Família com a criança São João Batista". De significado incerto, o trabalho parece ser inspirado em passagens biblícas famosas, como o nascimento e o batismo de Cristo. Escultor na essência, há braços musculosos e efeitos que parecem tridimensionais nesta obra.

Doni Tondo, de Michelangelo.

Por fim, vale trazer à baila, nesta relação de obras notáveis, o "Retrato do Papa Leão X", de Rafael,  localizado na sala 26 da Galeria. O curioso da obra é saber o que os três personagens estão pensando - parece que o Papa não está muito feliz não.


"Retrato de Leão X". Cara de poucos amigos do papa.

O museu conta ainda com obras do famoso italiano Caravaggio, a exemplo da "Medusa" e do "Adolescente Baco", ambas localizadas no primeiro andar, na sala Guido Reni. 

Uma última curiosidade em relação à Uffizi: é no prédio da galeria de obras de arte que se encontra a entrada para o misterioso Corredor Vasariano, passagem elevada que liga Palazzo Vecchio e a Uffizi  com o Palazzo Pitti, do outro lado do rio. Tal corredor, conforme já explicado em post anterior, foi feito por encomenda para Cosimo I (Médici) para que ele tivesse privacidade em seus deslocamentos pela cidade.

Enfim, há muito o que se ver na Galleria Uffizi, um dos melhores museus do mundo.

domingo, 25 de novembro de 2012

FLORENÇA, PODER E GLÓRIA RENASCENTISTA!

O mundo possui muitas cidades que são verdadeiros ícones, sejam históricos, financeiros ou mesmo culturais. Florença, ou Firenze para os italianos,  é uma destas cidades ícones, notadamente na vertente das urbes históricas: ali foi o berço de um movimento que transformou para sempre a história das artes e da cultura e delineou o que seria o caminho do homem moderno. Tal movimento foi aclamado pela história como o "Renascimento".


Perspectiva de Firenze a partir da Piazzale Michelangelo. 
O "domo" da "Duomo de Firenze" em destaque.
O Renascimento, ou "Renascença", vale abrir um parênteses, foi um movimento cultural, ocorrido entre os séculos XIV e XVI na Europa, que definitivamente mudou a história da humanidade, deixando basicamente três legados: o humanismo, ou seja, a noção da individualidade humana, atrelada à liberdade e à dignidade; o ideal de cidadania (que é um conceito fundamental para o desenvolvimento do capitalismo), decorrente da autonomia da cidade florentina, governada por artesãos e comerciantes, não por um senhor feudal; e, finalmente, o grande volume de tesouros artísticos, desenvolvidos por artistas do porte de Michelângelo, Da Vinci,  Raphael, Botticelli, Donatello, Brunelleschi, Ghiberti, Giotto, Uccelo, Fra Angelico, Masaccio e Fillipo Lippi. Além destes, interessante lembrar, como filho ilustre da terra florentina, o poeta Dante Alighieri, famoso por sua obra literária chamada "A Divina Comédia".

Vale destacar que o Renascimento foi forjado e financiado a partir do apogeu do sistema republicano de governo de Florença, cuja base econômica era a fabricação de lã.

Em 1982, o centro histórico de Florença, merecidamente, ganhou o título de "Patrimônio Mundial da Humanidade", dado pela UNESCO.

A história de Florença, como de praticamente todas as cidades toscanas, começa antes do nascimento de Cristo, com os etruscos, que se estabeleceram inicialmente em Fiesole, uma pequena e bucólica cidade no alto de uma colina, a cerca de 8 quilômetros da urbe símbolo do renascimento.

Após o domínio etrusco, iniciou-se o romano, sob o comando de Júlio César, que ali fundou "Florentia", anos antes do nascimento de Cristo. A seguir, vários eventos hístóricos ocorreram no berço do movimento renascentista: a era de invasões bárbaras na cidade;  a transformação de Florença em capital da Toscana, no ano 1.000, por Ugo da Toscana; o poderio marcante na era medieval;  a grande peste que dizimou grande parte da população florentina, em 1348; as lutas políticas ocorridas entre Guelfis (partidários do Papa) e  Ghibelinis ( a favor do sacro império romano) e, finalmente, o poder dos Médicis. Os Médicis, aliás, são responsáveis por algumas das grandes obras da cidade que coincidem com o florescer do renascimento cultural.

A maior atração turistica de Florença é mesmo a sua belíssima Catedral, ou Duomo de Firenze, também chamada de Santa Maria Del Fiore. Aliás, a Catedral de Firenze é uma das três maiores atrações turísticas da Itália, juntamente com o Coliseu de Roma e aTorre de Pisa. Não sem razão. Trata-se de uma das maiores obras artísticas da história da humanidade.

Vale destacar uma diferença que, às vezes, passa desapercebida da maioria das pessoas, mas é muito curiosa. Duomo (italiano) e Domo (português). Embora parecidas, são palavras totalmente diversas. "Duomo", vem de "casa do senhor", e passou a ser o designativo de catedral, na língua italiana. Assim temos, Duomo de Firenze (a Catedral de Firenze, a principal igreja), Duomo de Pisa, Duomo de Siena ou mesmo Duomo de San Gimignano. Já "domo" designa a cúpula da igreja . Assim, temos o "domo" da Catedral de Firenze (o domo da Duomo), aquela enorme estrutura feita por Brunelleschi, o "domo" da Basílica de San Pietro, no Vaticano, de onde se e possível ver toda a cidade eterna e os belos jardins do  Papa. Assim, em arremate, a "Duomo de Firenze" possui um domo.

Feita esta interessante distinção, vale destacar que o conjunto Catedral - Batistério - Campanário de Florença é um dos mais belos tesouros artísticos do mundo.

Ali, forjou-se uma das maiores rivalidades do Renascimento, mas que também mudou a história da arte - Brunelleschi versus Ghiberti. Dica de livro precioso para entender o tema: "A Disputa que Mudou a Renascença - Como Brunelleschi e Ghiberti Marcaram a História da Arte", de Paul Robert Walker. Este livro conta, em detalhes, todo o processo, complicado, da rivalidade, às vezes desonesta, entre os dois artistas, que acabou empatada- enquanto Ghiberti foi responsável pelos portões do Batistério, Brunelleschi construiu, anos depois, a famosa cúpula da Catedral, que mereceu elogios até mesmo de Michelangelo.

A Catedral de Firenze, um pouco do Batistério e o famoso domo ao fundo.
O destaque da Catedral fica mesmo por conta do "domo" (cúpula) de Brunelleschi, finalizado em 1463, com 107 metros de altura. Brunelleschi é um artista de extrema importância na história das artes. Após a derrota para Ghiberti na disputa pela realização dos portões do Batistério, tornou-se arquiteto, viajou a Roma com seu amigo Donatello e, após isso, revolucionou a arte ao construir o seu domo em firenze. Estudiosos de arquitetura ressaltam o seu pioneirismo na construção de dupla camada e na introdução de uma técnica de perspectiva linear nos projetos arquitetônicos.

A cúpula  (domo) da Catedral de Firenze. Uma das mais marcantes obras renascentistas.

No interior da Catedral, destaque para o afresco do domo, obra de Vasari e Zuccaro; e do quadro "Dante e seu Poema", com uma bela retratação do humanismo.

Por sua vez, o espetacular "Batistério de São João", junto à Catedral, merece algumas palavras elogiosas. Ali temos, por exemplo, as fabulosas portas de bronze (Norte e Leste) desenhadas e esculpidas por Lorenzo Ghiberti -um primor renascentista. Michelangelo chamou a obra-prima - o portão leste -de "Portão do Paraíso". Não sem razão. Ali estão retratadas várias passagens do Velho Testamento, de uma maneira primorosa.

O  "Portão do Paraíso" é de uma beleza inigualável.

Outra igreja bastante apreciada em Florença é mesmo a Santa Croce.  A enorme praça em frente já foi palco de muitas coisas: reunião de fiéis que não cabiam na igreja, queima de hereges ou corrida de cavalos. Hoje, é palco, toda terceira semana do mês de junho, do "calcio storico", uma mistura de rugby e futebol, em que só não valem chutes na cabeça e golpes baixos.


A Santa Croce. Nesta praça, eram comuns as corridas de cavalo durante a era medieval.

A igreja de "Santa Maria Novella", próxima à estação ferroviária central da cidade, é outra atração imperdível. Destaque para a bela nave no seu interior, em que os pilares criam uma perspectiva de igreja muito longa. Bastante interessante a observação. Outro lugar lindo é a "Cappella Strozzi", cujos afrescos de Cione e Orcagna foram inspirados no livro "A Divina Comédia", de Dante. Há ainda um mosteiro, o "Chiostro Verde", muito bonito.

Santa Maria Novella. Um primor em uma praça muito bonita.

Dentre as praças de Florença, destacam-se duas: uma, pelo valor histórico, a "Piazza della Signoria"; a outra, pela beleza da visão de todo o centro histórico proporcionada aos visitantes - a "Piazzale Michelangelo".

A "Piazza della Signoria" é onde está localizado o "Palazzo Vecchio", antiga sede de governo da república florentina. Alias, a palavra "signoria" é designativa de comando executivo que, na cidade de Florença na era medieval, era composto por nove homens.

Piazza Della Signoria. O coração político de Florença.

O imponente "Palazzo Vecchio" destaca-se na paisagem da  "Piazza Della Signoria".

Já a "Piazzale Michelangelo" oferece a visão mais magnífica de Florença, notadamente quando o sol se põe. Para se chegar até lá, caso o viajante não esteja preparado fisicamente, recomenda-se o uso de transporte - taxi, ônibus urbano ou mesmo o "sightseeing Firenze", que tem parada por lá. Aproveitando a parada na "Piazzale", vale andar alguns metros até chegar a igreja românica "San Miniato al Monte", uma das mais bonitas de Florença.

Saindo das praças em direção às pontes, cumpre mencionar que a imagem mais famosa mundialmente de Firenze é a "Ponte Vecchio", a única não destruída na Segunda Grande Guerra Mundial. Pitoresca, formada por um conjunto de joalherias, liga o interessante bairro de artistas e cantinas chamado Oltrarno ao centro histórico.

Ponte Vecchio. A imagem mais difundida de Florença no mundo, juntamente com o Duomo.

Vale abrir um espaço para discorrer um pouco sobre o misterioso "Corredor Vasariano". Projetado por Giorgio Vasari, foi feito por encomenda de Cosimo Médici, ligando o Palazzo Vecchio, de um lado, ao Palazzo Pitti, de outro, tendo cerca de 1 km. Servia para que os Médicis pudessem se deslocar de maneira discreta entre os dois palácios. Algumas agências florentinas oferecem este passeio, bastante restrito.

Destacam-se em Florença três museus: a fabulosa "Galleria degli Uffizi", a "Galleria dell´Accademia" e o importante "Bargello".

De longe, destaca-se Uffizi ("escritório", em italiano), o principal museu de arte da Itália e um dos principais do mundo. A "sala de Botticelli" (salas 10-14, mas em um único ambiente) é, sem dúvida, a mais espetacular, com obras-primas como "O Nascimento de Vênus" e "Primavera". O museu é imenso, e a visita pode se tornar cansativa. Para evitar o cansaço físico (não mental, diga-se),  a dica é curtir uma visão do Arno e da Ponte Vecchio no andar principal da exposição. Uma visão simplesmente encantadora! Ah, e Michelangelo está ali representado em uma obra marcante da carreira dele, denominada "Doni Tondo", que é uma representação da Sagrada Família com o pequeno São João Batista.

A Galeria da Academia ("Galleria dell`Accademia), em San Marco, por sua vez, tem boas atrações, mas o maior destaque fica mesmo por conta de seu morador mais ilustre, nada mais nada menos que Davi,  a principal obra de arte de Michelângelo e a escultura mais famosa de todos os tempos. E merece realmente a fama. E nada melhor do que vê-la pessoalmente, para se ter uma dimensão desta obra de mais de cinco metros de altura (5,16m) e de 19 toneladas de peso. As fotos não dão a exata medida da perfeição dos detalhes da escultura, que incluem itens como músculos nas pernas, veias, etc. A famosa estátua ficou na "Piazza Della Signoria" entre 1504 e 1873, quando foi levada para a Accademia, em uma viagem que demorou sete dias.


Davi, de Michelangelo. A escultura mais famosa do mundo. Na Accademia.


O rosto de Davi. De um lado de visão (esquerdo), está sereno. Do outro (direito), enérgico.

A Galeria da Academia conta ainda com outras obras menos importantes, e menos impressionantes, de Michelangelo, como "São Mateus" e esculturas de escravos.

Já o Bargello é o segundo museu mais importante da cidade. O segundo, porque a Accademia, embora possua Davi, não tem uma soberba coleção de artes como este museu. Destaque para as esculturas Baco, de Michelângelo, e Davi, de Donatello.

Para quem quer conhecer mais a história da família Médici, a dica é esticar até San Lorenzo, o território dos Médicis por excelência em Florença.  Destaque, além da igreja (cuja fachada, que seria obra de Michelangelo, nunca foi acabada), para a famosa "Escadaria da Biblioteca", de Michelangelo e para a "Cappelle Medicee", que possui duas atrações principais: a "Capela dos Princípes" e a "Nova Sacristia", esta com obras de Michelangelo.

San Lorenzo. A fachada, inacabada. Obra não realizada de Michelangelo.


Na mesma região de San Lorenzo, a dica é conhecer o "Mercato Centrale" que vende as famosas trufas toscanas, além de outros itens interessantes, como o queijo "parmigiano reggiano". Um mercado muito bonito e limpo, que vale a visita.

O Mercato Centrale vende o famoso "Parmigiano Reggiano".

Florença também se destaca na culinária - a "bisteca alla fiorentina", uma carne mal passada, é o prato principal da gastronomia florentina.

A imperdível "bisteca alla fiorentina".  

Não poderia também deixar de destacar as famosas "gelaterias", o que prova que sorvete é mesmo com os italianos. Simplesmente maravilhosos! Particularmente, achei bastante gostosos os sorvetes da Grom, na Via Del Campanille, próxima ao Duomo. Os "sorveteiros" têm o cuidado de fabricarem sorvetes de acordo com a estação, justamente com os sabores de cada uma das estações. Muito interessante.

Enfim, Florença é uma cidade de múltiplas atrações, o que demanda do viajante pelo menos cinco dias inteiros para se conhecer bem e respirar esta atmosfera única, em um ambiente incrível de história e cultura.

sábado, 10 de novembro de 2012

SOB O CÉU DE CORTONA!

A Toscana é, realmente, uma região "abençoada por Deus". Além de todas as belezas naturais, temos cidades de origens etrusco-romanas, todas com apogeu na era medieval, que são verdadeiras "obras de arte" a céu aberto, dada toda a história e atmosfera do local. Este é o caso de Cortona.


A exuberante cidade de Cortona, na Toscana. As "vias" medievais são belas atrações.

Cortona, aliás, ficou mundialmente famosa a partir do lançamento, em 2003, do filme "Sob o Sol da Toscana" ("Under the Tuscan Sun"). Baseado no livro homônimo de Frances Mayes, a película conta a história de uma mulher divorciada e insatisfeita com os rumos de sua vida que, em uma viagem à Toscana, conhece a cidade medieval e resolve por lá ficar. A partir desta premissa, envolve-se com a comunidade local em uma série de situações, às vezes dramáticas, às vezes cômicas. O interessante do filme é justamente o tratamento fotográfico dado à região, sendo possível visualizar e ter-se uma idéia do que efetivamente Cortona é. Embora tenha muito de ficção, a retromencionada escritora realmente tem uma casa por lá.

Vale dizer que o filme inspirou o deflagrar de um festival cultural que hoje é conhecido em toda a Europa: o "Tuscan Sun Festival", realizado desde 2003 (final de julho e início de agosto) , ano de lançamento do filme.  Outro festival curioso da cidade é o "Archidado", de arco e flecha, que ocorre desde o ano de 1327, na última semana de maio. O "Archidado" foi realizado, primeiramente, para homenagear o casamento de um lorde de Cortona naquele ano e a tradição se manteve por séculos.

Saindo um pouco da "sétima arte" e dos desdobramentos da notoriedade proporcionada por Frances Mayes à cidade, vale destacar uma breve história deste local apaixonante.

Cortona é a urbe que simboliza mais fortemente a dominação etrusca na Toscana. Ainda há muros etruscos por lá, conforme se vê na foto abaixo ("mura etrusche" e "porta bifora etrusca").


Muro Etrusco de Cortona. Mais de 2.000 anos de hístória.

Vamos abrir um parênteses para falar um pouco sobre os etruscos.

Considerados povos de origem desconhecida, os etruscos invadiram a pensínsula itálica, juntamente com cartagineses e gregos, entre os séculos X e VII a.C. A partir das invasões etruscas, o domínio do uso e da escrita foram transmitidos para os habitantes anteriores da península. Era um povo com grande habilidade no trabalho com ferro e cobre, e tinha na agricultura e no comércio maritimo (notadamente com os fenícios, gregos e cartagineses), a base do seu sustento. A região por eles dominada, e que corresponde em grande parte à atual Toscana, era denominada "Etrúria".

Vale destacar ainda, no campo histórico, que, na Idade Média, Cortona exerceu um papel significativo no que tange ao poderio militar, resistindo bravamente à incursões de cidades fortes, a exemplo de Siena e Arezzo (esta a  mais próxima). Antes disso, em 300 a.C, já era considerada uma das mais poderosas "cidades-estado" etruscas. No século XV, foi dominada por Florença e governada pelos Médicis.

A cidade hoje conserva ares medievais e é um convite para o descanso. Várias atrações se destacam neste panorama que, mais do que desesperadamente conhecer locais, deve-se passear sem rumo.

A praça principal da cidade é mesmo a "Piazza della Republica", onde aparece, em destaque, a Prefeitura da cidade, ou em bom italiano, o "Palazzo del Comune".


O medieval "Palazzo del Comune" na "Piazza della Republica" em Cortona.

Outra atração bastante conhecida da cidade é a sua "Catedral". Construída no século XIV, tem no seu interior a pintura "Natividade", de Pietro Berrettini, ou como é mais conhecido, Pietro de Cortona.


A Catedral de Cortona, em estilo gótico.

O "Museu Diocesano" é uma das maiores atrações da cidade do alto da colina. A título de curiosidade, Cortona é a terra natal de dois consagrados pintores: Luca Signorelli e Pietro de Cortona. Ali também viveu outro expoente renascentista: Fra Angelico. Todos os três tem obras no "Museu Diocesano" - destaque máximo para "A Anunciação", de Fra Angelico. Uma pintura esplêndida!

Por fim, vale destacar os museus ligados à fase etrusca da cidade. Temos em Cortona dois que merecem a visita: o "Museo dell´Academia Etrusca" e o "Museo Nazionale Etrusco".  O mais interessante é o da Academia Etrusca, mas para se fazer uma visita guiada (importante para entender a história etrusca e os detalhes das escavações) é necessário reservar antes.

Além da Catedral, várias outras igrejas se destacam: a de "São Francisco", onde está enterrado Luca Signorelli; a de "Santa Margherita", a mais bonita no exterior e interior também - mas é preciso ser um atleta para conseguir subir até lá; e a "Nova Igreja de Santa Maria" ("Madonna del Calcinaio"), uma pérola renascentista não exatamente dentro do centro histórico (nos arredores) e com um belíssimo domo barroco.

Assim, a Cortona de .Luca Signorelli e Pietro de Cortona, imortalizada nos tempos atuais por Frances Mayes, revela-se uma linda cidade, imprescindível em qualquer roteiro que inclua a Toscana.

domingo, 4 de novembro de 2012

SIENA, TERRA DO PALIO!

A terra do "Palio", o maior festival de origem medieval da Itália; da estupenda "Catedral Gótica", a mais bela da Toscana e talvez de todo o país; do "Campo", a maior e mais imponente praça do país. E mais, a poderosa cidade medieval que desafiou a força da renascentista Florença. Eis Siena, uma cidade com um dos mais belos centros históricos medievais de toda a Itália.

A bela "Piazza Del Campo" é um lugar especial para turistas e moradores.

A história de Siena começa, como a maioria das cidades da Toscana, com os etruscos. Afinal, como dissemos anteriormente, os etruscos dominaram toda aquela região no período anterior a Cristo.

 Mas foram os romanos, ainda no século I a.C, que fundaram a cidade, chamando-a de "Sena Julia". A urbe ainda tem, como Roma, uma origem lendária, sendo atribuida ao filho de Remo a fundação da cidade.

O apogeu de Siena na Idade Média corresponde à vitória na "Batalha de Montaperti"  (1260), onde, na oportunidade, os ghibellini de Siena derrotaram os guelfi de Florença. Na mesma época, sob o "Governo dos Nove" (era comum o executivo ser constituído por nove pessoas, durante a era medieval), a cidade ganhou seus principais monumentos arquitetônicos.

Rival histórica de Florença durante a Idade Média (após a vitória de Montaperti, em 1260, chegou a ser derrotada séculos depois e governada pelos Médicis), a cidade de atuais sessenta mil habitantes ainda disputa com a cidade berço do Renascimento o título de maior atração da Toscana. Difícil dizer, cada uma delas tem sua vocação: a de Florença, o respiro do arte renascentista; a de Siena, a maravilha de ser gótica. Não tem escolha. A opção mais sensata é curtir ambas!

Não acredito que Siena seja superior à Florença em matéria de atrações. Mas acredito firmemente que a cidade merece mais que um passeio bate-e-volta, dadas as atrações e belezas de arquitetura gótica existentes no local. Dois dias inteiros na capital gótica da Toscana seriam ideais!

Vamos às atrações principais desta incrível urbe.

A "Piazza del Campo", ou "Il Campo" para os sienenses, é o lugar mais fotografado da cidade e mais conhecido mundo afora.

"Il Campo", uma das praças mais lindas da Itália. Pallazo Pubblico e Torre de Mangia.

Ali, destacam-se o "Pallazo Pubblico", a "Torre de Mangia" e o melhor museu da cidade, o "Museo Civico", dentro do "Pallazo Pubblico".

A "Piazzo del Campo" é o centro cívico e social da urbe desde o "Governo dos Nove", ainda na Idade Média.

O "Pallazo Publico" é uma maravilha gótica e é a principal atração da "Il Campo".  A sua principal atração, em seu interior, é mesmo o "Museo Civico". O museu abriga obras com cenas históricas, o que é bem interessante.  Destaque, neste museu,  para a "Sala del Mappamondo" (afrescos belíssimos de Simone Martini, sendo as obras "Maestá" e "Guidoriccio da Fogliano" as mais belas); e a "Capela", belíssima e ricamente decorada.

A "Torre de Mangia", com 102 metros de altura e 500 degraus, permite uma visão diferenciada da cidade. No entanto, é preciso paciência, tanto para subir os degraus, como para esperar a fila, já que são permitidos apenas 30 pessoas por vez na subida. O ingresso custa 8 euros.

Outro destaque bastante importante da cidade  é justamente a sua  Catedral Gótica, o "Duomo de Siena". A riqueza de detalhes impera, tanto exteriormente, quanto interiormente. É, indiscutivelmente, uma das mais belas igrejas não só da Itália, como de todo o mundo.



A linda catedral gótica. O "Duomo de Siena".
Destaque para a fachada, lindíssima e com detalhes góticos que impressionam.

No interior, vale visualizar os impressionantes pisos, dos mais bonitos dentre todas as igrejas do mundo; o "Púlpito", de Nicola Pisano, o "Altar-Mor" e o "Coral", todos impressionantes.

Junto à catedral há ainda o "Battistero di San Giovanni", onde há obras de Ghiberti e Donatello, e a "Cripta".

Mas o que faz de Siena uma cidade diferenciada é mesmo a expectativa gerada, o ano todo, pelo "Palio di Siena", o mais fabuloso festival italiano.

O "Palio di Siena" é uma festa típica da urbe, cujo ápice é uma corrida de cavalos, que ocorre na "Piazza Del Campo", ou "Campo" para os sienenses, todo dia 02 de julho, com repeteco no dia 16 de agosto, às 19 horas. São dezessete "contrades', representando bairros da cidade, dos quais dez são sorteados para o primeiro embate, em Julho. Em agosto, no segundo e mais importante embate, os sete que não foram sorteados participam automaticamente, sendo que os outros três participantes saem do sorteio entre os dez que disputaram em julho.


O Palio de Siena. Bandeiras das contrades e corrida de cavalos. Em foto de cartão-postal da cidade.

A origem do Palio é superinteressante. Os distritos sienenses, chamados "contrades", são o resultado do declínio do governo central, ainda na Idade Média. Ganharam força, e deu-se o início ao festival. O principal dos eventos, o de agosto, iniciou-se, no século XIII,  como uma homenagem à Virgem Maria e, também, como comemoração da vitória sobre Florença na batalha de Montaperti.  O festival de julho, por sua vez, só foi aprovado em 1656, e é uma homenagem à figura religiosa de Nossa Senhora, mais especificamente à "Madona di Provenzano".

Interessante observar que, no século XIII, os contrades eram em torno de 80. Desses, hoje apenas 17 lutam pela hegemonia da cidade.

Os dezessete distritos são divididos em três "terzos" (espécies de regiões da cidade): cittá (Aquila, Chiocciola, Capitana Dell´Onda, Pantera, Selva, Tartuca); San Martino ( Civetta- coruja, Leocorno, Nicchio, Valdimontone, Torre) e Camolia (Bruco, Drago, Giraffe, Istrice, Luppa e Oca). Curiosamente, muitos dos distritos são representados por animais - coruja, pantera, tartaruga, dentre outros.

O ponto alto é mesmo a corrida de cavalos, que demora menos de dois minutos. Também o tremular das bandeiras, feita por representantes de cada contrade, e os tambores constituem um grande espetáculo.

Vale destacar que existem outros "palios" por toda a Itália; no entanto, o mais famoso mundialmente é mesmo o de Siena.

É praticamente impossível assistir à festa, já que a multidão toma conta da "Piazza". Mas é possível fazer reservas com hotéis para assistir de uma posição mais confortável, já que, no meio da multidão, o turista teria que chegar bem cedo e esperar muitas horas.

Uma última dica preciosa para curtir Siena são justamente os "passes combinados". Um dos principais é o "OPA SI Pass", que, por 10 euros, dá direito á entrada no Duomo, Museu Dell´Opera, Batistério, Cripta e Oratorio de San Bernadino (atração anexa à outra igreja, a de "San Francesco).  E há, ainda, no rol dos passes principais, o "SIA Summer" (15 de março a 31 de outubro) e o "SIA Winter" (1º novembro a 14 de março), que é válido por sete dias e dá direito a inúmeras atrações. Para o Museo Civico e a Torre, há também um compensador passe combinado.

Siena, terra do Palio e da arquitetura gótica. Uma cidade imperdível na Toscana!

domingo, 28 de outubro de 2012

PISA, INCLINAÇÃO PARA ENCANTAR!

Quando se fala em Pisa, logo se pensa na sua famosa "Torre Inclinada" (ou como preferem os italianos, "Torre Pendente di Pisa"). E, de fato, é uma das maiores atrações turísticas não só da Itália, mas também de todo o mundo.  E, diga-se mais: faz jus à fama, dada a sua rara beleza arquitetônica. Ainda mais agora, que está toda livre, limpa e sem qualquer tipo de obra de restauração ou limpeza. Um autêntico deleite para os fotógrafos!

Mas Pisa é muito mais que isso. A partir da Estação Central, e até chegar à famosa "Piazza Dei Miracoli", onde estão os três ícones da cidade, a saber, a Torre, a Catedral e o Batistério, observa-se uma Pisa que os turistas não veem: a Pisa limpa, linda, organizada e com um centro histórico,  às margens do Arno, belo e superpreservado! Destaque ali no centro histórico para a bela "Chiesa Santa Maria Della Spina".

Piazza Dei Miracoli, em Pisa. Batistério, Catedral e Torre (campanário), em sequência.
Historicamente, a cidade teve seu apogeu comercial justamente na Idade Média, quando sua poderosa armada dominou o Mediterrâneo Ocidental. Perdeu força, primeiro com a derrota para Gênova,  depois com o domínio florentino.

Pisa é também um importante centro científico. Não sem razão. Ali nasceu Galileo Galilei, o "Pai da Ciência Moderna", o "Pai da Astronomia", dentre outros títulos a ele concedidos. Galileo defendeu a tese do heliocentrismo (o sol como centro do universo), em uma época que predominava o entendimento de que os astros giravam ao redor da Terra (geocentrismo, estudado inicialmente por Aristóteles). Foi perseguido pela Santa Inquisição e, séculos depois, perdoado pelo Papa João Paulo II. Hoje, a discussão encontra-se superada, já que muitas descobertas advieram séculos depois: o sol é apenas mais uma estrela, o universo tem muitas galáxias, etc.

A Universidade de Pisa (1343), escolhida em 2011 a melhor universidade italiana,  é uma das mais tradicionais daquele país, daí é fácil observar a quantidade de jovens que existe na cidade. Uma cidade jovem, com espírito jovem. Eis Pisa hoje, na sua essência.

Depois de uma caminhada contemplativa por esta bela e pouco explorada cidade, chega-se à "Piazza Dei Miracoli" (ou "Campo Dei Miracoli"), patrimônio mundial da UNESCO. Se para Drummond havia uma pedra no meio do caminho, para a Toscana há a "Piazza Dei Miracoli" no meio do caminho entre Florença e Lucca. E que, sem dúvida, vale a pena conhecer, passando ali de duas a três horas do dia do bate-e-volta famoso, chamado aqui de "Florença - Pisa - Lucca".

Conforme ressaltado alhures, a "Piazza" é um conjunto arquitetônico formado pela Catedral de Pisa (Duomo), pelo Batistério e pela famosa Torre Inclinada (ou Torre Pendente, o campanário). Curiosidade: não só a Torre é inclinada. Os outros dois monumentos também são! A inclinação em Pisa parece ser mesmo uma marca da cidade! Além dos três monumentos do Campo, ainda são inclinadas, na cidade, as igrejas "San Nicola" e "San Michele Degli Scalzi".

A soberba Catedral de Pisa (Duomo di Pisa) é um exemplar característico de arquitetura que se convencionou chamar estilo "Românico de Pisa". Estilo bem peculiar, que aparece na maioria dos "Duomos" da região Toscana. Nota-se a similitude entre eles por conta justamente deste estilo. Além do exterior magnífico, destaca-se, sem dúvida, a Capela-Mor, onde há um mosaico de "Cristo Pantocrator". Pantocrator que, em grego, significa "todo poderoso", e é uma palavra citada algumas vezes no Novo Testamento.

Outro destaque da famosa Catedral, que vale a pena admirar, é o conjunto de três pares de portas de bronze na entrada principal (lado oeste), que evocam passagens bíblicas famosas, como o nascimento de Cristo, a crucificação, etc. Até as crianças podem brincar por ali - o barato é achar o rinoceronte! 


A belíssima Catedral de Pisa ("Duomo di Pisa") com a Torre Pendente de Pisa ao fundo.

O Batistério de Pisa, por sua vez, também impressiona por fora, embora por dentro possa parecer simples demais. Batistério é, para os cristãos, lugar destinado aos batismos, um dos sacramentos da Igreja Católica. Destaque para o púlpito hexagonal de mármore e o belo piso islâmico, daí a importância da visita. Alguns turistas ainda aproveitam para ouvir um famoso "eco" existente no local. 


Interior do Batistério de Pisa. Em frente ao púlpito hexagonal.

Para se entrar na Catedral e no Batistério, interessante comprar um ingresso combinado para as duas atrações. Compensa mais, sem dúvida.

Mas a maior atração é mesmo a Torre Inclinada. É por causa dela que milhões de turistas visitam à cidade todos os anos, buscando um ângulo perfeito para tirar um foto brincando com a inclinação característica, seja colocando a mão nela, seja empurrando-a. O fato é que a Torre é um marco da Itália e as poses em frente dela multiplicam-se dia após dia.

A Torre Inclinada de Pisa.

A inclinação do campanário (que é o local onde os sinos badalam) deve-se à mistura de areia e argila existente no local, com 40 (quarenta) metros de profundidade. Várias vezes profissionais tentaram conter a inclinação, chegando até mesmo a fechá-la ao público, mas o fato é que a Torre permanece ali, impávida, bela e exuberante. Um colírio para os olhos. 15 euros são gastos para a visita e subida de 30 (trinta) minutos pela Torre. Reservas são interessantes, e às vezes necessárias (dependendo da época do ano), principalmente pelo site www.opapisa.it.

O "Campo Dei Miracoli" conta ainda com um cemitério ("Camposanto") e um museu interessante ("Museu Dell´Opera Del Duomo").

Ah, entre Florença e Pisa encontra-se San Miniato, cidade cuja fama advém da famosa "caça às trufas (ou tartuffi, em bom italiano)", mas isso é assunto para outro post.

Enfim,  Pisa tem vocação para encantar todos os visitantes!

domingo, 21 de outubro de 2012

SAN GIMIGNANO, A MANHATTAN MEDIEVAL

San Gimignano, na Toscana, é, indiscutivelmente, uma das cidades mais sublimes da encantadora região italiana.

A pequena urbe, conhecida também como a "Manhattan Medieval",  tem como característica marcante as suas torres (daí a alusão à cidade norte-americana), construídas por famílias abastadas que objetivavam demonstrar o seu poderio. Quanto mais alta fosse a torre, maior a fortuna da família. Das 72 (setenta e duas) torres originais, apenas 14 (catorze) permanecem ainda nos dias de hoje. Curiosamente, muitas torres foram rebaixadas, uma vez que várias famílias experimentaram, com o passar dos anos, decréscimo em sua fortuna.


Aspecto da  cidade de San Gimignano, com uma de suas catorze torres em destaque.

Historicamente, o mesmo local onde hoje a cidade está situada foi sede de uma vila etrusca, ainda no século III a. C.  Os etruscos estão para a Toscana como os gauleses para a França: literalmente dominavam a região naquelas épocas antigas e foram os primeiros a subir aquela colina.

Mas o século X d. C, portanto durante a Idade Média, é que marca o efetivo nascimento do que é hoje  San Gimignano. O nome, no entanto, tem origem ainda no século VI,  quando o bispo de Modena "San Geminiano" (Gimignano é uma vulgarização do nome surgida tempos depois) defendeu a cidade da invasão das hordas de Atila, rei dos Hunos.

Ainda no século 12, mais precisamente em 1139, San Gimignano liberou-se do domínio protoganizado pelo Bispo de Volterra, tornando-se uma vila independente. Sofreu intensas perdas humanas durante a Peste de 1348 (que afetou toda a Toscana) e foi submetida ao domínio de Florença em 1353. Após o domínio florentino, que perdurou por mais alguns séculos, a cidade experimentou um período de extrema crise, até que, no século XX voltasse a florescer como um patrimônio mundial reconhecido pela UNESCO , notadamente pela  preservação de seus prédios e pela valorização de suas maravilhosas obras de arte.

Para se chegar à "Big Apple" medieval, pode-se usar a combinação trem mais ônibus (a estação de trem "Poggibonsi" é a mais próxima), carro (que deve ser estacionado próximo à Porta San Giovanni) ou mesmo comprar excursões provenientes de Florença, que combinam várias cidades num mesmo dia. Vale ressaltar a importância de se ter, pelo menos, de 3 (três) a 4 (quatro horas) de visitação na urbe medieval, para que se possa experimentar um "gelato" incrível, visitar a Collegiata em detalhes e curtir as diversas praças, museus e igrejas interessantes.

A cidade é todo homogênea, linear em termos de arquitetura. Limpa, logo na entrada a Porta "San Giovanni" dá as boas-vindas à cidade das torres. A partir de então,  observa-se um sem número de lojas de souvenires e roupas. O comércio é intenso. Extremamente preservada, chega-se fácilmente à conclusão de que a cidade é  merecedora do título conferido pela UNESCO.


Porta San Giovanni. Bem-vindo à "Manhattan Medieval".

Destaque, na área comercial, para a famosa "Gellateria Di Piazza", na "Piazza della Cisterna" que, segundo a lenda (e os escritos na sua porta), foi campeã mundial em duas temporadas: 2006/2007 e 2008/2009 . Eles ainda se intitulam como "o melhor sorvete do mundo". As filas na entrada indicam que realmente o sorvete é de alta qualidade (qual não é, em se tratando de Itália?). Pude comprovar que o "gelato" é merecedor da fama - especialmente o de "nocciola" (avelã), meu eterno favorito!

A Piazza della Cisterna tem esse nome em decorrência de uma cisterna localizada no meio da praça. Bastante curiosa. Marca o centro da cidade antiga.

No quesito tesouros artísticos, vale destacar a famosa "Collegiata", uma das igrejas mais lindamente decoradas da Toscana. Está localizada na Piazza Del Duomo e é e a principal igreja da cidade medieval - por isso é descrita como o "Duomo".


Piazza Del Duomo. Collegiata e a Torre Grossa, a mais alta de San Gimignano.
A Collegiata, ou Basílica da Assunção de Nossa Senhora, é um exemplar estupendo de arquitetura românica na Toscana.


Collegiata. Parte exterior sóbria. Parte interior exuberante.

Mas o destaque mesmo fica para o seu interior. As paredes da Basílica são inteiramente decoradas com afrescos. Do lado direito de quem entra, e considerando estar em frente ao altar como referência, temos cenas do "Antigo Testamento", pintadas por Bartolo de Fredi; do lado esquerdo, cenas do "Novo Testamento", provavelmente desenvovidas por Lipo Memmi. Em especial, vale prestar atenção no afresco "A Criação", o mais bonito de todos.

Temos ainda dentro da Collegiata uma interessantíssima e diminuta capela, a "Cappella di Santa Fina", em homenagem a uma das padroeiras da cidade. Singela, mas ao mesmo tempo interessante, dada a qualidade empregada nas manifestações artísticas.

Outra igreja bastante interessante da cidade medieval é a "Chiesa di Sant´Agostino", na Piazza Santo Agostino, com decoração interior que relembra passagens da vida de Santo Agostinho, desenhadas por Benozzo Gozzoli. Segundo a lenda, Santo Agostinho teria salvado a cidade da peste, fato este que foi retratado de maneira soberba em um afresco na parede norte da igreja.

O "Museo Del Vino" é uma atração gratuita da cidade e evoca uma das instituições de San Gimignano: o vinho branco Vernaccia, evocado até mesmo na "Divina Comédia" de Dante Alighieri. Não fica distante da Collegiata e vale a conferida, se o viajante dispuser de mais tempo.

Outra dica preciosa, e pouco difundida, é a "Galleria Continua". A "Galleria" é um museu particular e tem obras de arte de vários artistas famosos, como Daniel Buren e Carlos Garaicoa. Abriga também exposições permanentes, sendo que a melhor é a de Michelangelo Pistolleto. Fica na Via del Castello e a entrada é franca.

Finalmente, para que o "tour" seja completo pela urbe medieval, vale mencionar ainda o "Museo Civico", com interessante acervo de obras de arte, incluindo Bartolo de Fredi, Benozzo Gozzoli e Fillipino Lippi. Fica na Piazza Del Duomo, mais especificamente no "Palazzo Del Popolo" ou "Palazzo Comunale" (sede do governo local), ao lado da Collegiata.

Enfim, estas são as atrações principais da mais cativante das cidades medievais. Vale a pena visitar!

domingo, 14 de outubro de 2012

LUCCA, LA PIÙ BELLA!

Lucca. Fora dos roteiros turísticos das grandes excursões, mas já bastante visitada por turistas acostumados a andar de trem, é um lugar notável para se conhecer nos arredores de Pisa (vinte minutos) e Florença (uma hora e vinte minutos).

Aspecto da bela e limpa cidade de Lucca, na Toscana.

Aliás, vale aqui abrir um espaço para explicar como se chega à Lucca, a partir de Florença. Florença que, aliás, foi meu ponto de partida para se conhecer toda a região!

Primeiro, o viajante deve comprar, nos caixas automáticos, em dinheiro (euros) ou cartão de crédito (aceitam-se todas as bandeiras), a passagem "Florença Santa Maria Novella" (a estação central) para "Pisa Centrale". A viagem neste roteiro (Florença-Pisa), em trem rápido, demora uma hora. No caixa, abrir-se-á um menu, onde é possível visualizar-se todas as opções de viagem, desde as mais rápidas até as mais vagarosas. Optei, por óbvio, pela mais rápida, com uma hora de duração. Em "Pisa Centrale", vale descer e utilizar um meio de transporte (táxi ou ônibus) ou mesmo caminhar a pé, por trinta minutos, dentro de Pisa, para se atingir a famosa "Piazza dei Miracoli", onde se encontra a "Torre Inclinada de Pisa". Após o passeio, deve-se encaminhar para outra estação, a "Pisa San Rossore", a cinco minutos da Piazza dei Miracoli (importante informar-se quanto à direção, para não errar) e ali tomar o trem em direção à Lucca, em uma viagem que dura vinte minutos. Duas pessoas, viajando de trem, gastam, hoje, cerca de 33 euros. Em excursões de um dia vendidas em Florença, gasta-se, para o mesmo roteiro, 58 euros por pessoa, sem direito à qualquer tipo de refeição. Compensador ou não viajar pelo eficiente sistema ferroviário?

Didaticamente então, resumindo o roteiro, temos: Florença (Santa Maria Novella) --> Pisa Centrale --> Pisa San Rossore --> Lucca--> Florença (Santa Maria Novella). E não esqueça de validar o tíquete!


Bem-vindo à Lucca! Estação ferroviária da cidade.

Muito embora, linhas à frente, destacaremos uma série de atrações da cidade murada, que logicamente demandariam do turista ou viajante pelo menos mais um dia inteiro para conhecê-las em sua inteireza, o que descarta um simples passeio bate-e-volta. Pessoalmente, indico dormir uma noite na cidade murada, para curtir aquela atmosfera especial de um dos mais belos municípios italianos.

Lucca é conhecida internacionalmente como a cidade onde nasceu Giácomo Puccini (1858-1924), um dos grandes compositores italianos de todos os tempos. Para se ter uma idéia da dimensão de sua obra, escreveu "La Boheme", "Madame Butterfly", dentre outras composições extremamente famosas em todo o mundo. E tudo ali parece respirar Puccini. Há, inclusive, como não poderia deixar de faltar, a casa onde o famoso compositor nasceu - a "Casa di Puccini", atração localizada na Via de Poggio.

E uma coisa é certa: a cidade é inspiradora como uma bela ópera! Talvez a minha favorita na Toscana no quesito simpatia e aconchego, Lucca conquista a todos, que ali têm um imensa vontade: ficar, curtir a história, a natureza e o clima gostoso da cidade, preferencialmente alugando uma bicicleta!

Historicamente, relatos indicam que Lucca deve seu nascimento aos  etruscos (povos que viviam na região que hoje é conhecida como Toscana) e romanos. Alguns falam em fundação ainda na Era Paleolítica, mas a teoria mais difundida e aceita é a de que a cidade foi fundada em 180 a. C, pelos romanos.

O nome Lucca advém do vocábulo da língua celta "Luk", que significa "área de pântanos". Hoje, definitivamente, nada indica a inspiração para o nome!

Dando continuidade à descrição histórica, Lucca tornou-se municipalidade romana em 89 a.C. O famoso encontro entre César, Pompéu e Crasso ocorreu na cidade em 56 a. C.

No entanto, na era medieval é que Lucca encontra seu ritmo de crescimento. É o seu apogeu. A partir do comércio de seda, tornou-se um centro comercial importante em termos europeus. Foi também a época do embelezamento da cidade murada, com muitas criações arquitetônicas de grande impacto. Mas também foi uma época muito confusa em termos de guerra, fato comum na região da Toscana durante a Idade Média.

Após o século XIII, tivemos, em apertada síntese, os seguintes eventos históricos: época em que foi dominada por Florença (séculos XIV e XV); incremento agrícola (século XVI ao XVII); domínio de Napoleão Bonaparte, a partir de 1805, que doou a cidade murada à sua irmã, Elisa Baciocchi, que a governou de 1805 a 1815; incorporação ao Grão-Ducado da Toscana, em 1817; e, finalmente, tornou-se parte do Reino unificado da Itállia em 1865.

História à parte, Lucca hoje é uma cidade de múltiplas atrações, dado que seu centro histórico, um dos mais notáveis da Itália, nunca sofreu qualquer tipo de abalo, nem mesmo na Segunda Grande Guerra Mundial.

A primeira atração da cidade murada, como não poderia deixar de ser, são, justamente, os seus muros (ou muralhas, como preferem alguns). Muros que circundam todo o centro histórico, com quatro portas, sendo que, cada uma delas, leva a uma direção ou cidade diferente: a "Porta San Frediano", leva à Parma; a "San Gervasio", leva à estrada para Florença e Roma; a "San Pietro", leva à Pisa e à Estação Ferroviária; e a "San Donato", que leva à Luni.



Placa indicativa da Porta de San Pietro. Muros de Lucca.
A maior atração de Lucca, em termos arquitetônicos e culturais, é, sem dúvida, a "Catedral de San Martino", que retrata de maneira monumental o estilo românico de PisaA atual configuração da igreja data do século XV, muito embora tenha sido construída por San Frediano ainda no século VI e reconstruída pelo papa Alexandre II em 1070.


Catedral de San Martino em Lucca.
Vale destacar na Catedral a fachada, com esculturas românicas e colunatas; o belo campanário (torre), conforme se pode observar na foto acima; o "Túmulo de Ilaria del Carretto", uma linda obra em mármore no interior da igreja, de Jacopo dela Quercia; e a "Viagem dos Reis Magos", de Nicola Pisano, logo no portal esquerda (entrada).

Outra igreja imperdível de Lucca em matéria de estilo românico de Pisa é "San Michele in Foro", localizada na Piazza San Michele. "In foro", porque está localizada na praça do antigo fórum.  Destaque para o seu belo exterior, já que, no interior, apenas uma pintura de Filippino Lippi é digna de nota ("Santa Helena, São Jerônimo, São Sebastião e São Roque").


San Michele in Foro.
A Lucca romana é relembrada no "Anfiteatro Romano", localizado na "Piazza del Mercato". É muito pitoresca a praça, em formato oval. Ou seja, só se lembra que ali foi uma espécie de coliseu pelo formato atual, não pelas relíquias históricas ou mesmo pelo anfiteatro em si, que não existe mais.

Muito embora sejam imperdíveis as muralhas, a Catedral de San Martino, a Igreja San Michele in Foro e o Anfiteatro Romano (o "quarteto fantástico de Lucca"),  vale ainda lembrar, como destaques, para quem vai ficar pelo menos mais um dia na cidade murada, o "Palazzo Duccale", sede do executivo local e da antiga "signoria"; o "Teatro Giglio", com bela fachada; e as Igrejas "San Giovanni e S. Reparata", "San Romano", "San Alessandro" e "San Paulino".

Enfim, Lucca é vida! Vale a pena conhecer uma das mais belas e simpáticas cidades italianas.